Mostrando postagens com marcador racionais mcs. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador racionais mcs. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 24 de março de 2016

histórias do rap nacional, a série

totalmente ótima a primeira temporada de histórias do rap nacional, série em seis episódios escrita e comandada por ronald rios e exibida pela tv gazeta [ora veja só você, a gazeta]. apesar de errar em alguns poucos insights pessoais sobre o rap, nacional e gringo, ronald se mostra sempre atento e entusiasmado com o tema e colocou no ar um belo panorama histórico e atual sobre o gênero [majoritariamente em são paulo].


ronald e leandro, que ganhou um episódio totalmente 
dedicado ao seu alter ego emicida 

segue a lista da turma que aparece em cada episódio e, na sequência, todos os seis episódios numa mesma playlist de youtube.

episódio 1: rashid, tássia reis, rincon sapiência, bitrinho, lurdez da luz, lívia cruz, haikaiss, síntese, drika barbosa e rodrigo ogi

episódio 2: pepeu, thaíde, max b.o., dmn, gabriel o pensador, kamau e rappin hood

episódio 3: emicida

episódio 4: kl jay, edi rock, dj nyack, dj cia, wzy, dario, skeeter, dj hum e daniel ganjaman

episódio 5: rzo, rael, msário, sampa crew, de menos crime, gog, ndee naldinho, dbs, xis, renan inquérito e rico dalasam

episódio 6: criolo, rinha dos mcs, dj dandan, redniggaz, kauan, bivolt mc, flow mc, dj colorado, tvs, helibrown, marcelo gugu, guilherme treeze e matheus mc

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

pelas marginais os pretos agem como reis

doze anos separam o atual cores e valores do anterior disco de inéditas do racionais mcs, nada como um dia após o outro dia. o que era caudaloso e prolixo no início dos anos 2000, tornou-se sintético, curto e direto nos impressionantes 32 minutos de duração neste trabalho de agora. densos e afiados eles permanecem.

fui ao show de lançamento, neste sábado 20 de dezembro, do cores e valores no grande, feio e com som péssimo espaço das américas. e foi bem interessante ver e ouvir pela primeira vez esses tempos e músicas diferentes do racionais em uma mesma noite. 


mas antes, um flashback rápido... quando li o texto do andré caramante, o primeiro a sair com mais informações sobre o novo disco, pouco antes de seu lançamento oficial em 25 de novembro, bateu uma frustração. pouco mais de meia hora? faixas de dois minutos ou menos? tanto tempo pra tão pouco? e músicas sensacionais como “mulher elétrica” não ganharão registro oficial?

então, na madrugada deste 25 de novembro, enquanto os estados unidos ferviam em chamas por mais um policial branco sendo inocentado pelo assassinato de um negro [sim, ferguson], veio cores e valores. uma, duas audições depois, a frustração virou euforia [quer dizer, ainda sobrou um pouco de frustração, pois quero mais racionais, mais e mais, e não só eu; por sorte teve disco solo do edi rock no ano passado e ano que vem tem solo de mano brown e outro com ice blue e helião; os caras estão produzindo bastante].

euforia porque é um disco poderoso - mesmo que não tenha canções épicas como “negro drama”, “vida loka”, “homem na estrada” e “capítulo 4, versículo 3”- e acredito que vai melhorar com o tempo. principalmente se for o primeiro capítulo de uma série, ou uma nova fase, como disse mano brown em entrevista a rolling stone [“o álbum não acaba ali. ele só pavimenta o caminho para uma nova estrada”]. é também uma mistura veloz de memórias [de mano brown e edi rock, basicamente], ficções [o lado gangsta dos ladrões de banco da capa/contracapa do disco] e crônicas das mudanças sociais e desigualdades permanentes na periferia paulistana da última década.


então, quase um mês após o lançamento, cores e valores chegou pela primeira vez ao palco. apesar do, repito, som péssimo [acústica idem] do espaço das américas, que prejudicou alguns momentos do show [não dava pra entender algumas partes de edi rock], taí um disco que faz muito mais sentido ao vivo, principalmente pela força cênica do racionais.  estavam lá uma fachada de caixa forte de banco como cenário principal, com direito a torres de vigilância e kl jay e outros dois djs [cia e ajamu] no alto da muralha, motos atravessando o palco, uma caçamba, helião, lino crizz, b-boys mascarados e mano brown, ice blue e edi rock, ríspidos e atentos, sempre com muito o que dizer.

toda a primeira parte do show foi de cores e valores - mas acho que não na ordem do disco - e ao vivo as rimas ganham sempre novas camadas. porque racionais mcs é muita informação reunida, muitas imagens criadas, muitos corações machucados por metro quadrado, e os 32 minutos desse disco costuram isso tudo em um roteiro intricado e moderno. ao vivo ganha suor e dramaticidade.


parte considerável do público - estimativa de umas 7 mil pessoas - já sabia algumas letras de cor: “preto zica”, “finado neguim” [tem vídeo logo abaixo], “você me deve” e “quanto vale o show?”, pelo que me lembro. primeira parte foi intensa com aquele ar de expectativa por testemunhar a primeira apresentação de um trabalho novo de um dos maiores grupos da história musical brasileira.

a segunda parte foi de relaxamento, pois vieram os hits e o bicho pegou de vez. “negro drama”, “homem na estrada”, “eu sou 157” e “vida loka [partes 1 e 2]”, por exemplo, colocam todas e todos para cantar junto, alto, e gesticular muito. gente de tudo que é tipo, certamente o público mais variado que vi nos últimos anos em são paulo. claro que tinha quem estava lá pela “balada” ou que se preocupava mais em filmar e se filmar do que assistir ao show, mas no geral rolou uma entrega coletiva.

