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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

yahoo #56

a política cultural voltou a ser tema lá no yahoo e a turma dos comentários obviamente surtou com o 'vale cultura' criado pelo governo federal. o texto da semana é "10 músicas que você deveria ter ouvido em 2012", um desdobramento da lista que coloquei aqui com as 30 + 20 melhores músicas brasileiras do ano.

Surprise !

VALE CULTURA OU É POR QUILO?

Lançado em julho de 2009 pelo então presidente Lula, o Vale Cultura passou por uma longa via crucis em Brasília até finalmente ser aprovado pela Câmara dos Deputados, em 21 de novembro último, e no Senado, ontem. O último passo agora, e o mais previsível deles, é a aprovação da presidenta Dilma Roussef. Os R$ 50 mensais servirão a trabalhadores em regime de CLT, e que ganhem até 5 salários mínimos, “para entrar em teatros, cinemas, comprar livros, CDs e consumir outros produtos culturais”. Segundo o Ministério da Cultura, o número de trabalhadores beneficiados pode chegar a 12 milhões.

Na época de seu lançamento , o projeto recebeu críticas reveladoras tanto da oposição, liderada pelo então senador & amigo de bicheiro Demóstenes Torres, quanto pela grande imprensa. Em editorial, o Estadão afirmou que o “mais grave é o risco de que grande parte do dinheiro, em vez de ajudar na formação dos trabalhadores de baixa renda, vá para produtos e eventos culturais de grande apelo popular, mas com escasso teor educativo, como shows de axé, livros de autoajuda e comédias de gosto duvidoso protagonizadas por atores de televisão”. Notem, por favor, os exemplos pinçados pelos senhores editorialistas (axé, autoajuda e comédias com atores de TV).

No mesmo dia, na Folha de S. Paulo, Gilberto Dimenstein afirmou algo parecido: “Não é elitismo querer que dinheiro público não patrocine espetáculos de shows de música funk, sertaneja ou pagode. Ou que vá para autores de livros de autoajuda ou filmes de violência. Assim como obviamente, não tem nada de errado que as pessoas se divirtam como quiserem”. Quer dizer, não tem nada de errado se a patuléia quiser o mesmo que você, né Sr. Dimenstein-Sabe-Tudo-do-Bom-e-do-Melhor?


Críticas assim, de um elitismo galopante e descarado, dizem mais sobre quem as faz do que sobre o que é criticado. Poderiam dizer que R$ 50 é muito pouco ou então que esse esquema de renúncia fiscal é passível de corrupção. Não, nada disso. A simples ideia de garantir acesso à cultura (qualquer cultura) aos mais pobres, mesmo que timidamente e com riscos de falta de adesão, parece uma ofensa na cabeça dessa gente fina, elegante e nada sincera que se acha melhor que os outros.

Não importa se a pessoa usar os R$ 50 para comprar um livro do Padre Marcelo Rossi, um DVD sertanejo, um ingresso para o filme novo do Bruno Mazzeo ou uma coletânea pirata de funk. Aí vai de cada um e é preciso respeitar (coisa rara nesse tempo de ditadores de regras). Cultura é movimento e produção, acesso e distribuição, variedade e necessidade, uma coisa puxando as outras. Se o Vale Cultura vai dar certo são outros quinhentos, mas é certo que pelo menos se procure uma ou mais iniciativas para diminuir a desigualdade de acesso a um dos bens mais importantes da vida humana, coisa que o Ministério da Cultura, na gestão Ana de Hollanda, não vinha fazendo (assunto tratado no texto “Estamos perdidos?”).

p.s.: e por falar em Vale Cultura, acho que o pessoal da redação da Veja está precisando do benefício. A mesma revista que definiu como “idiota moral” um dos maiores historiados do mundo, Eric Hobsbawn (1971-2012), disse ontem, por meio de seu principal articulista raivoso, que Oscar Niemeyer (1907-2012) era “metade idiota”. Quando dois gênios que contribuíram imensamente para a cultura mundial são chamados de idiotas por uma publicação acho que fica bem claro de que lado é melhor ficar.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

yes, nós sempre teremos carmen

até um tempo atrás existia uma revista da porto seguro, nem sei se ainda está por aí. era da área de customizadas da abril e um dos editores era o poeta maranhense (e meu ex-vizinho) celso borges. escrevi uns dois textos pra essa revista, um sobre artesanato e outro sobre carmen miranda (1909-1955), o cinquentenário de sua morte e a ótima biografia do ruy castro. o texto foi publicado em agosto de 2006 e agora sai do baú. foram duas as fontes para essa curta reportagem: o próprio ruy e a cineasta helena solberg (vida de menina e palavra (en)cantada), que fez um documentário sobre carmen (bananas is my business). simbora, só no chica chica boom chic.

