domingo, 31 de maio de 2015

plataforma brasileira de política de drogas

aconteceu nesta semana, no salão nobre do largo são francisco em são paulo, o lançamento da plataforma brasileira de política de drogas, mais um importante passo na luta contra o estúpido proibicionismo que vem, entre outros danos, matando e encarcerando a juventude pobre e negra do brasil, dos estados unidos e de tantos outros países. esse é um tema muito caro a mim e fui acompanhar o lançamento por também ter amigos envolvidos - um salve aí pro bróder maurício fiore. foi uma noite com vários discursos fortes, urgentes, necessários, mas o de abertura, proferido pelo advogado cristiano maronna, secretário executivo da plataforma, resume muito bem toda violência ignorante do proibicionismo e a necessidade urgente por mais reflexões, alternativas e liberdades. saca só.


"É com muito orgulho que lançamos nossa Plataforma Brasileira de Política de Drogas. E não haveria lugar mais apropriado para isso do que a quase bicentenária Faculdade de Direito do Largo São Francisco, alma mater das liberdades, morada da amizade e da alegria.

São diversos os caminhos que nos trouxeram a este momento histórico. Muitos caminhamos juntos há tempos. Com outros, ainda estamos acertando o passo para seguirmos juntos ao mesmo destino. E ainda queremos encontrar outros para fortalecer nossa caminhada, porque temos certeza de que já não é possível ignorar a situação trágica que vivemos. Todos. Os que usam e também os que não usam drogas.

Somos moradores e moradoras de favelas e das periferias que convivem com a morte de familiares e amigos em uma guerra cujo sentido não se pode compreender. Somos médicos e médicas que querem tratar pacientes com o remédio adequado para suas enfermidades. Somos militantes de movimentos sociais na luta contra o genocídio da juventude, principalmente da juventude negra, nas cidades brasileiras. Somos cientistas cujas pesquisas com substâncias ilegais estão interditadas pela guerra ás drogas e que percebem que os males causados pela proibição são muito maiores do que aqueles que as drogas podem causar. Somos usuários e usuárias de drogas ilícitas que não aceitam a tutela autoritária e hipócrita do estado sobre corpos e mentes, que não aceitam a exposição a um mercado clandestino de drogas sem nenhum controle sanitário, que não aceitam os abusos policiais. Somos profissionais de saúde e ativistas antimanicomiais que percebem que os usuários problemáticos de drogas são alvo de tratamentos desumanos e cruéis, centrados no encarceramento e no interesse mercantil. Somos cientistas sociais que identificam na guerra às drogas uma guerra contra os mais pobres e os grupos historicamente discriminados. Somos os growers que rompem os vínculos com o crime organizado por intermédio do autocultivo e que sofrem implacável perseguição por parte dos agentes da repressão estatal. Somos os negros e negras que moram nas periferias e que ao serem flagrados com drogas são enquadrados como traficantes, a despeito da pequena quantidade da substância apreendida. Somos as mulheres que carregam drogas em seus corpos nas visitas a parentes e amigos presos e que acabam presas também. Somos aqueles chamados de “zumbis” nos lugares degradados das cidades, cujas vidas de sofrimento e privação são esquecidas para que simplisticamente nos vejam como vítimas de uma substância. Enfim, somos todos os cidadãos e cidadãs que sofrem com o crime e com a corrupção e que vêem policiais matarem e morrerem sem alterar em nada o mercado de drogas ilícitas.

Queremos conviver pacificamente com substâncias capazes de alterar a consciência ordinária. Queremos um cenário de regulação responsável para as substâncias capazes de causar prejuízo à saúde. Queremos informações verdadeiras e cientificamente embasadas, aptas a educar a população respeito do consumo de drogas. Queremos que o usuário de drogas seja visto não como um doente, mas como um sujeito de direitos.

Uma política de drogas deve garantir e promover direitos, não excluí-los. Por isso combatemos a massificação da internação forçada para usuários problemáticos e repudiamos o repasse de recursos públicos a comunidades terapêuticas e religiosas. Basta de uma política de drogas bipolar, que demoniza uma substância com comprovadas propriedades terapêuticas, como a cannabis, e negligencia os danos causados pelas bebidas alcoólicas, cuja propaganda é, ainda hoje e inacreditavelmente, permitida, estimulando o consumo desta substância extremamente perigosa e que pode inclusive levar à morte por overdose.

