quinta-feira, 22 de maio de 2014

rap esquema novo

sem medo de adjetivos e afirmações categóricas: emicida, thiago frança e rodrigo campos criaram na casa de francisca um dos melhores, mais intensos, surpreendentes e divertidos shows do brasil, quiçá do mundo. é algo entre gil scott-heron e adoniran barbosa. é o experimentalismo do sax, flauta e pocket piano de thiago com o da guitarra, violão e cavaquinho de rodrigo fazendo cama para a velocidade urgente das rimas de emicida [e que com esse acompanhamento acabaram ganhando novas e surpreendentes densidades junto a um flow mais relaxado]. 


quase no final, antes de um engraçadíssimo momento freestyle que uniu emicida a grupo raça, padeirinho, bezerra da silva e paulinho da viola, thiago frança disse o seguinte: "ó, todo mundo aqui é sambista, viu?". e é a mais pura verdade porque o rap é também uma outra forma de sambar. só que o que aqueles três fizeram na pequenina casa de francisca já está além. tem algo muito novo surgindo desse encontro [idealizado por thiago]. que sorte a nossa.

setlist do show


- “ngoloxi” [thiago frança] / “ubunti fristili” [emicida]
- “crisântemo” [emicida]
- “outras palavras” [emicida]
- “sol de giz de cera” [emicida]
- “ela diz” [emicida]
- “rua augusta” [emicida]
- “fim da cidade” [rodrigo campos]
- “beco” [rodrigo campos]
- “saudosa maloca” e “despejo na favela” [adoniran barbosa]
- “hino vira-lata” [emicida]
- momento freestyle que teve “favela” [padeirinho], “eu sou favela” [noca da portela e sérgio mosca], “eu e ela” [grupo raça], “meu mundo é hoje” [wilson batista e josé batista] e “timoneiro” [paulinho da viola e hermínio bello de carvalho]
- “triunfo” [emicida]

atualização: o programa manos e minas [tv cultura] fez uma matéria sobre o show e a gravação foi justamente nesse dia que fui. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

sentimentos, naturalmente

fiz o segundo perfil pra revista de bordo da azul numa rara brecha no trabalho na prefeitura. o retratado da vez foi daniel ribeiro, jovem cineasta paulistano que acabou de estrear em longas com o premiado e elogiado hoje eu quero voltar sozinho. ainda não assisti o filme, mas seus dois curtas mostram um diretor-roteirista muito seguro de si e extremamente delicado com seus personagens.


UM CINEMA DE PAIXÕES NATURAIS

Ele não pensava em fazer cinema. Não era bem por aí que imaginava seu futuro. Queria fazer Comunicação, isso sim, e eventualmente trabalhar na TV, “porque [nela] era possível se comunicar mais facilmente com mais gente”. Mas agora, com 2 curtas e 1 longa no currículo, Daniel Ribeiro já pode assumir sem medo que é cineasta.

Uma das provas disso é que as estantes da sala de seu apartamento-escritório perto da Avenida Paulista estão lotadas de prêmios, incluindo os três que recebeu no Festival de Cinema de Berlim: um por seu curta de estreia [Café com Leite, 2007] e dois pelo longa Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014), que estreia neste mês em circuito comercial em 19 cidades brasileiras.


“Sempre achei que esse projeto deveria ser um longa, mas como só tinha um curta no currículo vi que seria impossível conseguir dinheiro pra fazê-lo. Então dirigi um outro curta [Eu Não Quero Voltar Sozinho, 2010] como piloto para conseguir financiamento para este longa”, explicou o paulistano de 32 anos, nascido no Tatuapé, zona leste de São Paulo.

A história de seu segundo curta é a mesma do primeiro longa e gira em torno de Leonardo, um adolescente cego em busca por um lugar no mundo e suas relações de afeto com a melhor amiga (Giovana) e um novo aluno na escola (Gabriel). “No longa não uso a palavra ‘gay’. Ele não se declara ‘gay’ em nenhum momento.  Essa não é a questão. É um filme sobre um garoto se apaixonando pela primeira vez. Se ele fosse hétero o filme não ia ter tanta diferença, mas é claro que o fato dele se apaixonar por outro homem dá outras camadas pro filme”.

Com delicadeza, naturalidade e muito carinho por seus personagens, Daniel Ribeiro coloca uma questão importante no filme: a sexualidade vem de dentro ou de fora? “Tive essa ideia de um protagonista cego porque pensei o seguinte - como acontece o desejo numa pessoa que nunca viu um homem nem uma mulher? Afinal de contas, a sexualidade, bem como o preconceito, estão muito ligados a imagem, né?”

Os questionamentos levantados por Hoje Eu Quero Voltar Sozinho não tem apenas uma resposta. Cada um pode e deve descobrir a sua, mas que o importante mesmo é o respeito por essas diferenças de trajetórias e preferências. É assim que a vida acontece e tem que acontecer. “Quando eu era adolescente, nos anos 1990, parecia que o único gay era eu. Você não via praticamente ninguém no cinema ou na televisão. E os poucos exemplos não eram muito positivos. Eu queria me ver. E percebi que fazer cinema ou televisão era uma forma de criar personagens para adolescentes que, como eu, queriam se ver também”.