PEQUENA, NOTÁVEL & POP

Disseram que ela voltou americanizada. Afirmação das mais injustas em se tratando da primeira artista brasileira a espalhar o país pelos quatro cantos do mundo. Por outro lado, Carmen Miranda também não era uma penca de bananas. E foi exatamente para mostrar o que é que Carmen tem, que o escritor Ruy Castro mergulhou em uma intensa pesquisa para chegar a
Carmen – Uma biografia (Cia. das Letras), livro tão preciso em informações quanto delicioso na leitura. De tal maneira a cantora volta então à vida, após cinquenta anos de sua morte, para garantir de vez seu lugar de destaque na história da cultura brasileira.

Muito antes de tomar de assalto Hollywood, a cantora já vinha fazendo um bem danado a música brasileira. “Carmen desenvolveu nas ruas, principalmente na Lapa, aquele seu jeito de falar - alegre, desembaraçado, cheio de bossa e de gírias - e transplantou isso para sua maneira de cantar. Foi um arraso porque, até então, nossas cantoras eram muito líricas, muito “européias”. Carmen era o Brasil cantando”, afirmou Ruy Castro. As gírias das ruas colaram aos ouvidos de Carmen e encontraram ressonância em sambas compostos por bambas como Assis Valente, Ary Barroso, Noel Rosa, Cartola e Dorival Caymmi. A empatia com o povo foi imediata, tanto que em seu primeiro ano de carreira, 1930, chegou a gravar um disco de 78 rotações (com duas músicas) a cada 18 dias. Em dez anos de carreira no Brasil, Carmen gravou 280 músicas revolucionando a música nacional.

Mas a vida da artista deu uma guinada em 1939 quando aceitou ir para os Estados Unidos tentar a sorte na Broadway. “A cantora Carmen perdeu, porque não pôde mais gravar aqueles sambas e marchas que faziam para ela, mas a personalidade Carmen ganhou”, explica o biógrafo. A ‘pequena notável’ passou a ser chamada de ‘brazilian bombshell’ e começou a cantar quase que exclusivamente para os números musicais de seus filmes na Fox, tais como
Uma noite no Rio (1941) e Entre a loira e a morena (1943). O sucesso de Carmen na Broadway e em Hollywood foi estrondoso, mas os norte-americanos não tinham interesse nenhum em samba ou cultura brasileira. Só que não conseguiam tirar os olhos daquela mulher colorida e extravagante.

A diretora Helena Solberg, autora do documentário
Carmen Miranda - Bananas is my business (1995), defende que Carmen “como grande comediante que era nos passa muitas vezes uma ironia que permite uma leitura entre as linhas dos papéis que, por contrato, era obrigada a representar nos filmes. Ela nos faz rir, rindo de si mesma”. A empatia com a persona de Carmen Miranda continua até hoje, vide o sucesso da exposição “Carmen Miranda para sempre” no Rio de Janeiro e em São Paulo no início do ano. Mas é na música, no samba, que Carmen é mais Carmen e, consequentemente, mais Brasil.

ok, foi rápido. mas por aqui tem sempre material extra. primeiro, um dos melhores (e mais icônicos) números musicais protagonizados por carmen em hollywood. música é "the lady in the tutti frutti hat" (harry warren e l. robin) e está no filme entre a loira e a morena (1943), mais um delírio visual, colorido e geométrico do grande busby berkeley. e depois, a entrevista de helena solberg na íntegra (que foi feita por email).



