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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

não é tempo para tratar de poéticas agora

capicua são números palíndromos, tipo um 1455665541 ou um 474. números que são lidos da mesma forma em um sentido e no seu reverso. capicua também é o pseudônimo de ana matos fernandes, a comandante da guerrilha cor de rosa, uma rapper portuguesa de 31 anos (portuguesa do porto, claro esteja) que tem um trabalho interessantíssimo e bastante engajado politicamente. saca só essa trinca. 







o título da postagem é o verso final de "não, não, não subscrevo...", do poeta jorge de sena (1919-1978), que capicua usa no final de "jugular". o intelectual português, que também foi crítico, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, tradutor e professor universitário, morou no brasil, nas cidades paulistas de assis e araraquara, entre 1959 e 1965.

conheci capicua através de uma tuitada de priscilla scurupa, que disse que a rapper seria uma mistura de lurdez da luz e anelis assumpção. é possível, é uma interessante mistura. e a música que priscilla citou, "casa no campo", tem citação e sampler de elis regina. quer dizer, realmente tem um tanto bom de brasil nas rimas e sonoridades dessa mc portuguesa.



ah, todos os trabalhos de capicua estão para download gratuito em seu site oficial: os dois EPs coletivos que participou em 2006 e 2007 e seus trabalhos solos, a mixtape capicua goes preemo (2008), capicua (2012) e a mixtape capicua goes west (2013), que ela fez rimas sobre beats do kanye west. os dois primeiros clipes são do disco de 2012 e "jugular" é da mixtape deste ano.

segunda-feira, 5 de março de 2012

brasil (e portugal) por cyril pedrosa

mas quem diabos é cyril pedrosa? quadrinista e ilustrador francês da cidade de poitiers, mas com um tanto de raízes portuguesas, pedrosa começou trabalhando como animador e foi integrante das equipes dos longas o corcunda de notre-dame (1996) e hércules (1997), ambos da disney. aí decidiu se dedicar exclusivamente ao traço e ao roteiro de seu traço e em 2009 soltou o delicadíssimo três sombras, lançado no início de 2011 no brasil pela companhia das letras. em novembro do ano passado, pedrosa passou duas semanas aqui numa série de compromissos em são paulo, belo horizonte (fiq) e olinda (fliporto) e não parou de rasbicar um minuto sequer (também esteve no rio de janeiro, mas ainda não postou nada). fiz uma seleção aqui do que ele colocou no seu sítio, mas antes... uma palavrinha do próprio, poucas horas antes de embarcar, e publicado no blog da sua editora aqui... "tive a sorte incrível de que três sombras atravessasse fronteiras, sendo traduzido e lido em vários países, me abrindo as portas para belos encontros e inesperadas aventuras… pela primeira vez na minha vida, graças a esse livro, eu vou sobrevoar o atlântico essa noite e chegar amanhã de manhã em são paulo. não consigo acreditar que os livros tenham um poder assim, de mobilizar os homens, de provocar encontros, de mudar vidas. parece, no entanto, que é isso."


são paulo




belo horizonte





olinda





pedrosa tem um traço muito bonito, limpo e classudamente distorcido, e já tem um outro livro em quadrinhos lançado na europa: portugal. nesse video divertido ele "fala" um sobre a gênese desse livro e os três meses que passou na vila de seus antepassados escrevendo e desenhando.




p.s.: e o bruno dorigatti falou com cyril pedrosa quando ele esteve aqui, o que resultou numa baita entrevista. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

yahoo #15

não imaginaria que "meu fraco é subcelebridade" fosse ter a repercussão que teve e se tornasse a mais lida dos meus textos até agora no yahoo (e um dos mais do próprio site, categoria colunas, claro). segundo michel blanco foram mais de 350 mil cliques, muitos cliques. pena que um erro de avaliação meu tirasse o foco do texto para muitos leitores. quando coloquei ronaldo fenômeno numa lista imaginária pensei em um nome de alguém que gostasse, mas que na atual circunstância (fora dos gramados de futebol, no caso) poderia ser tratado como uma mulher melão qualquer pelos grandes portais e revistas de fofoca. só que como não expliquei esse meu raciocínio as pessoas ficaram chocadas com esse rótulo de subcelebridade dado a ele ("por mim") e sairam me xingando de subjornalista pra baixo. devia ter colocado minha primeira opção, o eri johnson. ou não.

no mais, o ultrapop agora virou blog no yahoo e desde já contará com os meus textos dividindo espaço com os colegas dudu tsuda e pedro alexandre sanches. já no ar, e no novo endereço, "ajoelhou tem que dançar".


