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quarta-feira, 22 de maio de 2013

mexidão #11

pouco depois que escrevi esse texto no mexidão, a garota de programa (e escritora) lola benvenutti se mudou de são carlos para são paulo e já está aprontando mil e umas. acho que esse foi um dos textos que mais gostei de escrever nessa primeira fase do novo blog no yahoo - e quem me sugeriu a lola foi o infalível michel blanco - e ainda contou com a participação especial da colega carol patrocínio. pedi algumas palavras dela sobre lola e recebi um belo texto. no yahoo tive que editar, mas aqui ele vai na íntegra.


SEXO É ISSO, AQUILO E VICE-VERSA

Dia desses imaginei o seguinte cenário: se pelo menos um terço (número totalmente hipotético) dos fiscais do gozo alheio curtissem os próprios prazeres, que maravilha seria viver. Lola Benvenutti concorda comigo. Ou eu concordo com ela, tanto faz. Só que Lola vai além, pois faz de seu próprio corpo um campo de batalha, no qual sexo é orgulho e dinheiro não é vergonha.

Nascida Gabriela Natália da Silva há 21 anos em Pirassununga, Lola começou a fazer programas quando se mudou para São Carlos. Até o último ano do curso de Letras na UFSCar manteve Gabriela e Lola em mundos distintos, pois temia represálias e inquisições, mas em março do ano passado abriu seu blog para contar suas experiências e os programas que faz pelo interior de São Paulo (o que faz lembrar imediatamente de Bruna Surfistinha, só que Lola é mais bem humorada e escreve melhor).

Sua história apareceu numa entrevista para o site São Carlos em Rede, depois numa longa matéria no G1 e mais recentemente no site da Folha de S. Paulo. Felizmente todas as reportagens conseguiram dar conta da postura orgulhosa e tranquila de Lola. O moralismo galopante só apareceu nos comentários.

Fugindo de todos os clichês da profissão, Lola nasceu em uma família feliz de classe média (pai militar da reserva, mãe enfermeira), não tem histórico de abuso, não começou a fazer programas para pagar a faculdade, nada disso. Lola faz programas porque gosta de sexo e dinheiro, simples assim. Ela mesma falou assim para o São Carlos em Rede: “Acho curioso o fato de as pessoas tentarem imaginar qual acontecimento familiar macabro me levou a este caminho. Lamento desapontá-los, mas a verdade é que tive ótima educação. Fui criada no sítio, com os melhores valores que alguém pode aprender. A questão é que eu amo sexo! (...) Tornar-me acompanhante foi apenas uma maneira de unir dois gostos: sexo e dinheiro”.

"Sou a Lola. Uma garota simpática, bela e que adora sexo! Intenso, forte, com desejo. É assim que tem que ser", diz na bio em seu blog

O raciocínio de Lola é tão cristalino que dá até um pouco de vergonha dessa questão ainda ser considerado “polêmica” nos dias de hoje. Mas ela, como já disse, vai além. “Meu modo de escrever é reflexo não apenas desse desejo de conferir glamour a este magnífico universo, mas também uma forma de valorizar meu intelecto. Sou garota de programa e sou inteligente, estudada, culta. Reconheço meu poder e quero que os outros também reconheçam”, disse a jovem que ostenta, igualmente orgulhosa, tatuagens com frases de Manuel Bandeira e Guimarães Rosa e faz strip-tease ao som de Etta James.

Já no G1 ela colocou o dedo diretamente na ferida ao afirmar que “as pessoas são hipócritas, vivem de sexo, veem vídeo pornográfico, mas não falam porque têm vergonha. Um monte de mulher entra no blog e fala que adoraria fazer o que eu faço, mas não tem coragem; e dos homens escuto as confissões mais loucas e cada vez mais esse tabu do sexo é uma coisa besta”.

Poderia falar por horas que falar e fazer sexo sem tabu faz um bem danado para a cabeça, mas preferi perguntar para Carol Patrocínio, jornalista, colega de Yahoo! e autora do blog Preliminares, o que ela acha dessa história. Com vocês, Carol...

“Acho inspirador ver mulheres como a Lola assumindo seu desejo sexual e sua busca por independência financeira da maneira que acreditam ser a melhor para si. O corpo da mulher é da mulher, assim como suas decisões.

É importante que a mulher tenha essa liberdade, que possa dizer com todas as letras que gosta de sexo e que o faz com quem quer, cobrando ou não. Não dá mais pra gente ficar tentando regrar a vida alheia, muito menos em uma questão tão íntima quanto o prazer. Ela tem prazer em vender sexo, qual o problema nisso? O que isso muda na sua vida? Se a cada julgamento que fizermos nos fizermos esse último questionamento veremos que dá para viver de maneira muito mais leve.

