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sábado, 3 de dezembro de 2016

100 músicas gringas de 2016

mais um ano de rap dominando a lista de melhores músicas do ano, tanto no brasil [post futuro] quanto na gringolândia. acho que um terço desta lista aqui, a primeira da retrospectiva musical deste ano, é de raps. já falei aqui e em outros lugares que já faz uns bons par de anos que o rap é o mais diverso, atual e contestador gênero musical desta década [o que já se desenhava nos anos 1980 e, principalmente, nos anos 1990].

mas antes do rap, é bom destacar uma outra galera. David Bowie e Leonard Cohen, por exemplo, nos deixaram este ano logo após lançarem belas e tristes músicas. também foi um ano no qual outros preferidos [de longa data] da casa mantiveram o alto nível de suas carreiras e ainda subiram novos degraus: Beck, Radiohead, Andrew Bird, Massive Attack, M.I.A., Quantic [e este ano foi a vez do seu projeto Flowering Inferno], The Strokes, Rihanna, Iggy Pop, Devendra Banhart e Zack de la Rocha. 

2016 também foi o ano de minas foda com a faca no dentes e em vários gêneros, desde o pop poderoso e político de Beyoncé ["Sorry", a faixa de Lemonade que escolhi pra lista, poderia ser facilmente substituída por pelo menos outras 4 pedradas do disco] e Alicia Keys até a cumbia digital de La Yegros, passando pelos raps de Sa-Roc, Rapsody e Princess Nokia, o soul confessional de Solange [irmã de Beyoncé], o rock dançante das Warpaint, a divertida pegada de Santigold, a novidade em Xenia Rubinos, Fritzwa, Lizzo, A-Wa, Chloe & Halle e as já citadas M.I.A. e Rihanna.

mas o rap é o rap e este ano teve a volta/despedida emocionante de A Tribe Called Quest e novos sons bacanas de veteranos como o De La Soul, Drake ["One Dance" é certamente um dos hits do ano], Atmosphere, Aesop Rock, Common, Kool Keith e Kanye West; e moleques como Frank Ocean, Chance The Rapper, deM atlaS, Bishop Nehru, Vic Mensa, Jerreau, Vince Staples e Young Thug, botando pra quebrar; no rap vale ainda destacar ScHoolboy Q, Danny Brown, Mick Jenkins, Kid Cudi, Desiigner ["Panda", outro hit do ano], Mykki Blanco, J. Cole [o último a entrar na lista] e a chegada definitiva do nigeriano Jidenna. sem falar na presença discreta, em participações, do maior nome do rap atual, Kendrick Lamar.

agora, pra encerrar o blábláblá e partir logo pra música, tem uns sujeitos que definitivamente vieram pra ficar [talvez porque além do talento não são facilmente rotuláveis]: Anderson Paak, Sampha e Kaytranada.

então, som na caixa [ah, e como sempre, a lista está em ordem alfabética].