MEU FRACO É SUBCELEBRIDADE


Não consigo me conter. Basta olhar uma chamada com as palavras Nana Gouvêa & praia ou ex-ídolo em reabilitação ou ainda algo relacionado a qualquer ex-BBB que vou lá e me jogo. Já nem sinto mais culpa. Mas é claro que vou arrumando jeitos de explicar esse, digamos assim, desvio. Dou uma maquiada, enfeito com um monte de palavras. No fundo sei que é papo furado.

Mas é que às vezes sinto que subcelebridade é como aquele tio que você achava engraçadão na infância e quando o reencontra enquanto adulto sente um pouco de pena. Lá está ele repetindo a mesma piada há décadas. E ele sabe que a piada não funciona mais. E continua mesmo assim. Só que junto com a pena vem também um carinho, um respeito por aquela figura que te divertiu no passado. Pode substituir o tio por uma tia/prima bonitona ou qualquer outra combinação familiar possível. Subcelebridade pra mim é isso.

Mas Nana Gouvêa e Nicole Bahls não são minhas primas. Ronaldo Fenômeno não é meu tio. Priscila e Fani não estavam na mesma classe que eu no ensino fundamental. Na verdade, esses e inúmeros outros exemplos são meras engrenagens de uma máquina voraz e enigmática que produz notícias sobre nada. E o mais curioso é que subcelebridades não pagam nada para estar, diariamente, em todos os principais portais de notícias da internet brasileira. Elas estão lá por uma conspiração cósmica que une certo jornalismo de resultados (cada pageview, um flash) a um bando de gente com sede eterna para fofocas.


O que algumas dessas pessoas que buscam fama a qualquer custo não percebem – e isso vale também para famosos autodestrutivos como Amy Winehouse – é que grande parte de quem as consome gostaria mesmo de vê-las na pior, cada vez na pior. Até mortas, talvez.

Afinal, tem muito de crueldade em se alimentar esperanças de fama em corações despreparados. Mais cruel ainda é quando essas pessoas alcançam certa popularidade, porque quando ela acaba – e ela sempre acaba rápido – a diversão aumenta exponencialmente. Acompanhar um ex-BBB em sua maratona de humilhações e tiros n’água é um jeito moderno e menos sangrento de jogar escravos aos leões. À salvo do outro lado da telinha do computador, o “fã” vibra e clama por sangue. Eu não faço parte dessa torcida e quando acompanho o mundo de fofocas é na esperança de ver comportamentos surreais, cenas nonsense, bagunça, qualquer coisa que me faça rir ou que gere coisas sensacionais como o blog Ego Estagiário.

A humanidade é uma coisa complexa e fascinante e se existem pessoas que desejam a morte das outras em caixas de comentários também é verdade que nos deparamos com outras que fazem strip-tease ao som de Kátia Cega ou fazem jornalismo denúncia sobre drogas usando batata baroa no lugar de crack (caso do impagável professor Germano Borges, da tranquila e capixaba Guarapari). Ou ainda como Roberto Leal que fingiu tão bem que estava sob efeito de LSD no programa português Último a Sair que muita gente acreditou. Exatamente como um tio que mesmo após ter se curado do alcoolismo continuava fingindo estar bêbado nas festas familiares. Era assim que todos o conheciam e, curiosamente, o amavam.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

roberto leal tomou um chá e saiu por aí

pois então, o grande, o inesquecível, o bate-pé luso-brasileiro roberto leal participou recentemente de um reality show lá na terrinha. mas último a sair era um falso reality show, no qual a única parte verdadeira eram as identidades dos participantes (todos celebridades). lá pelas tantas um deles faz um chá de cogumelo e o resultado é absolutamente hilariante, principalmente por causa de roberto leal.



valeu demais @henriheu.

p.s.: roberto leal foi o vencedor de último a sair. só pelo surto ao som de prodigy já merecia.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

kizomba que eu gamo

"o que acontece quando se mistura os ritmos mais quentes do continente africano com as sonoridades e sensualidade das terras de vera cruz?". é assim que a fnac portuguesa chama atenção para a série kizomba brasil (farol música) que, do ano passado pra cá, já lançou quatro volumes misturando cantores e cantoras angolanos a grandes sucessos brasileiros recentes (para quem não sabe, kizomba é dança, ritmo e festa, tudo ao mesmo tempo). é interessante ver como angola processa rapidamente a música brasileira, inclusive o sotaque, mas ouvir um disco inteiro de kizomba é um tanto monótono, por causa da batida (diferente do enérgico kuduro). mas tem umas faixas tão desavergonhadamente românticas que é impossível não se deixar levar - e a batidinha eletrônica, em doses homeopáticas, é muito boa. a dica veio de oga mendonça que jogou na mão o kizomba brasil vol. 1 que traz artistas como nelson freitas, don kikas, chelsy shantel e gaby fernandes, além de versões para hits como "morango do nordeste" e "coisas que eu sei". achei no youtube clipes de duas das melhores faixas desse primeiro volume. primeiro, "boa sorte/good luck" (vanessa da mata e ben harper), quase tão boa quanto a original (e em dueto de nelson freitas e chelsy shantel).



