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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

"my soul is black, meu sangue é quente"

show lindo, poderoso, político, afetivo, cheio de emoções e distorções esse 'a mulher do fim do mundo' da grande gigante elza soares. ela ali no alto de seu trono, frágil e poderosa, entra com tudo nas músicas do disco, algumas difíceis ("benedita", celso sim e pepê mata machado, com participação de celso) ou épicas ("o canal", rodrigo campos), rasgadas ("dança", cacá machado e romulo fróes) ou das ruas ("firmeza?!, rodrigo campos), sambas punk ("pra fuder", kiko dinucci) ou apocalípticas ("luz vermelha", kiko dinucci e clima), espelhos ("a mulher do fim do mundo", romulo fróes e alice coutinho) ou conscientes ("maria da vila matilde", douglas germano). e assim vai, voz tinindo.



e acompanhada de uma puta banda (guilherme kastrup, rodrigo campos, rafa barreto, marcelo cabral e da lua com metais e sopros do bixiga 70 e quarteto de cordas) e uns arranjos tão fiéis ao disco, um dos grandes desse ano, quanto potentes ao vivo. tudo também muito paulistano, tirando beleza e urgência de sujeiras e distorções.

além das músicas inéditas, quatro de seu passado: a já clássica "a carne" (seu jorge, marcelo yuka e ulisses cappelletti), uma arrepiante "malandro" (jorge aragão) e, nos bis, "volta por cima" (paulo vanzolini) e "pressentimento" (elton medeiros).

ela disse, do alto de seus 78 anos, que queria um disco com sexo e negritude. não só conseguiu, em disco e no show, como foi além mostrando que a atual fragilidade física não é páreo pra sua energia inquieta de artista mulher negra.



e foi lindo vê-la feliz sendo aplaudida de pé em vários momentos e amada de muitas formas em um show absolutamente arrebatador, de abrir sorrisos e chorar repetidas vezes (eu chorei pelo menos duas vezes, carolina outras tantas), de pensar e se incomodar, de se enroscar e ser repelido(a). foi um show tipo viver mesmo, no que tem de mais lindo e perturbador. elza soares da vida, diria itamar assumpção. e que bom, que importante, que a gente tenha percebido que temos muita sorte de ter e ser elza.



p.s.: acho, só acho, que teria sido muito foda ela cantar "elza soares" do itamar assumpção.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

pelas marginais os pretos agem como reis

doze anos separam o atual cores e valores do anterior disco de inéditas do racionais mcs, nada como um dia após o outro dia. o que era caudaloso e prolixo no início dos anos 2000, tornou-se sintético, curto e direto nos impressionantes 32 minutos de duração neste trabalho de agora. densos e afiados eles permanecem.

fui ao show de lançamento, neste sábado 20 de dezembro, do cores e valores no grande, feio e com som péssimo espaço das américas. e foi bem interessante ver e ouvir pela primeira vez esses tempos e músicas diferentes do racionais em uma mesma noite. 


mas antes, um flashback rápido... quando li o texto do andré caramante, o primeiro a sair com mais informações sobre o novo disco, pouco antes de seu lançamento oficial em 25 de novembro, bateu uma frustração. pouco mais de meia hora? faixas de dois minutos ou menos? tanto tempo pra tão pouco? e músicas sensacionais como “mulher elétrica” não ganharão registro oficial?

então, na madrugada deste 25 de novembro, enquanto os estados unidos ferviam em chamas por mais um policial branco sendo inocentado pelo assassinato de um negro [sim, ferguson], veio cores e valores. uma, duas audições depois, a frustração virou euforia [quer dizer, ainda sobrou um pouco de frustração, pois quero mais racionais, mais e mais, e não só eu; por sorte teve disco solo do edi rock no ano passado e ano que vem tem solo de mano brown e outro com ice blue e helião; os caras estão produzindo bastante].

euforia porque é um disco poderoso - mesmo que não tenha canções épicas como “negro drama”, “vida loka”, “homem na estrada” e “capítulo 4, versículo 3”- e acredito que vai melhorar com o tempo. principalmente se for o primeiro capítulo de uma série, ou uma nova fase, como disse mano brown em entrevista a rolling stone [“o álbum não acaba ali. ele só pavimenta o caminho para uma nova estrada”]. é também uma mistura veloz de memórias [de mano brown e edi rock, basicamente], ficções [o lado gangsta dos ladrões de banco da capa/contracapa do disco] e crônicas das mudanças sociais e desigualdades permanentes na periferia paulistana da última década.


então, quase um mês após o lançamento, cores e valores chegou pela primeira vez ao palco. apesar do, repito, som péssimo [acústica idem] do espaço das américas, que prejudicou alguns momentos do show [não dava pra entender algumas partes de edi rock], taí um disco que faz muito mais sentido ao vivo, principalmente pela força cênica do racionais.  estavam lá uma fachada de caixa forte de banco como cenário principal, com direito a torres de vigilância e kl jay e outros dois djs [cia e ajamu] no alto da muralha, motos atravessando o palco, uma caçamba, helião, lino crizz, b-boys mascarados e mano brown, ice blue e edi rock, ríspidos e atentos, sempre com muito o que dizer.