O feminismo, pelo que eu entendo, luta por igualdade, liberdade e respeito. Nada mais certo do que respeitar escolhas sem que a “moral e os bons costumes” ganhem espaço no mundo libertário que tentamos criar diariamente com nossos trabalhos de conscientização e informação. Ainda há um ranço religioso e cultural muito forte entre as pessoas, o que contamina as opiniões e faz com que o uso do corpo soe como algo imoral. O corpo é lindo, o sexo é parte da vida e a maneira que cada um se relaciona com o seu prazer é única. Não existe certo ou errado quando tudo que é feito é consensual. Lola teve coragem de assumir o que muitas mulheres adorariam e não têm coragem. Prostituição é, sim, uma escolha. E não há nada de vitimizador, vergonhoso ou errado nisso”.

Lola e eu assinamos embaixo. E vice-versa.

terça-feira, 23 de abril de 2013

mexidão #05

acelerei o passo lá no mexidão, peguei o ritmo, mas como são três postagens semanais não posso colocar aqui na mesma velocidade. o esforçado viraria um simples espelho do mexidão e aí seria mals. preciso colocar pelo menos uma postagem exclusiva entre uma coluna e outra. vamos ver como vai funcionar. bem, depois que escrevi o texto, rafael castro entrou em contato comigo pelo facebook e muito educadamente se colocou a disposição para falar mais do assunto, explicar seu lado, seu ponto de vista sobre a música e os eventos que se seguiram. a longa entrevista que ele me deu foi publicada com aqui no esforçado com o título "rafael castro, advogado do diabo de si mesmo". ah, as fotos abaixo são todas da marcha das vadias/2012.


MÚSICA POPULAR DE ESTUPRO

O que Henrique Costa, cantor sertanejo de Nobres (MT), tem em comum com Rafael Castro, natural de Lençóis Paulistas (SP) e uma das revelações da nova música independente paulistana? Músicas, digamos assim, polêmicas. Uma de cada, na verdade (o assunto aqui, portanto, não são os artistas e sim essas músicas e o que elas representam). Vamos às provas...

PROVA 1 - “A noite tudo pode acontecer / Traz a tequila pra ela enlouquecer / Um black, um red, um blue e fica no grau / Se bebe tudo elas liberam geral” (“Então se Joga”, Henrique Costa). Adaptação livre de “Psycho Killer” do Talking Heads, a música “Então se Joga” ficou mais conhecida em fevereiro deste ano após o lançamento de seu clipe. Mas, curiosamente, boa parte das críticas negativas acusou o jovem de 18 anos de estragar o clássico do Talking Heads (Como se uma música tomasse lugar da outra, baita bobagem).

PROVA 2 - “Se você bobear eu vou te encher / de birinight / até você me achar jóia e a gente sair daqui / (...) Depois eu tiro sua roupa, / te amo sem você ver. / Você é tão quente quietinha, / me faz derreter...” (“Vou te Encher de Birinight”, Rafael Castro). Essa música de Rafael não é de agora, mas acabou voltando aos holofotes após um show que fez para a Calourada da USP deste ano, o que motivou uma estranha nota do Diretório Central dos Estudantes (a tal “Moção de repúdio às músicas opressoras de Rafael Castro” foi divulgada mais de um mês após o show).


Nos dois casos, a ideia central é bastante clara: embebedar garotas para conseguir sexo. Em entrevista ao site do jornal O Globo, Henrique Costa pediu “desculpas se alguém entendeu errado, mas eu quis mostrar alegria e festa, só isso”. Já Rafael Castro publicou em sua página no Facebook a sua própria (e longa) interpretação da letra, no qual enumera “repressão sexual, julgamento de valores, depressão, baixa auto-estima e alcoolismo se degladiando numa aproximação entre um casal que deveria ser muito mais simples que isso. Nesse caso há uma crítica social implícita e é ela quem vai conduzir nossa tragédia”.

E é disso mesmo que estamos falando, da tragédia que é a violência (física, sexual, psicológica, etc) contra a mulher no Brasil. Não adianta falar que “a música estimula apenas a diversão” ou que é uma “crítica social” quando isso não está claro na letra. A jornalista Kátia Abreu foi justamente nesse nó interpretativo em seu texto “Amigos, amigos; cretinices à parte”: “O argumento mais comum é o de uma suposta ironia na canção [de Rafael Castro]. Ora, se a intenção de uma obra não é compreendida pelo público há de se pensar que o problema está no emissor e não nos receptores da mensagem. Alegar ‘não entenderam a piada’ é se igualar ao discurso de caras como Rafinha Bastos e Danilo Gentili, quase unanimemente criticados por aí”.


