são quatro ingleses. três homens, uma mulher. um disco na bagagem (mais um ep e alguns singles) que já tem uns três anos. o próximo será lançado entre março e abril e foi financiado no sistema de crowdfunding em apenas 11 dias. o som é reggae, rock, dub, ska, punk e, mais recentemente, algo de eletrônico (e com um senso pop bem interessante, natural e despreocupado). puta som redondo esse do the skints (algo como 'os pobretões' ou 'os pé rapado'), com muito carinho pelo passado do reggae (que é inegavelmente o motor de tudo), mas sem jamais cair na armadilha do respeito à tradição. marcia richards é uma baita cantora, voz linda e ela idem, e ainda por cima se desdobra em teclados, sax, melódica, flauta e guitarra/violão. o ótimo guitarrista joshua water rudge parece que saiu direto do tempo dos rudeboys ou foi integrante do the specials e é outro cantor/vocalista da banda, além de ser quem mais fala em entrevistas (uma ótima aqui, em video). jonathan doyle é o baixista e baixista que é baixista quase não fala e detona. o baterista jamie kyriakides é muito bom, mas arriscaria dizer que ele é melhor cantor. que voz a desse cara! mas antes, a capa do disco de estréia, live.breathe.build.believe (lançado pela rebel alliance em 2009 e relançado pela bomber music em 2010).
sem mais delongas, os skints começam informal e acusticamente com música própria ("can't take no more").
nessa mesma seção eles fizeram um cover de "ah it mek" (ou "it mek"), um dos muitos clássicos de desmond dekker (a original, que é de 1969, tá aqui).
ainda informalmente, mas em outro pico, três dos quatro (onde estava o baixista de novo?) fizeram esse outro ótimo cover. dessa vez foi dennis brown e sua "lips of wine", outras dessas lindas canções jamaicanas soul do final dos anos 1960 (original aqui).
hora de estúdio, efeitos e outro cover. "on a mission" vem de "katy on a mission", sucessão britânico de 2010 lançado por katy b. originalmente é um dubstep mais pop produzido pelo especialista benga (aqui ó) e com os skints virou um dub acelerado de chorar. marcia richards cantando muito.
e pra encerrar essa apresentação, "ratatat", outra composição própria e acho que o primeiro clipe deles. já é uma das músicas do novo disco, part & parcel. dá pra sentir que tem um peso eletrônico vindo por aí, achei bem bom.
é isso, outra banda da hora pra ficar no radar. outra dica certeira do mano @OgaMendonca.
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sábado, 11 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 18 de abril de 2011
sorry e oga convidam...
o mano oga mendonça é um renascentista. um leonardo da vinci nascido no ipiranga e radicado em perdizes. é mc, rapper, tem projeto solo (macário), tem coletivo (projeto manada), é ilustrador, diretor de arte, designer gráfico, corjaman, e ultimamente tem feito e editado videos para sites como o da revista época sp (o mais recente, sobre unhas, tá aqui). recentemente começou a disponibilizar uma série de sete videos feitos em parceria com o baterista sorry drummer. cada um deles com um convidado diferente rimando ali direto, na hora, de qualquer jeito e maneira. já saíram dois e vou colocando aqui os outros conforme forem lançados. começando então com xis, ou apelidado xis, e rincon sapiência. nos videos, participação de filiph neo.
pelo que o oga me falou, o projeto "sorry and friends" começou meio que por acaso. pelo menos pra ele que, no dia da gravação dos videos, iria apenas tirar umas fotos pra capa do futuro disco de estreia de sorry. acabou filmando também e abraçou a edição. o resultado? fino, como vocês acabaram de ver.
atualização em 25 de abril com arnaldo tifu.
atualização em 10 de maio com slim rimografia.
atualização em 14 de junho com filiph neo e silvera.
pelo que o oga me falou, o projeto "sorry and friends" começou meio que por acaso. pelo menos pra ele que, no dia da gravação dos videos, iria apenas tirar umas fotos pra capa do futuro disco de estreia de sorry. acabou filmando também e abraçou a edição. o resultado? fino, como vocês acabaram de ver.
atualização em 25 de abril com arnaldo tifu.
atualização em 10 de maio com slim rimografia.
atualização em 14 de junho com filiph neo e silvera.
terça-feira, 1 de março de 2011
na retina e nos ouvidos
foi no final de 2008 que escrevi um release pro disco de estreia do projeto manada, grupo do bróder oga mendonça. pouco mais de dois anos depois coloco aqui o texto na íntegra (já tinha publicado um trecho em outro post) para chamar pro show que o quarteto faz hoje no sesc pompéia, de graça, 21h. aumenta o som aí...
Cidade grande assim é dura. Bate mesmo e às vezes é abaixo da linha de cintura. O pessoal do Projeto Manada sabe disso. Já tomaram uma ou duas porradas, pode acreditar, mas agora decidiram que chegou a hora de revidar. As 14 faixas de Urbanidades, disco de estréia do quarteto paulistano, distribuem sopapos, reflexões, críticas, areia no olho e um tanto de carinho. É que eles também sabem que a cidade é cheia de gente e tem muita gente boa por aí. Cidade grande é assim, amor e ódio e não necessariamente nessa ordem.
Urbanidades é chumbo grosso, olho aberto e movimento: a vida pode ser boa em “O sol”, os beats ficam nervosos na relação periferia vs. religião em “Mentira salva”, a grana e os números soterram as pessoas em “Retina” e a amizade fala mais alto em “Verdadeira força” e “1 por todos” (com direito a Elis Regina cantando “Um por todos”, de João Bosco e Aldir Blanc, que curiosamente foi lançada na trilha da novela O Grito, de 1975).