Você escolheu um tom bastante pessoal no filme, um tom de descoberta dessa imagem da Carmen que te assombrava/perseguia/encantava... quando a Carmen começou a te perseguir? O que mais te encanta nela? E como foi a decisão de assumir esse tom íntimo para o filme?
Na verdade, como na maioria dos documentários, foi um processo que iniciou-se com a pesquisa e que foi se aprofundando até que o personagem começou a se delinear e a tomar vida própria. Os fatos são importantes, mas a maneira como nos tocam e a leitura que fazemos deles é o que vai determinar o caminho que decidimos seguir. O ponto de vista que começamos a adotar é que irá delinear o filme. Morei muitos anos fora do Brasil e essa experiência de sentir-se um estrangeiro e estar sendo definido pelo olhar do outro acho essencial para entender a saga de Carmen. A ascensão vertiginosa dela quando chega nos Estados Unidos me fez compreender também que havia uma série de coincidências que foram determinantes para a trajetória de sua carreira. Em vez de um ponto de vista digamos jornalístico optei por um envolvimento pessoal e afetivo que achei que poderia aproximar a audiência através da emoção

Tenho uma impressão de que até hoje o movimento feminista brasileiro (o movimento organizado) não conseguiu comprender o pioneirismo e a modernidade da mulher/artista/profissional Carmen, ficando mais com o estereótipo que Hollywood grudou nela. Você concorda?
Sabia-se muito pouco sobre a vida pessoal de Carmen, fora do Brasil, além da imagem extremamente bem construída pela publicidade e a mídia. No Brasil a cobertura controvertida dada pelos jornais deixava perceber que havia uma série de conflitos que começaram a ser esclarecidos na sua última visita ao Brasil. A maneira como ela conduziu sua vida profissional dentro do contexto que lhe foi oferecido é certamente uma das maiores histórias de sucesso no mundo de entretenimento de um artista brasileiro nessa área. Acho que a biografia de Ruy Castro e meu filme estão ajudando a termos uma visão mais objetiva e ao mesmo tempo mais complexa de Carmen . Em relação às mulheres acho que sua história vai muito além de tornar-se uma referência só para um grupo específico. Acho que a qualidade de ícone a transforma em algo muito mais abrangente, já que toca numa questão de identidade que é muito profunda. Acho que só com o tempo outras leituras irão acontecer. Isso é verdade a respeito de muitos personagem que através dos tempos foram sendo redefinidos de formas diferentes. Acho que isso irá acontecer com Carmen.

Qual, ao seu modo de ver, é a verdadeira contribuição de Carmen Miranda para a cultura brasileira?
O que acho interessante é a brasilidade assumida em um momento aonde nossa elite ainda se pautava por um modelo europeu. A semana de 22 acontece dentro de uma vanguarda intelectual, mas Carmen, como diz Caribé da Rocha em sua entrevista no filme, era povo, era o que tínhamos de mais autêntico. Como grande comediante que ela era, ela nos passa muitas vezes uma ironia que permite uma leitura entre linhas dos papéis que por contrato era obrigada a representar nos filmes da Fox. Ela nos faz rir, rindo de si mesma.

Como é hoje tua relação com o filme, passados dez anos? E tua relação com a Carmen? Você leu o livro do Ruy Castro? O que achou?
Acho o livro de Ruy Castro da maior importância. Ele mergulhou fundo na sua pesquisa e como em outras de suas biografias o fez com paixão. O filme se mantém muito vivo e atual até hoje. É muito interessante ver como ele levanta uma quantidade de temas diferentes. Recentemente em uma Universidade o debate se prolongou por duas horas depois da projeção.


e pra encerrar, um video com ná ozzetti cantando "disseram que voltei americanizada" (vicente paiva e luis peixoto), uma das músicas do disco balangandãs (mcd, 2009), um delicioso tributo a pequena notável.

quarta-feira, 17 de março de 2010

encontros: ná ozzetti & andré mehmari

de volta ao baú. essa minha reportagem sobre o encontro da voz de ná ozzetti e o piano de andré mehmari saiu na tam magazine de setembro de 2005. a entrevista com os dois rolou na bela casa-estúdio que o pianista mantém na serra da cantareira, na parte mais verde da zona norte paulistana, e veio à reboque do lançamento do disco piano e voz (mcd, 2005). esse disco ganhou uma versão ao vivo (em cd e dvd) no ano de 2006 e depois disso ná e mehmari voltaram a centrar fogo em suas próprias carreiras. no início de 2009, e após uma bem sucedida série de shows, ná entrou em estúdio para gravar balangandãs (mcd, 2009), sua homenagem a arte de carmen miranda. já o elétrico mehmari gravou dois discos de piano solo pra série mpbaby (beatles em 2005 e clube da esquina em 2008), uma parceria com hamilton de holanda (contínua amizade, 2007), uma com gabriele mirabassi (miramari, 2009) e o autoral ...de árvores e valsas (monteverdi, 2008).