Preconceitos, infelizmente, ainda correm soltos por aí, mas a internet e as redes sociais conectaram muitas pessoas e hoje em dia adolescentes gays não se sentem mais isolados. Tanto é verdade que a página do filme no Facebook foi curtida por mais de 160 mil pessoas que interagem muito, contam histórias pessoais, agradecem e torcem por Hoje Eu Quero Voltar Sozinho. “Até poucos meses atrás era eu mesmo que administrava a página, postava fotos do meu celular e tudo. Hoje não dá mais. Pra você ter uma ideia, quando publicamos o cartaz do filme, a imagem teve mais de 5 mil compartilhamentos e alcançou cerca de 1 milhão de pessoas. Mas é tudo muito genuíno por lá, principalmente a vontade de cultivar o diálogo com as pessoas”.

Além do lançamento em circuito comercial no país, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho vai passar o ano viajando por outros festivais de cinema e, por enquanto, Daniel Ribeiro só quer saber de alcançar o maior número de pessoas. “Tenho algumas ideias de projetos futuros, mas a única certeza que tenho é que quero sempre ter personagens gays nos meus filmes, não necessariamente protagonistas. Na verdade, tudo tem que vir de forma natural. É da minha vivência essa naturalidade”. O cinema de Daniel Ribeiro é, acima de tudo, um cinema de sentimentos.


SAIBA MAIS

Cinéfilo desde a adolescência, Daniel Ribeiro gosta especialmente de Woody Allen, François Truffaut, Miranda July, Wong-Kar Wai e Gus Van Sant.

Fã de séries televisivas, o cineasta tem assistido com entusiasmo títulos recentes como House of Cards e Sherlock, mas cita também entre suas preferidas Mad Men, Orange is the New Black, Curb Your Enthusiasm e Seinfeld. Detalhe: foi editor de Tudo o que é Sólido Pode Derreter, série dirigida por Esmir Filho e Rafael Gomes e exibida pela TV Cultura em 2009.

A trilha sonora de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho traz músicas de Belle & Sebastian, Marcelo Camelo, David Bowie, Marvin Gaye, Cícero, The National, Arvo Part e Franz Schubert.

p.s.: e aqui abaixo, o curta 'não quero voltar sozinho' que deu origem ao longa 'hoje eu quero voltar sozinho'.

terça-feira, 8 de abril de 2014

buster keaton em gifs

buster é um dos heróis aqui do esforçado. já apareceu por aqui de diversas formas e até mesmo em gifs [para ilustrar textos do yahoo], mas nunca numa coleção assim especial. é que tava navegando pelo gif movie e achei uns, depois outros no fuck yeah buster keaton e mais outros na própria busca do tumblr. daí juntei nessa historinha aí que tem cenas do curta one week (1920) e dos longas the general (1926) e steamboat bill jr. (1928).



Buster Keaton’s One Week (1920) for orange-ette



Chimney construction with Buster Keaton







domingo, 30 de março de 2014

coleção grandes cagadas da folha

a tal marcha da família 2 que falhou miseravelmente (ufa) na semana passada  - e que descrevi no texto "menor que um rolezinho" - é um dos acontecimentos ligados a efeméride dos 50 anos do GOLPE MILITAR DE 1964. é o importante assunto do momento, com direito a alguns avanços significativos da comissão da verdade, e muitas matérias, reportagens, e novas luzes sobre esse triste (e ainda presente no nosso dia-a-dia) momento da história brasileira (vale muito ver o especial feito no site da ebc). na edição deste domingo da folha rolou um editorial sobre 1964 e... bem... o texto é tão absurdo (política, histórica e moralmente) e tão mal escrito que resolvi comentâ-lo em voz alta. 


ontem e hoje, o pensamento vivo da folha

"O regime militar (1964-1985) tem sido alvo de merecido e generalizado repúdio. A consolidação da democracia, nas últimas três décadas, torna ainda mais notória a violência que a ditadura representou [OLHA SÓ QUE LEGAL].

Violência contra a população, privada do direito elementar ao autogoverno. E violência contra os opositores, perseguidos por mero delito de opinião, quando não presos ilegalmente e torturados, sobretudo no período de combate à guerrilha, entre 1969 e 1974 [É ISSO AÍ, FOLHA. PARABÉNS POR TER CHEGADO A ESSA CONCLUSÃO EM 2014. ANTES TARDE DO QUE NUNCA, NÉ].

Aquela foi uma era de feroz confronto entre dois modelos de sociedade --o socialismo revolucionário e a economia de mercado [SÓ TINHAM DOIS?]. Polarizadas, as forças engajadas em cada lado sabotavam as fórmulas intermediárias e a própria confiança na solução pacífica das divergências, essencial à democracia representativa [NÃO SEI VOCÊS, MAS JUSCELINO E JANGO NÃO ME PARECIAM, E NEM TINHAM INTERESSE, EM POLARIZAÇÃO E NEM DITADURA COMUNISTA. MAS PODE SER IMPRESSÃO MINHA, NÉ?].