Meus caros, se vocês deixaram brecha para interpretarem suas músicas como “apologia ao estupro” é porque algo vocês fizeram errado na composição (em tempo, “Então se Joga” é do mineiro Gui Bittencourt, Henrique Costa é apenas o intérprete). E não é possível deixar brechas quando o assunto é estupro (aqui ou em qualquer outro lugar). Segundo o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2010), foram registrados – repito, registrados, o que significa que o número é maior –15704 casos de estupro em 2008. O número saltou, em 2009, para 22477. Isso sem contar tentativa de estupro e atentado violento ao pudor. É coisa séria, nada pop. Então, fica a dica de Alex Castro no indispensável “Feminismo para homens, um curso rápido”: “Para um homem, simplesmente ouvir as mulheres, sem interpelar grosseiramente nem minimizar as agressões sofridas, já é grande parte do processo”.

domingo, 14 de abril de 2013

rafael castro, advogado do diabo de si mesmo

no texto mais recente que fiz para o mexidão, “música popular de estupro” (inspirado pelo texto “amigos, amigos, cretinices à parte”, da jornalista kátia abreu), falei de duas músicas que causaram discussões acaloradas nas redes sociais nas últimas semanas. em suas linhas e entrelinhas, “então se joga” (henrique costa) e “vou te encher de birinight” (rafael castro) falam de embebedar garotas na balada para elas “liberarem geral” (no caso de “então se joga”) ou para serem abusadas (no caso de “vou te encher de birinight”). no texto do yahoo critiquei as músicas (e não os artistas) por tratarem de forma leviana e sem cuidado de um assunto muito delicado. poucos dias depois, rafael castro entrou em contato comigo pelo facebook procurando uma via de falar mais sobre o assunto e tentar explicar o lado dele da história pr’além do espírito linchador que circula pela internet. em nenhum momento achei que nenhum dos dois artistas estava fazendo apologia ao estupro, mas sim que essa mentalidade está muito arraigada no inconsciente masculino, e gostei da abertura de rafael para discutir o assunto. então mandei-lhe uma série de perguntas. suas respostas seguem abaixo e não editei nada para deixar que ele fale por si só.


qual a origem de "vou te encher de birinight"? quando foi escrita?
a música nasceu como a maioria das minhas canções, inventando histórias no computador com o violão em punho. não foi inspirada em nenhum fato ou acontecimento específico. foi composta, gravada e lançada em 2007.

você já tinha tido algum problema com a música antes da calourada da usp? alguém tinha te falado algo sobre ela?
nunca tinha tido problema algum. na verdade quando viemos pra são paulo em 2008 e começamos a fazer shows por aqui, essa era uma das músicas mais pedidas, uma das favoritas da galera que acompanhava os shows. favorita até de gente que tá falando mal hoje, mas é compreensível e nas perguntas seguintes eu falo mais sobre isso.

como foi no show [realizado em 27.02.13]? na hora houve algum protesto?
no show foi tranquilo. não houve nenhum protesto além de uma garota muito alcoolizada pedindo pra tocarmos chico buarque do começo ao fim do nosso show, mas nós não atendemos.

o pessoal do dce entrou em contato com você depois?
o dce não entrou em contato comigo. um dos membros mandou um e-mail para meu produtor comentando que algumas pessoas acharam o conteúdo dessa música estranho e que se conhecessem o artista não chamariam, mas nada foi falado além disso conosco. fica a curiosidade: como alguém contrata um show que desconhece?

como você ficou sabendo da moção de repúdio às "músicas opressoras" de rafael castro? o que achou dela?
ficamos sabendo por compartilhamentos alheios no próprio facebook; não nos avisaram em nenhum momento sobre essa moção. eu achei despropositada e precipitada, porque eu estaria disposto a dar entrevista ou participar de debates se convidado pelo pessoal do dce, para esclarecer qualquer mal entendido ou me desculpar com quem houvesse se ofendido.
na moção (onde ninguém assina, permanecendo até agora um texto anônimo) há várias acusações levianas das quais não pude me defender, mesmo tendo mandado um texto pedindo “direito de resposta” que não foi nem respondido nem publicado. além disso, o sistema de moderação de comentários não permite nenhuma resposta no site onde a moção foi publicada, vetando completamente qualquer opinião de quem a leia.

participação de tulipa ruiz no show de rafael castro durante 
a calourada da usp-sp, agora em fevereiro de 2013

como você acompanhou os desdobramentos pró e contra sua música na internet?
achei interessante, pelo bem ou pelo mal, a música chegar onde chegou. como eu disse em um comentário, a música promoveu um grande debate sobre arte, política, sociedade, machismo, violência, liberdade de expressão, etc. mesmo sofrendo algumas condenações, achei que esses desdobramentos não poderiam ser melhores porque os temas levantados são de suma importância, ainda mais nos tempos que vivemos agora no brasil.

quando a gente conversou no facebook você disse que estava preocupado com a gritaria [palavra minha] dos dois lados (pró e contra). que isso estava fazendo com que um não entendesse o outro, que um enfraquecesse o outro. pode explicar melhor?
o que acontece é o seguinte. tanto as pessoas que condenam a canção quanto quem me defende, no frigir dos ovos, acaba generalizando muito as coisas. as pessoas que leram a moção acabam ficando com uma impressão de que deve existir o julgamento artístico entre certo e errado, entre permissível e reprimível, um pensamento com um viés maniqueísta onde o artista não deveria retratar uma violência sem uma crítica fácil de entender ou uma “lição de moral”. isso enfraquece a arte. por outro lado as pessoas que defendem essa liberdade de criação, acabam atacando ferozmente os movimentos e as lutas, ridicularizando-as, diminuindo o trabalho dessas pessoas e dificultando um diálogo que é muito importante – neste caso a violência contra a mulher. acaba virando um bate boca desgastante sem qualquer objetivo além da própria polêmica e isso só faz enfraquecer os dois lados. eu sou a favor dos dois e, para que conste, sou contra qualquer violência, seja à mulher, ao trabalhador ou à liberdade, sou a favor da existência urgente de movimentos e lutas sobre essas e outras questões que ano após ano são reprimidas pelo nosso governo. é ridículo que isso seja posto em questão por causa de uma obra de ficção.