a voz de uma e o piano do outro

DE COMO AFINAR MÚSICAS E AFETOS

Tudo aconteceu muito rápido. Primeiro veio um convite do Rio Grande do Sul ao pianista André Mehmari para uma série de recitais de piano e voz com vários artistas no final de 2004. Mehmari chamou então Ná Ozzetti e sua voz. Nos ensaios ficou claro que a química entre os dois era forte demais para apenas um show e após a bem sucedida apresentação em Porto Alegre decidiram registrar o encontro. Gravado em dezembro na casa-estúdio do pianista e lançado em maio, o disco
Piano e Voz (MCD, 2005) lotou os shows de lançamento em São Paulo e surpreendentemente alcançou o primeiro lugar de vendas em lojas como a Fnac.

“Estamos apenas no começo”, ameaçou entre risos Ná Ozzetti em entrevista exclusiva. Em julho houve uma pausa no lançamento porque ambos estavam com outros compromissos. Mehmari foi ao Japão ao lado de Joyce e Dori Caymmi. Ná esteve na França pelo Projeto Pixinguinha com Jards Macalé, Dona Selma do Coco e o grupo instrumental Nó em Pingo d’Água. O segundo semestre promete shows em outras partes do país como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte. “Acho que tanto pra mim quanto para o André esse trabalho era apenas um projeto paralelo. Só que o envolvimento acabou sendo tão grande que não encaro mais o disco assim. É um trabalho meu, tem a minha cara nele e é um trabalho do André também”, e os olhos claros da cantora paulistana faíscam de orgulho.

Mehmari não deixa a bola cair e emenda: “Temos gravados todos os ensaios que fizemos e dá para ver bem a evolução natural até chegar ao disco. Não tivemos nenhuma reunião de pré-produção, simplesmente saímos tocando e aí, numa pausa logo nos primeiros ensaios, a Ná disse que a gente precisava gravar um disco”. Em perfeita sintonia, como uma dupla afiada, Ná completa que “era uma judiação tocar apenas um dia e depois nunca mais se ver, ainda mais quando o trabalho estava ficando tão bacana”.

Um dos pontos que mais aproximaram os dois artistas foi o processo de escolha de repertório até o ponto em que, atualmente, nem se lembram direito, ou não se importam, em saber quem sugeriu o quê. “O disco tem uma coisa muito essencial... sei que sou suspeita pra falar... mas o que me agrada no disco, como ouvinte mesmo, é a sinceridade do repertório. Foram músicas que escolhemos como pérolas mesmo e acho que elas representam muita coisa pra muita gente também”, afirma Ná. Basta lembrar então que o disco traz Chico Buarque (“A ostra e o vento”), Caetano Veloso (“O ciúme”), Pixinguinha (“Rosa”), Milton Nascimento (“Os povos”), Beatles (“Because”), Ernesto Nazareth (“Bambino”, com letra de Zé Miguel Wisnik) e Lupicínio Rodrigues (“Felicidade”, misturada a duas músicas de Egberto Gismonti). Para Mehmari “este disco salta como uma obra de arte livre de clichês e convenções mercadológicas onde o encontro de afinidades de duas vozes é o tema principal”. Ambos concordam que o encontro sincero de dois afetos musicais é o motivo para o sucesso do CD e dos shows.