A direita e parte dos liberais violaram a ordem constitucional em 1964 e impuseram um governo ilegítimo [MUITO BEM, QUASE UM NOME AOS BOIS, QUE MADURO]. Alegavam fazer uma contrarrevolução, destinada a impedir seus adversários de implantar ditadura ainda pior [“AINDA PIOR”, E A FOLHA COMPROU ISSO, COMPRA ATÉ HOJE PELO JEITO], mas com isso detiveram todo um impulso de mudança e participação social.

Parte da esquerda forçou os limites da legalidade na urgência de realizar, no começo dos anos 60, reformas que tinham muito de demagógico [AO OLHOS DE QUEM CARA PÁLIDA?]. Logo após 1964, quando a ditadura ainda se continha em certas balizas [OLHA A DITABRANDA AÍ, MINHA GENTE, ELA APARECEU], grupos militarizados desencadearam uma luta armada dedicada a instalar, precisamente como eram acusados pelos adversários, uma ditadura comunista no país [É COMPREENSÍVEL QUE OS LIBERAIS DA ÉPOCA TIVESSEM ESSE MEDINHO, MAS HOJE EM DIA ACHAR QUE IRIA ROLAR UMA DITADURA COMUNISTA OU SE É BURRO OU MAL INTENCIONADO].

As responsabilidades pela espiral de violência se distribuem, assim, pelos dois extremos, mas não igualmente: a maior parcela de culpa cabe ao lado que impôs a lei do mais forte, e o pior crime foi cometido por aqueles que fizeram da tortura uma política clandestina de Estado [AH JURA?].

Isso não significa que todas as críticas à ditadura tenham fundamento [AÊ, A DITADURA TEVE UM LADO BOM, SENÃO VEJAMOS...]. Realizações de cunho econômico e estrutural desmentem a noção de um período de estagnação ou retrocesso.

Em 20 anos, a economia cresceu três vezes e meia. O produto nacional per capita mais que dobrou. A infraestrutura de transportes e comunicações se ampliou e se modernizou. A inflação, na maior parte do tempo, manteve-se baixa [O LADO POSITIVO QUE A FOLHA VÊ NA DITADURA FOI UM CRESCIMENTO ECONÔMICO QUE PODERIA TER SIDO MAIOR OU MELHOR DISTRIBUÍDO NUM GOVERNO DEMOCRÁTICO E QUE DO JEITO QUE ACONTECEU, CHEIO DE MAQUIAGENS, SÓ SERVIU PARA ENDIVIDAR O BRASIL POR DÉCADAS. ENTENDI.].

Todas as camadas sociais progrediram, embora de forma desigual, o que acentuou a iniquidade [OPA, NÃO SERÁ PORQUE ESSE CRESCIMENTO ECONÔMICO FOI PARA POUCOS?]. Mesmo assim, um dado social revelador como a taxa de mortalidade infantil a cada mil nascimentos, que era 116 em 1965, caiu a 63 em 1985 (e melhorou cada vez mais até chegar a 15,3 em 2011).

No atendimento às demandas de saúde e educação, contudo, a ditadura ficou aquém de seu desempenho econômico [AH PUXA VIDA, VACILARAM NISSO, FOI? PORQUE SERÁ?].

Sob um aspecto importante, 1964 não marca uma ruptura, mas o prosseguimento de um rumo anterior. Os governos militares consolidaram a política de substituição de importações, via proteção tarifária, que vinha sendo a principal alavanca da industrialização induzida pelo Estado e que permitiu, nos anos 70, instalar a indústria pesada no país [PERAÍ, ENTÃO A FOLHA TÁ COLOCANDO NA CONTA POSITIVA DA DITADURA ALGO QUE JÁ ESTAVA ROLANDO DESDE, POR EXEMPLO, GETÚLIO E JUSCELINO?].

A economia se diversificou e a sociedade não apenas se urbanizou (metade dos brasileiros vivia em cidades em 1964; duas décadas depois, eram mais de 70%) mas também se tornou mais dinâmica e complexa [SEI NÃO, MAS PARECE QUE A FOLHA TÁ QUERENDO DIZER QUE FOI A DITADURA, E SÓ A DITADURA, QUE O FEZ O BRASIL SE URBANIZAR] . Metrópoles cresceram de modo desordenado, ensejando problemas agudos de circulação e segurança.

O regime passou por fases diferentes, desde o surto repressivo do primeiro ano e o interregno moderado [OLHA DITABRANDA, OBA!] que precedeu a ditadura desabrida, brutal, da passagem da década, até uma demorada abertura política, iniciada dez anos antes de sua extinção formal, em 1985.