A Plataforma Brasileira de Política de Drogas surge como construção essencialmente coletiva em função desta realidade que precisa ser transformada. Temos a missão de fortalecer todos os atores que se percebem afetados pela política de drogas atual e que lutam por mudanças. Resultado de uma articulação que vem sendo feita nos últimos anos, reunimos organizações de todo o país e que atuam em diferentes áreas, saúde, justiça, direitos humanos, redução de danos, combate ao racismo, ao machismo, à homofobia. Ajudamos a organizar o Congresso Internacional de Drogas, em 2013 e percebemos a importância de articular uma ação conjunta  que potencialize a atuação de nossos membros. Percebemos também que o Brasil precisa ser parte do movimento global de questionamento do paradigma proibicionista e da insana guerra às drogas e que temos uma chance importante na reunião exclusiva da Assembleia da ONU sobre o tema que acontecerá no ano que vem, a UNGASS 2016. Contamos, para isso, com a parceria de membros da Plataforma, como a Conectas, a Reduc, a ABGLT e o Instituto Igarapé. Também fazem parte da Plataforma: Centro de Referência Sobre Drogas e Vulnerabilidades Associadas (CRR/FCE/UNB); Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC); Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos (ABESUP); Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT); Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos Sobre Drogas (ABRAMD); Associação Brasileira de Redução de Danos (ABORDA); Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME); Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO); Associação Juízes para a Democracia (AJD); Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES); Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID-UNIFESP); Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESEC) da Universidade Cândido Mendes; Conectas Direitos Humanos; Centro de Direitos Humanos e Educação Popular (CDHEP); Growroom; Grupo de Pesquisas em Política de Drogas e Direitos Humanos da UFRJ; Grupo de Trabalho do Programa Álcool, Crack e Outras Drogas da Fundação Oswaldo Cruz; Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM); Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD); Instituto Igarapé; Instituto Sou da Paz; Rede Pense Livre; Laboratório de Estudos Interdisciplinares Sobre Psicoativos da Unicamp (LEIPSI); Núcleo de Estudos Interdisciplinares Sobre Psicoativos (NEIP); Observatório Baiano Sobre Substâncias Psicoativas (CETAD); Plantando Consciência; Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (PROAD-UNIFESP); Rede Brasileira de Redução de Danos e Direitos Humanos (REDUC); Rede Cidade Fala; Rede Latinoamericana de Pessoas que Usam Drogas (LANPUD). Fazem parte do Conselho Consultivo da Plataforma: Antonio Lancetti; Antonio Nery; Aldo Zaiden; Beatriz Vargas; Bia Labate; Dartiu Xavier da Silveira; Denis Russo Burgierman; Edward Macrae; Elisaldo Carlini; Henrique Carneiro; Ilona Szabó; José Henrique Torres; Julita Lemgruber; Luciana Boiteux; Luiz Eduardo Soares; Maurides Ribeiro; Maria Rita Kehl; Paulo Amarante; Salo de Carvalho; Sidarta Ribeiro; Sueli Carneiro; Sérgio Salomão Shecaira.

E hoje temos também o lançamento em São Paulo da campanha “Daproibição nasce o tráfico”, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Cândido Mendes, sob a liderança de Julita Lemgruber. A campanha, realizada por meio de cartuns dos mais importantes cartunistas brasileiros, chama à atenção para a irracionalidade da guerra às drogas. No Rio de Janeiro, os cartuns foram exibidos nos ônibus por aproximadamente um mês. Em São Paulo, os ônibus começaram a circular com os cartuns no dia de ontem, mas hoje Julita recebeu uma ligação da empresa que comercializa propaganda em ônibus intermunicipais, informando que os cartuns serão retirados dos ônibus porque fazem apologia às drogas. Parece piada, mas não é. É censura gerada pela ignorância que se alimenta da intolerância proibicionista. Alguém já disse que no Brasil o realismo fantástico não pegou porque a realidade faz concorrência desleal.


Outro exemplo clássico: em São Paulo, a Marcha da Maconha, realizada todos os anos em mais de quinhentas cidades ao redor do globo, foi sistematicamente proibida, mercê de decisões judiciais proferidas pelo Tribunal de Justiça, sempre em atendimento a pedidos formulados pelo Ministério Público, sob o pífio argumento de que postular a reforma da política de drogas se confunde com a apologia ao crime e o estímulo ao consumo de drogas. Foi necessário que a Suprema Corte se manifestasse para dizer o óbvio: liberdade de manifestação inclui o direito de pedir mudanças na lei de drogas.


Por aí se percebe a dificuldade de debater política de drogas em bases racionais, dada a tradição autoritária da nossa sociedade e o fundamentalismo que permeia o paradigma proibicionista.  


Estamos todas e todos aqui reunidos, membros e parceiros da Plataforma, porque cada um de nós, em algum momento, individualmente ou em nome das organizações-membro, decidimos assumir a responsabilidade pelos diversos problemas que a guerra às drogas causa à nossa sociedade.