As rimas se multiplicam sob bases cheias de sons, histórias e referências tanto para a cabeça (“Batalha”) quanto para o quadril (“Zueira” e “Estouro”). A última faixa “Ao avesso”, esclarece o jogo e derruba cenários em versos como “Manada se diverte nesse mundo ao avesso”. Desse jeito Leco, Macário, PriZma e Venom colocam novos tijolos na construção de um moderno rap brasileiro. Porque rap é vida real, pulsante, um rio caudaloso cheio de vozes. Aí chegam esses quatro paquidermes e colocam suas “patinhas” na água. Pense nas ondas bagunçando a superfície. Pense no barulho. Projeto Manada é mais, muito mais rimas, bumbo e caixa do que você imagina.
Cidade grande assim é dura. Bate mesmo e às vezes é abaixo da linha de cintura. O pessoal do Projeto Manada sabe disso. Já tomaram uma ou duas porradas, pode acreditar, mas agora decidiram que chegou a hora de revidar. As 14 faixas de Urbanidades, disco de estréia do quarteto paulistano, distribuem sopapos, reflexões, críticas, areia no olho e um tanto de carinho. É que eles também sabem que a cidade é cheia de gente e tem muita gente boa por aí. Cidade grande é assim, amor e ódio e não necessariamente nessa ordem.
Urbanidades é chumbo grosso, olho aberto e movimento: a vida pode ser boa em “O sol”, os beats ficam nervosos na relação periferia vs. religião em “Mentira salva”, a grana e os números soterram as pessoas em “Retina” e a amizade fala mais alto em “Verdadeira força” e “1 por todos” (com direito a Elis Regina cantando “Um por todos”, de João Bosco e Aldir Blanc, que curiosamente foi lançada na trilha da novela O Grito, de 1975).
As rimas se multiplicam sob bases cheias de sons, histórias e referências tanto para a cabeça (“Batalha”) quanto para o quadril (“Zueira” e “Estouro”). A última faixa “Ao avesso”, esclarece o jogo e derruba cenários em versos como “Manada se diverte nesse mundo ao avesso”. Desse jeito Leco, Macário, PriZma e Venom colocam novos tijolos na construção de um moderno rap brasileiro. Porque rap é vida real, pulsante, um rio caudaloso cheio de vozes. Aí chegam esses quatro paquidermes e colocam suas “patinhas” na água. Pense nas ondas bagunçando a superfície. Pense no barulho. Projeto Manada é mais, muito mais rimas, bumbo e caixa do que você imagina.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
uns brasileiros, uns gringos e as cadelinhas
projeto manada é o grupo do mano oga mendonça. tive a honra de escrever o texto que apresenta o disco de estreia do caras, urbanidades (independente, 2008), uma das boas revelações do rap nacional nos últimos tempos. em um trecho escrevi - o texto, na íntegra, tá no myspace - que as treze faixas do disco "distribuem sopapos, reflexões, críticas, areia no olho e um tanto de carinho em rimas velozes. é que eles também sabem que a cidade é cheia de gente e tem muita gente boa por aí. cidade grande é assim, amor e ódio e não necessariamente nessa ordem. (...) é desse jeito que leco, macário, prizma e venom colocam novos tijolos na construção de um moderno rap brasileiro. porque rap é vida real, pulsante, um rio caudaloso cheio de vozes. aí chegam esses quatro paquidermes e colocam suas "patinhas" na água. pense nas ondas bagunçando a superfície. pense no barulho. projeto manada é mais, muito mais rimas, bumbo e caixa do que você imagina". e aqui segue a participação dos caras no programa radiola com a faixa "estouro".
já os cultuados americanos do vampire weekend fazem um indie rock cheio de camadas, e com algumas pitadas africanas, e estão prestes a lançar seu segundo disco, contra (xl recordings, 2010). "cousins", do clipe bacana logo abaixo, é a primeira música de trabalho. a estreia dos quarteto saiu em janeiro de 2008 e trouxe, entre outras, a excelente "cape cod kwassa kwassa".
pra encerrar com chave de ouro, o engraçadíssimo clipe de "melô da cadelinha", de outro quarteto, as apimentadas, filmado em pleno centro de são paulo. é forró eletrônico pra dar e vender, tá ligado? mas não vá achando que o clipe é uma puta idéia porque foi "inspirado" no video de "baby baby baby", dos franceses do make the girl dance (que, claro, é muito melhor, as garotas dublam a música e os transeuntes franceses não ficam causando por causa de umas peladas na rua - apesar que isso é uma graça bem brasileiro pro clipe).
já os cultuados americanos do vampire weekend fazem um indie rock cheio de camadas, e com algumas pitadas africanas, e estão prestes a lançar seu segundo disco, contra (xl recordings, 2010). "cousins", do clipe bacana logo abaixo, é a primeira música de trabalho. a estreia dos quarteto saiu em janeiro de 2008 e trouxe, entre outras, a excelente "cape cod kwassa kwassa".
pra encerrar com chave de ouro, o engraçadíssimo clipe de "melô da cadelinha", de outro quarteto, as apimentadas, filmado em pleno centro de são paulo. é forró eletrônico pra dar e vender, tá ligado? mas não vá achando que o clipe é uma puta idéia porque foi "inspirado" no video de "baby baby baby", dos franceses do make the girl dance (que, claro, é muito melhor, as garotas dublam a música e os transeuntes franceses não ficam causando por causa de umas peladas na rua - apesar que isso é uma graça bem brasileiro pro clipe).
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