toda a primeira parte do show foi de cores e valores - mas acho que não na ordem do disco - e ao vivo as rimas ganham sempre novas camadas. porque racionais mcs é muita informação reunida, muitas imagens criadas, muitos corações machucados por metro quadrado, e os 32 minutos desse disco costuram isso tudo em um roteiro intricado e moderno. ao vivo ganha suor e dramaticidade.


parte considerável do público - estimativa de umas 7 mil pessoas - já sabia algumas letras de cor: “preto zica”, “finado neguim” [tem vídeo logo abaixo], “você me deve” e “quanto vale o show?”, pelo que me lembro. primeira parte foi intensa com aquele ar de expectativa por testemunhar a primeira apresentação de um trabalho novo de um dos maiores grupos da história musical brasileira.

a segunda parte foi de relaxamento, pois vieram os hits e o bicho pegou de vez. “negro drama”, “homem na estrada”, “eu sou 157” e “vida loka [partes 1 e 2]”, por exemplo, colocam todas e todos para cantar junto, alto, e gesticular muito. gente de tudo que é tipo, certamente o público mais variado que vi nos últimos anos em são paulo. claro que tinha quem estava lá pela “balada” ou que se preocupava mais em filmar e se filmar do que assistir ao show, mas no geral rolou uma entrega coletiva.

e olha que, como quase sempre, eles não facilitaram: o show, que foi precedido por pequenas apresentações do obstinados [grupo da zona sul e não de osasco como escrevi antes; valeu cleiton magnum, nos comentários], dexter e negra li, só foi começar depois de 1 da manhã e acabou lá pelas 3, sem mais ônibus, metrô ou trem. também não teve discurso, nada de mano brown, e tirando ice blue que se jogou pra galera no final, não houveram afagos para o público. não importa. eles são como aqueles mestres orientais, rigorosos e poéticos, e podem muito bem dar uma cajadada em nossas cabeças porque certamente sabem de algo que a gente nem desconfia [e talvez nem eles saibam conscientemente]. somos o que somos.


p.s.: ano passado vi racionais na virada cultural e escrevi um texto sobre o classicão sobrevivendo no inferno para o livro indiscotíveis [lote 42], que foi lançado este ano, que acabou com show do disco novo cores e valores e marcou os 25 anos de carreira do grupo. tá pouco de racionais, manda mais.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

notas aleatórias sobre um grande show

foi uma grande e longa noite no teatro municipal. a terceira edição do 'casa de francisco em concerto' pareceu uma peça do teatro oficina: cinco horas, dois intervalos, um monte de artistas no palco; só faltou gente pelada.

dividido em 3 partes, o show começou com um bloco levado por benjamin taubkin. foi o mais longo e, pra mim, o único com momentos chatos. ótimas participações de felipe cordeiro com o pai manoel cordeiro, marcelo pretto, pau brasil e mani padmé trio. teve também renato braz, que é um sujeito que me dá vontade de morrer, e alaíde costa que fez uma versão muito falha e só no gogó de villa-lobos. 

o segundo bloco, capitaneado por arrigo barnabé, teve uma cara de vanguarda paulistana. rolaram grandes momentos com cida moreira, zé miguel wisnik, cacá machado, ná ozzetti, celso sim, isca de polícia e maurício pereira com daniel szafran [que lindo foi ouvir "um dia útil" no teatro municipal]. 

o terceiro, mais atual e interessante, veio com kiko dinucci. e lá vieram os amigos romulo froés, rodrigo campos e marcelo cabral [passo torto], thiago frança e juçara marçal [metá metá], a juçara detonando solo, etc. e ainda teve alessandra leão cantando a música mais bonita da noite ["pedra de sal"] junto com rodrigo caçapa e manu maltez. o encerramento épico veio com o trio emicida, rodrigo campos e thiago frança [do espetacular show que já falei aqui] e então o metá metá se juntou.


emicida + metá metá

lá pelo final, antes do metá metá se reunir a emicida, kiko dinucci fez um breve discurso pra casa de francisca e agradeceu a presença do prefeito fernando haddad, que foi muito ovacionado.

ao fim & ao cabo, a noite foi ótima, apesar do cansaço de cinco horas, da confusão de algumas passagens de um artista pro outro, do roteiro também ocasionalmente confuso e da falta de um mestre de cerimônias que apresentasse os músicos e preenchesse os vazios.