É com o peso dessa responsabilidade e com a pressa para salvar cada uma dessas vidas que iniciamos os trabalhos da Plataforma. E, por isso, nos dispomos a dialogar com os diversos meios de comunicação para ajudar a qualificar o debate e a informar sobre os reais danos causados pelas drogas e pela política de drogas. Vamos impulsionar e articular pesquisadores para que tenhamos mais conhecimento sobre o tema. Vamos aos gabinetes de parlamentares, autoridades e suas assessorias apresentar dados e argumentos que embasem propostas de mudança na política de drogas do Brasil. Vamos dialogar com diversos movimentos sociais e organizações políticas para fortalecer nossa capacidade de mudança. Temos um compromisso com o resultado da nossa ação política, pois ela deve ser capaz de responder aos problemas identificados. Ao mesmo tempo, temos a responsabilidade de potencializar ações já iniciadas pelas organizações que compõem a Plataforma, identificando oportunidades de parcerias e apoios. A dificuldade da tarefa não nos desanima, antes o contrário: estamos mais motivados do que nunca, porque sabemos que estamos combatendo o bom combate. O tabu moral que tornou possível o surgimento da proibição tem a ver com uma mentalidade medievalesca, a qual, em pleno século XXI, não tem mais lugar. Passou da hora de varrer a proibição para o limbo da história.

Precisamos botar um fim nessa guerra. Há um antigo brocardo latino que diz:  si vis paccem, parabellum, que significa “se queres a paz, prepara-te para a guerra”. É tempo de subverter essa lógica: não queremos mais guerra, queremos paz. A paz que existia na relação ancestral entre seres humanos e substâncias psicoativas e que foi rompida há aproximadamente cem anos deve ser restaurada. Basta! Não se constrói paz com guerra. A paz armada é apenas uma contradictio in adjecto. Paz significa ausência de guerra. Paz significa respeito a estilos de vida contramajoritários. Paz significa diversidade. Paz significa mais tolerância e menos ordem. É isso que nós queremos."   

p.s. 1: agradeço ao guilherme werneck, coordenador de comunicação da plataforma, por ter me enviado o discurso de maronna.

p.s. 2: aqui tem a cobertura fotográfica do evento.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

diz aí letterman o que cê vai fazer

ontem foi ao ar o último dos 6028 programas – em 33 anos – apresentados por david letterman. é, sem sombra de dúvida, o fim de uma era, mas certeza que ele nunca aceitaria uma afirmação tão categórica e muito menos o fato de que é uma das figuras mais influentes da cultura popular mundial do final do século 20, mais até que o comediante mentor de sua geração, johnny carson.

e não é por [falsa] humildade ou discrição. é que tudo parece natural na sua ocasional rabugice, no humor auto depreciativo, na absoluta gratuidade nonsense de alguns quadros ou intervenções, no interesse genuíno por boas e engraçadas histórias de outras pessoas, na aversão pelo show business, etc. tudo isso era e continua moderno mesmo que já tenha sido assimilado por gerações mais novas.

não lembro quando comecei a acompanhar letterman. deve ter sido em algum lugar do final dos anos 1990. mas imediatamente me identifiquei com seu tipo de entrevistas, mais pra conversas sobre assuntos aparentemente triviais [e que mudaram de estilo, ficaram mais leves, após a cirurgia cardíaca no início dos anos 2000], e com seu humor ácido.

seu último top 10 – uma das marcas mais duradouras do programa e que começou em 1985 com “top 10 things that almost rhyme with peas” – é um belo resumo das melhores qualidades de letterman, de seus roteiristas e do programa [que será comandado, a partir de setembro, pelo genial stephen colbert, uma das melhores substituições da história da tv]. com vocês, dez coisas que que sempre quis falar pro dave que, no caso, são alec baldwin, barbara walters, steve martin, jerry seinfeld, jim carrey, cris rock, julia louis dreyfuss, peyton manning, tina fey e bill murray.


mas o último programa começou assim, cheio de moral, com a presença de três ex-presidentes americanos [bush pai, clinton e bush filho] e obama.


no canal do late show no youtube tem um monte de coisas recentes e do passado. vale muito a pena passar horas e horas nele e se divertir com excelentes e/ou históricos números musicais [aqui o rap], algumas pegadinhas sensacionais, coisas sendo arremessadas do alto do prédio do ed sullivan theatre e top 10 maravilhosos como esse estrelado por barry white.  


torço muito para que letterman não se aposente totalmente e que ainda apronte coisas simples e geniais como seinfeld tem feito com a série comedians in cars getting coffee [foi demais o encontro deles, aqui]. seu humor e sua inteligência são necessários demais, ainda mais neste ano que jon stewart também deixará o daily show. de qualquer forma, muito muito obrigado, dave. 


quarta-feira, 1 de abril de 2015

todos os clipes de stromae [e mais um show]

conheci a música do belga stromae em 2010 num coffeshop em amsterdã [história aqui] e adorei de cara seu rap-pop-eurodance-electro-etc. cinco anos e dois discos depois a admiração e o interesse por seu trabalho só aumentaram. ele, que já é artista grande na europa continental, agora está começando uma invasão aos estados unidos e foram shows recentes lá [south by southwest] e aqui [back 2 black] que reativaram minha memória afetiva. ah, teve também o lançamento de um novo clipe, o sensacionalíssimo "carmen", e por isso que resolvi fazer um apanhado de todos os seus clipes alto nível. saca só...

