um ano atrás, o(a) usuário(a) sobriquetism comentou em uma página do youtube que traz uma das versões de 'a jardineira'. queria saber se o soldado brasileiro que ensinou a marchinha para sua vó, em 1945, ainda estava vivo. dizia ainda que a vó sabia de cor a música até hoje. gravada originalmente por orlando silva em 1938 e um dos maiores sucesso do carnaval de 1939, 'a jardineira' é composição de humberto porto e benedito lacerda.
bem, ninguém respondeu por lá e ele(a) acabou compartilhando sua dúvida no google plus. daí que não demorou muito e apareceu anderson monteiro com uma história interessantíssima sobre a marchinha e os pracinhas brasileiros. mas sobriquetism, que imaginei ser italiano(a) pois o brasil lutou apenas na itália, só viu isso em dezembro. no entanto, trouxe novas informações sobre os brasileiros - eram dois, não um. anderson pesquisou, etc.
enfim, sem querer adiantar mais nada, vejam aí os prints de uma bela-curiosa-divertida história de carnaval, brasil e itália de anos passados.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
60 músicas gringas de 2014 [e algo mais]
chegando ao fim da retrospectiva musical deste louco ano de
copa e eleições. já passaram por aqui músicas
e discos
brasileiros, e discos
gringos. agora é a vez das músicas gringas em uma lista maior [são 60 e com
mais um chorinho massa].
2014 foi o ano de mais uma ótima música pop & fenômeno
cultural, “happy” do pharrell williams, que na verdade saiu no final de 2013
como parte da trilha sonora da animação meu
malvado favorito 2, mas que estourou esse ano e foi lançada em seu segundo
disco solo. 2014 também foi o ano de novos ótimos trabalhos [e,
consequentemente, músicas] de veteranos como leonard cohen, snoop dogg, de la
soul, neneh cherry, tony allen, wu-tang clam e prince.
no entanto, como tem sido quase uma regra inconsciente de
todas as listas que faço desde 2009, grande parte das músicas é de artistas
estreantes ou com menos de dez anos de carreira. outra quase regra é a
variedade de lugares, pois tem gente de burkina faso [joey le soldat],
togo/frança [vaudou game], colômbia [meridian brothers],
escócia/libéria/nigéria [young fathers], nigéria [tony allen], austrália [chet
faker], canadá [leonard cohen, alejandra ribera e the souljazz orchestra],
sudão/inglaterra [sinkane], frança [sebastien tellier e guts],
suécia/inglaterra [fatima], inglaterra [sbtrkt, wiley e lily allen], suécia [lykke
li], egito [maryam saleh], frança/cuba [ibeyi], portugal [capicua], chile [ana
tijoux], holanda [jungle by night], palestina [adnan joubran] e áfrica do sul [nozinja].
então, sem mais delongas, e em ordem alfabética...
“ailleurs”, ben l'oncle soul – só achei essa versão ao vivo
“almost like the blues”, leonard cohen
“as the world turns”, guts [com rah digga & akua naru]
“burkin bâ”, joey le soldat – clipe
“close your eyes (and count to fuck)”, run the jewels [com zack de la rocha]
“confessions”,
badbadnotgood [com leland whitty]
“cool story bro”,
people under the stairs
“dangerous bees”,
vaudou game
“day one”,
bambu
“de mi caballo, como
su carne”, meridian brothers
“disco/very”,
warpaint – clipe
“do girls”,
theophilus london
“fever”, the
black keys
“flute”,
buckshot & p-money [com joey bada$$ & cj fly of pro era]
“funk’n’roll”, prince
“g’ shit”,
t.i. [com young jeezy & watchtheduck]
“get a grip”,
snoop dogg & tha dogg pound gang
“get up”,
young fathers – clipe
“get urs”,
zion I [com mr. lif, kev choise, deuce eclipse, opio & sadat x] – clipe
“go back”,
tony allen [com damon albarn] – clipe
“gold”, chet
faker – clipe
“hang ten”,
hail mary mallon
“happy idiot”,
tv on the radio – clipe
“happy”,
pharrell williams – clipe