uma parte do elenco do show agradecendo ao final

de qualquer forma, vida longa a casa de francisca! que venham novos, grandes e pequenos shows.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

rap esquema novo

sem medo de adjetivos e afirmações categóricas: emicida, thiago frança e rodrigo campos criaram na casa de francisca um dos melhores, mais intensos, surpreendentes e divertidos shows do brasil, quiçá do mundo. é algo entre gil scott-heron e adoniran barbosa. é o experimentalismo do sax, flauta e pocket piano de thiago com o da guitarra, violão e cavaquinho de rodrigo fazendo cama para a velocidade urgente das rimas de emicida [e que com esse acompanhamento acabaram ganhando novas e surpreendentes densidades junto a um flow mais relaxado]. 


quase no final, antes de um engraçadíssimo momento freestyle que uniu emicida a grupo raça, padeirinho, bezerra da silva e paulinho da viola, thiago frança disse o seguinte: "ó, todo mundo aqui é sambista, viu?". e é a mais pura verdade porque o rap é também uma outra forma de sambar. só que o que aqueles três fizeram na pequenina casa de francisca já está além. tem algo muito novo surgindo desse encontro [idealizado por thiago]. que sorte a nossa.

setlist do show


- “ngoloxi” [thiago frança] / “ubunti fristili” [emicida]
- “crisântemo” [emicida]
- “outras palavras” [emicida]
- “sol de giz de cera” [emicida]
- “ela diz” [emicida]
- “rua augusta” [emicida]
- “fim da cidade” [rodrigo campos]
- “beco” [rodrigo campos]
- “saudosa maloca” e “despejo na favela” [adoniran barbosa]
- “hino vira-lata” [emicida]
- momento freestyle que teve “favela” [padeirinho], “eu sou favela” [noca da portela e sérgio mosca], “eu e ela” [grupo raça], “meu mundo é hoje” [wilson batista e josé batista] e “timoneiro” [paulinho da viola e hermínio bello de carvalho]
- “triunfo” [emicida]

atualização: o programa manos e minas [tv cultura] fez uma matéria sobre o show e a gravação foi justamente nesse dia que fui. 

segunda-feira, 11 de março de 2013

gal costa, muito ao viva

lançado no finalzinho de 2011, recanto foi uma linda volta aos braços de gal costa (doce, rascante, a baita intérprete de sempre, uma das maiores do mundo). o mano caetano, vindo de sua fase roqueira, e moreno veloso deixaram tudo mínimo, poderoso e levemente eletrônico na produção deste ousado disco de inéditas, e gal deu a volta nas mudanças naturais de sua voz. não é nada fácil criar clássicos instantâneos neste engarrafado século 21 e recanto veio com duas de uma vez só: "recanto escuro" e "neguinho". tudo lindo, tudo certo, e em outubro do ano passado foi gravado no teatro tereza rachel, no rio de janeiro, um registro da turnê. agora, junto com o lançamento do dvd recanto ao vivo (e de um consequente cd duplo), o canal do youtube da cantora disponibilizou (por enquanto) 10 das 23 músicas do show. escolhi 6 para colocar aqui, começando com "recanto escuro", "neguinho" e "miami maculelê", todas de recanto.







o show também foi dirigido por caetano veloso e a banda é formada por pedro baby (guitarras), bruno di lullo (baixo) e domenico lancellotti (bateria e mpc). o roteiro alterna inéditas e alguns clássicos do repertório de gal, todos com arranjos novos e cheios de surpresas, tais como "da maior importância", "barato total" e "vapor barato" (numa versão particularmente emocionante com a cantora chorando ao introduzir o solo de guitarra de pedro baby).







sexta-feira, 24 de junho de 2011

pará invade são paulo, outra vez

de volta ao lar depois de uns dias além mar (ooops, rimou) me preparo para assistir a segunda edição do terruá pará, cinco anos após o primeiro, e que acontece hoje e amanhã, às 21h, no auditório ibirapuera. quem passa por aqui sabe que o pará é uma das obsessões da casa (junto com rap, áfrica, documentários, a questã das drogas, política e por aí vai), tanto que já falei bastante de gaby amarantos, gang do eletro, waldo squash e maderito, alguns dos artistas que estarão no palco nestes dois shows. mas tem muito mais gente, de tribos, sons e gerações das mais diversas: solano, dona onete, manoel cordeiro, felipe cordeiro, félix robatto (félix y los carozos), sebastião tapajós, pio lobato, orquestra juvenil de violoncelistas da amazônia, grupo charme do choro, carimbó uirapuru de marapanim, lia sophia, luê soares, paulo andré barata e edilson moreno. vou colocar aqui uma palinha do que são paulo pode esperar nestas duas noites potencialmente inesquecíveis. tem para todos os gostos e pode começar com a voz rascante, safada e poética de dona onete.



ou a jovem guitarrada de pio lobato (la pupuña/cravo carbono).



ou o brega sacolejante de edilson moreno.



ou o folclore vivo do carimbó uirapuru.



ou a versatilidade de lia sophia.



ou félix y los carozos que emprestou alguns de seus integrantes (o guitarrista félix robatto e o baterista adriano sousa, ambos ex-la pupuña) para formar a banda base para todo esse terruá.



