segunda-feira, 8 de maio de 2017

lincoln, o release

dando sequência à recente buena onda de frilas-release - já rolaram aqui héloa e zé ed -, agora é a vez de lincoln. baiano, brasiliense e paulistano de muitos talentos, lincoln acabou de lançar seu disco de estreia solo. não sabia nada sobre ele, seu som, nada nada, e foi uma bela surpresa encontrar um trabalho tão coeso, bem escrito e bem produzido [e acompanhado de músicos experientes como guilherme held e fábio sá]. com vocês, o release, o clipe de "fica a dica" e a íntegra do disco malvado canto.



Entre idas e vidas, Lincoln foi e é um tanto de várias coisas. Artista plástico, compositor, web-designer, músico, designer de produtos e cantor, além de baiano de nascimento, brasiliense, paulistano e até com uma passagem pelos Estados Unidos para estudos. Mas ele sempre quis, acima de tudo, mostrar sua música, mesmo quando se escondia [ou se procurava] em experimentações pessoais. Agora, aos 35 anos, o artista sai das sombras com seu primeiro disco solo, o belo Malvado Canto.

Só que antes de falar do disco se faz necessário um rápido flashback. Dois anos atrás, após uma combinação explosiva de crise de identidade e desilusão amorosa, Lincoln sentiu necessidade de um aconselhamento espiritual. Foi então que ouviu que precisava mostrar o que estava escondido, precisava cantar. 

A partir daí, como num passe mágico, caminhos se abriram, encontros se multiplicaram, todas as letras do futuro disco nasceram em apenas uma hora e as músicas foram compostas em duas semanas em parceria com Nei Zigma, que acabou assinando Malvado Canto como produtor musical. E o disco se fez, foi feito: conciso em suas 10 faixas, rebuscado em sua afetividade e pop na vontade de se comunicar. Então, solte o som & o canto, Lincoln.



“Fica a dica”, a música que abre o disco, é um rock confessional com metais abolerados e versos cortantes como “Se ele soubesse mirar no espelho / Veria mais fácil o outro sem medo”. Já “Um a um” é balada mansa de coração à mostra, daquela que traz lembranças de amores encontrados e perdidos. Mas esse tom conciliatório muda em “Escorpiônico”, uma canção de sentimentos à flor da pele no qual Lincoln grita, entre dentes, que um ex-amor “se satisfez matando um tanto de outra pessoa”. Tem raiva, frustração e desencantamento nessa música que, não coincidentemente, traz os versos que dão o nome ao disco Malvado Canto.

Só que Lincoln sabe que [o fim de] uma história de amor tem mais de uma versão, muito mais que uma leitura, e em “Silêncio e melancolia” ele dá um passo atrás e assume suas próprias responsabilidades. E é com alegria, musical inclusive, que faz isso. É tempo de reconciliação, ou pelo menos de tentativa, e surge então “O fardo do amor”, um belo pós-fado de alguém que só quer carinho. Daí que certas coisas quebradas não tem conserto, não tem cola que dê jeito, e Lincoln entende que “Já é tarde”, uma canção dolorosamente pé no chão.

Enquanto o disco se aproxima do fim, o artista, compositor e cantor olha para frente, buscando entender seus próprios desejos, medos e dúvidas. Entre efeitos e pedais, a guitarra de Guilherme Held ajuda muito a transformar em realidade as tantas emoções diferentes que saem do malvado canto de Lincoln [mas Lincoln, Zigma e Held não estão sozinhos nessa empreitada e é sempre importante citar músicos que colaboram decisivamente nos arranjos finais, tais como Fabio Sá e José Aurélio, além das participações de Marcelo Sanches, Gustavo Da Lua e Natan Oliveira].



“Frieza”, “Padrão”, “Trato de dono” e “Deita em mim”, as últimas faixas do disco, completam o arco narrativo proposto, mesmo que não todo conscientemente, por Malvado Canto. E assim Lincoln oferece sua primeira e bela contribuição solo para uma das mais fortes tradições da música popular brasileira, a saga dos afetos. Não é pouco e é só o começo.

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