e olha que, como quase sempre, eles não facilitaram: o show, que foi precedido por pequenas apresentações do obstinados [grupo da zona sul e não de osasco como escrevi antes; valeu cleiton magnum, nos comentários], dexter e negra li, só foi começar depois de 1 da manhã e acabou lá pelas 3, sem mais ônibus, metrô ou trem. também não teve discurso, nada de mano brown, e tirando ice blue que se jogou pra galera no final, não houveram afagos para o público. não importa. eles são como aqueles mestres orientais, rigorosos e poéticos, e podem muito bem dar uma cajadada em nossas cabeças porque certamente sabem de algo que a gente nem desconfia [e talvez nem eles saibam conscientemente]. somos o que somos.


p.s.: ano passado vi racionais na virada cultural e escrevi um texto sobre o classicão sobrevivendo no inferno para o livro indiscotíveis [lote 42], que foi lançado este ano, que acabou com show do disco novo cores e valores e marcou os 25 anos de carreira do grupo. tá pouco de racionais, manda mais.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

50 discos brasileiros de 2014 [e mais 25]

estamos aí no segundo capítulo da retrospectiva musical deste ano. já publiquei aqui a lista com 50 músicas brasileiras e agora é a vez dos discos. são 50 com uma lista bônus de outros 25. coisa pra diabo, eu sei, mas é só um pedacinho dos sons que chegaram a mim. dessa ruma alguns merecem destaque, pois me pegaram mais de um jeito ou outro. é mais ou menos assim...


pedra de sal - EP que é o primeiro de uma trilogia  - chegou agora no final e me derrubou rapidamente. é trabalho de várias belezas e muitas inquietações, alguma dramáticas, e mais um encontro forte de pernambuco [alessandra leão e rodrigo caçapa] e são paulo [kiko dinucci e guilherme kastrup]. e alessandra detona muito [“pedra de sal”, porra, o que é “pedra de sal”?!]. já o que vim fazer aqui é disco novo da alzira, o que me ganha de cara porque ela é uma das minhas cantoras/intérpretes/autoras preferidas de todos os tempos. daí que nesse disco ela canta só itamar assumpção, algumas inéditas, e com uma banda ótima. não é só impossível dar errado como ainda por cima dá muito certo. falando em itamar, o segundo disco de sua filha anelis assumpção, anelis e os amigos imaginários, é diversão do começo ao fim, é adulto e pop, é urbano e leve. anelis tá fazendo um carreira muito massa.


convoque seu buda, o disco de criolo após nó na orelha, corria muitos riscos comparativos e saiu-se muito bem. não tem o ineditismo da reinvenção do rapper e do encontro com Daniel ganjaman, mas tem alguns novos caminhos próprios e justas coerências, além de várias grandes canções. ainda na seara do rap, cruz do elo da corrente é mais uma prova da maturidade do gênero. ousado musicalmente, brasileiro e paulistano na medula, extremamente bem produzido, cruz é uma bela duma pancada. igualmente impactante, goma-laca é o disco do projeto de biancamaria binazzi e ronaldo evangelista com músicas afro-brasileiras gravadas entre as décadas de 1920 e 1950 e rearranjadas por letieres leite. e tudo fica ainda melhor com a escolha acertadíssima dos(as) intérpretes que, não coincidentemente, estão nessa lista também com seus excelentes trabalhos solo [juçara marçal, russo passapusso e lucas santtana – e tem ainda karina buhr, mas que não lançou disco novo esse ano].


chegamos então a juçara marçal e seu encarnado. uma das mais discretas e poderosas cantoras brasileiras, juçara fez de sua estreia solo um aperfeiçoamento natural do trabalho quem tem feito no metá metá: tradições afro-brasileiras sendo rasgadas por guitarras, por uma interpretação segura e pelo presente musical brasileiro. disco impressionante de uma artista idem. coisa boa é também a estreia solo oficial de moreno veloso, após a trilogia que fez com os amigos domenico e kassin, e é seu trabalho mais doce, mais bonito. já o novo nação zumbi pode não ter a pancadaria de outrora, mas os pernambucanos seguem criando músicas ótimas, honrando e muito as duas décadas do mangue beat/bit.


e o racionais mcs? após mais de uma década sem um cd de inéditas, o quarteto lançou cores e valores, um disco-conceito lotado de referências e histórias, um tantinho frustrante pela curta duração, mas as vozes e posturas dos caras continua muito impressionante. com 25 anos de estrada, o racionais é, sem sombra de dúvida, uma das coisas mais importantes da história da música popular brasileira.


finalizando os destaques, dois baianos. russo passapusso, vocalista do baiana system, lançou seu primeiro solo, o lindo paraíso da miragem, que tem reggae, ragga, balanço e muito o que falar e mostrar. o veterano na inquietude tom zé veio com vira lata na via láctea, seu melhor disco em tempos, principalmente porque seus arranjos diferentes, formações instrumentais variadas , e muitas participações interessantes [de criolo a filarmônica de pasárgada, de milton nascimento a kiko dinucci, de caetano veloso a o terno]. e, claro, um leque e tanto de ótimas músicas.

peraí, peraí... últimos destaques. juro! como disse na lista de músicas, continua rolando muito rap bom pra cacete. racionais, criolo e elo da corrente não me deixam mentir. mas vale ressaltar que tem ainda, nessa lista de 50, amiri, rincon sapiência, lurdez da luz, haikaiss e zulumbi aqui de são paulo, o pessoal do r93 de volta redonda e os gaúchos tuty e orquestra celestial do livre arbítrio. 