As crises do petróleo e da dívida externa desencadearam desarranjos na economia, logo traduzidos em perda de apoio, inclusive eleitoral [DÍVIDA EXTERNA? MAS A ECONOMIA NÃO TAVA MÓ BOA? E COMO ASSIM EM PERDA DE APOIO ELEITORAL?! QUE ELEIÇÃO?]. O regime se tornara estreito para uma sociedade que não cabia mais em seus limites [FILHINHO, TODA SOCIEDADE, EM QUALQUER MOMENTO HISTÓRICO, É MAIOR QUE UMA DITADURA. SÓ EM REGIMES DEMOCRÁTICOS SE PODE CHEGAR MAIS OU MENOS PRÓXIMO À COMPLEXIDADE DE UMA SOCIEDADE, AFINAL SOMENTE NUMA DEMOCRACIA TODOS PODEM SER ATORES POLÍTICOS]. Dissolveu-se numa transição negociada da qual a anistia recíproca foi o alicerce [NEGOCIADA ENTRE AS PARTES QUE TINHAM INTERESSE EM QUE NADA FOSSE JULGADO, CLARO ESTEJA].

Às vezes se cobra, desta Folha, ter apoiado a ditadura durante a primeira metade de sua vigência, tornando-se um dos veículos mais críticos na metade seguinte. Não há dúvida de que, aos olhos de hoje, aquele apoio foi um erro [PERAÍ, VAI ROLAR A DESCULPA AGORA, ME ABRAÇA].

Este jornal deveria ter rechaçado toda violência, de ambos os lados, mantendo-se um defensor intransigente da democracia e das liberdades individuais [ISSO, É ISSO AÍ!].

É fácil [OI?], até pusilânime [AH NÃO, LÁ SE FOI A DESCULPA MORRO ABAIXO], porém, condenar agora os responsáveis pelas opções daqueles tempos, exercidas em condições tão mais adversas e angustiosas que as atuais [TAVA PUXADO PRO SEU FRIAS, NÉ?]. Agiram como lhes pareceu melhor ou inevitável naquelas circunstâncias [ACHO QUE O MAIS FÁCIL É FALAR QUE O PESSOAL AGIU DO JEITO QUE DEU PRO MOMENTO. PENSANDO BEM FOLHA, ASSIM DÁ PRA DESCULPAR O NAZISMO, A GUERRA DO VIETNÃ, O KHMER VERMELHO, AS LOUCURAS ASSASSINAS DE STALIN E MAO TESÉ TUNG, ETC.]

Visto em perspectiva, o período foi um longo e doloroso aprendizado para todos os que atuam no espaço público, até atingirem a atual maturidade no respeito comum às regras e na renúncia à violência como forma de lutar por ideias [MAS PERAÍ, SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA NO ANO PASSADO A FOLHA, ESTADÃO, E OUTROS ORGÃOS DE IMPRENSA, DEFENDERAM REPRESSÃO DO GOVERNO – ATRAVÉS DA PM – ÀS MANIFESTAÇÕES DE JUNHO. SERÁ QUE APRENDERAM? SERÁ QUE APRENDEMOS?]. Que continue sendo assim."

aiaiai

quarta-feira, 26 de março de 2014

reiOpixo, o fim

tinha separado mais alguns versos de músicas do roberto carlos e o #reiOpixo poderia seguir tranquilamente por mais umas 20 ou 30 intervenções, mas a verdade é perdi o pique. deu o tempo. e, pensei, poderia muito bem finalizar no 100. mas qual música? tinha que ser alguma muito relevante, sei lá. então passei quase dois meses para achar a resposta – os #reiOpixo 98 e 99 foram feitos em 26 de janeiro, um domingo –, e nem lembro como a ideia surgiu. mas era isso, o que tinha de mais atual relacionado ao roberto era a patacoada da publicidade da friboi que ele protagonizou com a história de voltar a comer carne [e dá-lhe a escolha óbvia, e já utilizada em outras propagandas, de “o portão”]. taí ó...


o #reiOpixo acabou e foi muito bom enquanto durou [sete meses, por aí, com direito a matérias na folha de s. paulo e na revista vida simples]. foi bem divertido escrever na rua, conseguir criar novos diálogos do texto com o espaço, isso sem se repetir nem uma vez [e ainda finalizar na zuera com o grande, falho e sinceramente amado ídolo]. mas os rolezinhos não param... faltam mais alguns vocêpraça [22, para ser mais exato], posso voltar com o “menos mimimi, mais cariri” e o existencialismo leminski, e comecei o “menos mais, mais menos”. e o que mais vier. cidade também serve pra isso.


p.s. 1: muitas pessoas me ajudaram nesse projeto, principalmente dando sugestões de músicas [algumas que não conhecia], e estão devidamente creditadas nas respectivas canções-intervenções lá no tumblr. a todas e todos, agradeço mais uma vez. foram muitas emoções. 

p.s. 2: dois dias depois passei lá novamente [faria lima com pedroso de moraes] e deu uma vontade de "assinar". então tasquei um #reiOpixo. ficou assim.


sexta-feira, 21 de março de 2014

raps, pontes e overdrives

as amigas e colegas de trabalho laíssa barros e renata assumpção tem um site chamado 'era segunda e não tinha sorvete' e pouco tempo atrás me chamaram pra colaborar com uma seleção musical. acabei fazendo uma seleta de raps contemporâneos, de clipes de rap pra ser mais exato, que segue agora também aqui no esforçado.


lurdez da luz em show na casa do mancha

raps, pontes e overdrives

não é de hoje e não é novidade, mas também não custa repetir: o rap é a música mais forte, política, variada, pulsante, inclusiva e com mais cores de todos os gêneros dos últimos tempos (no brasil e no mundo). aqui vai uma uma amostra grátis exclusivamente brasileira – tem gente de são paulo, claro, mas também de fortaleza, rio de janeiro e são josé dos campos – e muito atual.