em um nota que escreveu no facebook você deu sua interpretação da música falando em crítica social. essa interpretação mudou conforme o tempo? quando começaram a aparecer leituras diferentes da música que a sua você se preocupou? o que achou? pensou em reescrevê-la?
na interpretação que eu escrevi ,eu ainda estava tentando manter o bom humor e explicar a canção pros amigos da rede social de um ponto de vista onde poderiam haver variáveis na própria história, tipo “advogado do diabo”. eu disse que a crítica social estava no comportamento, pessoas que precisam beber pra se comunicar e pra aceitar outras pessoas, e que a tragédia seria uma consequência desse comportamento típico dos oprimidos social e sexualmente. de uma forma mais ampla, eu acho que quando você expõe um problema do cotidiano em uma obra de arte, este simples fato já é uma crítica social, porque ela pode agredir, pode gerar reflexões, pode trazer assuntos importantes pra serem debatidos. eu não me preocupo com leituras diferentes porque a arte é mutável e suas interpretações também. se compuséssemos a canção da “cabeleira do zezé” hoje, em tempos onde felicianos e afins querem implodir e exterminar toda a causa homoafetiva, este compositor talvez fosse hostilizado por alguns movimentos. em outros tempos, em outros contextos, a canção pode servir como uma celebração bem humorada da diversidade. eu acho que o ódio e a repressão artística de tempos em tempos recaem no reflexo do contemporâneo, do medo que as pessoas sentem, com razão.

olhando em retrospecto você acha que errou em algo ou que faria diferente? ou está de consciência tranquila?
talvez alguns desgastes pudessem ser evitados se eu não tivesse dado importância para a tal moção que circulava num circuito muito restrito antes de ser publicada por mim, mas estou de consciência tranquila porque é conversando que a gente se entende e o assunto era pertinente. espero que as pessoas tenham percebido que debater é bom e crucificar é inútil.

o que fazer com essa música agora? como você a vê hoje?
há tempos eu não toco essa música ao vivo, porque eu e o pessoal da banda já tínhamos enjoado dela, de tanto que pediam. na usp a gente ressuscitou a canção porque uma das nossas participações especiais, o pélico, gosta. não pretendo mais tocá-la ao vivo por enquanto porque o tom da música não está conversando com esses tempos de repressão e medo, além de ter se desgastado com a polêmica. eu continuo achando que os artistas devem expressar aquilo que eles querem do jeito que eles querem, mesmo correndo o risco de serem mal interpretados ou acusados disso ou daquilo. talvez seja justamente esse tipo de coisa que está faltando. e pra quem pensa que ficar perseguindo artistas ajuda em alguma coisa, eu sinceramente recomendo que olhem o brasil pelo buraco mais embaixo.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

yahoo #52

nem vou repetir o quanto sou fã de laerte, afinal ele tem aqui até uma seção própria ("laerte da semana"). mas resolvi escrever sobre ele no yahoo porque além de todo seu gênio no ofício este seu processo de feminização (essa palavra existe?) é uma das coisas mais interessantes e enriquecedoras no atual debate sobre direitos para homossexuais e transgêneros. e é preciso usar espaços populares-malucos como o yahoo para colocar essas questões (os comentários por lá são, como era de se esperar, repletos de preconceitos variados).



LAERTE, MAIS QUE UM ROSTINHO BONITO

Cerca de três anos atrás o cartunista Laerte Coutinho, um dos artistas mais importantes das artes visuais brasileiras, passou a dar mergulhos profundos e públicos na própria sexualidade. Quem acompanha suas tirinhas diárias no jornal Folha de S. Paulo já poderia prever que algo estava para acontecer, pois desde 2004/05 elas estavam mais existenciais, filosóficas. Mas então, em 2009, o paulistano começou a virar mulher. Quer dizer, mulher não.

Era o mesmo Laerte de sempre só que com roupas femininas, maquiagem, acessórios, depilação, assumidamente bissexual, e querendo seriamente experimentar um possível “ser mulher” sendo homem (nunca teve intenção de fazer cirurgia de troca de sexo, por exemplo, mas vem pensando em próteses de silicone). Tudo isso foi uma surpresa para os filhos, namorada, amigos e fãs. Mas quem está vivendo na pele, dia após dia, essa surpresa e essa batalha é o próprio Laerte.


