mais dois perfis publicados nas edições de julho e agosto da revista Monet. em julho teve Millie Bobby Brown por causa de Enola Holmes 3 e em agosto, Anne Hathaway, por motivos de O Diabo Veste Prada 2. saca só.
A PRINCESA CRESCEU
Dez anos após cair de paraquedas no mundo fashion, Anne Hathaway retorna madura ao sucesso pop de O Diabo Veste Prada 2
O ano de 2026 está sendo mais que especial para Anne Hathaway. Aos 43, a novaiorquina viu seu time do coração, o New York Knicks, serem campeões da NBA após um jejum de 53 anos. Por uma dessas curiosas coincidências das janelas de lançamento ela viu/verá seis filmes estrelados por ela estrearem: o drama psicológico pop star Mother Mary, o retorno cômico ao mundo fashion em O Diabo Veste Prada 2, o épico A Odisseia de Christopher Nolan, a ficção científica com dinossauros O Fim da Rua, o thriller Verity e o drama de guerra Sozinho ao Amanhecer. E, para coroar tudo, anunciou que está grávida do terceiro filho de seu casamento com designer de joias Adam Shulman.
Apenas com essa amostra de filmes atuais, Hathaway segue mostrando sua versatilidade, da ação ao drama, da comédia ao thriller, sem falar em musicais, romances e animações numa carreira que começou vinte e cinco anos atrás com a estreia de O Diário de uma Princesa nos cinemas. Mas não tem como negar que foi a comédia O Diabo Veste Prada, lançada em 2006, que a transformou em estrela e a fez conhecer sua ídola-guru Meryl Streep.
Só que o caminho para chegar na desengonçada Andy Sachs no mundo fashion e rigoroso de Miranda Priestly não foi fácil. Numa entrevista em 2021 a atriz confessou que sabia que era a nona opção para o papel de Andy (Rachel McAdams era a primeira da lista, e Hathaway ainda teve que batalhar contra Scarlett Johansson, Kate Hudson, Kirsten Dunst. Natalie Portman e Claire Danes, por exemplo; todas mais conhecidas à época). Na mesma entrevista, a atriz lembrou que chegou a escrever “me contrata” na areia de um jardim na sala de um executivo do estúdio. Deu certo.
E ainda pode trabalhar com a ainda mais novata Emily Blunt, o já experiente Stanley Tucci e a icônica Meryl Streep. “Ela é simplesmente divina. Não é apenas uma questão de ela incorporar a personagem; ela está absolutamente no centro de todas as suas escolhas, da verdade da personagem. E, como artista, é isso com que você sonha. Nada a tira desse estado. O clima não a afeta, nem coisas bobas, como o toque de um celular. Isso não a faz perder o foco na personagem. E estar perto disso — ter sido levada a esse lugar durante nossas cenas — fez com que eu sentisse que estava encurtando o caminho da minha própria descoberta como atriz ao perceber: ‘É isso! Essa é a sensação’. Agora, só preciso chegar lá também”, disse humildemente para a Associated Press do alto de seus 23 anos.
O sucesso comercial de O Diabo Veste Prada foi muito bom para um filme de orçamento mediano, além de ser um tapa na cara dos executivos hollywoodianos que mantinham a lenda de que filmes protagonizados por mulheres não iam bem na bilheteria. No entanto, o que aconteceu mesmo é que os anos se passaram e o filme foi se tornando uma referência pop inescapável em memes, cortes, piadas, diálogos, reexibições anuais, na discussão sobre moda e na atuação do trio feminino.
Em 2013, Lauren Weisberg, a autora do livro que deu origem ao filme, lançou uma sequência, mas Streep e Hathaway não se interessaram pelo retorno das personagens. Quando a Variety perguntou a Hathaway se poderia haver uma sequência, ela foi taxativa. “Não tenho certeza se ‘poder’ é a pergunta certa. Deveria haver uma? Eu adoraria fazer outro filme com todo aquele pessoal, algo totalmente diferente. Mas acho que aquele ali simplesmente acertou em cheio. É bom deixá-lo como está.” Mas na época ela estava entre duas experiências com o diretor Christopher Nolan (O Cavaleiro das Trevas Ressurge e Interestelar), com a cabeça em seu primeiro filme como protagonista e produtora (A Canção de uma Vida), e tendo que lidar com o ódio virtual que recebeu após ganhar o Oscar de Atriz Coadjuvante por Les Misérables.