bom também quando somos pegos no contrapé. foi muito bom ser surpreendido pelos excelentes discos de adriano cintra [animal], alice caymmi [rainha dos raios], celso sim [tremor essencial], ian ramil [ian] e márcia castro [das coisas que surgem], além da descoberta do niteroiense salgueirinho e seu animalia, um disco eletrônico-instrumental bacaníssimo.

segue então, finalmente, a lista com 50 discos brasileiros deste ano segundo o gosto da casa, tudo devidamente linkado para ouví-los na íntegra [e ocasionalmente baixá-los]:

adriano cintra - animal
alessandra leão - pedra de sal EP
alice caymmi - rainha dos raios
amiri - antes, depois
anelis assumpção - anelis e os amigos imaginários
banda do mar - banda do mar
barbara eugênia & chankas - aurora
celso sim - tremor essencial
china - telemática
elo da corrente - cruz
estrelinski e os paulera - leminskanções
fábio trummer - trummer super sub america
filarmônica de pasárgada - rádio lixão
fino coletivo - massagueira
gilberto gil - gilbertos samba
gustavo galo - asa
ian ramil - ian
isaar - todo calor
juçara marçal - encarnado
lucas santtana - sobre noites e dias
lurdez da luz - gana pelo bang
m.takara - puro osso
márcia castro - das coisas que surgem
maurício pereira - pra onde eu que tava indo
mombojó - alexandre
moreno veloso - coisa boa
nação zumbi - nação zumbi
nina becker - minha dolores
o terno - o terno
orquestra celestial do livre arbítrio - o.c.l.a.
racionais mcs - cores e valores
rincon sapiência - sp gueto br EP
romulo fróes - barulho feio
rubinho jacobina - andando no ar
russo passapusso - paraíso da miragem
sacassaia - boca da terra
salgueirinho - animalia
saulo duarte e a unidade - quente
silva - vista pro mar
superlage - superlage
tatá aeroplano - na loucura e na lucidez
zulumbi - zulumbi

e aqui uma lista bônus com outros 25 trabalhos bem bons e que também deixaram suas marcas por aqui:

a banda dos corações partidos - a banda dos corações partidos
a fase rosa - leveza
afroelectro - mocambo EP
ceumar - silencia
de leve - estalactite EP
esdras nogueira - capivara
giancarlo rufatto - cancioneiro
graveola - dois e meio
holger - holger
inquérito - corpo e alma
jaloo - insight EP
judas - nonada
lamber vision - lamber vision
léo cavalcanti - despertador
naná rizinni - lá na naná
nego e - autorretrato
os the darma lóvers - espaço
pipo pegoraro - mergulhar mergulhei
rashid & kamau - seis sons EP
tássia reis - tássia reis EP

sábado, 2 de agosto de 2014

indiscotíveis: 'sobrevivendo no inferno'

uma dessas surpresas sensacionais da vida. itaici brunetti, colega jornalista com quem trabalhei na revista monet, me convidou em maio do ano passado para fazer parte de um livro ainda sem título sobre grandes discos da música brasileira a ser lançado pela jovem e independente editora lote 42. eu disse que sim claro com certeza. ele me passou uma lista gigante de discos e de cara escolhi sobrevivendo no inferno do racionais mcs. há tempos queria escrever sobre o disco, sobre os shows que vi do grupo na virada cultural, sobre rap, etc. mandei o texto no início de setembro e a vida seguiu.

achei desde o início que seria um livro bacana, mas quando vi indiscotíveis, o prazer foi maior porque ficou muito mais interessante e bonito do que esperava: o projeto gráfico de luciana martins, a ilustração de luciano salles para sobrevivendo, os textos de emicida, rael, arthur de faria, tatá aeroplano, marcelo costa, etc.

indiscotíveis foi lançado no início de julho e teve uma excelente cobertura da imprensa [até dei entrevista ao vivo pra rádio estadão] e ótimas resenhas, o que me deixou ainda mais orgulhoso de fazer parte do projeto.

além de itaici, meus sinceros agradecimentos a joão varella e cecília arbolave da lote 42, e a bia abramo, que leu o texto quando este ainda estava no berço. provavelmente a versão que segue aqui está um pouquinho diferente da impressa, já nem lembro mais. o que importa mesmo é que tem texto aqui e também no livro, que está a venda na loja virtual da lote 42. leia aqui, compre lá e divirta-se.



SOBREVINDO NO INFERNO, 1997
Racionais MCs

Ogunhê! Jorge sentou praça na Cavalaria... Deus fez o mar, as árvore, as criança, o amor; o Homem me deu as favelas, o crack, a trairagem, as arma, as bebida, as puta... Minha intenção é ruim, esvazia o lugar... Tô ouvindo alguém gritar meu nome... Parece que alguém está me carregando perto do chão... Aqui estou, mais um dia, sob o olhar sanguinário do vigia... Este lugar é um pesadelo periférico... Eu me formei suspeito profissional, Bacharel pós-graduado em tomar geral... Aquele moleque sobrevive como manda o dia-a-dia; tá na correria, como vive a maioria... Essa porra é um campo minado; quantas vezes eu pensei em me jogar daqui... As grades nunca vão prender nosso pensamento.