  
“Gênero é uma construção social que faz parte da cultura e não da biologia. As possibilidades são inúmeras”, afirmou em recente entrevista à revista Continuum (Itaú Cultural). Homem, mulher, roupa de homem, roupa de mulher, nada disso importa. O que importa mesmo é ser livre e respeitado. O resto vai de cada um.

Agora, o fato de ser muito querido como artista/profissional ajudou um bocado na boa aceitação social de sua nova vida. Com pouco mais de 40 anos de carreira e um curriculum invejável de personagens (Piratas do Tietê, Overman, Palhaços Mudos, Deus, etc.) e obras (Laertevisão, Los Tres Amigos, Muchacha, etc.), Laerte é um privilegiado. Ele sabe disso.



Por isso vem usando suas entrevistas em revistas e TVs (“De frente com Gabi” e “Roda Viva”, por exemplo) como uma forma leve e didática de registrar sua busca pessoal e, ao mesmo tempo, quebrar tabus. Em um mundo que não oferece alguns dos direitos civis mais básicos a homossexuais e transgêneros, a discussão proposta por Laerte parece muito avançada. E é mesmo.

Basta ver a disposição de deputados federais irresponsáveis como o trio João Campos (PSDB-GO), Pastor Eurico (PSB-PE) e Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) que vem tentando revogar a resolução do Conselho Federal de Psicologia que proíbe profissionais da área de oferecerem tratamento para “curar” homossexuais. Coisa mais óbvia do mundo, afinal homossexualidade não é doença. Intolerância sim é uma doença e, felizmente, tem cura: educação.



Em reportagem da Exame, Marco Feliciano chega ao absurdo de afirmar que “Não é que nem negro que nasce negro e não tem como mudar. ‘Homossexualismo’ pode ser mudado”. Provavelmente se existisse uma cura para negritude esse homem de Deus lutaria por um tratamento voluntário. De um sujeito que já disse que a AIDS e a fome surgiram na África por causa da “maldição do paganismo, ocultismo” é possível se esperar qualquer coisa.

Mas é isso. As coisas do mundo não caminham em linha reta. São camadas variadas, níveis diversos, ocasionalmente fazendo curvas bruscas à direita ou esquerda, passando por solavancos, dando cavalos de pau. No entanto, alguém ter que se linha de frente, dar a cara pra bater. Sessentona enxuta, Laerte é a cara mais lindamente maquiada de quem respeita a diferença, luta pelo amor e recusa o ódio.


p.s. esforçado: depois lembrei de um vídeo muito divertido feito pelo comediante carioca rafucko que trata justamente de um dos "argumentos" mais recorrentes dos intolerantes dos tempos de hoje, a tal da "ditadura gay". as coisas que a gente tem que ouvir nessa vida...

terça-feira, 3 de julho de 2012

um bingo erótico em santos

o texto que segue abaixo foi feito originalmente para a revista piauí. seria minha quarta contribuição para a seção "esquinas". acho que seria publicado em maio, ficou pra junho, mas aí alguém decidiu que "ficaria velho" e o texto, já pronto, caiu de vez. ainda tentei vendê-lo para outras duas revistas, mas o estilo era tão "piauí" que acabou não colando. só posso dizer, modéstia às favas, que todas as publicações envolvidas saíram perdendo. tem muitas informações, histórias, realidades e diversões nessa reportagem, uma das que mais gostei de fazer. segue aqui a versão original do texto para o deleite (espero) de quem aparece aqui pelo esforçado.


“UM 69 E EU LEVO A PINTOLA!”

Todos os calores femininos em um bingo erótico na Baixada Santista

O início da tarde de domingo se arrasta nublado na altura do número 700 da rua Carvalho de Mendonça, em Santos: um senhor barrigudo de sunga azul faz alongamento apoiado em uma lixeira, uma criança volta da padaria com dois refrigerantes nada dietéticos, um sem teto dorme embaixo da mesa de sinuca do fechado (aos domingos) Familia’s Bar. Tudo normal. Mas em um salão de festas, ao lado do tal bar familiar, seis pênis infláveis de cores diversas jazem pendurados na parede e lingeries sensuais disputam espaço com vibradores numa mesa desmontável.

Olga é a responsável por isso. 38 anos, casada, a mãe de dois meninos corre para cima e para baixo no salão. É o 3º Bingo Erótico Só para Mulheres que ela organiza em menos de um ano, mas o nervosismo continua o mesmo. Mal dormiu a noite anterior de tão ansiosa. “Comecei a trabalhar com produtos eróticos um pouco antes do primeiro bingo e logo vi que era complicado de vender. Você não bate na porta de ninguém oferecendo. Mas tinha que existir um jeito de expor isso pra mulherada e explicar qual a finalidade. Porque, por exemplo, muitas nunca viram um vibrador. Não sabe como funciona, o que faz... só sabe onde entra, né? Então vi que tinha que reuni-las e achei o bingo uma boa ideia”, disse enquanto atende o celular e passa coordenadas para uma prima e uma tia que vieram de Bertioga lhe ajudar. Caio, seu marido, não gosta muito dessa história de sex shop e bingo erótico, mas prefere vê-la ocupada e ganhando o próprio dinheiro, então o que lhe resta é perguntar o menos possível.

