sábado, 14 de fevereiro de 2009

trancado por dentro

ainda acompanho, ocasionalmente vejo na verdade, os filmes do wim wenders. mais por respeito, ou esperança, que por qualquer outra coisa. e sinceramente, com exceção do buena vista social club (1999), o sujeito não faz nada decente desde o lindíssimo asas do desejo (1987). será que foi o canto de cisne alemão dele? tem mais de 20 anos, catso! de qualquer forma, o cineasta gaúcho gustavo spolidoro (ainda orangotangos, que infelizmente ainda não vi) pegou wenders em um quarto de hotel em porto alegre e, com todo respeito, fez um video. de volta ao quarto 666 (2008) é um diálogo-homenagem com quarto 666 (1982), video bacana que wenders fez durante um festival de cannes, no qual chamou cineastas de vários lugares do mundo (fassbinder, ana carolina, spielberg, antonioni, herzog, godard, paul morrissey, etc.) pra falar sobre o futuro do cinema. em porto alegre, é wenders que fala, e as imagens e fantasmas de 1982 surgem aqui e ali.

De Volta ao Quarto 666 from Fronteiras do Pensamento on Vimeo.

belo trabalho do spolidoro e, principalmente, lindas as fusões de imagens do passado com as do presente. mas, vamufalá, o wenders é chato, heim? o antonioni matando o futuro a pau e ele no blábláblá. tem umas coisas interessantes ("não é só a câmera que mente, as janelas mentem também", é ótimo), mas... falo isso mais pelos últimos 20 anos dele, e nem tanto pelo que diz no video, mas wenders e seu discurso me lembram aquelas imagens-chavão da década de 1980, tipo um saxofonista mandando ver de silhueta numa varanda de cidade grande, saca?

ah, o 'lemão tava na cidade participando do evento "fronteiras do pensamento" e vi esse video lá no bruno.

duas fotos

paulo vanzolini, 2004

jamelão, 2001

eu & cartola, cartola & eu

opa, uma semana de blog. tá tudo bem, tá tudo legal, e as postagens vem surgindo gostosamente ao acaso. agora, naquele esquema multifunção característico... um podcast. editado pelo amigo-irmão daniel almeida, este foi o terceiro podcast que fiz lá pra monet e cartola foi o sujeito da vez. tenho gostado muito dessa experiência "radiofônica" (e daniel, que foi da eldorado fm, é um tanto responsável por isso), quero fazer mais... ou é gongo?

ah, no cardápio tem nara leão, francisco alves, paulinho da viola, paulo moura, creuza e o próprio cartola.



ou baixe aqui.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

duas fotos

jesus amarelo no crato, ceará

jesus quebrado em fortaleza, ceará

a mais bela do mundo

vindo pro trabalho, nessa manhã chuvosa em são paulo, ouvi pela enésima vez "danada", do eddie. desde que a conheci, acho que em 2006 (quando saiu o disco metropolitano), ela entrou naquele seleto rol das mais belas canções mundiais do mundo. não canso de me surpreender com ela: toda a parte instrumental, a guitarrinha lindona do fábio trummer, e o final cantando pelo erasto vasconcelos. porra, chorei. lembro também que foi trilha sonora, junto com mulatu astatke, de uma ótima viagem a trabalho por minas gerais pra tam magazine (tempos bons de tatiana engelbrecht como editora). pode perguntar pro chapa, e grande fotógrafo, joão kehl.

aqui embaixo, uma versão ao vivo de "danada" (e acompanhada de uma mini-entrevista com o pessoal do eddie, banda boa da porra). não tão bela quanto a do disco, mas...