Não lembro onde, nem como, nem quando escutei Sobrevivendo no Inferno pela primeira vez. Sei que foi no comecinho de 1998 – o lançamento oficial aconteceu no final de 1997 -, e que passei semanas e semanas ouvindo o disco de todas as formas possíveis: na ordem original das faixas, aleatoriamente, umas ou outras no repeat, só trechos, etc. Já gostava do Racionais na época, mas os conhecia superficialmente [as básicas “Fim de semana no parque”, “Pânico na Zona Sul” e “Homem na estrada”], bem como o resto do rap brasileiro até então, quase exclusivamente paulistano. 

Quer dizer, Racionais não era novidade [musical] pra mim e eu já conhecia um pouco de São Paulo e da história do rap na cidade, mas nada disso tinha me preparado para Sobrevivendo. Claro, burrice minha, coisa de moleque achar que sabe mais do que realmente sabe.

Uma coisa era o impacto sonoro promovido por KL Jay, outra eram as vozes ásperas de Mano Brown, Ice Blue e Edi Rock, mas foi o discurso desses rapazes latino-americanos apoiados por mais de 50 mil manos que me derrubou. Nunca tinha ouvido, e poucas vezes ouvi posteriormente, tanta raiva na música popular brasileira [que me desculpem os punks] e um olhar tão aguçado e complexo – mesmo que ocasionalmente moralista, sexista e autoritário – diante das raízes e problemas das periferias brasileiras, da nossa eterna casa grande & senzala, da luta diária na periferia. Por causa de tudo disso lembro muito bem da sensação de medo e euforia que tive após as primeiras audições do disco.

Medo do tipo “a casa caiu!”. Essa “mistura de ódio, frustração e dor” por séculos de opressão e violência um dia iria transbordar e chegar às ruas. Aí quero ver branquinho aplaudir. 

Euforia do tipo “que foda!”. A democracia racial e cordial brasileira é uma farsa igualmente secular e somente a raiva e o embate, coisas raras no país, podem desmascará-la. Franco atirador se for necessário.

Orgulho e humilhação, amor e morte, soco na cara. Tudo junto.

Só que raiva pela raiva pode até gerar fagulhas, mas não necessariamente uma explosão. Daí que o mais impressionante no discurso do quarteto é, na verdade, essa energia aliada a uma gigantesca quantidade de imagens criadas em suas rimas, a sofisticação na construção das cenas, as mudanças ágeis e não lineares entre passado, presente e futuro. Cada música de Sobrevivendo no Inferno podia ser um conto ou um filme. O disco todo é um épico das quebradas, um tanto de Shaft, outro tanto de Ben Hur. Mas eu ainda precisava ouvir aquilo tudo ao vivo.


ilustração de luciano salles para sobrevivendo no inferno

Isso só foi acontecer uns nove anos depois, em 6 de maio de 2007, um domingo, 4 e meia da manhã. Nesse meio tempo, o grupo lançou mais um disco, o duplo Nada Como um Dia Após o Outro Dia [2002], e o DVD Mil Tretas, Mil Trutas [2006]. E músicas do Sobrevivendo, tais como “Capítulo 4, Versículo 3” e “Diário de um detento”, já tinham se tornado hinos populares. Tudo parecia pronto para uma noite histórica na Praça da Sé como parte da programação da Virada Cultural, mas não foi bem o que aconteceu.

Era meu primeiro show do Racionais e quando cheguei na Praça da Sé não demorou muito para sentir que algo ruim aconteceria. De um lado, um bando de moleques nervosos, ansiosos e acordados à base de álcool. Do outro, a boa, velha, violenta e despreparada Polícia Militar do Estado de São Paulo. No meio, um show com uma hora e meia de atraso.

Praça enchendo, enchendo, e eu ali na esquina com a Rua Benjamin Constant, o mais perto que consegui ficar do palco. Então uns moleques sobem na banca de jornal na esquina de cima para verem melhor o show que tinha acabado de começar. Dois, três, sete, dez sobem, e mais querem subir. Alguns decidem pular para a sacada de um prédio comercial e abrem portas e se acotovelam por espaço. Nesse momento um grupo de policiais sai de uma base móvel, passam por mim e se dirigem a banca/prédio para acabar com aquela bagunça. Uns dez, talvez.

Poucos minutos depois o grupo volta carregando um deles aparentemente ferido, atingido por uma pedra ou algo semelhante. Era o sinal que o Choque esperava [queria?] para entrar em ação. Formam então uma parede de escudos e cassetetes batendo, batendo, tum, tum, tum, tum, como a base fatídica de “Tô ouvindo alguém me chamar”. Logo atrás dos escudos alguns policiais começam a atirar bombas de gás e tiros de borracha. Enquanto sobem pela rua do lado da Praça da Sé são recebidos com garrafas de vinho barato voando por todos os lados. 

Paralisei no meio do fogo cruzado e fiquei tentando entender o que acontecia enquanto, atrás de uma árvore, desviava de projéteis de ambos os lados. Lá no palco, show interrompido após 20 minutos, Mano Brown buscava acalmar os ânimos. “Todo mundo tem revolta, eu também tenho. Mas temos que pensar com inteligência”. De nada adiantou e o grupo decidiu encerrar o show de vez, o que acabou deixando o campo ainda mais aberto para confrontos, quebra quebra, carro queimado, gente presa, machucados e gás lacrimogêneo tomando tudo, chegando até as profundezas do metrô.

A profecia se fez como previsto? 

Não. Sempre achei, continuo achando, que as questões religiosas, as citações bíblicas, de Sobrevivendo no Inferno são lidas de forma muito literal. Deus não serve de conforto para quem sabe que Ele tem déficit de atenção seletivo e que a periferia não está entre suas prioridades. Não, não vai rolar Mundo Mágico de Oz e ninguém virá ajudar. 