“hold your applause”, reks – clipe
“how we be”,
sinkane – clipe
“idle delilah”,
azealia banks
“kingdom come”,
the souljazz orchestra
“l'adulte”, sebastien tellier – clipe
“la neta”,
fatima – clipe
“manchild”, tune-yards
“naughty by nature”, kool a.d. – clipe
“new dorp. new york”, sbtrkt [com ezra koenig]
“next time”, curtis harding
“no me sigas”,
alejandra ribera – só achei essa versão
ao vivo
“no rest for the wicked”, lykke li – clipe
“nouh al hamam”, maryam saleh
“o’ shut up”,
de la soul
“out of the black”, neneh cherry [com robyn] –
clipe
“rapid eye movement”, pharoahe monch [com black thought]
“river”,
ibeyi – clipe
“ron o’neal”, wu-tang clam
“sanctified”,
rick ross [com kanye west & big sean] –
ao vivo
“sheezus”, lily allen – clipe
“skyfall”, travis scott [com young thug]
“soldadinho”,
capicua [com gisela joão]
“somos todos
erroristas”, ana tijoux
“step 21”, wiley
“still shinin’ part 2”, big baby gandhi
“tasmatica”, jungle by night – só achei essa versão ao vivo
“that bat black licorice”, jack white
“that moment when”, adnan joubran
“throw it down”,
dominique young unique – clipe
“too bad I have to destroy you”, kid cudi
“tsekeleke”,
nozinja – clipe
“un poquito mas”,
captain planet [com chico mann]
“wade in the water”, homeboy sandman
“we ain’t gonna die today”, atmosphere – clipe
“when the people cheer”, the roots [com greg porn] –
clipe
acabei separando parte dessas 60 músicas e fiz uma playlist
com 25 das que mais ouvi esse ano. saca só.
tá pouco de música, né? então seguem mais 50, todas bacanas,
divertidas ou instigantes; e todas com pegada e, claro, lançadas este ano.
“a brain in a bottle”, thom yorke – clipe
“all alone”,
n.o.r.e.
“artificial sweeteners”, fujiya & miyagi
“ass drop”,
wiz khalifa
“ba$$in”, yelle
“black woman”,
seun kuti & egypt 80
“blessed”,
sizzla
“boom ka boom”,
dub colossus [com the dub disciples] –
clipe
“bulletproof resume”, blueprint [com illogic]
“by hook or by crook”, ikebe shakedown
“come on to me”,
major lazer [com sean paul] – clipe
“confidence”,
matisyahu [com collie buddz]
“crop circles”,
frikstailers – clipe
“digital witness”, st. vincent – clipe
“don't leave me this way”, lee fields – ao vivo
“dusty signal”, al’tarba – clipe
“everyday robots”, damon albarn – clipe
“gangsta”,
schoolboy q
“george clooney”, transit
“great things”,
nehruviandoom
“herder can dance”, red snapper
“hot”, cunninlynguists
[com celph titled & apathy]
“hot love”, we are shining – clipe
“i'm alive”,
naomi wachira – ao vivo
“killing me”,
little dragon – ao vivo
“kingdom”, common [com vince staples] – clipe
“los angeles international”, king fantastic
“love don’t live here no more”, ghostface
killah [com kandace springs] – clipe
“love thy neighbour”, orlando julius & the heliocentrics
“motion sickness”, shabazz palaces – clipe
“navigator”,
the asteroids galaxy tour
“nebulous”,
the underachievers – clipe
“numbers”, fka
twigs
“pobre e rico”, batida [com matadidi mario] – clipe
“postman”,
hollie cook
“powerful”,
goapele
“retro”,
childish gambino
“road to hana”, rafter
“sapiosexual”, ab-soul`
“sonny's boogaloo”, sonny knight & the lakers
“success”,
blitz the ambassador – clipe
“super critical”,
the ting tings
“the g.o.d. father of soul part 3”, amerigo gazaway – mashup
“the release”, dubmatix
“thuggin’”, freddie gibbs &
madlib
“u
can’t touch this”, wayne krantz
“what it’s worth”, black milk – clipe
“whoa whoa whoa”, watsky – clipe
“woohoo”, eli paperboy reed – clipe
“you’ll be lonely”, sharon jones & the dap kings –
ao vivo
ah, tem mais essas seis músicas que ouvi bastante durante o
ano [algumas continuo ouvindo] e que não consegui achar streaming em lugar
nenhum, fato surpreendente nesses tempos de site internet.