do primeiro disco [cheese, 2010] nasceram "alors on danse", "te quiero", "je cours" e "peace or violence".









do segundo disco [racine carrée, 2013] vieram "papaoutai", "formidable", "tout les mêmes", "ta fête" [que foi hino da seleção belga na copa de 2014], "ave cesaria" e "carmen" [que é uma animação de sylvain chomet, de as bicicletas de belleville]. 













atualização em 14.09.15 - saiu o sétimo clipe do segundo disco de stromae. agora é a vez da balada dramática "quando c'est" que ganhou um clipe tão bonito quanto sombrio.



atualização em 14.12.15 - stromae disponibilizou, na íntegra e em alta definição, um show que fez em montreal da sua turnê mais recente [no repertório, os dois discos]. é o mesmo show que saiu em dvd e blu-ray. que puta espetáculo foda, uma luz absurda de bonita e ágil, e um grande roteiro. sem falar que o sujeito é incansável e altamente cênico. dica: coloque em tela cheia e preste atenção do início ao fim [quase duras horas], pois vale muito a pena. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

tu és muito mais bonita

um ano atrás, o(a) usuário(a) sobriquetism comentou em uma página do youtube que traz uma das versões de 'a jardineira'. queria saber se o soldado brasileiro que ensinou a marchinha para sua vó, em 1945, ainda estava vivo. dizia ainda que a vó sabia de cor a música até hoje. gravada originalmente por orlando silva em 1938 e um dos maiores sucesso do carnaval de 1939, 'a jardineira' é composição de humberto porto e benedito lacerda. 

bem, ninguém respondeu por lá e ele(a) acabou compartilhando sua dúvida no google plus. daí que não demorou muito e apareceu anderson monteiro com uma história interessantíssima sobre a marchinha e os pracinhas brasileiros. mas sobriquetism, que imaginei ser italiano(a) pois o brasil lutou apenas na itália, só viu isso em dezembro. no entanto, trouxe novas informações sobre os brasileiros - eram dois, não um. anderson pesquisou, etc.

enfim, sem querer adiantar mais nada, vejam aí os prints de uma bela-curiosa-divertida história de carnaval, brasil e itália de anos passados.




segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

60 músicas gringas de 2014 [e algo mais]

chegando ao fim da retrospectiva musical deste louco ano de copa e eleições. já passaram por aqui músicas e discos brasileiros, e discos gringos. agora é a vez das músicas gringas em uma lista maior [são 60 e com mais um chorinho massa].

2014 foi o ano de mais uma ótima música pop & fenômeno cultural, “happy” do pharrell williams, que na verdade saiu no final de 2013 como parte da trilha sonora da animação meu malvado favorito 2, mas que estourou esse ano e foi lançada em seu segundo disco solo. 2014 também foi o ano de novos ótimos trabalhos [e, consequentemente, músicas] de veteranos como leonard cohen, snoop dogg, de la soul, neneh cherry, tony allen, wu-tang clam e prince.

no entanto, como tem sido quase uma regra inconsciente de todas as listas que faço desde 2009, grande parte das músicas é de artistas estreantes ou com menos de dez anos de carreira. outra quase regra é a variedade de lugares, pois tem gente de burkina faso [joey le soldat], togo/frança [vaudou game], colômbia [meridian brothers], escócia/libéria/nigéria [young fathers], nigéria [tony allen], austrália [chet faker], canadá [leonard cohen, alejandra ribera e the souljazz orchestra], sudão/inglaterra [sinkane], frança [sebastien tellier e guts], suécia/inglaterra [fatima], inglaterra [sbtrkt, wiley e lily allen], suécia [lykke li], egito [maryam saleh], frança/cuba [ibeyi], portugal [capicua], chile [ana tijoux], holanda [jungle by night], palestina [adnan joubran] e áfrica do sul [nozinja]. então, sem mais delongas, e em ordem alfabética...