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

marli mulher

não sei se vocês já tiveram o prazer de cruzar com a marli pelas quebradas da internet. figura genial do interior da bahia, a moça canta baladinhas tristes e surreais, e protagoniza clipes totalmente originais. sempre choro de rir com ela, mas acima de tudo admiro a vontade inabalável que ela tem de mostar o que faz. marli é foda. sinta seu drama no clipe abaixo entre dinossauros, florestas, cachaça e um coração partido. mais, muito mais no canal que ela tem no youtube.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

jardim muy amigo

meu segundo texto pra piauí foi sobre um cemitério de animais na grande são paulo, o jardim do amigo. troço bacana demais de fazer, principalmente porque não tenho nenhuma relação afetiva com bichinhos e tal, o que impediu sentimentalismos (mas não sentimentos). foram duas visitas, dois sábados e saiu o texto abaixo. esta foi a versão que mandei pra revista, inclusive sem revisão. a impressa foi editada pelos gentis e atentos roberto kaz e joão moreira salles e foi publicada na piauí nº 24, em setembro de 2008. no mais, três fotinhas feitas com celular na primeira visita.



O PARAÍSO É AQUI DO LADO 


Ou de como Zeus, Krishna, Saddam e Bradock Ribeiro se encontraram em um jardim

Dois dos três tenores estão lá. A saber, Pavarotti e Placido Domingo. Juntos com Piaf, Prince, James Brown, Janis Joplin e Lady Laura. Próximos de Bambi, Mickey, Lassie, Snoopy, Scooby e She-Ra. Todos em uma área arborizada de 18 mil m² cortada por um riacho e protegida, logo na entrada, por uma placa de “Cuidado Cão Bravo”. Estão ao lado do Paraíso. Ou, para ser mais preciso, dividem terreno com a Pousada Paraíso. No maior cemitério de animais de São Paulo, o Jardim do Amigo, tudo é feito com muito respeito pela memória de 8 mil bichinhos enterrados, desde o atendimento profissional até os nomes dos setores disponíveis (Palmeiras, Colinas, Cascata, etc). Mas como todos sabem, inclusive os animais domésticos, a vida é dura e em um dos folders disponíveis na recepção a realidade não é menos cruel: “Não permita que seu animalzinho tão querido seja incinerado junto com restos hospitalares”.

Situado próximo ao Km 35 da Rodovia Castelo Branco, município de Itapevi, o Jardim do Amigo foi inaugurado em novembro de 1993 como filial do argentino Jardin del Amigo, desde 1987 nos arredores de Buenos Aires. A proprietária de ambos, a hermana Adriana Kreuzer, sentiu um estalo quando sua gatinha adoeceu lá pelos idos de 1975. Foi então que percebeu a fragilidade da vida e a ausência de um lugar em sua terra natal, no qual ainda mora, para enterros dignos de animais domésticos. Em tempos de Mercosul foi pioneira no Brasil ao montar um cemitério parque para um público que desembolsa quantias que variam de R$ 190 a R$ 1.313, dependendo do tamanho do animal e do setor escolhido, além de uma manutenção anual que varia de R$ 160 a R$ 330. O setor Colinas sai mais em conta, enquanto o Pinheiros e o Palmeiras são considerados mais elegantes.


“Você não imagina como estou!”, afirmou de olhos marejados a aposentada Ligia Damasceno enquanto assinava recibos na recepção. “Perdi meus dois gatos esse ano. O Léo tinha 16 anos e morreu em maio e agora, pouco mais de dois meses depois, vim trazer a Dolly que tinha 11 anos e 3 meses. Ela morreu hoje de manhã no veterinário. Ele que sugeriu o Jardim do Amigo. Não sabia da existência disso aqui, mas sempre pensei em enterrá-los. Como minha mãe foi. Como eu serei. Eram muito amigos, muito carinhosos. É um conforto saber que não foram abandonados”. Gatos como Léo e Dolly são 15% dos animais enterrados. A grande maioria, 80%, é canina e o restante é formado por pequenos mascotes como pássaros, hamsters, chinchilas, ferrets, tartarugas, coelhos e um galo chamado Pintinho.

Do outro lado da mesa, Cristina briga com a impressora. Plantonista aos finais de semana, revezando sábados e domingos, ela trabalha no Jardim há sete anos, mas não quer saber de animais na casa que divide com o filho. “Porque é pequena e não quero passar pelo sofrimento que vejo nessas pessoas que vêm aqui. A gente se apega, né?”, e finalmente consegue arrancar uma folha que estava emperrando a impressão de um novo contrato. Daqui a cinco anos, Ligia poderá escolher se permanece com seus gatinhos enterrados ou se encerra tudo de vez e opta pela exumação. Apesar de muito solicitados pela clientela, os caixões de madeira foram abolidos por atrapalhar a decomposição. Lá fora um outro funcionário do cemitério (são dez ao total) anuncia em voz baixa que havia terminado a pequena cova situada na Alameda da Brisa.