“ashes to
ashes”, shawn lee [com andrew “the undertaker” cooper]
“collision”,
novox
“karadeniz”,
karl hector & the malcouns
“the castle”,
woima collective
“tu es
beau”, deladap
“uranian
willy [part 2]”, dub spencer & trance
hill [com william s. burroughs]
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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
50 discos gringos de 2014 [e algo mais]
já rolaram as listas de músicas
e discos
brasileiros do ano e agora, com alguma demora, segue a de discos gringos. são
50 também e, como sempre, a variedade é grande. tem umas moça daora na lista.
veteranas como sharon jones, que acompanhada de sua banda fiel the dap-kings, lançou
um disco com altos níveis de balanço e sentimento [give people what they want], e neneh cherry que, sob produção do
four tet, retornou solo com blank
project, ótimo disco, ao mesmo tempo pop, eletrônico e experimental. e tem novinhas
como azealia banks, rapper veloz, elétrica e cheia de saber o que quer, e seu
ótimo broke with expensive taste. ainda no rap, vieram ainda excelentes
discos novos da chilena ana tijoux [vengo]
e da portuguesa capicua [sereia louca],
que seguem ampliando o vocabulário do rap, tanto pela língua que versam quanto
pelo jeito de ver e pensar sobre as coisas do mundo.
tem instrumentais bacaníssimos. mais jazzísticos como o da
molecada do badbadnotgood [III] e o
novo encontro do trio medeski, martin & wood com o guitarrista john
scofield [juice] ou de sonoridades africanas
de várias partes do mundo como a dos holandeses do jungle by night [the hunt], dos alemães do karl hector
& the malcouns [unstraight ahead]
e do woima collective [frou frou rokko],
dos americanos da budos band [burnt offering], dos ingleses do red
snapper [hyena] e do heliocentrics
[que acompanham o mestre nigeriano orlando julius no excelente jaiyede afro].
funk afrobeat do togo. não tem como dar errado.
falando em áfrica, o continente que é início, meio e fim do
melhor da música mundial, temos na lista também o rapper ganês blitz the
ambassador [afropolitan dreams], o
sudanês-anglo americano sinkane [e seu belo disco mean love], o blues rock tuareg malinês do tinariwen [emmaar], o gênio nigeriano, e baterista
fundamental da banda de fela kuti, tony allen [film of life] e um dos filhos do fela, sean kuti [a long way to the beginning]. outro som
da pesada veio da big band congolesa kasai allstars e a mistura de
experimentalismos e tradições do disco beware
of fetish. fechando o continente, o grupo vaudou game, formado na frança e
liderado pelo togonês peter solo, e o sensacional disco apiafo, certamente um dos que mais ouvi esse ano.
capa de ... and then you shoot your cousin.
the roots sempre fino. certeza de sons fora de série.
como disse na lista brasileira, o rap tá cada vez mais
presente nas minhas audições e é porque é o gênero mais inquieto musicalmente e
o mais radicalmente ligado à realidade. já apareceram aqui ana tijoux, capicua
e blitz the ambassador, mas o grande manancial continua sendo os estados
unidos. tem azealia banks, já mencionada, mas também a ótima dupla atmosphere [que
acertaram mais uma vez grandão em southsiders], a
dobradinha freddie gibbs & madlib [piñata],
o malucão, e um dos integrantes do das racist, kool a.d. [word ok], o supergrupo the roots [...and then you shoot your cousin], os sempre poderosos wu-tang clam [a better tomorrow], o veterano snoop dogg, que não
para de produzir e está cada vez melhor [that's
my work 5 é seu novo trabalho com tha dogg pound gang], o jovem j. cole [e
o surpreendente 2014 forest hills drive],
o projeto hail mary mallon, que tem aesop rock como integrante [o sensacional beastiary é o segundo disco deles], a
homenagem do produtor shawn lee ao hip hop [golden age against the machine], as rimas muito políticas de bambu
[party worker] e, correndo por fora,
o ótimo reks [eyes watching god].