As cervejas, águas e refrigerantes chegam quentes apenas uma hora antes do evento e Olga precisa comprar gelo. Mas antes de sair explica que o convite é 25 reais e dá direito a cinco cartelas, uma Espanhola (coquetel feito de vinho doce, leite condensado e abacaxi), um prato de salgados e outro de doces. Cartelas extras e as outras bebidas são pagas por fora. Pouco mais de 100 mulheres fizeram reserva e, segundo Olga, “elas cobram cada centavo do que pagam, querem tudo que tem direito”. Se todas vierem os custos da festa se pagam. A experiência dos outros dois bingos mostrou que essa é a matemática simples do evento e que lucro mesmo acontece nos dias seguintes quando os “brinquedinhos” são levados nas casas das clientes em horário apropriado (sem filhos e marido).


“Tá vendo aquela lua que brilha lá no céu? / Se você me pedir, eu vou buscar só pra te dar / Se bem que o brilho dela nem se compara ao seu”, derrama-se Thiaguinho, uma das vozes do Exaltasamba, nos alto falantes enquanto a força-tarefa de Olga dá os toques finais na decoração. Balões amarelos e brancos estão espalhados pelo salão principal, palco do bingo, das apresentações dos seis gogo boys contratados e do soundsystem caseiro que fará a trilha sonora da tarde. Tudo pronto também na entrada com mesas e araras cheia de roupas, calcinhas, lingeries e biquínis, produtos mais comportados que acabaram se tornando o lado B do catálogo da organizadora. Nessa edição, o bingo ainda conta com a presença de uma mesa de cosméticos populares com direito a maquiagens gratuitas. No mais, entre a entrada e o salão principal está a mesa com os brinquedos eróticos, agora adornada com um boneco inflável quase em tamanho natural.

As primeiras mulheres chegam por volta das 14h30. “Vou ali ver as coisas... peraí, deixa eu pegar os óculos ou não enxergo nada”, diz uma delas, acompanhada de filha e mãe. “Vem Neuza! Já tá aberto! Tem um monte de coisa pra ver”, diz outra, míope de lentes muito grossas. E vão chegando outras, idades e tipos dos mais variados.


Com meia hora de atraso, exatamente às 15h45, o 3º Bingo Erótico Só para Mulheres tem início e pouco mais de 100 senhoritas e senhoras de idades e tipos mais variados conversam animadamente. Nem imaginam que a Striperboys Eventos, a empresa dos gogo boys, lhes preparou uma surpresa: os petiscos (sinônimo para jovens iniciantes) Paolo e Daniel farão “um esquenta para a mulherada”.

De sunga amarela e botas, a dupla entra no recinto ao som de alguns gritinhos e uma dance music genérica. Passam pelas mesas agarrando uma, levantando outra, tendo suas bundas apertadas, tirando fotos. A música parece durar eternamente e de vez em quando eles não sabem mais o que fazer e ficam mexendo nas laterais da sunga olhando para o infinito. Algumas poucas não parecem se importar muito com os petiscos e uma delas até sai no meio da apresentação para fazer uma maquiagem na entrada.

A música chega ao fim e Olga pega o microfone para falar de alguns dos brinquedinhos antes de começar o bingo erótico propriamente dito. Um tesômetro e um pênis de borracha são levados de mesa em mesa pelos petiscos e novos gritinhos e risadas são ouvidos pelo salão. É o coquetel já fazendo efeito. “Vamos começar, gente?”, diz a organizadora quando o relógio marca redondas 16h.


Enquanto os primeiros números começam a sair, e os brindes para as vencedoras são kits com produtos do sex shop, o petisco Paolo combina um cinema para mais tarde. “Demorô! Já estou com a roupa aqui”, diz, ainda de sunga, ao celular. “Desde pequeno queria ter um corpo igual de gogo boys, porque eles têm o corpo mais evoluído. Aí ano passado vi na internet um rapaz e comecei a ver as fotos e ele dançava... ao mesmo tempo conheci uma pessoa que fazia o evento aqui em Santos e que me chamou. Sempre tive vontade de dançar pra todo mundo ver... ser olhado, né?”, confessa o jovem de 18 anos que trabalha como montador de móveis planejados. Paolo começou a “dançar” em novembro do ano passado e já é chamado para dois eventos por semana, tanto para mulheres quanto para o público GLS.

“A gente tem que se encaixar em todos os lugares, não pode ter preconceito nenhum. A diferença é que as mulheres ficam todas loucas e o homossexual fica mais na dele. Às vezes eles machucam um pouco porque sabem que você tem aquilo que eles têm. Então tentam pegar, mas a gente não deixa, porque quando pegam dá aquela dor. Já as mulheres são mais carinhosas com a gente porque vêm pra se divertir, pra brincar”, conclui enquanto arruma, nada discretamente, o pênis na sunga.