2 Chainz - "Here We Go Again"
A Tribe Called Quest - "We The People... "
A Tribe Called Red - "R.E.D." [Ft. Yasiin Bey, Narcy & Black Bear]
Adrian Younge & Ali Shaheed Muhammad – "Bulletproof Love" [feat. Method Man] 
Aesop Rock - "Kirby"
Alicia Keys - "Pawn It All"
Anderson .Paak - "Come Down"
Andrew Bird - "Are You Serious"
Animal Collective - "FloriDada"
Atmosphere - "Pure Evil" [feat. I.B.E.]
Balkan Beat Box - "Chin Chin"
Baloji - "Spoiler"
Banks & Steelz - "Conceal"
Batuk - "Puta"
Beck - "Wow"
Beyoncé - "Sorry"
Bishop Nehru - "He The Man"
Bombino - "Akhar Zaman"
Chance The Rapper - "No Problem" [feat. 2 Chainz & Lil Wayne]
Chemical Brothers - "Wide Open" [feat. Beck]
Chloe x Halle - "Drop"
Common - "Black America Again" [feat. Stevie Wonder]
Danny Brown - "Really Doe" [feat. Kendrick Lamar, Ab-Soul & Earl Sweatshirt]
David Bowie – "Lazarus"
De La Soul - "Snoopies" [feat. David Byrne]
deM atlaS - "Sum-Mo"
Desiigner - "Panda"
Devendra Banhart - "Fancy Man"           
DJ Khaled - "Nas Album Done" [feat. Nas]
DJ Shadow - "Nobody Speak" [feat. Run The Jewels]
DJ Vadim - "Inner Lite" [feat. Big Red & Pupa Jim]
El Guincho - "Comix" [feat. Mala Rodriguez]
Fanfare Ciorcarlia - "I Put a Spell On You"
Flume - "Smoke & Retribution" [feat. Vince Staples & Kučka]
Iggy Pop - "Break Into Your Heart"
Isaiah Rashad - "4r da Squaw"
Jamila Woods- "VRY BLK" [feat. Noname]
Jerreau - "Hunt & Trap"
Jidenna - "Chief Don't Run"
Jimi Tenor - "Full House" [feat. Tony Allen]
Joey Purp - "Girls" [feat. Chance the Rapper]
Jungle By Night - "Kingfisher"
Kaytranada - "Glowed Up" [feat. Anderson .Paak]
Kid Cudi - "Surfin" [feat. Pharrell Williams]
Kings of Leon - "Muchacho"
Kool Keith - "World Wide Lamper" [feat. B.a.R.S. Murre & Dirt Nasty]
La Yegros - "Atormentada"
Laura Mvula - "Phenomenal Woman"
Leonard Cohen - "Traveling Light"
Lizzo - "Phone"
M.anifest - "Cupid's Crooked Bow" [feat. Nomisupasta]
M.I.A. - "Borders"
Massive Attack - "Come Near Me" [feat. Ghostpoet]
Me And My Friends - "All That Is You"
Michael Kiwanuka - "Love & Hate"
Mick Jenkins - "Drowning" [feat. BadBadNotGood]
Miike Snow - "Genghis Khan"
Mr. Lif - "Let Go" [feat. Selina Carrera]
Mykki Blanco - "High School Never Ends" [feat. Woodkid]
Onda Vaga - "La Maga"
Pigeon John - "Rebel Rebel"
Princess Nokia - "Brujas"  
Quantic Presenta Flowering Inferno - "Chambacu" [feat. Nidia Gongora]
Radiohead - "Present Tense"
Rae Sremmurd - "Start a Party"
Rapsody - "OooWee" [feat. Anderson .Paak]
Rihanna - "Pose"
Run The Jewels - "Legend Has It"
Sampha - "Blood On Me"
Sa-Roc - "Lord of the Forest"
ScHoolboy Q - "THat Part" [feat. Kanye West]
Sinkane - "U'Huh"
Solange - "Weary"
Teachers - "Ocean"
Temi DollFace - "Beep Beep"
The Avalanches - "Frankie Sinatra"
The Bacao Rhythm & Steel Band - "Police in Helicopter"
The Bongolian - "Moog Maximus"
The Comet Is Coming - "Final Eclipse"
The Frightnrs - "Dispute" [dub version]
The Strokes - "Oblivius"
The Underachievers - "Really Got It"
The Weeknd - "Starboy" [feat. Daft Punk]
Vaudou Game - "La Vie C'est Bon"
Vex Ruffin & Fab 5 Freddy - "The Balance"
Vic Mensa - "New Bae"
Vince Staples - "Prima Donna"
Warpaint - "Whiteout"
Xenia Rubinos - "Mexican Chef"
Xiomara - "You Don’t Know Jack" 
Young Paris - "Best of Me" [feat. Ben Bronfman]
Young Thug & Travis Scott - "Pick Up the Phone" [feat. Quavo]
Zack de la Rocha - "Digging For Windows"

pra encerrar a lista, cinco músicas que, por algum mistério do mundo do business, não estão no youtube. sendo que duas delas, "One Dance" e "Nikes", grandes hits do ano.