enquanto isso, lá do velho mundo, vieram o produtor francês guts [hip hop after all] e o trio
escocês-africano young fathers [dead].
leonard cohen. MESTRE.
alguns medalhões também apareceram muito bem em 2014.
destaque para o grande leonard cohen e seu lindão popular problems, prince e o balanço de art oficial age, lee ‘scratch’ perry e a renovada magia do dub em back on the controls, o soul que não
envelhece de lee fields em emma jean,
beck e seu delicado morning phase.
um semi medalhão é damon albarn que finalmente, após tantos projetos excelentes
pós-blur, assinou pela primeira vez um disco com seu próprio nome [o resultado
foi o bonito everyday robots].
capa linda de salvadora robot, trabalho mais recente
dos colombianos do meridian brothers
pra finalizar esses longos [porém breves] comentários sobre
os 50 discos escolhidos pela gerência, uma miscelânea de gêneros e lugares. tem
a cumbia digital, fascinante e perturbadora, dos colombianos do meridian
brothers [salvadora robot], o soul
francês, jovem e elegante, de ben l'oncle soul [a coup de reves], o folk eletrônico do australiano chet faker [built on glass], a bossa pop francesa
de sébastien tellier [l'aventura], o
pop assumido e muito bem feito de pharrell williams [g i r l], o funk global, mas principalmente latino, do produtor
norte-americano captain planet [esperanto
slang], e uma jovem revelação do soul, o americano curtis harding [soul power]. sem falar em bandas de
rock bem estabelecidas e que mantiveram o alto nível, mesmo que o tv on the
radio tenha se saído melhor com seeds
que o the black keys com turn blue.
opa, opa, já ia esquecendo: o retorno triunfal do soulman e ex sex-symbol
problemático d’angelo e seu altamente politizado black messiah. é muita coisa boa, minha gente. segue então a lista
em ordem alfabética e com links para encontrar os discos.
ana tijoux - vengo
atmosphere - southsiders
azealia banks - broke with expensive taste
badbadnotgood - III
bambu - party worker
beck -
morning phase
ben l'oncle soul - a coup de reves
blitz the ambassador - afropolitan dreams
capicua - sereia louca
captain
planet - esperanto slang
chet faker - built on glass
curtis
harding - soul power
d’angelo & the vanguard - black messiah
damon albarn - everyday robots
freddie gibbs & madlib - piñata
guts
- hip hop after all
hail mary mallon - beastiary
j. cole - 2014 forest hills drive
jungle by night - the hunt
karl
hector & the malcouns - unstraight
ahead
kasai
allstars - beware of fetish
kool a.d. - word ok
lee
fields & the expressions - emma
jean
lee
‘scratch’ perry - back on the
controls
leonard cohen - popular problems
medeski scofield martin & wood - juice
meridian
brothers - salvadora robot
neneh cherry - blank project
orlando julius & the
heliocentrics - jaiyede afro
pharrell williams - g i r l
prince - art official age
red snapper - hyena
reks
- eyes watching god
sébastien tellier - l'aventura
seun kuti & egypt 80 - a long way to the beginning
sharon jones & the
dap-kings - give people what they
want
shawn lee - golden age against the machine
sinkane - mean
love
snoop dogg & tha dogg pound gang - that's my work 5
the black keys - turn blue
the budos band - burnt offering
the roots - ...and then you shoot your cousin
theophilus london - vibes
tinariwen - emmaar
tony allen - film of life
tv on the radio - seeds
vaudou game - apiafo
young fathers
- dead
e quer saber de uma coisa?! tome mais 45! mas agora vão sem
links porque daí acaba o ano e eu não publico esse lance, desculpaê rsrs [nossa, ainda
falta a lista de músicas gringas! xô correr].
afro latin
vintage orchestra - pulsion
big baby
gandhi - nhjic
black milk
- if there's hell below
blueprint -
respect the architect
brian eno &
karl hyde - someday world
de la soul
- smell the da.i.s.y.