ou a erudição de sebastião tapajós.



ou as canções de luê soares.



ou as muitas caras/sons de felipe cordeiro (e o pai manoel cordeiro).



ou o compositor paulo andré barata (de hits como "foi assim" eternizado pela conterrânea fafá de belém).



ou os eruditos-moleques da orquestra juvenil de violoncelistas da amazônia.



ou o choro raiz das meninas da charme do choro.



ou o clássico brega solano.



além de, claro, gaby amarantos e a gang do eletro.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

na estrada

alguns músicos argentinos ligados ao selo zzk records fizeram, agora em julho e agosto, uma turnê pelos estados unidos e canadá. bom pra eles, você deve estar pensando. 'magina! o pessoal filmou tudo e está colocando lá no vimeo pequenos e ótimos documentários sobre a viagem. até agora subiram três, mas irei atualizando nos conformes. ah, e estão presentes nos videos el remolon, el g, tremor e chancha via circuito. é cumbia digital da pesada.

ZZK TV EPISODE ONE - ZZK NYC

ZZK TV EPISODE 2 - LAS ADVENTURES OF EL REMOLON

ZZK TV EPISODE 3 - MALAMBO ON FIRE

ZZK TV EPISODE 4 - BIENNIAL OF THE AMERICAS

ZZK TV EPISODE 5 - WEST COAST! from ZZK Records on Vimeo

ok, muito massa. mas é bom colocar som também, né não? el remolon é o que mais gosto entre os zzk. o mais recente trabalho do sujeito é o excelente ep pangeatico (que tem participações de lido pimienta, boogat e fantasma). detalhe: el remolon só conheceu lido e boogat pessoalmente nessa viagem (parte 2). as músicas abaixo foram colaborações feitas pela internet mesmo.

El Remolon - Pangeatico EP by zzkrecords

domingo, 28 de março de 2010

domingueira

depois de muitos domingos de ausência, a domingueira volta relaxadona com karina buhr (myspace aqui). é que a pernambucana, vocalista do comadre fulozinha, lançou no começo do ano sua estreia solo no excelente eu menti pra você (independente, 2010), já um dos melhores discos do ano (indiquei lá na revista monet). entre sons muitos variados como um tamborzão irônico ("ciranda do incentivo"), baladas urbanas e alguns petardos punks, karina encerra o disco com o reggae/dub/marchinha "plástico bolha".



e aqui vai uma foto que tirei da moça, em 2006, em participação num show do cidadão instigado no memorial da américa latina.


domingo, 7 de fevereiro de 2010

domingueira de 1 ano

um ano. 12 meses. 365 dias. é o tempo de vida desse espaço aqui, o esforçado. o primeiro post do blog foi pro ar em um sábado, igualmente quente e ensolarado, e eu não tinha ideia se conseguiria mantê-lo, se pessoas apareceriam (fora os amigos), se seria divertido, se tanta coisa... e depois de um ano posso dizer que consegui mantê-lo (391 posts, esse é o 392), que pessoas apareceram (aproximadamente 17 mil visitas e 24 mil pageviews) e eu tô me divertindo bastante (o twitter também colaborou nessa onda). quero agradecer muito a todos que passaram e passam por aqui, afinal um dos grandes motivos de ter criado esse blog vem da minha vontade de compartilhar coisas bacanas e/ou divertidas e/ou etc. então, continuem por aqui porque eu também estou. sempre.

mas hoje é domingo, dia de domingueira, e como é momento especial saquei uma carta coringa. é um show, na íntegra, de um dos meus heróis pessoais, itamar assumpção. essa apresentação sensacional é de 1983, está dividida em 5 partes e conta com as presenças de suzana salles e virginia rosa (vocais), rondó (guitarra), paulo lepetit (baixo) e gigante brasil (bateria), além da participação especialmente de denise assumpção, irmã de itamar. um salve pro nego dito! e um beijo em todo mundo.

parte 1


parte 2


parte 3


parte 4


parte 5

sábado, 30 de janeiro de 2010

documentando música

"fragmentos de um show no inverno portoalegrense. relatos de arthur sobre seu ofício, inspirações e afinidades". estrelando o sempre excelente arthur de faria e seu conjunto.