Drake - "One Dance" [feat. Wizkid & Kyla]
Frank Ocean - "Nikes"
Fritzwa - "Lies and Ego"
J. Cole - "False Prophets (Be Like This)"
Kanye West - "No More Parties in LA" [feat. Kendrick Lamar]


daí que este ano também coloquei a lista no Spotify e, pra minha surpresa, achei 93 das 100 músicas. ficaram de fora Beyonce (?!), deM atlaS, DJ Vadim, Jamila Woods, Princess Nokia, Quantic's Flowering Inferno e Temi DollFace. e acabei, por um motivo ou outro, escolhendo outras músicas das A-Wa, Fanfare Ciocarlia, Mr. Lif, Pigeon John, Sa-Roc, The Comet Is Coming, The Frightnrs e Vince Staples. 



e também tem playlist no Deezer que acabou tendo menos artistas [87 de 100] que a do Spotify [93 de 100]. faltaram Beyonce [exclusiva Tidal], deM atlaS, Frank Ocean, Isaiah Rashad, Jamila Woods, Sampha, Temi DollFace, Joey Purp, Kaytranada, M.anifest, Radiohead, Warpaint e Xiomara. e coloquei outras músicas de A-Wa, Fanfare Ciocarlia, J. Cole, Mr. Lif, Mykki Blanco, Princess Nokia e Sa-Roc.




terça-feira, 20 de julho de 2010

o radiohead e o ukelele

amanda palmer é vocalista e pianista do the dresden dolls (que nunca ouvi, confesso, mas tem uma proposta de cabaré brechtiano punk e coisa e tal). é que a moça acabou de lançar um ep de nome sugestivo e auto-explicativo: amanda palmer performs the popular hits of radiohead on her magical ukulele (independente, 2010). são 7 faixas com direito a "fake plastic trees", "high and dry", "no surprises", "idioteque", "creep" (em duas versões ao vivo, uma em berlin e outra em praga) e "exit music (for a film)", todas belas e no player abaixo. via @blogdobracin.

<a href="http://music.amandapalmer.net/album/amanda-palmer-performs-the-popular-hits-of-radiohead-on-her-magical-ukulele">Fake Plastic Trees by Amanda Palmer</a>

p.s. 1: amanda, também conhecida como afp (de 'amanda fucking palmer'), toca "creep" no ukelele já faz um tempo em seus shows (abaixo, em 2008).

p.s. 2: lá no canal vimeo da americana achei esse video de "idioteque" em forma de galeria de imagens (com ilustrações feitas por fãs - aliás, uma porrada de fãs talentosos).

quinta-feira, 28 de maio de 2009

amor no palco

moleque. ele é um moleque, o vitor araújo. tem quase 20 anos (ou já completou?). entrevistei ele por telefone no final do ano passado pra monet por causa da exibição, no canal brasil, do show toc - ao vivo no teatro santa isabel (deckdisc, 2008), primeiro registro do pernambucano que também saiu em cd e dvd. vitor é muito franco e o peguei em um daqueles momentos mais reveladores de um ser humano: o da fome (de comida, de vida, de música, etc). no final ele disse mais ou menos assim, "falei um monte, né? até esqueci que tava aperreado de fome". e foi almoçar. eu também. abaixo, um trecho do show em que o moleque entorta "paranoid android" do radiohead, versão que ajudou na construção de seu impressionante talento.