QUANDO A MATURIDADE CHEGA
Quase vinte anos após o lançamento de O Diabo Veste Prada veio, meio que do nada, a notícia dos primeiros passos de uma sequência e estariam todos de volta: a roteirista Aline Brosh McKenna, o diretor David Frankel e o quarteto Streep, Hathaway, Blunt e Tucci. Fãs de todos os credos suspiraram aliviados. E então começaram a surgir fotos do elenco durante as filmagens em Nova York, que começaram em junho e terminaram em outubro do ano passado, e o frisson antecipatório foi crescendo.
Para atiçar mais os fãs os trailers e notícias foram soltando as participações especiais. Se no primeiro Prada foram poucas, mas de figuras como o estilista Valentino e as ex-modelos Heidi Klum e Gisele Bundchen, o segundo, com o filme já impresso no DNA pop de gerações, os nomes foram muitos: Lady Gaga, Donatella Versace, Marc Jacobs, Naomi Campbell, Jon Batiste, Ronny Chieng, Ciara, Sydney Sweeney (cuja cena caiu na edição final) e, novamente, Heidi Klum.
Mas isso é perfumaria perto do que o grupo conseguiu colocar em discussão em Prada 2, pois o tempo que passou entre um e outro é também personagem fundamental e nesse tempo, nesses vinte anos, a moda e o jornalismo mudaram. O mundo glamoroso regido com humor seco e mão de ferro por Miranda Priestly virou poeira, pois ninguém mais lê impresso, e todos precisam sobreviver de ‘clickbaits’ nas redes sociais. Sem falar em IA e nas fusões de gigantescos grupos de mídia e nas consequentes demissões em massa e precarização do trabalho. Prada 2 é comédia, e um dos maiores sucessos de bilheteria do ano, mas tem muito o que falar.
Outro exemplo é a importante sequência com Lady Gaga cantando em um desfile. No mundo real, a artista estaria cercada de modelos tradicionais, extremamente magras. Foi Hathaway que sugeriu aos produtores uma mudança no casting. “Eu sabia qual era o contexto da cena e achei que ela seria muito mais agradável para o público se exibíssemos uma variedade maior de corpos. Fui até os produtores e perguntei: ‘Vocês não acham que a cena seria mais impactante se adotássemos uma abordagem mais inclusiva em relação aos tamanhos?’. Eles ficaram devastados por não terem pensado nisso. Acho que estavam apenas seguindo o fluxo. Mas, assim que perceberam, eles fizeram isso acontecer em coisa de uma hora”, relembrou a atriz em entrevista Variety. Anne Hathaway cresceu mesmo.
E AGORA, MILLIE BOBBY BROWN?
Após o fim de Stranger Things e o início de sua vida como mãe, a atriz inglesa de 22 anos retornou a uma personagem muito familiar: Enola Holmes
Muita coisa já aconteceu na vida de Millie Bobby Brown, então ela se sente muito confortável para, do alto de seus 22 anos, começar um novo capítulo tanto de sua vida pessoal quanto artística. De um lado, a criança prodígio e a adolescente animada. Do outro, a mãe responsável e a esposa dedicada. Por todos os lados, a atriz reconhecida. E para conectar esses dois lados/capítulos de sua vida, Millie escolheu uma personagem que lhe é muito cara, a jovem aventureira Enola Holmes, a irmã mais nova de Sherlock Holmes, que retorna em Enola Holmes 3.
Mas antes de chegarmos à terceira aventura de Enola, é bom lembrar que dos 9 aos 12 anos, a inglesa nascida na Espanha teve pequenos papéis em séries variadas, de Grey’s Anatomy a NCIS, para então, em 2016, participar de dois testes de elenco que mudariam sua vida.
O primeiro foi para o papel de Lady Lyanna Mormont na série Game of Thrones, personagem que acabou ficando com Bella Ramsey. E que bom que Millie não pegou, pois só assim conseguiu ser chamada para um teste de uma série que estava para começar, uma tal de Stranger Things. Foi a misteriosa e poderosa Eleven que mudou realmente toda a vida da jovem atriz. Aos 12 anos de idade.
“Em Stranger Things percebi que não precisava falar com a boca, mas sim com o rosto. Em vez de dizer explicitamente que estava com raiva, triste ou confusa, tinha que fazer isso com as minhas expressões faciais, e isso foi um desafio. Mas realmente gosto de interpretar papéis desafiadores e adoro interpretar a Eleven”, disse Brown em uma conversa com a amiga Maddie Ziegler para a Interview poucos meses após o lançamento da primeira temporada da série.