dub
colossus - addis to omega
fantasma - eye of the sun EP
fatima - yellow memories
flying
lotus - you're dead!
frikstailers
- crop circles EP
fujiya and
miyagi - artificial sweeteners
ghostface
killah - 36 seasons
ginger
baker - why
hollie cook
- twice
homeboy
sandman - hallways
ikebe
shakedown - stone by stone
jack white
- lazaretto
khun narin
- khun narin's electric phin band
king
fantastic - the great man theory
le1f - hey
lily allen
- sheezus
little
dragon - nabuma rubberband
lykke li - i never learn
matisyahu -
akeda
melvin van
peebles & the heliocentrics - the
last transmission
naomi
wachira - naomi wachira
people under
the stairs - 12 step program
pharoah
& the underground - spiral mercury
pharoahe
monch - ptsd [post traumatic stress
disorder]
rafter - it's reggae
rick ross -
mastermind
run the
jewels - run the jewels 2
sbtrkt - wonder where we land
schoolboy q
- oxymoron
shabazz
palaces - lese majesty
st. vincent
- st. vincent
the bad
plus - the rite of spring
the
cambodian space project - whisky
cambodia
the skints
- short change EP
the souljazz orchestra - inner fire
thom yorke - tomorrow's modern boxes
thom yorke - tomorrow's modern boxes
tune-yards
- nikki nack
we are
shining - kara
wiz khalifa
- 28 grams
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
pelas marginais os pretos agem como reis
doze anos separam o atual cores e valores do anterior disco de inéditas do racionais mcs, nada como um dia após o outro dia. o
que era caudaloso e prolixo no início dos anos 2000, tornou-se sintético, curto
e direto nos impressionantes 32 minutos de duração neste trabalho de agora. densos
e afiados eles permanecem.
fui ao show de lançamento, neste sábado 20 de dezembro, do cores e valores no grande, feio e com
som péssimo espaço das américas. e foi bem interessante ver e ouvir pela
primeira vez esses tempos e músicas diferentes do racionais em uma mesma noite.
mas antes, um flashback rápido... quando li o texto do andré
caramante, o primeiro a sair com mais informações sobre o novo disco, pouco
antes de seu lançamento oficial em 25 de novembro, bateu uma frustração. pouco
mais de meia hora? faixas de dois minutos ou menos? tanto tempo pra tão pouco?
e músicas sensacionais como “mulher elétrica” não ganharão registro oficial?
então, na madrugada deste 25 de novembro, enquanto os
estados unidos ferviam em chamas por mais um policial branco sendo inocentado pelo
assassinato de um negro [sim, ferguson],
veio cores e valores. uma, duas
audições depois, a frustração virou euforia [quer dizer, ainda sobrou um pouco
de frustração, pois quero mais racionais, mais e mais, e não só eu; por sorte
teve disco solo do edi rock no ano passado e ano que vem tem solo de mano brown
e outro com ice blue e helião; os caras estão produzindo bastante].
euforia porque é um disco
poderoso - mesmo que não tenha canções épicas como “negro drama”, “vida
loka”, “homem na estrada” e “capítulo 4, versículo 3”- e acredito que vai
melhorar com o tempo. principalmente se for o primeiro capítulo de uma série, ou
uma nova fase, como disse mano brown em entrevista a rolling stone [“o
álbum não acaba ali. ele só pavimenta o caminho para uma nova estrada”]. é também
uma mistura veloz de memórias [de mano brown e edi rock, basicamente], ficções [o
lado gangsta dos ladrões de banco da capa/contracapa do disco] e crônicas das mudanças
sociais e desigualdades permanentes na periferia paulistana da última década.
então, quase um mês após o lançamento, cores e valores chegou pela primeira vez ao palco. apesar do, repito, som
péssimo [acústica idem] do espaço das américas, que prejudicou alguns momentos do
show [não dava pra entender algumas partes de edi rock], taí um disco que faz
muito mais sentido ao vivo, principalmente pela força cênica do racionais. estavam lá uma fachada de caixa forte de banco
como cenário principal, com direito a torres de vigilância e kl jay e outros
dois djs [cia e ajamu] no alto da muralha, motos atravessando o palco, uma
caçamba, helião, lino crizz, b-boys mascarados e mano brown, ice blue e edi
rock, ríspidos e atentos, sempre com muito o que dizer.