“a tale of 2 citiez”, j. cole
“ailleurs”, ben l'oncle soul – só achei essa versão ao vivo
“almost like the blues”, leonard cohen
“as the world turns”, guts [com rah digga & akua naru]
“burkin bâ”, joey le soldat – clipe
“close your eyes (and count to fuck)”, run the jewels [com zack de la rocha]
“confessions”, badbadnotgood [com leland whitty]
“cool story bro”, people under the stairs
“dangerous bees”, vaudou game
“day one”, bambu
“de mi caballo, como su carne”, meridian brothers
“disco/very”, warpaint – clipe
“do girls”, theophilus london
“fever”, the black keys
“flute”, buckshot & p-money [com joey bada$$ & cj fly of pro era]
“funk’n’roll”, prince
“g’ shit”, t.i. [com young jeezy & watchtheduck]
“get a grip”, snoop dogg & tha dogg pound gang
“get up”, young fathers – clipe
“get urs”, zion I [com mr. lif, kev choise, deuce eclipse, opio & sadat x] – clipe
“go back”, tony allen [com damon albarn] – clipe
“gold”, chet faker – clipe
“hang ten”, hail mary mallon
“happy idiot”, tv on the radio – clipe
“happy”, pharrell williams – clipe
“hold your applause”, reks – clipe
“how we be”, sinkane – clipe
“idle delilah”, azealia banks
“kingdom come”, the souljazz orchestra
“l'adulte”, sebastien tellier – clipe
“la neta”, fatima – clipe
“manchild”, tune-yards
“naughty by nature”, kool a.d. – clipe
“new dorp. new york”, sbtrkt [com ezra koenig]
“next time”, curtis harding
“no me sigas”, alejandra ribera – só achei essa versão ao vivo
“no rest for the wicked”, lykke li – clipe
“nouh al hamam”, maryam saleh
“o’ shut up”, de la soul
“out of the black”, neneh cherry [com robyn] – clipe
“rapid eye movement”, pharoahe monch [com black thought]
“river”, ibeyi – clipe
“ron o’neal”, wu-tang clam
“sanctified”, rick ross [com kanye west & big sean] – ao vivo
“sheezus”, lily allen – clipe
“skyfall”, travis scott [com young thug]
“soldadinho”, capicua [com gisela joão]
“somos todos erroristas”, ana tijoux
“step 21”, wiley
“still shinin’ part 2”, big baby gandhi
“tasmatica”, jungle by night – só achei essa versão ao vivo
“that bat black licorice”, jack white
“that moment when”, adnan joubran
“throw it down”, dominique young unique – clipe
“tsekeleke”, nozinja – clipe
“un poquito mas”, captain planet [com chico mann]
“wade in the water”, homeboy sandman
“we ain’t gonna die today”, atmosphere – clipe
“when the people cheer”, the roots [com greg porn] – clipe

acabei separando parte dessas 60 músicas e fiz uma playlist com 25 das que mais ouvi esse ano. saca só.


tá pouco de música, né? então seguem mais 50, todas bacanas, divertidas ou instigantes; e todas com pegada e, claro, lançadas este ano.

“a brain in a bottle”, thom yorke – clipe
“all alone”, n.o.r.e.
“artificial sweeteners”, fujiya & miyagi
“ass drop”, wiz khalifa
“ba$$in”, yelle
“black woman”, seun kuti & egypt 80
“blessed”, sizzla
“boom ka boom”, dub colossus [com the dub disciples] – clipe
“bulletproof resume”, blueprint [com illogic]
“by hook or by crook”, ikebe shakedown
“come on to me”, major lazer [com sean paul] – clipe
“confidence”, matisyahu [com collie buddz]
“crop circles”, frikstailers – clipe
“digital witness”, st. vincent – clipe
“don't leave me this way”, lee fields – ao vivo
“dusty signal”, al’tarba – clipe
“everyday robots”, damon albarn – clipe
“gangsta”, schoolboy q
“george clooney”, transit
“great things”, nehruviandoom
“herder can dance”, red snapper
“hot”, cunninlynguists [com celph titled & apathy]
“hot love”, we are shining – clipe
“i'm alive”, naomi wachira – ao vivo
“killing me”, little dragon – ao vivo
“kingdom”, common [com vince staples] – clipe
“los angeles international”, king fantastic
“love don’t live here no more”, ghostface killah [com kandace springs] – clipe
“love thy neighbour”, orlando julius & the heliocentrics
“motion sickness”, shabazz palaces – clipe
“navigator”, the asteroids galaxy tour
“nebulous”, the underachievers – clipe
“numbers”, fka twigs
“pobre e rico”, batida [com matadidi mario] – clipe
“postman”, hollie cook
“powerful”, goapele
“retro”, childish gambino
“road to hana”, rafter
“sapiosexual”, ab-soul`
“sonny's boogaloo”, sonny knight & the lakers
“success”, blitz the ambassador – clipe
“super critical”, the ting tings
“the g.o.d. father of soul part 3”, amerigo gazaway – mashup
“the release”, dubmatix
“thuggin’”, freddie gibbs & madlib
“u can’t touch this”, wayne krantz
“what it’s worth”, black milk – clipe
“whoa whoa whoa”, watsky – clipe
“woohoo”, eli paperboy reed – clipe
“you’ll be lonely”, sharon jones & the dap kings – ao vivo

ah, tem mais essas seis músicas que ouvi bastante durante o ano [algumas continuo ouvindo] e que não consegui achar streaming em lugar nenhum, fato surpreendente nesses tempos de site internet.

