mais um ano cheio de muita música
boa, mais um ano repleto de excelentes artistas iniciantes e veteranos a toda
velocidade. a tradicional retrospectiva musical aqui do esforçado começa este ano
com os melhores discos gringos e não tive escolha a não ser mais uma vez
bastante inclusivo e fechei a lista com 90 álbuns [e poderia ter mais].
pra facilitar o texto – e
entender melhor o que mais gostei da produção deste ano – acabei dividindo
esses 90 discos em quatro blocos [rap, instrumentais, pop-rock-soul-eletrônico
e mundão]. e vou começar com o rap, o gênero que vem trazendo cada vez mais
coisas novas e instigantes para nossos ouvidos e cabeças. pouco mais de um
terço da lista é do rap, com direito a to
pimp a butterfly, de kendrick lamar, disparado um dos melhores, mais fortes
e complexos discos do ano, e ainda o poderoso white men are black men too [young fathers], if you’re reading this it’s too late [drake, cada vez mais afiado]
e a surpresa de summertime '06
[vince staples]. mas ainda teve o retorno do dr. dre, os incansáveis ghostface
killah, snoop dogg e public enemy, a originalidade inglesa de roots manuva e
ghostpoet e o poder das minas erykah badu e georgia anne muldrow. seguem então
meus destaques do rap gringo [majoritariamente norte-americano, obviamente], em
ordem alfabética...

kendrick lamar, young fathers, drake e vince staples
drake - if you’re reading this it’s too late
sons of kemet e kamasi washington
então chega a hora dos sons
instrumentais e o mundo se abre com os colombianos do romperayo [que tem gente
do projeto ondatrópica e do meridian brothers], o finlandês jimi tenor, o
francês pascal comelade, os canadenses da souljazz orchestra, e tem jazz
[joshua redman acompanhado do the bad plus], rock [ratatat], interpretações de
john zorn [forró in the dark], mas meus destaques pessoais, o que mais bateu
aqui, foram os impressionantes lest we
forget what we came here to do [dos ingleses sons of kemet] e the epic [ousado & duplo disco de
estreia do saxofonista kamasi washington que, não coincidentemente, também toca
no disco de kendrick lamar].
blur, panda bear, son little e ibeyi
o outro terço dessa lista é
composto por um grande bloco reunindo pop, rock, soul, eletrônica e dub/reggae.
tem novos trabalhos de pratas da casa como björk, beirut, cee lo green, dj
vadim, madonna, major lazer, mark ronson, prince, sharon jones & the
dap-kings, shawn lee, the arcs [grupo novo de uma das metades do black keys],
the lions, the skints e toro y moi. e não tenho como não falar da boa surpresa
que foi miley cyrus e seu disco lisérgico produzido pelo flaming lips.
mas desse bloco os destaques
pessoais, álbuns que me acompanharam muitas vezes durante o ano, foram the magic whip [blur], disco lindo lindo
que é muito mais cheios de camadas que grande parte da produção contemporânea
pop/rock, e as psicodelias eletrônicas de panda
bear meets the grim reaper [panda bear ou noah lennox, uma das cabeças do
animal collective]. sem falar nas belezuras ouvidas nas estreias da irmãs ibeyi e de son little. que discos, que discos.
prince - hitnrun phase one
petite noir, dengue fever, bomba estéreo e dexter story
mesmo com a vasta internet, o
mundo anglocêntrico ainda permanece muito mais familiar a todos nós. mas basta
ficar atento que esse mundão tem muita coisa pra mostrar, ainda mais em termos
de música. aqui nessa lista tem colômbia [bomba estéreo], venezuela [los crema
paraiso], peru [kanaku y el tigre], argentina [nicola cruz], síria [omar
souleyman], congo [mbongwana star], mali [songhoy blues], gana [pat thomas], nigéria/alemanha
[nneka], quênia/inglaterra [owiny sigoma band], cambodja/estados unidos [dengue
fever], estados unidos/etiópia [dexter story], índia, Inglaterra/israel [o
encontro de shye ben tzur, jonny greenwood – do radiohead – e o grupo rajasthan
express] e áfrica do sul [nozinja, petite noir e fantasma, grupo liderado por
spoek mathambo].
mas de todos esses álbuns, os
meus destaques vão para o belo e sensacional la vie est belle [petite noir] com sua mistura irrotulável de pop, eletrônica
e experimentalismos regionais; pro climão ethiojazz de wondem [dexter story]; pra alegria dançante de amanecer [bomba estéreo]; e pra maviosa surf music cambodjana de the deepest lake [dengue fever].
shye ben tzur, jonny greenwood and the rajasthan express - junun
e nos próximos dias, as listas
de melhores músicas gringas, discos e músicas nacionais. tem coisa boa pra
dedéu.