"mini-documentário sobre a passagem do macaco bong pelo auditório ibirapuera em show com convidados especiais: jack do porcas borboletas, siba, vitor araújo e a metaleira do móveis coloniais de acaju". precisa dizer mais?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

sábado, 16 de maio de 2009

romulo não fica quieto

dificil saber por onde começar quando o assunto é romulo fróes, mas a primeira coisa que me vem a cabeça é que é muito bom poder acompanhar, mais ou menos próximo, as mudanças de um artista, o seu desenvolvimento. e tem uma porrada de exemplos na música brasileira nos últimos dez anos. só que o assunto aqui é romulo fróes e ele tá de disco novo.

conheci a música do paulistano pouco antes do lançamento de calado (bizarre, 2004). gostei de cara dos sambas estranhos, tristes, tortos. de um quê de nelson cavaquinho, batatinha e jards macalé. dos arranjos. da participação visceral de dona inah. do video de "suite". da regravação de ataulfo alves ("na cadência do samba"). fui no show de lançamento no sesc vila mariana e tava tudo lá, com direito a um romulo de ar roqueiro indie e totalmente sem jeito no palco (mão no bolso, imagine), e uma banda ótima com figuras tarimbadas de regionais de samba de são paulo (o clarinetista stanley, o violonista zé barbeiro e o bandolinista milton de mori, etc.), além do baixista fábio sá e de clima, um dos parceiros mais frequentes, na guitarra. as duas fotos que ilustram este texto tirei naquela noite.

depois veio cão (yb music, 2006) e sob algumas novas influências. após ser o diretor musical do show que refez acabou chorare (som livre, 1972) dos novos baianos dentro do projeto disco de ouro, romulo deixou a guitarra tomar mais espaço junto com uma certa psicodelia. gostei de cara. da entrada de curumin e lanny gordin. da velha guarda da nenê de vila matilde. do video de "sobre a gente". da regravação de nelson cavaquinho e guilherme de brito ("mulher sem alma"). o samba continuava lá, e muitos dos músicos também, mas tudo parecia ainda mais deslocado. também fui ao lançamento, dessa vez no sesc pompéia, e tava meio vazio porque na mesma noite tinha algum show gringo muito do disputado (quem era? gang of four?). taí, um dos melhores shows da minha vida. numa boa. se não me engano a banda virou zé barbeiro (violão 7 cordas), lanny gordin (guitarra), fábio sá (baixo) e curumin (bateria), e eles fizeram o diabo no palco. romulo sempre tímido, olhando pra baixo, pendendo de um lado para o outro, mão no bolso. lembro de um momento em que ficaram somente zé barbeiro e lanny gordin tocando e eu arrepiei porque ali estavam duas escolas muito diferentes, com destinos muito diferentes, tocando juntos. a coisa toda pareceu perfeita demais e as músicas ganharam mais força, mais presença.

agora é a vez de no chão sem o chão (yb music, 2009) e dessa vez não consegui ir no show de lançamento. fruto de uma crise com os músicos que o acompanhavam e com as músicas que vinha fazendo, romulo queria com esse disco se desfazer da imagem de "sambista" e assim abriu espaço para algumas experimentações, principalmente no encontro entre voz e música. projeto ousado pelo tamanho, o disco duplo vem com 33 faixas que ajudam a implodir ainda mais o tal conceito velho e vazio de mpb (afinal, a música popular brasileira só pode se contrapor a música erudita brasileira ou a música instrumental brasileira, não é rótulo e pronto). gostei de cara da coragem. do tamanho da empreitada. da regularidade na alta qualidade das canções. da melancolia rascante e eletrificada das letras de nuno ramos, clima e romulo. de guilherme held na guitarra (curumin e fábio sá continuam em muitas faixas). das participações instrumentais e fundamentais de bocato, andré mehmari, tatá aeroplano, mauricio tagliari, lanny gordin e rui weber, entre outros (destaque para o duelo/encontro do piano de mehmari com a guitarra de lanny em "ou nada"). das vozes de mariana aydar ("de adão pra eva"), anya ("ela me quer bem"), nina becker ("ninguém liga" e "astronauta"), lulina ("se eu for") e da velha guarda da nenê de vila matilde ("manda chamar" e "caveira", esta um rock que poderia ser de... walter franco, talvez). da regravação de assis valente ("uva de caminhão") com andreia dias.

o samba tá sempre pelos cantos dos discos, e muitas vezes na frente, mas a guitarra agora suja mais a batida da bateria ("qualquer coisa em você mulher" é um belo exemplo disso). mas tem rocks ("anjo", "peraí", "ela me quer bem"), ska ("minha casa"), bossa ("amor antigo", "fui eu" e "gelatina"), marchinha ("o que todo mundo quer/ninguém liga") e tudo o mais que ele ouvir. que é um tanto do que também ouvimos, tudo misturado, sem gradações ou hierarquias. por essas e outras que um rótulo abrangente e desbotado como a mpb parece cada vez mais sem propósito. mas deixa pra lá que a batata já está assando para a tal mpb, não coincidentemente junto com a tradicional indústria fonográfica e as grandes gravadoras. o que me fez lembrar de "para fazer sucesso", música que abre o segundo disco, no qual romulo canta que "para fazer sucesso faço uma greve de fome / para saber meu preço olha como um bicho dorme / (...) eu sou um resto que eu detesto de um projeto cultural / imobiliário, financeiro, otário e quase oficial". romulo, diferente de muitos artistas, não se isenta da fogueira das vaidades, da roda viva da cultura nacional (não custa lembrar que o cantor e compositor trabalha com nuno ramos, um dos artistas plásticos brasileiros mais inquietos da atualidade).