toda a primeira parte do show foi de cores e valores - mas acho que não na ordem do disco - e ao vivo as
rimas ganham sempre novas camadas. porque racionais mcs é muita informação reunida,
muitas imagens criadas, muitos corações machucados por metro quadrado, e os 32
minutos desse disco costuram isso tudo em um roteiro intricado e moderno. ao
vivo ganha suor e dramaticidade.
parte considerável do público - estimativa de umas 7 mil
pessoas - já sabia algumas letras de cor: “preto zica”, “finado neguim” [tem
vídeo logo abaixo], “você me deve” e “quanto vale o show?”, pelo que me lembro.
primeira parte foi intensa com aquele ar de expectativa por testemunhar a
primeira apresentação de um trabalho novo de um dos maiores grupos da história
musical brasileira.
a segunda parte foi de relaxamento, pois vieram os hits e o
bicho pegou de vez. “negro drama”, “homem na estrada”, “eu sou 157” e “vida
loka [partes 1 e 2]”, por exemplo, colocam todas e todos para cantar junto, alto,
e gesticular muito. gente de tudo que é tipo, certamente o público mais variado
que vi nos últimos anos em são paulo. claro que tinha quem estava lá pela “balada”
ou que se preocupava mais em filmar e se filmar do que assistir ao show, mas no
geral rolou uma entrega coletiva.
e olha que, como quase sempre, eles não facilitaram: o show,
que foi precedido por pequenas apresentações do obstinados [grupo da zona sul e não de osasco como escrevi antes; valeu cleiton magnum, nos comentários], dexter e negra li, só foi
começar depois de 1 da manhã e acabou lá pelas 3, sem mais ônibus, metrô ou
trem. também não teve discurso, nada de mano brown, e tirando ice blue que se
jogou pra galera no final, não houveram afagos para o público. não importa. eles
são como aqueles mestres orientais, rigorosos e poéticos, e podem muito bem dar
uma cajadada em nossas cabeças porque certamente sabem de algo que a gente nem
desconfia [e talvez nem eles saibam conscientemente]. somos o que somos.
p.s.: ano passado vi racionais na virada
cultural e escrevi um texto sobre o classicão sobrevivendo no inferno para o livro indiscotíveis [lote 42], que foi
lançado este ano, que acabou com show do disco novo cores e valores e marcou os 25 anos de carreira do grupo. tá pouco
de racionais, manda mais.
sábado, 13 de dezembro de 2014
disney batido no açaí
tão mas tão divertido esse curta ‘encantada do brega’, que
nada mais é que uma fábula escrachada e musical ambientada no infinito mundo
das quebradas e aparelhagens de belém. a princesa é batedora de açaí, o príncipe é dj e por aí vai. e ainda tem participações de keila
gentil e will love, da gang do eletro, gaby amarantos e paulo colucci [a
aleijada hipócrita da saga de leona
vingativa, igualmente paraense e debochada – leona, aliás, aparece
rapidamente ao lado de gaby]. vários momentos impagáveis de zuera tipicamente
paraense; escolha o seu preferido.
o curta tem página no facebook. curte lá pra saber mais.
atualização: pouco mais de um dia depois que postei o curta, o pessoal da produção disponibilizou a trilha para streaming e download. saca só.
atualização: pouco mais de um dia depois que postei o curta, o pessoal da produção disponibilizou a trilha para streaming e download. saca só.