“doce dose”, don l & leo grijó
“equação”, síntese
“ela é favela”, aláfia & lurdez da luz
“beijo de judas”, kayuá
“caminho”, rael
“quartinho obscuro”, flow mc

quinta-feira, 6 de março de 2014

pra vó dedé,

semana passada, na manhã de 26 de fevereiro, partiu minha querida, muito querida, vó dedé, mãe de meu pai. em 2008 foi a vez de seu marido, o vô zé júlio. entre um e outro partiram meus avós maternos, josias e neném. sem mais avós e avôs, portanto. numa troca de emails entre toda a família muitas de suas histórias e falas impagáveis foram sendo relembradas pra produção de uma espécie de libreto a ser lido e distribuído na missa de sétimo dia. minha contribuição foi o texto que segue abaixo.


tem umas coisas especiais que acontecem na vida da gente. dona dedé aconteceu na minha. que delícia de pessoa, que figura, que coisinha linda. discreta e ácida, carinhosa e determinada, bem humorada e direta, religiosa e nada besta. pequenina também. e minha avó, que baita sorte da porra! [ai, desculpa o palavrão, vó, foi uma ênfase necessária pro tanto de amor].

a vó que planejou me sequestrar pr'eu ser batizado, mas preferiu entregar o pagãozinho pra deus. acho que porque a fazia rir com meus mungangos [caretas]. a vó que me fazia rir e lamber os beiços com uma galinha a cabindela [molho pardo] inesquecível. a vó e seu quintal, o quintal de toda minha infância com suas mangas, goiabas, abacates, brincadeiras, siriguelas, flores de jambo cobrindo o chão, frutas do conde, romãs, limões, cocos ralados, etc.

a vó que me dava capitão que, segundo o dicionário aurélio, é um "bocado de comida que tenha molho [feijão, por exemplo], amassado com farinha, entre os dedos, à moda de bolo, e levado com a mão até a boca". segundo eu mesmo, era o momento sensacional & índio & passarinho no qual ficava em um círculo [junto com prima(os), irmã e irmão] sendo alimentado assim, aos ótimos bocados.

minha vó, coisinha mais linda.

não faz muito tempo percebi que tinha sido ela que, silenciosamente, moldou o humor de toda a família que gerou [6 filhos, 11 netos, 6 bisnetos]. já sabia disso inconscientemente porque tinha certeza que aquela coisinha pequena tava dentro de mim, mas foi ao vê-la já doente, lutando pra manter seu afiado senso de vida e ao mesmo tempo cansada dos 6 anos de viuvez [ô seu zé júlio, saudades viu] e dos muito bem vividos 88 anos, que percebi como uma parte do melhor da gente veio dela.

claro que vai fazer falta. muita. mas ela fez tanta tanta diferença por onde passou, nas pessoas que a conheceram, que não tem essa coisa de fim pra dona maria, dona dedé, dona maria de dedé. ela é pra sempre, né?

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

cê é mó zébaratona!

câmera de celular ruim. filmagem vertical. dois mano discutindo e se medindo por dois minutos e uns quebrados em um quarto. luz horrível. janela fechada. todas essas coisas não necessariamente nessa ordem. quer dizer, altas chances de ruindade qualquer nota. mas "discussao de malandro !!!", postado por felix petich (um dos manos no vídeo), é uma maravilha muito louca. tudo dá certo, do texto improvisado ao sensacional duelo corporal cômico dos moleques.



fiquei sabendo desse vídeo através pelo @metros_sp, perfil fake-mano do metrô de são paulo.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

abro a porta e deixo entrar

não foi bem uma falha, teve mais cara de vacilo. ouvi no final do ano passado o disco giramundo, a estreia solo de daniel groove (cearense, ex-o sonso, e desde 2009 morando em são paulo). gostei muito e rapidamente, e tratei de colocá-lo entre os 35 discos brasileiros do ano. mas na bagunça da lista das músicas acabei esquecendo de colocar, por exemplo, "giramundo" (poderia ainda ser "nada", "tudo", "deixa", "novo brega", "eu vou correr" ou "canção de amor", uma porrada de canções boas e lindas). daí que nesses primeiros meses de 2014 ouvi outras vezes o disco e ele foi só melhorando e melhorando, o que me fez sentir uma certa culpa por não ter sido mais enfático. pra resumir, giramundo é disco foda e elétrico e romântico e muito bem tocado.



o musicoteca e daniel disponibilizaram em novembro passado o disco para download gratuito, e dois meses antes o cantor e compositor lançou o clipe de "canção de amor".



antes ainda, em agosto - pra provar como mosquei nessa, e olha que já tinha ouvido seu nome em shows por são paulo -, daniel groove participou de uma edição inteirinha do cultura livre da roberta martinelli. 





no disco, daniel é acompanhado por músicos como o amigo e parceiro saulo duarte, joão eduardo vasconcelos, joão leão e beto gibbs, e conta ainda com participações de marcelo callado (do amor), rian batista (cidadão instigado), nevilton, danislau também (porcas borboletas), bruno souto (volver), david dafré e reginaldo lincoln (vanguart), guilherme almeida (pública) e diego soares (los porongas).



não menos importante: a ilustração que embrulha/sintetiza este disco lindo da porra é do também cearense diego maia.

atualização em 27 de fevereiro: saiu o clipe da muy linda "você sabe muito bem o que me resta".