já ia esquecendo uma coisa sobre no chão sem o chão: os discos são chamados de 1a. sessão - cala boca já morreu e 2a. sessão - saiba ficar quieto. e pronto.

p.s.: os clipes de "suite" e "sobre a gente" estão aqui.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

ainda miles davis (e com surpresa)

miles davis continua me perseguindo. ontem terminei de assistir miles electric - a different kind of blue (2004), documentário realmente ótimo, com direito a entrevistas com boa parte dos músicos que tocaram com o trompetista na virada das décadas de 1960 para 1970 e muitas cenas de sua apresentação histórica no isle of wight festival em 1970 (airto moreira, impagável, afirma que fica surpreso ao lembrar de detalhes da apresentação, afinal, tava mutcho loco, entre apitos, cuícas, reco-reco, pandeiros e uma infinidade de sons brasileiros injetados naquela loucura funk-progressiva de miles). agora, qual não foi minha surpresa quando aos 31 minutos e 49 segundos do filme, em uma cena muito rápida de platéia, vejo isso.

gilberto gil!!! com sua típica cabecinha de lado, regatinha, black is beautiful e tal. a edição de 1970 do festival aconteceu na época em que gil e caetano estavam exilados na inglaterra. os dois e alguns outros músicos brasileiros fizeram uma apresentação improvisada na abertura do segundo dia do festival (27 de agosto). miles davis subiu ao palco dois dias depois. 600 mil pessoas por todos os lados.

como disse no post anterior, o documentário de murray lerner está no youtube.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

domingo, 3 de maio de 2009

deixa essa vergonha de lado

passadinha na praça da república (nação zumbi, lotaaado) rumo ao largo do arouche. encontrei com o taciba (gafieiras) e vi o final apoteótico do silvio brito. virada cultural nas ruas cheias do centro. quase dá pra sonhar com o tal do outro mundo possível com gente de todo tipo se cruzando, dançando junto. mas é só olhar pro chão e perceber a quantidade absurda de lixo. voltamos ao brasil velho de guerra. mas tava querendo ver odair josé. que puta show! um hit atrás do outro. gente dançando na janela, todos se esgoelando com as mãos pra cima. delírio geral. zeca baleiro apareceu pra cantar "eu, você e a praça", mas odair se garantiu com uma banda boa e porradas do naipe de "a noite mais linda do mundo", "essa noite você vai ter que ser minha", "uma vida só (pare de tomar a pílula)" e "cadê você". gravei no meu celular meia boca um momento-ápice: "eu vou tirar você deste lugar". até a próxima virada.

p.s.: putz. agora que vi o video. tá uma bosta, não dá pra ver o odair. ooops. mas como diria, paulo do larica total: "é o que temosh!". reclamações na janela abaixo.

sábado, 2 de maio de 2009

milhas de miles

uma coisa puxa outra que puxa outra que puxa outra. chegou na redação a caixa comemorativa de 50 anos do kind of blue (columbia/sonybmg) de miles davis, um daqueles raros discos que trascendem o próprio gênero (e que ainda por cima é sucesso comercial desde seu lançamento). a tal da caixa - não existe outra palavra capaz de descrevê-la, é imprescindível mesmo - traz as cinco faixas originais ("so what", "freddie freeloader", "blue in green", "all blues" e "flamenco sketches") no disco 1, além de conversas, trechos variados e um take alternativo de "flamenco sketches". no disco 2 uma versão gigante (17 minutos!) e mais rápida de "so what" e ainda algumas músicas que não puderam entrar no disco ("on green dolphin street", "stella by starlight", "love for sale" e duas versões de "fran-dance"). pra fechar com chave de ouro um dvd com um documentário, galeria de fotos e um especial para tv feito em 1959 com o grupo de miles davis na época (com um john coltrane de rosto compenetrado). achei esse trecho no youtube com a linda e imortal "so what".




e aí, sem querer, achei na internet um documentário excelente chamado
miles electric - a different kind of blue (2004), de murray lerner, que flagra miles davis dez anos depois de kind of blue. o inquieto miles está no início de suas fusões e experimentações elétricas no jazz. é tempo do igualmente clássico bitches brew (1969), de seus irmãos in a silent way (1969), a tribute to jack johnson (1970) e on the corner (1972), e de sua histórica apresentação no isle of wight festival em 1970 (o documentário de lerner está todo no youtube, em 9 partes, a partir deste video). e segue aqui um trecho mutcho loco com o grupo de miles no festival, e o brasileiro airto moreira fazendo todo tipo de barulho (de cuíca inclusive). a música é "call it anything". mestre é pouco.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

virada, virando

2007. assisti apenas um show na virada cultural. racionais mc's na praça da sé. precisa dizer mais? quase tomei umas garrafadas e acompanhei os malucos subindo em bancas e prédios, barbarizando, e depois a polícia tocando o terror. foi intenso e inesquecível.

