estamos aí no segundo capítulo da retrospectiva musical
deste ano. já publiquei aqui a lista com 50
músicas brasileiras e agora é a vez dos discos. são 50 com uma lista bônus de
outros 25. coisa pra diabo, eu sei, mas é só um pedacinho dos sons que chegaram
a mim. dessa ruma alguns merecem destaque, pois me pegaram mais de um jeito ou
outro. é mais ou menos assim...

pedra de sal - EP
que é o primeiro de uma trilogia -
chegou agora no final e me derrubou rapidamente. é trabalho de várias belezas e
muitas inquietações, alguma dramáticas, e mais um encontro forte de pernambuco
[alessandra leão e rodrigo caçapa] e são paulo [kiko dinucci e guilherme
kastrup]. e alessandra detona muito [“pedra de sal”, porra, o que é “pedra de
sal”?!]. já o que vim fazer aqui é
disco novo da alzira, o que me ganha de cara porque ela é uma das minhas
cantoras/intérpretes/autoras preferidas de todos os tempos. daí que nesse disco
ela canta só itamar assumpção, algumas inéditas, e com uma banda ótima. não é
só impossível dar errado como ainda por cima dá muito certo. falando em itamar,
o segundo disco de sua filha anelis assumpção, anelis e os amigos imaginários, é diversão do começo ao fim, é
adulto e pop, é urbano e leve. anelis tá fazendo um carreira muito massa.

convoque seu buda,
o disco de criolo após nó na orelha,
corria muitos riscos comparativos e saiu-se muito bem. não tem o ineditismo da
reinvenção do rapper e do encontro com Daniel ganjaman, mas tem alguns novos
caminhos próprios e justas coerências, além de várias grandes canções. ainda na
seara do rap, cruz do elo da
corrente é mais uma prova da maturidade do gênero. ousado musicalmente,
brasileiro e paulistano na medula, extremamente bem produzido, cruz é uma bela duma pancada. igualmente
impactante, goma-laca é o disco do
projeto de biancamaria binazzi e ronaldo evangelista com músicas
afro-brasileiras gravadas entre as décadas de 1920 e 1950 e rearranjadas por
letieres leite. e tudo fica ainda melhor com a escolha acertadíssima dos(as)
intérpretes que, não coincidentemente, estão nessa lista também com seus
excelentes trabalhos solo [juçara marçal, russo passapusso e lucas santtana – e
tem ainda karina buhr, mas que não lançou disco novo esse ano].

chegamos então a juçara marçal e seu encarnado. uma das mais discretas e poderosas cantoras brasileiras,
juçara fez de sua estreia solo um aperfeiçoamento natural do trabalho quem tem
feito no metá metá: tradições afro-brasileiras sendo rasgadas por guitarras, por
uma interpretação segura e pelo presente musical brasileiro. disco
impressionante de uma artista idem. coisa
boa é também a estreia solo oficial de moreno veloso, após a trilogia que
fez com os amigos domenico e kassin, e é seu trabalho mais doce, mais bonito.
já o novo nação zumbi pode não ter a
pancadaria de outrora, mas os pernambucanos seguem criando músicas ótimas,
honrando e muito as duas décadas do mangue beat/bit.

e o racionais mcs? após mais de uma década sem um cd de
inéditas, o quarteto lançou cores e
valores, um disco-conceito lotado de referências e histórias, um tantinho
frustrante pela curta duração, mas as vozes e posturas dos caras continua muito
impressionante. com 25 anos de estrada, o racionais é, sem sombra de dúvida,
uma das coisas mais importantes da história da música popular brasileira.
finalizando os destaques, dois baianos. russo passapusso,
vocalista do baiana system, lançou seu primeiro solo, o lindo paraíso da miragem, que tem reggae, ragga,
balanço e muito o que falar e mostrar. o veterano na inquietude tom zé veio com
vira lata na via láctea, seu melhor
disco em tempos, principalmente porque seus arranjos diferentes, formações
instrumentais variadas , e muitas participações interessantes [de criolo a
filarmônica de pasárgada, de milton nascimento a kiko dinucci, de caetano
veloso a o terno]. e, claro, um leque e tanto de ótimas músicas.
peraí, peraí... últimos destaques. juro! como disse na lista de músicas, continua rolando muito rap bom pra cacete. racionais, criolo e elo da corrente não me deixam mentir. mas vale ressaltar que tem ainda, nessa lista de 50, amiri, rincon sapiência, lurdez da luz, haikaiss e zulumbi aqui de são paulo, o pessoal do r93 de volta redonda e os gaúchos tuty e orquestra celestial do livre arbítrio.
bom também quando somos pegos no contrapé. foi muito bom ser surpreendido pelos excelentes discos de adriano cintra [animal], alice caymmi [rainha dos raios], celso sim [tremor essencial], ian ramil [ian] e márcia castro [das coisas que surgem], além da descoberta do niteroiense salgueirinho e seu animalia, um disco eletrônico-instrumental bacaníssimo.
segue então, finalmente, a lista com 50 discos brasileiros deste ano segundo o gosto da casa, tudo devidamente linkado para ouví-los na íntegra [e ocasionalmente baixá-los]:
barbara eugênia & chankas - aurora
orquestra celestial do livre arbítrio - o.c.l.a.
saulo duarte e a unidade - quente
e aqui uma lista bônus com outros 25 trabalhos bem bons e que também deixaram suas marcas por aqui: