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domingo, 4 de outubro de 2009

domingueira

devo ter sido iugoslavo em outra vida (sim, sou do tempo que ainda existia iugoslávia e nunca entendi direito a confusão toda entre sérvios, bósnios, croatas e afins). posso ter sido cigano também. vai saber. a música de fanfarra (metais e percussão) ali do leste europeu, que é de influência claramente cigana, sempre me pegou de jeito. sinto aquele calor, aquela alegria, de quando estamos perto de algo que está muito internamente ligado ao nosso coração. mas derivei... descobri isso na década de 1990 com os filmes de emir kusturica e com a música de goran bregovic (que assinou as fantásticas trilhas dos igualmente fantásticos vida cigana, arizona dream e underground - mentiras de guerra). a domingueira de hoje vai com a dobradinha goran bregovic e iggy pop em "in the death car" (da trilha de arizona dream, o filme que kusturica fez nos eua com johnny depp, faye dunaway, jerry lewis, esquimós, peixes voando no deserto e outras loucuras).

quarta-feira, 11 de março de 2009

mano de dios

esporte não é o meu forte. é o meu fraco, aliás. futebol então... até já gostei de jogar, mas acho que nunca gostei de torcer. nem quando achava que torcia (flamengo). aí o futebol foi sumindo, virando piada, indignação, preguiça, sendo aquela emoção intensa apenas em nélson rodrigues, o ultraromântico da pequena área. quer dizer, procuro saber coisa ou outra pra ter assunto na segunda, chutar o vencedor, debochar de quem perdeu. e eu, tranquilão, só jogando amendoim. daí anteontem assisti maradona by kusturica... sou fã do sérvio de muito tempo (underground, pra mim, é um dos melhores de todos os tempos), mas convenhamos que ele não tem cancha de documentarista e fez um assumido filme de amigo-fã (ou vice-versa). tudo bem. assumiu? já ganha ponto. e kusturica procura entender muy sinceramente os problemas e vazios do amigo argentino dosando bom humor, sentimentos à flor da pele e muita música (sua banda, a no smoking orchestra aparece, bem como manu chao). do outro lado, o sempre sincero, articulado e passional maradona dá show. é personagem grande demais (no filme, ele afirmar ser um ator... de sua própria vida). índio, pobre, revolucionário, forte, fanfarrão, amoroso, fraco, gênio, louco, engajado, honesto, etc. & tal, dieguito é coisa rara. impossível não gostar e admirar um sujeito assim, impossível não entender sua paixão pelo futebol. olhaí o trailer do filme com legendas.



não, não acho que seja melhor que pelé. mas que é uma pessoa muito mais interessante, isso é. e outra... tive a impressão, e isso é apenas um chute, que os torcedores argentinos são mais apaixonados, sinceramente (e loucamente) apaixonados pelo esporte e por seus jogadores. enquanto no brasil, a relação é mais "oportunista".

p.s.: engraçado demais a existência da iglesia maradoniana. às vezes parece bom humor misturado com idolatria, mas na maioria das vezes é só coisa de sem noção mesmo. mas talvez pense assim porque sou brasileiro e não goste de futebol, vai saber...