2008. trabalhei na virada fazendo (pequenas) entrevistas pra organização (nunca vi o resultado; houve?). eu e um câmera, das 6 da manhã até às 6 da tarde. vi pedacinhos de shows, andei bastante e conversei com figuras como dona ivone lara, nelson sargento, hamilton de holanda, danilo brito, pepeu gomes, tonico, eduardo gudin, théo de barros, costa a costa e lá se vai a memória escorrendo pelos dedos...

2009. o que será que será? só hoje tô vendo a programação... tem arrigo barnabé tocando clara crocodilo, egberto gismonti tocando alma e tom zé tocando grande liquidação (teatro municipal), instituto, thalma de freitas, bnegão e carlos dafé cantando tim maia racional (av. são joão), um bailão com benito di paula, luiz ayrão, wando, bartô galeno, reginaldo rossi, odair josé & etc. (largo do arouche), tutti frutti, camisa de vênus, vanguart, nação zumbi e nasi (praça da república), anelis assumpção, iara rennó, curumim, rockers control e comadre fulozinha (largo santa ifigênia), música instrumental (conselheiro crispiniano), trio mocotó, clube do balanço, os opalas e sambasonics (av. rio branco), e muitos etc. nem idéia do que vou conseguir assistir.

no entanto, uma certeza: o grupo de fotografia do gafieiras (um salve pro manos jeff, ângulo e cia.) estará no largo do arouche acompanhando e registrando o bailão popular. é nozes!

p.s.: fiquei pensando depois sobre o palco são bento, célebre nascedouro do rap paulista/brasileiro... tá lá que o thaide vai apresentar grupos de b-boys e rap. mas pelo que se vê ali não tem ninguém conhecido. o rap continua sendo esvaziado, ainda de "castigo" pelo racionais-praça-da-sé de 2007. no ano passado, o "palco do rap" foi transferido para o parque dom pedro, um lugar longe da maioria dos eventos centrais e o único altamente policiado (com revista e etc.). lá no blog per raps tem uma reportagem muito boa que pergunta "onde está o rap na virada cultural?"

terça-feira, 28 de abril de 2009

da mata, de paraty

faz tempo que o especial multishow ao vivo - vanessa da mata foi gravado. foi numa quinta mezzo nublada no final de novembro do ano passado, em paraty (rj). clima ótimo na platéia, dividida entre locais, turistas gringos e hippies malucos. escrevi uma reportagem na monet de abril, que segue aí logo abaixo, e o especial finalmente estreará na próxima quinta, dia 30, no multishow, às 22h15 (e com desdobramentos em cd e dvd).

foi o primeiro show que vi de
vanessa da mata e mesmo tendo gostado muito do disco
sim (sonybmg, 2007), base de todo especial, não esperava que fosse ser tão bom. pegada, leveza, arranjos ótimos e a participação especialíssima da dupla jamaicana sly & robbie.


VANESSA DA MATA DE PARATY

Motores de popa sumindo no horizonte, cascos de cavalo trotando em calçadas centenárias e um tranquilo martelar em frente a Igreja de Santa Rita. Estes eram alguns dos sons ouvidos por quem chegava na histórica cidade de Paraty em uma quinta-feira aparentemente normal lá pelo final de novembro de 2008. Mas de normal aquela quinta não tinha nada: não é todo dia que é possível assistir e participar da gravação de um especial para TV, mais precisamente do
Multishow Ao Vivo – Vanessa da Mata. Ao longe, um carro de som chamava a população para o show de fim de tarde.

“Tenho uma história longa com Paraty. Conheço os bolos, os tiozinhos dos bolos, os cafés, as ruas todas, tenho realmente uma relação com a cidade. Foi perfeito. Tinha a ver com a minha carreira, céu aberto, barroco brasileiro de arquitetura, todo mundo na rua, meio interiorzinho, nada de 45 mil pessoas. Precisava de uma coisa mais poética mesmo, mais acolhedora”, explicou Vanessa em conversa por telefone tempos depois do show. E a cidade a acolheu com sua mistura de turistas estrangeiros, malucos vendedores de pulseirinhas e nativos de toda a sorte, além de um céu bonito, mesmo que parcialmente nublado. Gente que foi chegando de mansinho faltando mais de uma hora para o início do show.

Todo mundo já estava no palco ensaiando, desde a própria Vanessa até seus convidados jamaicanos (Sly & Robbie), quando a platéia começou a reagir calorosamente como se o espetáculo já tivesse começado. Vanessa sorria de vermelho com a certeza que assim o clima só poderia melhorar. “Você vê gente de todas as idades e estilos na minha platéia. Adoro isso. E isso sou eu, é o meu reflexo. Porque sou mestiça de italianos, negros e índios. Pelo lado do pai uma família mais abastada e super humilde pelo lado materno. Os dois lados musicais pra caramba. Tenho uma empatia com as pessoas e, de repente, não é à toa.” Atrás dela, no fundo do palco, uma cacofonia de espelhos, imagens e flores formavam o cenário enquanto o dia virava noite e todos corriam para que Vanessa, uma das cantoras e compositoras mais populares da recente safra musical brasileira, pudesse dar o pontapé inicial.