“No disco colocamos “Luz negra” do Nelson Cavaquinho e “Pérolas aos poucos” do Zé Miguel Wisnik, porque não conseguimos ensaiar a tempo do show. Entrou também uma inédita do André, “O vôo da bailarina”. A gente fazia no show três do Jobim e decidiu não colocar no disco porque já ia sair em um livro. Acabou que ficou só uma versão diferente de “Gabriela” porque o André fez questão. Hoje é uma das que eu mais gosto”, relembra Ná. O livro em questão é
Três canções de Tom Jobim (Cosac Naify) onde os ensaístas Lorenzo Mammì, Arthur Nestrovski e Luiz Tatit analisam três clássicos do cancioneiro de Jobim (“Sabiá”, “Águas de março” e “Gabriela”). O livro traz CD encartado com as interpretações de Ná e Mehmari.

E como entender essa química? “Temos posturas parecidas perante a música e disponibilidade de trocar idéias musicais. Muitas vezes os músicos não se permitem fazer essas interfaces musicais com outros músicos. Gosto muito desse diálogo, por isso tenho vários duos, trios, acho muito rica essa experiência. Eu e a Ná somos assim, nos preocupamos com a música”, responde Mehmari enquanto dedilha algumas notas em seu piano. Ná também possui uma resposta para tal pergunta: “Eu me identifico muito com a sensibilidade dele, com o tipo de arranjo que ele faz, o modo como ele conduz a música, tudo isso casa direitinho com o jeito como sinto a música também. Tenho universos musicais em que transito e ele não. Ele tem outros universos musicais em que não transito. Mas naquele lugar que a gente se encontrou tem muita coisa em comum e de uma forma muito forte”.

Ná Ozzetti e André Mehmari divertem-se nesse parêntese musical que a vida lhes pregou, mas não descuidam de suas próprias carreiras. Ná, que surgiu na década de 1980 no cultuado grupo Rumo e seguiu em carreira solo com discos elogiados como
Love Lee Rita (1995), Estopim (1999) e Show (2001), prepara um disco de inéditas. Já Mehmari, vencedor em 1998 ao lado do baixista Célio Barros do 1º Prêmio Visa de MPB e um dos arranjadores brasileiros mais elogiados da atualidade, termina disco com versões instrumentais para canções dos Beatles enquanto ainda colhe os louros pelo disco Lachrimae (2004). Os dois não param, nem poderiam, afiados que são.

pra encerrar o post, o video de ná e mehmari aprontando das suas em "a outra e o vento" (chico buarque), música que estava no shows, entrou no disco original e, obviamente, emplacou no dvd ao vivo. uma das melhores músicas a sair do cancioneiro mais recente de chico numa interpretação de chorar.



p.s.: lá no gafieiras tem resenhas do cd piano e voz, do dvd piano e voz e do mpbaby beatles. isso sem falar na ótima entrevista que fizemos com ná ozzetti em 2008.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

pa ra ra ti bum bum bum

não consegui ir nos shows que a ná ozzetti fez nos últimos anos com o repertório da carmen miranda (1909-1955), mas acabei de receber um e-mail da gravadora mcd avisando que o disco balangandãs será lançado no final de maio (e já estão disponíveis no hotsite do disco alguns trechos deliciosos). boa coincidência porque agora, no começo de maio, sobe no gafieiras a entrevista que fizemos com a cantora em seu sítio nos arredores de jundiaí (sp). segue um trechinho em que ná fala sobre carmen.

"Já na faculdade entrei no
Rumo, e aí não tinha como fazer uso dessas escolas porque era o canto falado. Quando não era canto falado era o Rumo aos antigos, que me levou a ouvir as cantoras antigas. Foi assim que conheci a Carmen Miranda mais a fundo e fiquei fascinada. Pra mim era uma incógnita aquele jeito de cantar, aquela pegada sambista cheia de graça e malandragem que ela tinha. Descobri que tinha mais facilidade pra imitar a Carmen Miranda do que pra imitar a Elis Regina, por exemplo, ou a Maria Bethânia, porque elas tinham uma outra natureza de voz e minha voz se aproximava mais da brejeirice da Carmem Miranda. Então comecei a perceber essas coisas de pra onde rendia mais a minha voz. No Rumo parei de ter como referências as outras cantoras que tinha até então. Tinha um pouco da Carmen Miranda pra cantar o Rumo aos antigos e nas outras, do Rumo, era a Ná mesmo, nua e crua, porque não tinha referência nenhuma de músicas que lembravam músicas do Rumo pra tentar cantar igual."


foto utilizada como base para a capa de balangandãs