No salão principal, as mulheres já nem lembram mais dos petiscos. Só tem olhos e ouvidos para as cartelas do bingo e o chamamento dos números. “Essa é a única hora que vejo mulher calada”, diz uma. Até que na terceira cartela, quando o prêmio é um pênis de borracha de 20 cm, o silêncio é quebrado meio que sem querer. “Um 69 e eu levo a pintola!”, torce alguém no fundo. Todas riem e, como em um jogral, gritam “Uiiii!”. Mas o 69 não sai e sim um 47. A felizarda da vez é uma moça baixinha que se assusta um pouco ao colocar as mãos em seu prêmio cor da pele.


“Eu e minhas amigas frequentamos eventos assim há dois anos. A gente procura se divertir pra sair da mesmice que é o domingo: sofá, macarrão, frango, filho, neto, Silvio Santos”, explica Naná, 63 anos, em uma pausa para o cigarro do lado de fora do salão. Ela veio acompanhada das amigas e vizinhas Nenê (68) e 51 (60), todas casadas. “Íamos mais em clubes, é melhor, porque esses salões viraram moda, banalizaram. Parece loja de material de limpeza que em cada esquina tem uma... e esses meninos então... chegam esfregando o negócio e ficam andando por aí com essa sunga encardida. Não admito”. As amigas concordam e 51 completa que “os profissionais mesmo chegam arrumados, com roupas limpas e decentes, e conforme o show acontece tiram a roupa, afinal a gente vai lá pra ver eles pelados. Quase pelados, na verdade. Tudo pra fazer aquela farra, aquela algazarra. Nossos maridos sabem que a gente não vem aqui pra agarrar os homens. Porque se a gente quisesse fazer algo de errado não vinha em lugar público com filhas e netas, né?”

Nova gritaria no salão. Quem fechar a quinta cartela terá um minuto com um dos seis profissionais que irão se apresentar ao final do bingo. “Balanga o saco!”, gritam em coro. Ganha uma senhora que estava tirando fotos do evento com seu celular do Palmeiras, mas que, tomada por algum pudor, desiste da prenda. E, pela segunda vez nessa tarde, uma jovem instrutora da academia que Olga frequenta é premiada. “Aêêê Pocahontas!”, comemoram suas amigas.


“Nunca ganho nada, não sei o que aconteceu. É a primeira vez que venho em um evento desses e tô adorando, só mulherada, tudo livre, podendo falar besteira a hora que quiser. Eu, pra ser sincera, acho bem engraçado esses gogo boys. Acho que vale mais pra despertar o fogo da mulherada, fazer bagunça, mas não me atrai não, tanto que na hora que cheguei e vi, pensei ‘nossa, que gay isso!’. Nem queria ter ganho o minuto com o boy, acho que vou rir da cara dele ou então perguntar porque ele faz isso. O que me chama mais atenção mesmo são os brinquedinhos”, diz Camila, 23 anos, formada em Educação Física. Seu outro prêmio foi uma taça de champanhe com um pênis brilhando no meio que ela não faz ideia de como desligar.

O bingo erótico acaba por volta das 18h30 e quem ganhou, ganhou. A partir de agora a felicidade é geral com a apresentação dos profissionais. Olga pede à reportagem que acompanhe apenas o primeiro show e depois deixe as mulheres à vontade. Também dá um aviso: “Por favor, não coloquem as fotos no Facebook”. Então, a luz é apagada e o salão fica iluminado apenas por alguns raios de laser dançantes.

Vestido de toureiro, o primeiro boy a surgir é Danyllo Mack e a reação da “mulherada” é instantânea e explosiva. Logo tira uma para dançar, pega outra na cadeira e joga ainda uma outra no chão. Elas, por sua vez, passam as mãos por seu corpo, apertam a bunda, gritam “Vem! Vem! Vem!”. Antes do gran finale, no qual o toureiro tira a sunga (sem jamais mostrar a genitália, esse é o combinado), Danyllo ruma até o grupo das amigas da melhor idade. Naná e 51 se atracam com o boy, Nenê fica só olhando e batendo palmas.


A euforia é geral e ainda se apresentarão um cowboy, um Don Juan, um marinheiro, um gladiador e um policial da SWAT. Mas é preciso uma pausa entre um e outro para as damas se recomporem. Em um canto externo do salão, Naná, com o rosto suado, dá o seu veredicto para o primeiro show. “Foi bom, mas faltou um pouquinho. O meu marido me chama de ‘a crítica do mundo’, mas não é verdade. É que eu acho que tudo pode melhorar”, confessa enquanto traga longamente seu cigarro de filtro branco. Uma nova música começa a tocar, talvez seja a hora do cowboy que ela conhece de outros clubes das mulheres e sabe que tem pegada. Silvio Santos? Só domingo que vem.

sábado, 29 de outubro de 2011

yahoo #17

tenho uma queda por concurso de miss, quem me conhece sabe. quer dizer, eu e carolina. não consigo imaginar assistir um concursos desses sem a companhia dela, rindo junto, comentando junto. na boa, se a bandeirantes quisesse realmente divertir o espectador precisava nos contratar. seríamos a versão gonzo do casal william bonner e fátima bernardes. esse texto para o yahoo foi sobre outros dois concursos, um de bumbum que ainda está rolando e outro de travestis que aconteceu no início do mês. coisas impagáveis e profundamente brasileiras. no mais, lá no ultrapop tem texto novo: "classe econômica, ida e volta", sobre viagens e o que a gente pode aprender nelas.

ess'aqui sou eu, te juro!

