terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

bad trip da folha

"Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso."

quem escreveu isso? o reinaldo azevedo? diogo mainardi? qualquer um da veja? não, amiguinhos e amiguinhas, isso foi escrito por alguém da "democrática", da "progressista" folha de são paulo, no editorial de 17 de fevereiro ("limites a chávez"). aí um monte de gente se indignou e mandou e-mails e cartas e o diabo a quatro pra barão de limeira (painel@uol.com.br). olha só a resposta que a folha deu ao leitor sérgio pinheiro lopes.

"Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional."

mas o que podia piorar, piorou, pois as críticas de maria victoria de mesquita benevides (educação-usp) e fábio konder comparato (direito-usp) foram respondidas da seguinte forma.

"A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa."

cínica e mentirosa?!?!? quem escreveu isso, 'lamordedeus? sei lá eu, mas o editorial da folha acabou de jogar um caminhão de lama na reputação do próprio jornal (que com todo apoio velado e não velado a serra já não é mais essas coisas). e tá rolando na internet uma petição encabeçada pelo mestre antônio candido de repúdio ao jornal e solidariedade aos professores. assina lá, porque ditabranda é o caralho!

p.s.: hoje, dia 24, o fernando barros e silva, colunista da folha, fez uma crítica direta ao jornal: "O mundo mudou um bocado, mas "ditabranda" é demais. O argumento de que, comparada a outras instaladas na América Latina, a ditadura brasileira apresentou "níveis baixos de violência política e institucional" parece servir, hoje, para atenuar a percepção dos danos daquele regime de exceção, e não para compreendê-lo melhor." mas aí no final dá uma alfinetada no "esquerdista" fábio konder comparato. quer dizer, uma no cravo, outra na ferradura.

3 comentários:

Anônimo disse...

Ditadura é ditadura. A "ditabranda" da Folha de SP é palavra que habita a cabeça de militares e componentes do Manhattan Conection. Como se houvesse um meio de graduar uma ditadura. Abraços! Djalma

dafne sampaio disse...

ô djalma, valeu pela visita e comentário. continue por aqui... mas me diga uma coisa, como chegou no cafofo?

Anônimo disse...

Oi, Dafne! Eu sou pai da Gabriela Tedeschi Cano. Foi através dela que cheguei ao blog. Estou curtindo muito. Descobri no seu blog O Bruno Ribeiro que também é muito bom. Ele tem feito eu me recordar de muita gente boa do passado. Tenho um blog bem modesto que iniciei em janeiro http://fenix46.blogspot.com . Bem, vou continuar aparecendo por aqui. Grande abraço!
Djalma Cano.