a dupla nelson e chelsy volta com carga total em "amor perfeito" (michael sullivan, paulo massadas, lincoln olivetti e robson jorge), gravada originalmente pelo rei roberto em seu disco de 1986.

domingo, 23 de agosto de 2009

domingueira

o rap é um dos gêneros preferidos da casa, acho que já deu pra notar, e já tem um tempo que as (boas) surpresas não param. aqui no brasil temos uma cena interessante que ainda precisa e merece um público maior, principalmente pra fugir de vaidades e cobranças internas. afinal, gente(s) como costa a costa, projeto manada, ca.ge.be., relatos da invasão, emicida, inquilinus, parteum, contrafluxo, z'áfrica brasil, gog, mamelo sound system, elo da corrente, rappin hood, thaide e racionais mc's, entre outros, ainda tem muito a dizer. mas divaguei, fui longe, porque tava querendo dizer que a partir do ótimo rap brasileiro pude ouvir que existe sim um mundo inteiro de rimas pr'além do inglês (que sempre será, não tem jeito, a melhor língua pro gênero).

por exemplo, sam the kid que, na verdade, se chama samuel martins torres santiago mira e é lisboeta do ano de 1979. conheço seu som tem uns três anos desde que ouvi numa lapada só os discos beats vol. 1 - amor (loop recordings, 2002) e pratica(mente) (edel, 2006). apesar de um certo estranhamento inicial com a língua no rap - na comparação, o português brasileiro parece rápido como de um novaiorquino maluco -, sam the kid se garantiu aqui no espaço com um invejável arsenal de rimas e batidas. mas curioso que só hoje vi esse ótimo clipe "poetas de karaoke", a preferida aqui da casa e hit do disco pratica(mente), cuja letra fala da necessidade e do orgulho de se fazer rap em sua própria língua.

sábado, 4 de abril de 2009

sobre o mito bruno aleixo

faz pouco mais de um ano que bruno aleixo (1957-2008) surgiu na internet. a princípio, o personagem criado pelos portugueses joão moreira, joão pombeiro e pedro santo era um ewok, mas quando saiu da rede para ganhar um programa na tv sic radical precisou virar um misto de cachorro e urso (george lucas bateu o pé?). o trio luso é parte integrante do GANA, guionistas e argumentistas não-alinhados, que possui um canal próprio de comunicação, o CANA, e que se rege pelos seguintes princípios: não-violência física entre membros, violência verbal moderada, conferir sempre o troco, espírito de entreajuda e boa disposição.

na internet, a primeira série do aleixo, "os conselhos que vos deixo", era uma espécie de pílulas de sabedoria deixadas pelo morimbundo. depois vieram "as mensagens que deixo pra você", com direito a um cristo redentor de fundo, e a sensacional "aleixo na escola", que tem um dos meus episódios preferidos. apure os ouvidos para a prosódia portuguesa e rache o bico.



o humor nonsense, incômodo e cheio de silêncios e gírias (portuguesas, com certeza) acabou fazendo um baita sucesso pelas bandas de cá, no que pode ser considerado o primeiro produto cultural português consumido no brasil (na internet, claro esteja) anos depois do roberto leal e do bolinho de bacalhau. eles, por outro lado, já consomem com voracidade nossa música e televisão.

tudo isso me veio a cabeça porque li no terron uma entrevista ótima com o gaúcho marcelo barbosa, que vem trabalhando com os portugueses em uma nova série, "el circo bueno". aí fui dar uma checada no canal que o animador brasileiro tem no youtube e me deparei com o genial clipe de "brega do raparigueiro" do smashing pumpkins. olha só.



enquanto isso, bruno aleixo continua se espalhando pelo orkut, facebook e myspace. mas, opa... já ia me esquecendo... "el circo bueno" é o flagrante de um plágio feito por animadores uruguaios de textos d'o programa do aleixo. claro que é tudo brincadeira dos portugueses. este aqui é o primeiro episódio. já tem outro no site do CANA.

terça-feira, 31 de março de 2009

majestade, com certeza

essa veio do mano edson franco, que disse apenas: "do caralho!". aí fui ouvir/ver e me deparei com roberto carlos, jovem de tudo, cantando "coimbra" (raul ferrão e josé galhardo). o ano é 1966 e esse video veio do programa rtp memória, da emissora portuguesa rtp, que recuperou gravações históricas como essa do programa canção é espetáculo. suingue e timidez, é isso aí...