Quando foi anunciado o início da gravação, o público foi pego de jeito pelo carisma brejeiro de Vanessa da Mata. O repertório do show, que também sairá em CD e DVD, é quase todo baseado no disco
Sim (2007). Deste terceiro álbum da artista vieram novos hits para sua coleção, tais como “Boa Sorte/Good Luck”, “Amado”, “Pirraça” e “Ilegais”, que, juntos com “Ai Ai Ai”, “Não Me Deixe Só” e das suas bem sucedidas regravações de Caetano Veloso (“Eu Sou Neguinha”) e Chico Buarque (“História de uma Gata”), formaram um bloco coeso e cheio de apelos. Ninguém ali na praça escapou de cantar todas as músicas, até as menos conhecidas, em coro emocionado e feliz. “No início da minha vida musical as pessoas falavam que eu não ia fazer sucesso porque minha música era sofisticada demais para entrar no rádio. Gosto de repetir essa história porque as pessoas gostam de criar moldes e, ao mesmo tempo, acham que o público é burro. Nunca desejei cantar para uma elite, sempre quis cantar pra todo mundo, bicho. Agora, não sei como isso se tornou popular. Acredito que as pessoas sentiam falta de alguma coisa assim. Mas fico um pouco passada com a situação, não acredito muito.”

A noite veio comendo pelas beiradas históricas de Paraty enquanto as músicas iam sendo tocadas, ovacionadas e, raramente, refeitas. “Absurdo”, uma canção de levada ecológica, foi uma das poucas que teve que ser repetida porque Vanessa invariavelmente chorava. O público? Sempre com ela, sem nunca exagerar ou soterrar sua voz. Nada de gritos, isqueiros ou objetos voadores rumo ao palco. Apenas carrinhos com pé-de-moleque e cocada, balões rumo ao céu e crianças brincando de sombras com um dos holofotes. Muito colorido? E olha que no final do show, quando Vanessa cantou “Ai Ai Ai” pela segunda vez começou a chover exatamente na hora dos versos “o que a gente precisa é tomar um banho de chuva”. Delírio geral, bicho.

Pausa para a chuva diminuir. Enquanto isso, uma senhora cola no repórter e pergunta se o show acabou porque deseja entregar um livro religioso para a cantora. “Adoro o cabelo dela!”, revela. Mas aí o show volta com Vanessa cantando Cartola (“As Rosas Não Falam”) e logo depois a chuva retorna mais forte. Cai o pano. “Nasci numa cidade de 8 mil habitantes e ficava louca pra ir embora, queria fugir com o circo, com os ciganos, com qualquer coisa. Ficava imaginando pra onde aquelas pessoas estavam indo, como devia ser o lugar delas, tudo. Sempre tive muita sede pelo mundo.” Dá para arriscar que o mundo também tem sede por Vanessa da Mata.


AMIGOS DA JAMAICA

Tem dois sujeitos presentes no video acima que não fazem parte da banda de Vanessa. Na verdade, são convidados muito especiais do show. O baixista Robbie Shakespeare (de boné) e o baterista Sly Dunbar são lendas vivas (e muito ativas) do reggae jamaicano. Músicos e produtores, os dois formaram na década de 1970 a dupla Sly & Robbie que tocou ao lado de figuras como Peter Tosh, Gregory Isaacs, Horace Andy, Barrington Levy e a banda Black Uhuru, ao mesmo tempo que produziam discos de outros artistas e os próprios a partir do selo Taxi. O All Music Guide estimou que os dois participaram, de um jeito ou de outro, de cerca de 200 mil músicas (sim, esse é o número!). Destaque para os discos
Taxi Fare (1986), Two Rhythms Clash (1989) e Dubs for Tubs: Tribute to King Tubby (1990), todos da dupla. Uma boa dica para ouví-los é o blog You & Me on a Jamboree, especializado em reggae.

Vanessa da Mata e os produtores do disco
Sim, a dupla Kassin e Mario Caldato (também responsáveis por esse Multishow Ao Vivo), foram atrás da dupla lá em Kingston, Jamaica, em busca de uma sonoridade moderna e malemolente. Acharam muito mais que isso, obviamente, tanto que foram chamados para uma participação neste especial. Sly & Robbie colocaram seus instrumentos nas músicas “Vermelho”, “Pirraça”, “Absurdo”, “Ilegais” e “Boa Sorte/Good Luck”. Curiosidade: quando chegou em São Paulo, aos 16 anos, Vanessa fez parte de uma banda feminina de reggae chamada Shalla-Ball e 3 anos depois, em 1995, excursionou como backing vocal da Black Uhuru, a mesma que Sly & Robbie produziu na década anterior. As voltas que o mundo dá...