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segunda-feira, 13 de maio de 2013

transversão #41

não lembro quando ouvi “marcianita” pela primeira vez. acho que ela tá naquele rol de músicas que sempre existiram, sempre tocaram, e não se sabe direito como surgiram (nem no mundo, muito menos pra si). mas sei muito bem quando ela definitivamente entrou na minha lista de preferidas: durante os shows que o mauricio pereira fez no início dos anos 2000 e que resultaram no disco as canções que você já assobiou (2003). foi então que descobri a gravação do sérgio murilo (1960), a do caetano com os mutantes (1968), uma do raul seixas (1973), outra da gal costa (2002) e recuperei a memória de uma do grupo rumo (1992).

recentemente, e com certo atraso, ouvi a que jussara silveira gravou no disco ame ou se mande (2011) e chapei novamente. que versão linda e divertida! fui então pesquisar a origem da música e me surpreendi com as poucas informações. consegui descobrir que “marcianita” é uma composição de josé imperatore marcone e galvarino villota alderete, chilenos até onde sei, e foi lançada em 1959 (até poucos dias atrás nunca tinha ouvido nenhuma interpretação em espanhol). de bate pronto fez muito sucesso na argentina na voz de billy cafaro e no ano seguinte ganhou uma versão em português assinada por fernando césar que estourou com sérgio murilo. a partir daí ganhou inúmeras versões por aqui (e também em portugal com daniel bacelar, por exemplo).

nessa volta a seção transversão após tantos meses de silêncio (a última foi em julho do ano passado com “maria bethânia” de caetano) separei algumas das minhas versões preferidas dessa lindeza que é “marcianita”. começando com o argentino billy cafaro e os chilenos do grupo los flamingos, ambos em 1959.



então chegamos ao brasil e logo de cara sérgio murilo quebra tudo numa versão cool, sofisticadíssima, pré-jovem guarda.


queria colocar a do caetano com os mutantes, mas não achei nenhuma opção para incorporar. tristeza, viu? então agora é a vez das totalmente excelentes (e paulistanas) gravações do grupo rumo e de maurício pereira.




e, finalmente, jussara silveira em sua interpretação cristalina e deliciosa, acompanhada por sacha amback e marco costa.


pra encerrar essa postagem uma gravação que achei nessas buscas e que me impressionou bastante. gravada em 2012, essa “marcianita” traz ana clara cantando acompanhada pelo trio molho negro e por felipe cordeiro, todos paraenses. baita versão, mais pesada e pop, e com uma parte em espanhol levada no tecnobrega.



p.s.: e ainda tem os trapalhões (sim, isso mesmo, os trapalhões numa versão absolutamente fuleira), bobby di carlo, alípio martins, léo jaime, o “marcianito” de sueli, e uma recentíssima do felipe cordeiro, etc. 

quarta-feira, 23 de junho de 2010

transversão #34

seguindo em cuba, mas voltando no tempo, dámaso pérez prado (1916-1989) foi um compositor de inúmeros mambos de sucesso no mundo inteiro, principalmente na década de 1950. talvez o seu maior hit tenha sido "patricia", canção deliciosa lançada originalmente em 1958. no video abaixo tem o trecho de um filme com a versão original. o orgão na introdução e o ataque de metais latinos são inesquecíveis.



"patricia" ganhou inúmeras regravações no decorrer das décadas e em todo mundo, como por exemplo na jamaica com ike bennett & the crystalites em algum lugar da década de 1960. versão retirada diretamente do disco from chariot's vault - 16 rocksteady hits vol. 1, mais uma pedrada disponibilizada pelo you & me on a jamboree.



no brasil, o mambo foi gravado por gente como emilinha borba, raul de barros, waldir calmon, ivon cury e sylvio mazzuca. mas aqui a gente vai ouvir a gravação de caetano veloso no disco ao vivo omaggio a federico e giulietta (universal, 1999). ah, e a letra em português é de um tal alexandre bougert.



e pra encerrar, uma excelente versão instrumental criada pelo encontro dos guitarristas ry cooder e manuel galbán no disco mambo sinuendo (nonesuch records, 2003).



p.s.: mas qual o motivo de caetano ter colocado um mambo cubano em sua homenagem ao diretor federico fellini e sua mulher, a atriz giulieta masina? é que "patricia" teve papel fundamental na trilha do clássico a doce vida (1960). saca só. 




atualização em 15 de maio de 2011: não podia deixar de colocar essa versão feita para uma big band colegial de marimbas. o responsável é um tal de anders kirk pedersen, dinamarquês até onde sei.