Ligia vai até o carro, abre a porta e tira algo enrolado em um cobertor xadrez. Seu choro volta enquanto leva Dolly até a sala de velório, ao lado da recepção. O pequeno cômodo, com um banheiro em anexo, está abarrotado de mensagens escritas à mão ou impressas, inclusive em japonês, além de brinquedos, fotos, desenhos e imagens de Santo Expedito, São Lázaro e São Francisco de Assis. Ligia coloca suavemente sua gatinha branca sobre a mesa da sala e seu choro ganha o reforço de soluços. Hora de deixá-las a sós.
Como em todo fim de semana, o Jardim do Amigo recebe um número maior de visitas que renovam os vasos de flores sob as lápides e relembram as travessuras de Maguila, Jesse James, Toquinho, Lady Di e Sócrates. Ou então de Pentelha, Rasta Johnson, Browser, Cindy Lauper Porto, Boby Degremont e dos irmãos Bingowellow, Bradock e Adelina Ribeiro. Durante muito tempo, a média de enterros mensal girava em torno de 5, mas nos últimos anos esse número vem aumentando e já bate na casa de 60. “Você pode chamar o garoto?”, é Ligia que, cerca de dez minutos após entrar na sala de velório, pede um auxílio. “Sinto falta de uma cerimônia religiosa para os bichinhos, sabe? Não ia fazer mal nenhum”.

Sem nenhuma cerimônia, mas com alguma suavidade, o funcionário cobre o fundo da cova com plástico, envolve Dolly com uma manta branca de algodão e deposita o corpo a três palmos do chão. Léo, o outro gato, está um pouco abaixo. Enquanto a terra vai sendo jogada, Ligia olha para os lados em busca de algo que acaba por encontrar numa encosta próxima. Lança duas pequenas flores e é o fim. “Tem uma coisa que gostaria de falar para sua reportagem. É muita maldade o que se tem feito aos animais, muito abandono e judiação. Falo isso, mas a verdade é que ainda fazem pior com as pessoas, né?”

Mal o carro de Ligia atravessa a ponte sobre o riacho surge um casal na recepção para encerrar sua estada na Pousada Paraíso. Inaugurada em 2001 com o objetivo inicial de abrigar donos de animais de outras cidades e Estados, a pousada “em estilo colonial” vem recebendo cada vez mais jovens casais sem filhos em seus doze quartos. Desfrutam da piscina, da churrasqueira, do salão de eventos e ainda podem fazer shiatsu, cromoterapia ou reflexologia. Logo ali, depois da ponte, passando o jardim. É o Paraíso, afinal.



um xará no jardim do amigo;
cachorro, gato ou galo de campina?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

domingueira

esta vai em homenagem a joão pedro, filho de meu irmão dioniso, que está prestes a completar dois anos e mora em bragança, no pará. ontem trocamos as primeiras palavras por telefone. ele, tímido, mandou um 'oi' e depois tascou um beijo. o moleque é gente boa e danado, tal como o pai.



e o som? coletivo rádio cipó e a clássica "lourinha americana", também gravada pelo mundo livre s.a. no disco Por pouco (Abril Music, 2000).

sábado, 7 de fevereiro de 2009

quatro anos atrás

mas o primeiro-post-valendo já é com os olhos no passado? talvez sim, talvez não. mas é que rolou aquela coincidência. procurando no baú, selecionei esse texto e só depois vi que era de exatos quatro anos atrás. foi uma das minhas poucas (1 de 3, na verdade) contribuições para a grandiosa folha de s. paulo. demorou alguns dias para encaixar na ilustrada e foi publicado em 8 de fevereiro de 2005. era carnaval. acho que uma terça. e versa sobre um músico gaúcho que tinha acabado de conhecer.