De julho de 2016 a dezembro de 2025, Brown viveu intensamente os dramas, alegrias, traumas e aventuras de Eleven entre um Vecna aqui, uns Demogorgons acolá, e a dureza aterrorizante tanto do Mundo Invertido quanto do mundo real. A atriz – bem como os amigos Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Noah Schnapp e Sadie Sink – cresceu junto com as cinco temporadas da série e do surpreendente fenômeno pop que veio a reboque.
“Sei que nunca mais a interpretarei. Mas Eleven já me influenciou muito. E acho que ela ainda é uma força a ser reconhecida, até por mim mesma. Sei que ela me deu muita confiança para ser a heroína da minha própria vida”, afirmou orgulhosa em entrevista para Allure, no final de 2025, com o final de Stranger Things logo ali depois da esquina do Natal.
Nesses cerca de dez anos da série, a atriz aproveitou da fama, investiu em seus interesses e expandiu sua atuação. Desde criar uma marca de beleza e bem estar (Florence by Mills) até fundar um abrigo para animais (Joey’s Friends), passando por uma produtora audiovisual para chamar de sua (PCMA), um livro (Nineteen Steps), ser a cara de marcas como Louis Vuitton e Pandora, receber o título de Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF/ONU e dois encontros com o lendário Godzilla (Godzilla: Rei dos Monstros e Godzilla vs. Kong, de 2019 e 2021 respectivamente).
Mas a maior construção dessa década foi uma parceria sólida da atriz com a Netflix, afinal de contas o sucesso de Stranger Things é um dos principais responsáveis pela explosão da plataforma de streaming lá em 2016. Daí a Netflix retribuiu ao produzir o primeiro e o segundo Enola Homes (2020 e 2022), Donzela (2024) e The Electric State (2025), este ao lado de Chris Pratt e sob direção dos irmãos Anthony e Joe Russo. E não importa se o cenário é a Inglaterra vitoriana, algum lugar fantástico medieval com dragões ou uma ficção científica com humanos e robôs em guerra, Millie Bobby Brown sempre encontra aventura nele.
Donzela e Electric State não foram tão bem recebidos, mas Enola Holmes foi, o que deixou a atriz particularmente feliz por ter sido seu primeiro filme como produtora e também por ser uma personagem que se identificou imediatamente. Baseado em uma série de nove livros e um conto escritos por Nancy Springer, a determinada Enola Holmes caiu como uma luva para Brown mostrar um humor que nunca conseguiu colocar em Eleven (por motivos óbvios, claro), e com direitos a piscadelas para o público ao quebrar a quarta parede.
No primeiro Enola Holmes, a irmã mais nova de Sherlock Holmes (Henry Cavill) enfrenta tudo e todos para desvendar o desaparecimento da mãe. Já no segundo, que não é adaptado de nenhum dos livros da série, Enola encara o desafio de se tornar realmente uma detetive particular, mas não é levada a sério pelos seus pares. Inspirado em eventos reais no final do século 19 sobre uma greve de trabalhadoras numa fábrica de fósforos em Londres, Enola Holmes 2 é uma aventura abertamente feminista.
“A greve das operárias de fósforos nos pareceu um símbolo feminista perfeito porque foi a primeira greve de mulheres feita por mulheres”, afirmou Harry Bradbeer, diretor dos dois primeiros Enola, à Variety. “Isso refletia nossa ideia de que Enola, para progredir, precisa trabalhar com outras pessoas e não depender apenas de si mesma. É uma história que vai do ‘eu’ para o ‘nós’, é uma história sobre irmandade”.
Já em Enola Holmes 3, a personagem volta às suas raízes familiares e foge do casamento ao saber que seu irmão Sherlock foi sequestrado. A direção agora ficou a cargo de Philip Barantini (da premiada minissérie Adolescência) e, no elenco, retornam Henry Cavill, Louis Partridge e Helena Bonham Carter (a mãe). Dois meses após o término das filmagens de Enola Holmes 3, em junho de 2025, Brown anunciou que ela e seu marido Jake Bongiovi (filho de Jon Bon Jovi) tinham adotado uma menina.
A força de Eleven e o espírito independente de Enola Holmes alimentaram e muito Millie Bobby Brown nesse início de nova vida como atriz, produtora, empresária e mãe, mas sempre com os pés no chão. Em junho deste ano, num evento da UNICEF, disse que “apenas tento aprender o máximo que posso e transmitir isso para a vida dela, para que ela só conheça meninas apoiando meninas, mulheres tendo sucesso, mulheres realizando seus sonhos e vivendo em um mundo e construindo um mundo para ela – isso não é irrealista, mas estabelece um padrão para que ela saiba que não deve se contentar com nada menos do que ela quiser”.