“ashes to ashes”, shawn lee [com andrew “the undertaker” cooper]
“collision”, novox
“karadeniz”, karl hector & the malcouns
“the castle”, woima collective
“tu es beau”, deladap
“uranian willy [part 2]”, dub spencer & trance hill [com william s. burroughs]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

50 discos gringos de 2014 [e algo mais]

já rolaram as listas de músicas e discos brasileiros do ano e agora, com alguma demora, segue a de discos gringos. são 50 também e, como sempre, a variedade é grande. tem umas moça daora na lista. veteranas como sharon jones, que acompanhada de sua banda fiel the dap-kings, lançou um disco com altos níveis de balanço e sentimento [give people what they want], e neneh cherry que, sob produção do four tet, retornou solo com blank project, ótimo disco, ao mesmo tempo pop, eletrônico e experimental. e tem novinhas como azealia banks, rapper veloz, elétrica e cheia de saber o que quer, e seu ótimo broke with expensive taste. ainda no rap, vieram ainda excelentes discos novos da chilena ana tijoux [vengo] e da portuguesa capicua [sereia louca], que seguem ampliando o vocabulário do rap, tanto pela língua que versam quanto pelo jeito de ver e pensar sobre as coisas do mundo.

tem instrumentais bacaníssimos. mais jazzísticos como o da molecada do badbadnotgood [III] e o novo encontro do trio medeski, martin & wood com o guitarrista john scofield [juice] ou de sonoridades africanas de várias partes do mundo como a dos holandeses do jungle by night [the hunt], dos alemães do karl hector & the malcouns [unstraight ahead] e do woima collective [frou frou rokko], dos americanos  da budos band [burnt offering], dos ingleses do red snapper [hyena] e do heliocentrics [que acompanham o mestre nigeriano orlando julius no excelente jaiyede afro].

funk afrobeat do togo. não tem como dar errado.

falando em áfrica, o continente que é início, meio e fim do melhor da música mundial, temos na lista também o rapper ganês blitz the ambassador [afropolitan dreams], o sudanês-anglo americano sinkane [e seu belo disco mean love], o blues rock tuareg malinês do tinariwen [emmaar], o gênio nigeriano, e baterista fundamental da banda de fela kuti, tony allen [film of life] e um dos filhos do fela, sean kuti [a long way to the beginning]. outro som da pesada veio da big band congolesa kasai allstars e a mistura de experimentalismos e tradições do disco beware of fetish. fechando o continente, o grupo vaudou game, formado na frança e liderado pelo togonês peter solo, e o sensacional disco apiafo, certamente um dos que mais ouvi esse ano.

capa de ... and then you shoot your cousin. 
the roots sempre fino. certeza de sons fora de série.

como disse na lista brasileira, o rap tá cada vez mais presente nas minhas audições e é porque é o gênero mais inquieto musicalmente e o mais radicalmente ligado à realidade. já apareceram aqui ana tijoux, capicua e blitz the ambassador, mas o grande manancial continua sendo os estados unidos. tem azealia banks, já mencionada, mas também a ótima dupla atmosphere [que acertaram mais uma vez grandão em southsiders], a dobradinha freddie gibbs & madlib [piñata], o malucão, e um dos integrantes do das racist, kool a.d. [word ok], o supergrupo the roots [...and then you shoot your cousin], os sempre poderosos wu-tang clam [a better tomorrow], o veterano snoop dogg, que não para de produzir e está cada vez melhor [that's my work 5 é seu novo trabalho com tha dogg pound gang], o jovem j. cole [e o surpreendente 2014 forest hills drive], o projeto hail mary mallon, que tem aesop rock como integrante [o sensacional beastiary é o segundo disco deles], a homenagem do produtor shawn lee ao hip hop [golden age against the machine], as rimas muito políticas de bambu [party worker] e, correndo por fora, o ótimo reks [eyes watching god]. enquanto isso, lá do velho mundo, vieram o produtor francês guts [hip hop after all] e o trio escocês-africano young fathers [dead].

leonard cohen. MESTRE.

alguns medalhões também apareceram muito bem em 2014. destaque para o grande leonard cohen e seu lindão popular problems, prince e o balanço de art oficial age, lee ‘scratch’ perry e a renovada magia do dub em back on the controls, o soul que não envelhece de lee fields em emma jean, beck e seu delicado morning phase. um semi medalhão é damon albarn que finalmente, após tantos projetos excelentes pós-blur, assinou pela primeira vez um disco com seu próprio nome [o resultado foi o bonito everyday robots]. 