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

letra/música #28

cheguei ao disco de estreia solo do rocha (pra 5ª também ser 5 estrelaspor indicação, acho que no facebook, do emicida. rocha é rapper da zona leste de são paulo, integrante do grupo q.i. alforria, e fez um disco redondinho, cheio de grandes achados nas rimas e beats, e com produção dividida entre rincon sapiência, tico pro e nefasto. tem uma porrada de músicas boas - "paty", "psiu", "destruindo constelações", "festa de arromba", "poesia das lamas" e "redemoinho de março" -, mas "antônimos e sinônimos" é um baita achado. como seria bacana ver uma música dessas ser usada na rede pública de ensino para explicar antônimos, sinônimos, história, política... porra, cabe de tudo nela (tanto que usei em texto no yahoo sobre a cracolândia). saca só.


antônimos e sinônimos 
(rocha miranda)

antônimo de mauricinho é maloquero
sinônimo de estelionato, truta, é banqueiro
antônimo de favela é condomínio 
sinônimo de policia é extermínio
antônimo de maconha, pedra de crack
sinônimo de viciado é piripaque
antônimo de americano, iraquiano 
sinônimo de hipocrisia é vaticano
antônimo de israel é palestina
sinônimo de ouro branco é cocaína
antônimo de adolf hitler é malcolm x
sinônimo de mãe chorando é giroflex

sou b.o., vim dar nó, na maior, pode pá
o pior dos melhor, vindo só pra causá

antônimo de maradona é rei pelé 
sinônimo de africanismo é candomblé 
antônimo de neo-nazi é rastafári
sinônimo de brasil, simba safari
antônimo de alisado, cabelo black
sinônimo de pé de pato é pé de breque
antônimo de toneladas é mililitros
sinônimo de sete palmos, nove milímetros
antônimo de heavy metal, samba raiz
sinônimo de salário mínimo, povo infeliz
antônimo de feira preta é fashion week
sinônimo de favelado é bolchevique

sou b.o., vim dar nó, na maior, pode pá
o pior dos melhor, vindo só pra causá

antônimo de emocore é hip hop
sinônimo de tiroteio é globocop
antônimo de conte lopes é beira mar
sinônimo de traficante é superstar
antônimo de fusquinha é lamborguini
sinônimo de kassab é mussolini 
antônimo de george bush é hugo chavez
sinônimo de hayabusa, aeronaves
antônimo de bbc é al-jazeera
sinônimo de pouca grana é muita ira
antônimo duque caxias, zumbi palmares
sinômino de melhorias, tudo pros ares

sou b.o., vim dar nó, na maior, pode pá
o pior dos melhor, vindo só pra causá

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

35 discos gringos de 2013 e algo mais

já meio que adiantei na lista das “70 músicas gringas” dois dos melhores discos segundo o gosto da casa. o mergulho jamaicano de snopp dogg em reincarnated (que também virou um excelente documentário) é um compêndio e tanto de velhos e novos ritmos da ilha, tudo habilmente misturado com rap na produção de diplo/major lazer (e snoop ainda arranjou tempo de cair no funk como snoopzilla em outro trabalho). já matangi, o quarto disco de m.i.a., é uma volta aos sons espertos, rascantes e pesados de arular (2005) e kala (2007). são discos intensos, variados musicalmente e politicamente urgentes.   


tem também um disco muito especial que foi um dos mais ouvidos por aqui: brassens – echos d’aujourd’hui, um tributo ao cantor e poeta francês georges brassens com participações de artistas de muitas partes do mundo, desde o brasileiro rodrigo amarante até as colombianas do grupo canalon de timbiqui, passando pelo francês blundetto, o americano shawn lee, a inglesa lianne la havas e as argentinas hermanas caronni. disco bonito da porra.


outro destaque do ano foi o rap – como também aconteceu na lista de discos do brasil – só que diferente daqui, quem mandou bem no mundão foram artistas veteranos ou com vários anos de estrada. teve snoop dogg (lion) e m.i.a., e ainda jay-z, kanye west, ghostface killah, busta rhymes, q-tip, rjd2 e o grupo hieroglyphics. outra contribuição feminina veio com o ótimo bruja, da espanhola mala rodriguez.


pra encerrar essa primeira leva de destaques, três grandes discos instrumentais: o retorno do mestre mulatu astatke em sketches of ethiopia, o piano solo de john medeski no delicado a different time e o jazz latino inspiradíssimo de chucho valdes em border-free. e, sem mais delongas, os 35 melhores discos gringos de 2013 segundo o esforçado.