Mas na periferia a Bíblia é um dos principais e mais acessíveis fornecedores de metáforas, lições, moralidades e imagens. E tem a palavra que, através do coração pragmático do rapper, se transforma em rima. É um jeito diferente de cantar sua própria honra e de colocar em versos que Deus pode até ser a vida, mas o resto é com a gente. Não é fácil, mas é o que é. Pro mal e pro bem.

O show de 2007 não foi o Apocalipse, mas certamente foi o auge da tensão entre, de um lado, a Polícia Militar e o Estado branco que ela defende, e do outro, o Racionais e os muito, muito, muito mais de 50 mil manos e minas. Uma luta que já estava toda dissecada em Sobrevivendo no Inferno.

Resultado prático? Todo mundo seguiu suas vidas, mas o Racionais ficou de fora da Virada Cultura por anos e o rap foi jogado para escanteio na programação.


Mano Brown, 2012

Salto no tempo para outro domingo, meu segundo show do Racionais. Em 19 de maio de 2013, precisamente às 14h40 [20 minutos antes do horário oficial], o quarteto encheu o palco da Júlio Prestes com um bando de parceiros, crianças e o diabo a quatro. Em tudo, por todos os cantos, o clima estava muito diferente daquele show de 6 anos atrás, e olha que a praça estava lotada, 100 mil pessoas, com gente subindo em postes e árvores, janelas de prédios como camarotes. É que a Polícia Militar não estava lá para estragar a festa.

Maduros e relaxados, mas sem ter perdido um miligrama de força no processo, Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay fizeram um show poderoso e conciso [40 minutos, tinha jogo do Santos às 16h, final do Paulistão]. Algumas músicas do Sobrevivendo no Inferno estavam lá com novos clássicos já consolidados no imaginário periférico [“Negro drama” e as duas partes de “Vida loka”) e a composições recentes como “Mil faces de um homem leal [Marighella]”. Tudo cantado a plenos pulmões por uma multidão de punhos cerrados e orgulhosa de se ver cantada de forma tão real. 

Sempre atento, Mano Brown arrumou um tempo para dizer o seguinte: “Todo mundo fala da polícia, do sistema, mas vi vários manos se desrespeitando, se roubando, se saqueando […] O rap precisa de gente de caráter, não de malandragem”. Respeito é pra quem tem, como diria o saudoso Sabotage, e é a palavra, a palavra certa, direta e reta que diferencia os homens dos meninos. 


ao longe, Racionais na Virada de 2013

A fúria negra de Sobrevivendo no Inferno continua tão intensa e necessária quanto antes, e parte dela ainda não se resolveu. Mas esse show da Júlio Prestes foi um sinal cristalino de que aquela raiva de tempos atrás não sumiu e nem pode sumir – afinal, tem muita desigualdade por aí e muita gente que lucra com essa desigualdade –, mas que agora ela convive com a leveza da sabedoria. 

É que a criação desse quarteto paulistano se entranhou profundamente no imaginário/vocabulário de grande parte dos brasileiros, e hoje em dia é tão domínio popular quanto Adoniran Barbosa, Roberto Carlos, Dorival Caymmi e assim por diante. Por outro lado, a violenta grandeza da dobradinha Sobrevivendo no Inferno e Nada Como um Dia Após o Outro Dia na virada do século fez uma sombra muito grande sobre muita gente. Foi preciso tempo e novos MCs e DJs, manos e minas, e de todos os lugares do país, para dissipar tamanha angústia da influência.

Nos últimos anos, por causa desse desprendimento estético e do crescimento econômico, o rap ganhou por aqui mais qualidade, quantidade e variedade [de temas, batidas, tudo]. Ganhou também mais mercado e é, hoje em dia, o gênero musical que dialoga com ferocidade e balanço com o maior número de pessoas dos mais diferentes estratos sócio-econômicos. 

Nesse novo cenário, Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue e KL Jay são os pioneiros, os irmãos mais velhos, os caras mais fodas da música popular brasileira [negra, branca, índia, etc.]. São fundadores, porta vozes, inventores e estão absolutamente tranquilos quanto ao próprio legado e a força que ainda possuem. E mesmo que saibam que o rap brasileiro está amadurecendo em ótimas mãos, eles tem uma missão. Não vão parar. 

Já eu... bem, não faço ideia do tanto que já ouvi Sobrevivendo no Inferno e também perdi a conta de quantas novas audições acompanharam este texto. Mas em todas aprendi mais sobre São Paulo e o Brasil do que jamais pude imaginar. E toda vez que Mano Brown se despede...

Aí ladrão, tô saindo fora. Paz.

... eu respondo: ‘té a próxima!



EPÍLOGO FICCIONAL 

Entre 2003 e 2005 tive uma coluna no Gafieiras chamada “Disco do mês de sempre”, no qual escrevi ficções inspiradas em alguns dos meus discos preferidos; Sobrevivendo no Inferno foi o décimo de um total de quinze e foi publicado originalmente em algum lugar de 2004.

O carro vai rápido pela Marginal e não pára de balançar. Nunca vi um asfalto tão ruim, tanto remendos. Mas agora é noite e o carro voa, o som no talo. Passo por uma ponte. Tem alguém lá em cima segurando uma lança e acho que está de armadura. Brilha de tão prateada. Quase fico cego. Foi rápido, passei, mas ele estava olhando para mim, certeza, de roupas e armas. Queria me acertar, o Jorge... nada vai me fazer parar, nem ele, ninguém. 