capa linda de salvadora robot, trabalho mais recente 
dos colombianos do meridian brothers

pra finalizar esses longos [porém breves] comentários sobre os 50 discos escolhidos pela gerência, uma miscelânea de gêneros e lugares. tem a cumbia digital, fascinante e perturbadora, dos colombianos do meridian brothers [salvadora robot], o soul francês, jovem e elegante, de ben l'oncle soul [a coup de reves], o folk eletrônico do australiano chet faker [built on glass], a bossa pop francesa de sébastien tellier [l'aventura], o pop assumido e muito bem feito de pharrell williams [g i r l], o funk global, mas principalmente latino, do produtor norte-americano captain planet [esperanto slang], e uma jovem revelação do soul, o americano curtis harding [soul power]. sem falar em bandas de rock bem estabelecidas e que mantiveram o alto nível, mesmo que o tv on the radio tenha se saído melhor com seeds que o the black keys com turn blue. opa, opa, já ia esquecendo: o retorno triunfal do soulman e ex sex-symbol problemático d’angelo e seu altamente politizado black messiah. é muita coisa boa, minha gente. segue então a lista em ordem alfabética e com links para encontrar os discos.

ana tijoux - vengo
atmosphere - southsiders
azealia banks - broke with expensive taste
bambu - party worker
beck - morning phase
ben l'oncle soul - a coup de reves
blitz the ambassador - afropolitan dreams
capicua - sereia louca
captain planet - esperanto slang
chet faker - built on glass
curtis harding - soul power
d’angelo & the vanguard - black messiah
damon albarn - everyday robots
guts - hip hop after all
hail mary mallon - beastiary
j. cole - 2014 forest hills drive
jungle by night - the hunt
karl hector & the malcouns - unstraight ahead
kasai allstars - beware of fetish 
kool a.d. - word ok
lee ‘scratch’ perry - back on the controls
leonard cohen - popular problems
meridian brothers - salvadora robot
neneh cherry - blank project
pharrell williams - g i r l
prince - art official age
red snapper - hyena
reks - eyes watching god
sébastien tellier - l'aventura
seun kuti & egypt 80 - a long way to the beginning
sharon jones & the dap-kings - give people what they want
shawn lee - golden age against the machine
sinkane - mean love
the black keys - turn blue
the budos band - burnt offering
the roots - ...and then you shoot your cousin
tinariwen - emmaar
tony allen - film of life
vaudou game - apiafo
woima collective - frou frou rokko
wu-tang clam - a better tomorrow

e quer saber de uma coisa?! tome mais 45! mas agora vão sem links porque daí acaba o ano e eu não publico esse lance, desculpaê rsrs [nossa, ainda falta a lista de músicas gringas! xô correr].

afro latin vintage orchestra - pulsion
big baby gandhi - nhjic
black milk - if there's hell below
blueprint - respect the architect
brian eno & karl hyde - someday world
de la soul - smell the da.i.s.y.
dub colossus - addis to omega
fantasma - eye of the sun EP
fatima - yellow memories
flying lotus - you're dead!
frikstailers - crop circles EP
fujiya and miyagi - artificial sweeteners
ghostface killah - 36 seasons
ginger baker - why
hollie cook - twice
homeboy sandman - hallways
ikebe shakedown - stone by stone
jack white - lazaretto
khun narin - khun narin's electric phin band
king fantastic - the great man theory
le1f - hey
lily allen - sheezus
little dragon - nabuma rubberband
lykke li - i never learn
matisyahu - akeda
melvin van peebles & the heliocentrics - the last transmission
naomi wachira - naomi wachira
people under the stairs - 12 step program
pharoah & the underground - spiral mercury
pharoahe monch - ptsd [post traumatic stress disorder]
rafter - it's reggae
rick ross - mastermind 
run the jewels - run the jewels 2
sbtrkt - wonder where we land
schoolboy q - oxymoron
shabazz palaces - lese majesty
st. vincent - st. vincent
the bad plus - the rite of spring
the cambodian space project - whisky cambodia
the skints - short change EP
the souljazz orchestra - inner fire
thom yorke - tomorrow's modern boxes
tune-yards - nikki nack
we are shining - kara
wiz khalifa - 28 grams

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

pelas marginais os pretos agem como reis

doze anos separam o atual cores e valores do anterior disco de inéditas do racionais mcs, nada como um dia após o outro dia. o que era caudaloso e prolixo no início dos anos 2000, tornou-se sintético, curto e direto nos impressionantes 32 minutos de duração neste trabalho de agora. densos e afiados eles permanecem.

fui ao show de lançamento, neste sábado 20 de dezembro, do cores e valores no grande, feio e com som péssimo espaço das américas. e foi bem interessante ver e ouvir pela primeira vez esses tempos e músicas diferentes do racionais em uma mesma noite. 


mas antes, um flashback rápido... quando li o texto do andré caramante, o primeiro a sair com mais informações sobre o novo disco, pouco antes de seu lançamento oficial em 25 de novembro, bateu uma frustração. pouco mais de meia hora? faixas de dois minutos ou menos? tanto tempo pra tão pouco? e músicas sensacionais como “mulher elétrica” não ganharão registro oficial?