am & shawn lee - la musique numerique
arcade firereflektor
busta rhymes & q-tip - the abstract and the dragon
caro emerald - the shocking miss emerald
charles bradley - victim of love
chico mann - magical thinking
deela - ritmo de las cavaleras
elvis costello & the roots - wise up ghost and other songs
ghostface killah & adrian younge - twelve reasons to die
hypnotic brass ensemble - fly: the customs release
janelle monáe - the electric lady
jay-z - magna carta holy grail
john medeski - a different time
justin timberlake - the 20/20 experience
kanye west - yeezus
la femme - psycho tropical berlim
la yegros - viene de mi
matias aguayo - the visitor
m.i.a. - matangi
mulatu astatke - sketches of ethiopia
nick cave & the bad seeds - push the sky away
nightmares on wax - feelin' good
rjd2 - more is than isn't
snoop lion - reincarnated
stromae - racine carrée
the hieroglyphics - the kitchen
the lions - this generation
toro y moi - anything in return
valerie june - pushin' against a stone

agora é a hora e a vez da segunda lista. discos muito interessantes que por um motivo ou outro não entraram na lista principal: gosto pessoal, momento da vida, humor, não foram ouvidos com tanta frequência, chegaram no finalzinho do ano pro mundo ou pra mim (por exemplo, drake, young fathers, federico aubele e sébastien tellier). tem mais 35...

andrew bird - i want to see pulaski at night
archie shepp & attica blues orchestra - i hear the sound
blitz the ambassador - the warm up EP
booker t. jones - sound the alarm
buika - la noche más larga
capicua - capicua goes west
dam-funk & snoopzilla - 7 days of funk
david bowie - the next day
david lynch - the big dream
deolinda - mundo pequenino
drake - nothing was the same
femi kuti - no place for my dream
franz ferdinand - right thoughts, right words
goodie mob - age against the machine
gregory porter - liquid spirit
keith jarrett, gary peacock & jack dejohnette - somewhere
kid cudi - indicud
kobo town - jumbie in the jukebox
lee fields & the expressions - let's talk it over
mayer hawthorne - where doed this door go
mayra andrade - lovely difficult
omar souleyman - wenu wenu
owiny sigoma band - power punch
sébastien tellierconfection
the cactus channel - wooden boy
the heliocentrics - 13 degrees of reality
the liberators - power struggle
the strokes - comedown machine
tribecastan - new songs for the old country
vampire weekend - modern vampires on the city
young fathers - tape two EP

e aqui mais uma listinha singela com outros discos interessantes que ajudaram na trilha de 2013 e alguns até emplacaram nas melhores músicas do ano.

amadou & mariam (mali meets latin america EP), bajofondo (presente), beyoncé (beyoncé), boban & marko marković orchestra (gipsy manifesto), bonobo (the north borders), childish gambino (because the internet), da lata (fabiola), danny brown (old), dizzee rascal (the fifth), eminem (the marshall mathers LP 2), family atlantica (family atlantica), fanfara tirana meets transglobal underground (kabatronics), fimber bravo (con-fusion), ghostpoet (some say i so i say light), gogol bordello (pura vida conspiracy), hot chip (dark & stormy), jamie lidell (jamie lidell), john scofield (überjam deux), laura mvula (sing to the moon), major lazer (free the universe), marc ribot's ceramic dog (your turn), marques toliver (land of canaan), mazzy star (seasons of your day), moby (innocents), new order (lost sirens EP), orgone (new you), poliça (shulamith), quadron (avalanche), robin thicke (blurred lines), sexmob (cinema, circus & spaghetti: sexmob plays fellini), shantel (anarchy + romance), sizzla (the messiah), talib kweli (prisoner of conscious), the bamboos (fever in the road), the electric peanut butter co. (trans-atlantic psych classics vol.2), the greyboy allstars (inland emperor), the internet (feel good), the stepkids (troubadour), wale (the gifted), winston mcanuff & fixi (a new day) e zaz (recto verso).

ao fim, ao cabo, a derradeira lista. são projetos especiais, coletâneas caprichadas (a analog africa sempre presente, claro) de artistas cultuados na américa do sul, sudeste asiático, áfrica e oriente médio ou então ao vivos inéditos, invariavelmente jazzísticos, que saem de algum fundo de depósito. sons antigos, mais ou menos antigos, e muito, muito atuais.

abelardo carbonó (el maravilloso mundo de abelardo carbono), afrobeat airways 2: return flight to ghana (1974-1983), angola soundtrack 2 - hypnosis, distorsions & other sonic innovations (1969​-​1978), bob thiele emergency (head start), dave brubeck & tony bennett (the white house sessions live 1962), el sonido de la carretera central con el rey de la guitarra teo laura, goush bedey funk, psychedelia and pop from the iranian pre-revolution generation, john coltrane (sun ship: the complete sessions), juaneco y su combo (the birth of jungle cumbia), los nuggetz: 60's punk, pop and psychedelic from latin america, meridian brothers (devoción (works 2005-2011)), miles davis (four & more), miles davis (so what: the complete 1960 amsterdam concerts), orchestre poly-rythmo de cotonou (the skeletal essences of afro funk 1969-1980 vol.3), pop yeh yeh psychedelic rock from singapore and malaysia vol. 1 (1964-1970), rodrigo leão (songs (2004-12)), thelonious monk (paris 1969), voltaique panoramique vol. 1 e william onyeabor (who is william onyeabor? world psychedelic classics vol. 5).