Passa outra ponte, ali a última saída, e lá no alto um avião fazendo barulho. Tá descendo. Retorno proibido. Tudo em obras. Perto daqui tinham uns prédios cinzas, janelas pequenas, e muitos homens dentro. Mataram 111. Explodiram os prédios. O rio não quer nem saber, tá morto também, esticado. De vez em quando incha e transborda, mas não é vida, é espasmo.

Aumento o som, queria fugir, só que o piano entra cortando, muito sangue. Uma faca. Queria esquecer. Peguei a Marginal pra isso. Eu sou bem pior do que você tá lendo... todo mundo pro chão, pro chão, tira a mão daí, vai filha da puta, pega o malote, filha da puta, solta, o seguro vai cobrir, solta... se eu sair daqui eu vou mudar. Tô ouvindo alguém me chamar. Era outro carro? Uma moto? Só ouvi o meu nome. Corro demais.

Chega desse rio parado, essa piscina de sangue. Quero a estrada, uma voz de mulher, eu quero mudar, vento na cara, então piso fundo e deixo a última ponte para trás. Mas não resisto e olho pelo retrovisor. Ah, tá lá de novo, o cara da armadura. Seguro a cruz em meu peito e começo a gritar... foda-se seu filha da puta, vem com a lança, vem, eu tenho coração, isso é meu, ninguém tira... ele fica lá, paradão como o rio, e cada vez menor. Estou vivo.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

diversão é solução sim

"nós estamos aqui no mappin pra curtir aquele som, pra achar aquele som que nós queremos curtir. todo mundo. não só os negro, como os branco, os mulato. nós queremos curtir o jazz, queremos curtir o pop, o samba, o rock. todo mundo quer curtir aquele som, vc entende? nós viemos aqui pra achar aquele meio social que nós queremos curtir, aquele salão. um determinado lugar que você se sente bem, que você se sente gente... não que você vegeta! você quer sentir, você quer sentir gente", depoimento dessa moça da imagem abaixo e que tá no documentário feito por mano brown para o dvd 1000 trutas, 1000 tretas (2006).



era no calçadão do falecido mappin, em frente ao teatro municipal de são paulo, que no início dos anos 1970 a moçada fazia a divulgação das festas black da cidade.

sábado, 3 de agosto de 2013

emicida, racionais, kanye west & jay z,
ou o rap é grande

passamos agora da metade desse muy loco 2013 e me dei conta, após assistir o excelente vídeo de "picasso baby" do jay z, que mais uma vez o rap é a música/cultura mais relevante e poderosa da atualidade. lembrei imediatamente de outros videos que bateram forte este ano, desde a crueza do lamento documental sambístico de emicida em "crisântemo" - e o paulistano lançara agora em agosto, seu primeiro disco, o glorioso retorno de quem nunca esteve aqui - até a apresentação histórica dos racionais na virada cultural em são paulo.





realidade, transformações, misturas, é o rap quem está cantando e está mais próximo de tudo que realmente importa hoje em dia. os exemplos aqui e no mundo são muitos e das mais variadas gerações, nem adianta fazer lista (deixa isso pro fim de ano). mas seguem aqui o vídeo de "picasso baby" (uma das melhores músicas do ótimo magna carta... holy grail) e a apresentação ao vivo de kanye west e sua potente "new slaves" no programa saturday night live. essa música está no mais recente disco de kanye, o estranho e interessante yeezus.



domingo, 19 de maio de 2013

virada cultural 2013, breve saldo pessoal

como sempre acontece em termos de virada cultural, a teoria é uma coisa e a prática é outra. fiz um roteiro com nove shows e vi, inteiros, quatro. a história desse ano foi mais ou menos a seguinte: finalzinho do lucas santtana (delícia), metá metá (absolutamente poderoso, e com muita gente cantando todas as letras - só lamentei não ter rolado “cobra rasteira”), black star (muito e muito bom), um pedacinho bem divertido de rappin hood, racionais (show foda, histórico, catártico, pra cima - mas vou depois escrever mais sobre esse comparando com o da virada de 2007) e baiana system (outra delícia total).

acompanhei e fiquei sabendo de algumas brigas/arrastões, mas não acho que a segurança (ou falta de) seja um problema maior que a limpeza, por exemplo. a sujeira na madrugada e início da manhã sempre foi e continua sendo pra mim o grande problema estrutural da virada, tanto por culpa da(s) prefeitura(s) quanto pelo público. mas voltando ao tema ‘violência’, também não acho que foi maior esse ano que nos outros e olha que já tenho uns seis ou sete de virada (e dois anos atrás fui assaltado). na madrugada desse domingo, por exemplo, atravessei em dois momentos a parte clássica da crackolândia (rua do triunfo, rua dos gusmões) e os nóias tavam lá no seu próprio mundo sem mexer com ninguém. a violência ali era só da tristeza e do abandono.

mas é claro que a combinação de muita gente com álcool durante muitas horas é potencialmente explosiva em qualquer lugar (principalmente na madrugada) e realmente não sei o que pode ser feito pra resolver esse dilema do evento. acho que tá mais que na hora de se pensar – e isso é apenas um exemplo – em mini viradas espalhadas pela cidade e trimestrais ou semestrais. talvez uma pulverização do público pela cidade resolvesse alguns desses problemas (do mesmo jeito que proibir bebida certamente não é uma das soluções).