então, na madrugada deste 25 de novembro, enquanto os estados unidos ferviam em chamas por mais um policial branco sendo inocentado pelo assassinato de um negro [sim, ferguson], veio cores e valores. uma, duas audições depois, a frustração virou euforia [quer dizer, ainda sobrou um pouco de frustração, pois quero mais racionais, mais e mais, e não só eu; por sorte teve disco solo do edi rock no ano passado e ano que vem tem solo de mano brown e outro com ice blue e helião; os caras estão produzindo bastante].

euforia porque é um disco poderoso - mesmo que não tenha canções épicas como “negro drama”, “vida loka”, “homem na estrada” e “capítulo 4, versículo 3”- e acredito que vai melhorar com o tempo. principalmente se for o primeiro capítulo de uma série, ou uma nova fase, como disse mano brown em entrevista a rolling stone [“o álbum não acaba ali. ele só pavimenta o caminho para uma nova estrada”]. é também uma mistura veloz de memórias [de mano brown e edi rock, basicamente], ficções [o lado gangsta dos ladrões de banco da capa/contracapa do disco] e crônicas das mudanças sociais e desigualdades permanentes na periferia paulistana da última década.


então, quase um mês após o lançamento, cores e valores chegou pela primeira vez ao palco. apesar do, repito, som péssimo [acústica idem] do espaço das américas, que prejudicou alguns momentos do show [não dava pra entender algumas partes de edi rock], taí um disco que faz muito mais sentido ao vivo, principalmente pela força cênica do racionais.  estavam lá uma fachada de caixa forte de banco como cenário principal, com direito a torres de vigilância e kl jay e outros dois djs [cia e ajamu] no alto da muralha, motos atravessando o palco, uma caçamba, helião, lino crizz, b-boys mascarados e mano brown, ice blue e edi rock, ríspidos e atentos, sempre com muito o que dizer.

toda a primeira parte do show foi de cores e valores - mas acho que não na ordem do disco - e ao vivo as rimas ganham sempre novas camadas. porque racionais mcs é muita informação reunida, muitas imagens criadas, muitos corações machucados por metro quadrado, e os 32 minutos desse disco costuram isso tudo em um roteiro intricado e moderno. ao vivo ganha suor e dramaticidade.


parte considerável do público - estimativa de umas 7 mil pessoas - já sabia algumas letras de cor: “preto zica”, “finado neguim” [tem vídeo logo abaixo], “você me deve” e “quanto vale o show?”, pelo que me lembro. primeira parte foi intensa com aquele ar de expectativa por testemunhar a primeira apresentação de um trabalho novo de um dos maiores grupos da história musical brasileira.

a segunda parte foi de relaxamento, pois vieram os hits e o bicho pegou de vez. “negro drama”, “homem na estrada”, “eu sou 157” e “vida loka [partes 1 e 2]”, por exemplo, colocam todas e todos para cantar junto, alto, e gesticular muito. gente de tudo que é tipo, certamente o público mais variado que vi nos últimos anos em são paulo. claro que tinha quem estava lá pela “balada” ou que se preocupava mais em filmar e se filmar do que assistir ao show, mas no geral rolou uma entrega coletiva.

e olha que, como quase sempre, eles não facilitaram: o show, que foi precedido por pequenas apresentações do obstinados [grupo da zona sul e não de osasco como escrevi antes; valeu cleiton magnum, nos comentários], dexter e negra li, só foi começar depois de 1 da manhã e acabou lá pelas 3, sem mais ônibus, metrô ou trem. também não teve discurso, nada de mano brown, e tirando ice blue que se jogou pra galera no final, não houveram afagos para o público. não importa. eles são como aqueles mestres orientais, rigorosos e poéticos, e podem muito bem dar uma cajadada em nossas cabeças porque certamente sabem de algo que a gente nem desconfia [e talvez nem eles saibam conscientemente]. somos o que somos.


p.s.: ano passado vi racionais na virada cultural e escrevi um texto sobre o classicão sobrevivendo no inferno para o livro indiscotíveis [lote 42], que foi lançado este ano, que acabou com show do disco novo cores e valores e marcou os 25 anos de carreira do grupo. tá pouco de racionais, manda mais.

sábado, 13 de dezembro de 2014

disney batido no açaí

tão mas tão divertido esse curta ‘encantada do brega’, que nada mais é que uma fábula escrachada e musical ambientada no infinito mundo das quebradas e aparelhagens de belém. a princesa é batedora de açaí, o príncipe é dj e por aí vai. e ainda tem participações de keila gentil e will love, da gang do eletro, gaby amarantos e paulo colucci [a aleijada hipócrita da saga de leona vingativa, igualmente paraense e debochada – leona, aliás, aparece rapidamente ao lado de gaby]. vários momentos impagáveis de zuera tipicamente paraense; escolha o seu preferido.


o curta tem página no facebook. curte lá pra saber mais.

atualização: pouco mais de um dia depois que postei o curta, o pessoal da produção disponibilizou a trilha para streaming e download. saca só.