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

70 músicas gringas de 2013

muito bem. brasil resolvido com as “50 músicas” e os “35 discos e algo mais”. agora é vez de músicas do resto do mundo. ano que teve o surgimento de dois novos fenômenos, “get lucky” do daft punk (acabei preferindo outra do ótimo disco dos franceses) e “blurred lines” do robin thicke, músicas que geraram paródias e muitos covers mundo afora.

agora, uma das coisas legais de se fazer primeiro a lista de músicas e depois a de discos é que fica claro o seguinte: se é difícil escolher apenas uma música de determinado disco ele certamente estará entre os melhores do melhores. parece óbvio, talvez seja, mas a ordem dos fatores, no caso, altera sim o viaduto. ou pelo menos facilita o trabalho.

o que ficou claro pra mim é que os discos com músicas mais potencialmente “listáveis” deste ano foram (nessa ordem) reincarnated do snoop lion e matangi da m.i.a.. do disco desta encarnação jamaicana de snoop dogg entrou “tired of running”, mas poderia ser “la la la”, “remedy”, “no guns allowed”, “here comes the king” ou “torn apart”. Do quarto disco de m.i.a. veio “bad girls”, que poderia muito bem ser substituída por “bring the noize”, “double bubble trouble”, “matangi”, “y.a.l.a.” ou “sexodus”. mas a lista de discos já vem, 2013 ainda não acabou...

e o que esperar dessa lista aqui? a boa e velha diversidade (não confundir com seu primo pobre, o ecletismo) que é outra das características da casa: além das potências estados unidos e reino unido aparecem também músicas do chile, portugal, espanha, gana, bélgica, austrália, canadá, frança, niger, argentina, cabo verde, chipre, o diabo a quatro. muito rap em tudo, como sempre, umas instrumentais aqui, umas “étnicas” acolá, e pop também. um pouco de tudo que balança e instiga nesse mundão.


am & shawn lee - “come back to me
andrew bird - “pulaski at night
arcade fire - “here comes the night time
arctic monkeys - “do i wanna know?
atoms for peace - “before your very eyes
beyonce - “drunk in love” [feat. jay-z]
blitz the ambassador - “dikembe
bombino - “imuhar
busta rhymes & q-tip - “vivrant thing” [feat. missy elliott]
capicua - “jugular
caro emerald - “liquid lunch
casseurs flowters - “la mort du disque
charles bradley - “love bug blues
chico mann - “estrellitas (littles stars)
daft punk - “lose yourself to dance” [feat. pharrell]
david bowie - “valentine’s day
david lynch - “are you sure
deela - “get your freakumbia
deolinda - “medo de mim
depedro - “hombre bueno
devendra banhart - “won’t you come over
dizzee rascal - “i don’t need a reason
elvis costello & the roots - “walk us uptown
eminem - “rhyme or reason
femi kuti - “na so we see am”  
franz ferdinand - “goodbye lovers & friends
ghospoet - “plastic bag brain
goodie mob - “southern girl
gregory porter - “musical genocide
hieroglyphics - “gun fever
hypnotic brass ensemble - “fly” [feat. aquilla sadallah]
jagwar ma - “come save me
jamie lidell - “what a shame
janelle monáe - “q.u.e.e.n.” [feat. erykah badu]
jay-z - “somewhere in america
justin timberlake - “mirrors
kanye west - “black skinhead
karl hector & the malcouns - “can't stand the pressure
kid cudi - “solo dolo part 2” [feat. kendrick lamar]
la femme - “la femme ressort
la yegros - “trocitos de madera
laura mvula - “green garden
le1f - “spa day
lily allen - “hard out here
mayra andrade - “rosa
m.i.a. - “bad girls
mala rodriguez - “cuando tu me apagas
matias aguayo - “el camarón
mayer hawthorne - “robot love
mazzy star - “sparrow
moby - “the perfect life” [feat. wayne coyne]
monsieur doumani - “young upwardly-mobile professional” [feat. maroulla constantinou]
nick cave & the bad seeds - “we know who u r
nightmares on wax - “be, i do
owiny sigoma band - “harpoon land
rjd2 - “temperamental” [feat. phonte coleman]
robin thicke - “blurred lines” [feat. t.i. & pharrell]
shantel - “golden” [feat. cherilyn macneil]
snoop lion - “tired of running” [feat. akon]
stromae - “tous les mêmes
the cactus channel - “wooden boy (part 1)
the liberators - “power struggle
the lions - “padre ichiro” [feat. malik moore]
the strokes - “one way trigger
toro y moi - “high living
valerie june - “wanna be on your mind
vampire weekend - “ya hey
winston mcanuff & fixi - “if you look
zaz - “cette journée