vi muitos policiais na rua, mas achei que eles pareciam estar numa onda liberal, saca? num laissez fair/laissez passer de corpo presente e braços cruzados. impossível não cogitar a hipótese conspiratória que a pm, do governador alckmin (psdb), tenha recebido alguma ordem para ficar numa relax, numa tranquila, numa boa, afinal foi a primeira virada da administração haddad (pt). enquanto isso, no twitter, o cada vez mais infantil serra (psdb) se mostrou preocupado que o evento esteja sendo usado para “aparelhamento político-partidário” (zzzzzz).

de resto, uma programação bem boa e variada (como sempre tem que ser), e muita gente se divertindo numa cidade que precisa justamente disso (e cada vez mais).

p.s.: tava tão afim de curtir o que conseguisse na virada (e as pessoas que porventura encontrasse, premeditadamente ou não) que mal entrei na internet & redes sociais e só tirei uma foto (e ruim) do show do racionais. essa aqui ó...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

os 30 clipes brasileiros de 2012 e muito mais

não sei se fui eu que prestei mais atenção ou se este ano, especialmente, houve uma grande e muito boa produção de clipes nacionais. tanto que alguns que aparecem na lista abaixo foram postados aqui no esforçado no decorrer do ano. e tem de tudo, caseiros e superproduções, do digital ao super 8, com mais roteiro ou sem roteiro nenhum, com humor ou sérios pra cacete, de tudo quanto é canto do brasil, quase todos produzidos na raça. vale destacar ainda o nome de alguns diretores e diretoras com trabalhos bacanas na área: ricardo spencer, fred ouro preto, lírio ferreira, vera egito, felipe rocha, daniel lisboa, vivi amaral, rabu gonsales, del reginato, toddy ivon e a dupla autumn sonnichsen & erica gonsales (do clipe de “sangue é champanhe”, talvez o melhor do ano).


banda gentileza - “quem me dera
bnegão & os seletores de frequência - “alteração (éa!)
bonde do rolê - “kilo
caio bosco - “mendigos de amor
cone crew diretoria - “chama os mulekes
domenico - “cine privê
don l. & flora matos - “sangue é champanhe
doo doo doo - “carnaval no fogo
edi rock & seu jorge - “that's my way
emicida - “zica, vai lá” (também no primeiro semestre lançou “dedo na ferida”, vídeo cru e preto & branco)
felipe cordeiro - “legal e ilegal
filarmônica de pasárgada - “o seu tipo
flow mc - “o quartinho obscuro” (música de sua mixtape de 2011, enquanto a desse ano trouxe o clipe de “por que”)
gui amabis - “pena mais que perfeita
haikaiss - “camaleão” (no começo do ano os rappers lançaram também o clipe de “existência”, bem mais prosaico)
junio barreto - “passione
lirinha, angela rô rô & otto - “valete” (e ainda “ah se não fosse o amor” e “sistema lacrimal”)
lucas santtana - “o deus que devasta mas também cura” (outras música do excelente disco de lucas, “para onde irá essa noite?”, também ganhou clipe)
lurdez da luz - “levante
mallu magalhães - “velha e louca” (outras duas músicas do seu disco de 2011, “sambinha bom” e “baby i'm sure”, ganharam vídeos, sendo que o último feito pelo maridão marcelo camelo)
marcelo jeneci - “pra sonhar
max b.o. - “fábrica de rap
negro leo - “jovem tirano príncipe besta
o terno - “66
racionais mcs - “mil faces de um homem leal (marighella)” (prestes a lançar mais um esperado disco de inéditas, o quarteto também lançou o clipe de “mente do vilão”)
silva - “a visita
thiago pethit - “pas de deux” (e, pouco antes, lançou outro clipe de uma música do seu primeiro disco, “não se vá”)
tono - “samba do blackberry
tulipa ruiz - “é” (também rolou um clipe caseiro de “memória fora de hora”, música que gravou no tributo à marina lima lançado em 2011)
vanguart - “mi vida eres tu

MENÇÃO HONROSA #01. sou fã assumido do letuce e o segundo disco (manja perene) da dupla-casal deixou marcas profundas em mim e no meu ano de 2012. mas tem outra coisa admirável neles: seus vídeos caseiros. imagens de viagens, do cotidiano, um ultrassom, coisas da internet, gif animados, qualquer coisa vira clipe e assim sendo nasceram os vídeos de “areia fina”, “medo de baleia”, “ninguém muda ninguém”, “sempre tive perna” e “loteria”.

MENÇÃO HONROSA #02. não gosto de funk ostentação e acho os clipes tão repetitivos quanto as músicas, mas é admirável o trabalho de konrad “kondzilla” dantas. o cara criou e ampliou, em apenas dois anos, todo o imaginário visual de um gênero musical crescentemente popular.

MENÇÃO HONROSA #03. fora os clipes produzidos pelos próprios artistas também rolam outros que aparecem em séries independentes ou patrocinadas na internet e em programas de tv. destaco aqui a segunda temporada da série compacto, a estreia da versão brasileira de meet the legends (com emicida & wilson das neves, elza soares & garotas suecas, luiz melodia & karol konká, jards macalé & dorgas, jorge mautner & tulipa ruiz), o inescapável música de bolso (mesmo que atualizando menos), o inspirado don’t touch my karaoke, o projeto in.casa (com gente como barbara eugênia, pélico e romulo fróes cantando acusticamente em suas próprias casas) e os programas televisivos cada canto (canal brasil), cantoras do brasil (canal brasil) e som brasil (tv globo).