MISS DE TUDO UM POUCO

Quando em maio de 2009 escrevi, meio que de brincadeira, um texto sobre a transmissão do Miss Brasil não imaginaria que dois anos depois o Brasil seria, pela primeira vez na história, o palco do Miss Universo. A coisa toda virou assunto quente nas redes sociais, e não só aqui, já que os venezuelanos ficaram tão fulos da vida com a derrota de sua candidata (a bela angolana saiu vitoriosa) que xingaram muito no twitter dizendo que foram roubados. O tal glamour de eras passadas não voltou e nem voltará, mas como tudo é negócio e os negócios não podem parar, e ainda precisam se diversificar, os concursos de beleza estão de novo “na moda”.

O problema é quando a grana maquia demais o absurdo e a divertida cafonice da competição. Como é produzido nos Estados Unidos, o Miss Universo já está devidamente domado. Não existe espaço para o mico acontecer. E o Miss Brasil está indo pelo mesmo caminho. Nessas é a diversão que sai perdendo.

Sorte dos bem humorados(as) que outros concursos de miss ainda mantém aquela aura de loucura, tanto que dois viraram notícias recentemente exatamente por acontecimentos sem pé nem cabeça. No Miss Bumbum, a candidata do Maranhão fez questão de provar com uma radiografia que seus glúteos não possuem nenhum tipo de prótese (o que a desclassificaria). Já na terceira edição do Miss Gay de Bom Jesus, cidade do Rio Grande do Norte, a final que aconteceu agora em 8 de outubro viu tabefes, artes marciais e uma espetacular virada de mesa.




“Vamos ser finas, gente!”, grita uma travesti descabelada após todo o sururu. É que Jamily, que logo no início do vídeo recebe contrariada a notícia que pegou o terceiro lugar, e uma amiga concorrente colocaram a derrota na conta da drag-inimiga Pietra Ferrari, que estava lá para entregar o grande prêmio (talvez também fosse jurada). A bagunça em cima do palco acabou forçando a organização a escolher o primeiro lugar através do voto (grito) popular. E quem ganhou foi a briguenta! Quer dizer, caos total.

Outro tanto de caos permeava o e-mail da assessoria de imprensa do Miss Bumbum. Senão vejamos: “Depois de ter sido acusada por outras participantes do concurso Miss Bumbum Brasil de ter prótese no glúteo, a candidata pelo estado do Maranhão, Gracielle Carvalho, apresentou uma foto de uma radiografia que comprova não ter implantes. (...) ‘Vou esfregar o resultado na cara de quem me acusou. Meu bumbum é resultado de muita malhação, dieta, disciplina e dedicação! Querem me destruir. Silicone, só nos seios: coloquei 520 ml em cada um’, revela”.

Em anexo, fotos de Gracielle (que na verdade é paulista) empinando orgulhosa seu atributos naturais ao lado de um raio X muito mais revelador do que ela pretendia. E todo esse quiprocó para ganhar suados 5 mil reais lá em dezembro (a votação é pela internet no site oficial).

Bumbuns nacionais ou travestis no Rio Grande do Norte, não importa, tudo isso é muito de verdade e a graça está nesse jeito meio mambembe, e absurdamente autoconfiante, de querer ser a mais bonita. Eventos assim sempre me fazem lembrar de “Miss Suéter”, um dos muitos clássicos da parceria de João Bosco e Aldir Blanc: “Eu conheço uma assim / Uma dessas mulheres / Que um homem não esquece / Ex-atriz de TV / Hoje é escriturária do INPS / E que, dia atrás / Venceu lá no concurso de Miss Suéter”. Toda mulher, e todo travesti, tem o direito de ser miss qualquer coisa.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

#eusougay

desde abril compilando imagens dos quatro cantos do mundo, o projeto #eusougay (capitaneado por carol almeida, ou @caroltypes) chegou a esse belo video com a colaboração de muitos e muitas. emocionante a diversidade de caras, jeitos e idades.



e essa música, feita especialmente para o projeto, chama-se "itarumã" (gustavo galo e tatá aeroplano) e é cantada por hélio flanders, márcia castro, tatá aeroplano e gustavo galo (trupe chá de boldo). até onde sei, itarumã é uma cidade em goiás. e mais não sei...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

laerte da semana #28

identidade em dose dupla, tripla, etc.

é laerte, na mosca. e para quem não sabe, muriel, a personagem dessas tirinhas, antes se chamava hugo e, tal qual laerte, passou por um processo de "crossdressização". tudo contado no blog muriel total.