O show que saiu em DVD e que agora será exibido na TV foi gravado há um ano. O que mudou na sua vida desde então?
Olha, foi um ano bem gostoso de se viver. Gravei o CD e DVD em dezembro de 2007, lancei em abril e recebi uma acolhida muito boa, principalmente por ser a princípio um músico erudito inserido em um contexto pop. Isso foi bem legal. Por outro lado, fiz muitos shows e encontrei um público diverso, de jovens a senhores e senhoras de mais idade. Durante a turnê do TOC pude experimentar coisas que não tinha feito antes e me apresentei em lugares tão distintos como o Auditório Ibirapuera, uma escola para crianças em Guarulhos e o Festival Abril Pro Rock. Foi muito massa. E também conheci muita gente, inclusive alguns ídolos.

Quando as pessoas chegam para conversar com você depois do show, o que mais elas falam?
Interessante que as pessoas falam mais de sensações. Cada pessoa conta que sentiu uma emoção diferente, às vezes choro, ou riso. Quando ouço isso tenho certeza que meu trabalho foi bem feito. É muito interessante ver as pessoas querendo falar sobre o que sentiram. Não quero mudar o olhar das pessoas diante da música, mas sim diante de si mesmas. Tento transformar o palco em um lugar de comunhão porque para ouvir música tem o CD ou o DVD. No palco você pode experimentar essa coisa metafísica de sentimentos e sensações que não tem como explicar. O palco pra mim é um ato de entrega, de amor. Todo mundo fazendo amor. Acho que o palco é uma grande orgia [risos]. Busco isso e as pessoas que vêm falar comigo estão na mesma sintonia.

Sua relação com o palco sempre foi assim?
Não, muito pelo contrário. Quando você está no mundo erudito e sobe no palco, é para ser julgado, tanto pelas provas quanto pelos concursos. Até começar a subir no palco com este meu trabalho - e foi tudo muito rápido porque quando fui contratado pela gravadora tinha feito apenas quatro shows na vida – ficava sempre nervoso, querendo acertar todas as notas. Começava uma música já desejando que ela acabasse logo [risos]. Isso foi mudando com o tempo, principalmente quando entrei na música popular e na improvisação. Foi assim que comecei a ver o palco com outros olhos.

O que existe de Pernambuco, ou de Recife, e de Brasil na sua música?
Recife me ajudou bastante em muitos aspectos, tanto na estética quando no lado sentimental, porque é uma cidade que transpira arte e música. E depois do movimento mangue bit se criou uma cultura de ser músico. Todo mundo tem banda aqui, todo mundo é músico. Talvez se morasse em outra cidade não tivesse tanto estímulo. Também acho importante ver a música sob uma ótica brasileira. Todos os artistas brasileiros têm uma forma própria de fazer música e sempre ouvi muito todos eles, de Egberto Gismonti a Yamandú Costa, passando por Hermeto Pascoal, César Camargo Mariano, André Mehmari e Hamilton de Holanda. Sempre tentei seguir os meus ídolos da música instrumental para construir o meu próprio trabalho.

E o que vem te interessando atualmente em música?
De música estrangeira conheço pouco, devo admitir. Gosto mais de músicas velhas [risos], de Louis Armstrong, sabe? De hoje em dia só conheço Radiohead [risos]. Aqui no Brasil tem muita coisa que me inspira. Por exemplo, a SpokFrevo Orquestra, uma das coisas mais geniais que surgiram. Acho que existem alguns artistas que estão fazendo história na música brasileira, tais como o Marcelo Camelo e o Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado. Tremo quando chego perto desses caras. Sou suspeito para falar, porque ela acabou virando minha amiga, mas gosto muito da Mallu Magalhães. Tem o Junio Barreto, que também é aqui de Pernambuco. Tem muita gente fazendo música boa.

Como está a música brasileira instrumental nos dias de hoje?
Acho muito qualitativa e pouco quantitativa. Tem muito Villa-Lobos escondido por aí. A mídia ajuda um pouco ao fazer tanto estardalhaço com músicas mais comerciais, mas também não existe educação musical nas escolas. Falta incentivo artístico.