MUITO MAIS QUADROS POR SEGUNDO. e dá-lhe autoramas (“abstrai”), barbara eugênia & tatá aeroplano (“dos pés”), cabes mc (“não nasci pra ensinar”), céu (“retrovisor”), chimpanzé clube trio (“tira essa pessoa da minha vida”), cícero (“ponto cego”), clarice falcão (“oitavo andar”), criolo (“mariô”), funkero (chapa quente”), grandphone vancouver (“miss me”), jamés ventura (“odeio político”), japan bondage (“japan bondage”), kamau (“21/12” e (eu quero) mais”), karina buhr (“amor brando”), karol conká (“corre, corre erê”), kassin (“fora de área”), léo cavalcanti & tulipa ruiz (“sem (des)esperar”), lívia cruz (“não foi em vão”), lucy and the popsonics (“eu vou casar com um cosmonauta”), madrid (“sad song” e “siblings”), malbec (calo”), marcelo camelo (“vermelho”), marcelo d2, sain e helio bentes (“eu já sabia”), márcia castro & helio flanders (“29 beijos”, e márcia esteve ainda no divertido “de pés no chão”), marina wisnik (“na rua agora”), molho negro (“aparelhagem de apartamento”), mv bill (o soldado que fica”), ogi (“eu me perdi na madrugada” e “profissão perigo”), ordinária hit (“patrão”), psilosamples (“no canto da cidade”), rashid (“r.a.p.”), rita lee (“reza”), savave (“tá suave”), shaw (“a área”), slim rimografia & thiago beats (“limpe seu próprio quintal”), sobre a máquina (“oito”), sonic junior (“inflamável”), super stereo surf (“clipe vertical”), supercordas (“índico de estrelas”), terra preta (“nasce, cresce e morre”), trupe chá de boldo (“na garrafa”), vivendo do ócio (“nostalgia”) e xis (“entre o amor e o ódio”).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

as 30 + 20 músicas brasileiras de 2012

começo a temporada de retrospectivas aqui no esforçado com as melhores músicas brasileiras do ano segundo a humilde opinião da casa. ainda rolarão por aqui os melhores discos e clipes nacionais, e discos e músicas da gringolândia (também conhecida como resto do mundo). a categoria ‘clipes nacionais’ é a novidade dessa retrospectiva porque achei um ano excepcional na produção audiovisual, muita coisa boa mesmo e nos gêneros mais variados. de resto, a única diferença é que aumentaram um pouco mais o tanto de escolhidos. na retrospectiva de 2009 foram 10, já em 2010 e 2011 o número aumentou para 25. agora são 30.

de alguns discos – que, não coincidentemente, estão entre os melhores do ano – foi particularmente difícil escolher apenas uma música. isso aconteceu nos discos de alvinho lancellotti (o tempo faz a gente ter esses encantos), bnegão & os seletores de frequência (sintoniza lá), céu (caravana sereia bloom), curumin (arrocha), gaby amarantos (treme), gui amabis (trabalhos carnívoros), letuce (manja perene), los sebosos postizos (interpretam jorge ben jor), lucas santtana (o deus que devasta mas também cura), maga bo (quilombo do futuro), oquadro (oquadro), siba (avante) e tulipa ruiz (tudo tanto). nessa horas a gente precisa ser forte, engole o choro moleque. afinal de contas, a vida é ‘escolhas’ e listas são fotografias de um instante. bola pra frente.

como é de praxe aqui não tem essa coisa de primeiro, segundo, terceiro lugar. assino embaixo do pessoal do hominis canidae que, em um email pedindo listas pessoais de seus colaboradores/amigos/colegas, afirmaram que eram “discipulos do satanique samba trio e achamos que ordenar é apenas mais uma pratica cristã ultrapassada”. segue a lista.

a banda dos corações partidos - “a carta de amor
afroelectro - “pra sonhar
alvinho lancellotti - “alegria da gente
beto mejia - “vermelho
bnegão & os seletores de frequência - “o mundo (panela de pressão)
caetano veloso - “um abraçaço
céu - “baile de ilusão
curumin & russo passapusso - “afoxoque
don l & flora matos - “enquanto acaba
dona onete - “poder da sedução
edi rock & seu jorge - “that’s my way
flow mc - “pode para
gaby amarantos - “merengue latino
gui amabis - “tiro
letuce - “areia fina
los sebosos postizos - “toda colorida
lucas santtana - “músico
maga bo, funkero & bnegão - “piloto de fuga
mahmundi - “se assim quiser
mão de oito & marcela bellas - “acorda
nina becker & marcelo callado - “armei a rede
oquadro - “balançuquadro
otto - “exu parade
paulo carvalho - “sóis
siba - “preparando o salto
silva - “a visita
tulipa ruiz - “cada voz
volver - “mangue beatle

mas tem muita coisa, muitos sons bons. e naquela linha inclusiva do blog fiz ainda um segunda lista com outras 20 músicas.

amplexos making love
banda uó & luiz caldas - “beija flor
bonde do rolê - “kilo
café preto - “nem se, nem dó
caio bosco - “mendigos de amor
doo doo doo - “carnaval no fogo
filarmônica de pasárgada - “o seu tipo
lurdez da luz - “levante
márcia castro - “de pés no chão
negro leo - “jovem tirano príncipe besta
o terno - “66
orquestra contemporânea de olinda - “mar azul
qinho - “o tempo soa
rafael castro & pélico - “marítima
roberta sá - “no arrebol
rodrigo campos & criolo - “ribeirão
sasquat - “homem guaracheiro
shaw - “coração
síntese - “se escute
tatá aeroplano - “par de tapas que doeu em mim”