ARTHUR DE FARIA MISTURA GÊNEROS EM SEU QUARTO DISCO

Imaginem um polvo, um polvo gaúcho. Poderia ser uma imagem para definir o cantor, instrumentista, compositor, produtor e arranjador Arthur de Faria. Seus tentáculos alcançam rapidamente sonoridades tão diferentes uma da outra que é impossível definir em qual gênero se encaixa o CD Música pra bater pezinho (YB Discos, 2004), o quarto disco do artista. Ao seu lado estão músicos de formações diversas, desde jazzistas ortodoxos até membros da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Sul. Não é, portanto, um polvo qualquer, ainda mais com o nome científico de Arthur de Faria & Seu Conjunto.

“Cada membro da banda tem uma formação diferente, por isso as músicas têm referências sonoras muito diversas”, esclarece Arthur em entrevista exclusiva à Folha de São Paulo. “É o lado bom da globalização”, diverte-se e continua, “o legal de amadurecer é que hoje posso dizer que toda manifestação musical me interessa”. Basta ouvir o disco para saber que este ecletismo não é um clichê qualquer. Estão lá, em suas 14 faixas, jazz, Arrigo Barnabé, rock, Frank Zappa, fanfarra, Jobim, música erudita, Björk, tango, MPB, pop, Radamés Gnatalli, Beatles, eletrônico, Black Sabbath e outras bossas e milongas. Tudo é música, afinal.

E as letras? “Dou muita importância à letra. Pode parecer óbvio, mas as pessoas esquecem disso. Pra mim, uma canção é 50% letra e os outros 50% são música e arranjo. Gosto muito de poesia e é um baita exercício pegar uma poesia, seu ritmo, e criar uma música em cima”. Desse casamento surgem “As coisas da casa” (poesia de Marcelo Sandmann, onde saltam os versos “Ela agora só pode amar / Com a paixão contida / Da borboleta espetada na placa de isopor”), “Breve oração da virada do ano” (poesia de Daniel Galera), “Revisitação” (poesia de José Paulo Paes) e “Sexo na cabeça” (sobre crônica de Luiz Fernando Veríssimo).

Uma atração a mais está nas participações especiais. “Descobri com o tempo que os malucos acabam de encontrando”, afirma Arthur referindo-se às duas parcerias com o paulistaníssimo Maurício Pereira (que também canta e toca sax em “Um teco-teco amarelo em chamas”) e aos encontros com Siba, Cida Moreira, e o casal Fernanda Takai e John Ulhoa do Pato Fu. “Gaúcho tem muito esse pudor de falar com outras pessoas de fora do Rio Grande. Parece que a gente tá querendo se enturmar com o resto do Brasil. Como se não fizéssemos parte...”, e a fogueira das diferenças regionais volta a se acender. Mas Arthur de Faria já vem com a solução: os malucos se encontram.

Quando foi curador do Projeto Rumos do Itaú Cultural, ele se deu conta da enormidade de talentos pouco conhecidos Brasil a fora. Mesmo sua banda, que todo ano faz shows em Buenos Aires, nunca tocou no Rio de Janeiro. O que fazer? “A gente tem que construir uma outra rede. Sei que nossa música é muito escutável, mas não é de rádio, sei como é isso, trabalho em rádio. Então a gente tem que achar lugares onde podemos vender 1000 discos. Se a gente consegue 200 lugares vendemos 200 mil discos”. E é nesta progressão aritmética que Arthur de Faria & Seu Conjunto querem mostrar sua música pra bater pezinho. Não é todo dia que os pés (e ouvidos) são tão bem tratados.

começando

há muito tempo estou para começar isso (o blog, digo). queria um lugar pra colocar outras coisas, outros trabalhos, antigos & novos. mas demorei porque achava que não conseguiria dar conta de atualizar mais isso. afinal, tem o gafieiras, a monet, os frilas, o casamento (não necessariamente nessa ordem, viu, carolina)...
mas tenho que tentar, tem muita coisa pra fazer.

hoje é sábado, tá sol em são paulo. quente.
é um bom começo.