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
50 discos brasileiros de 2014 [e mais 25]
estamos aí no segundo capítulo da retrospectiva musical
deste ano. já publiquei aqui a lista com 50
músicas brasileiras e agora é a vez dos discos. são 50 com uma lista bônus de
outros 25. coisa pra diabo, eu sei, mas é só um pedacinho dos sons que chegaram
a mim. dessa ruma alguns merecem destaque, pois me pegaram mais de um jeito ou
outro. é mais ou menos assim...
pedra de sal - EP
que é o primeiro de uma trilogia -
chegou agora no final e me derrubou rapidamente. é trabalho de várias belezas e
muitas inquietações, alguma dramáticas, e mais um encontro forte de pernambuco
[alessandra leão e rodrigo caçapa] e são paulo [kiko dinucci e guilherme
kastrup]. e alessandra detona muito [“pedra de sal”, porra, o que é “pedra de
sal”?!]. já o que vim fazer aqui é
disco novo da alzira, o que me ganha de cara porque ela é uma das minhas
cantoras/intérpretes/autoras preferidas de todos os tempos. daí que nesse disco
ela canta só itamar assumpção, algumas inéditas, e com uma banda ótima. não é
só impossível dar errado como ainda por cima dá muito certo. falando em itamar,
o segundo disco de sua filha anelis assumpção, anelis e os amigos imaginários, é diversão do começo ao fim, é
adulto e pop, é urbano e leve. anelis tá fazendo um carreira muito massa.
convoque seu buda,
o disco de criolo após nó na orelha,
corria muitos riscos comparativos e saiu-se muito bem. não tem o ineditismo da
reinvenção do rapper e do encontro com Daniel ganjaman, mas tem alguns novos
caminhos próprios e justas coerências, além de várias grandes canções. ainda na
seara do rap, cruz do elo da
corrente é mais uma prova da maturidade do gênero. ousado musicalmente,
brasileiro e paulistano na medula, extremamente bem produzido, cruz é uma bela duma pancada. igualmente
impactante, goma-laca é o disco do
projeto de biancamaria binazzi e ronaldo evangelista com músicas
afro-brasileiras gravadas entre as décadas de 1920 e 1950 e rearranjadas por
letieres leite. e tudo fica ainda melhor com a escolha acertadíssima dos(as)
intérpretes que, não coincidentemente, estão nessa lista também com seus
excelentes trabalhos solo [juçara marçal, russo passapusso e lucas santtana – e
tem ainda karina buhr, mas que não lançou disco novo esse ano].
chegamos então a juçara marçal e seu encarnado. uma das mais discretas e poderosas cantoras brasileiras,
juçara fez de sua estreia solo um aperfeiçoamento natural do trabalho quem tem
feito no metá metá: tradições afro-brasileiras sendo rasgadas por guitarras, por
uma interpretação segura e pelo presente musical brasileiro. disco
impressionante de uma artista idem. coisa
boa é também a estreia solo oficial de moreno veloso, após a trilogia que
fez com os amigos domenico e kassin, e é seu trabalho mais doce, mais bonito.
já o novo nação zumbi pode não ter a
pancadaria de outrora, mas os pernambucanos seguem criando músicas ótimas,
honrando e muito as duas décadas do mangue beat/bit.
e o racionais mcs? após mais de uma década sem um cd de
inéditas, o quarteto lançou cores e
valores, um disco-conceito lotado de referências e histórias, um tantinho
frustrante pela curta duração, mas as vozes e posturas dos caras continua muito
impressionante. com 25 anos de estrada, o racionais é, sem sombra de dúvida,
uma das coisas mais importantes da história da música popular brasileira.
finalizando os destaques, dois baianos. russo passapusso,
vocalista do baiana system, lançou seu primeiro solo, o lindo paraíso da miragem, que tem reggae, ragga,
balanço e muito o que falar e mostrar. o veterano na inquietude tom zé veio com
vira lata na via láctea, seu melhor
disco em tempos, principalmente porque seus arranjos diferentes, formações
instrumentais variadas , e muitas participações interessantes [de criolo a
filarmônica de pasárgada, de milton nascimento a kiko dinucci, de caetano
veloso a o terno]. e, claro, um leque e tanto de ótimas músicas.
peraí, peraí... últimos destaques. juro! como disse na lista de músicas, continua rolando muito rap bom pra cacete. racionais, criolo e elo da corrente não me deixam mentir. mas vale ressaltar que tem ainda, nessa lista de 50, amiri, rincon sapiência, lurdez da luz, haikaiss e zulumbi aqui de são paulo, o pessoal do r93 de volta redonda e os gaúchos tuty e orquestra celestial do livre arbítrio.
bom também quando somos pegos no contrapé. foi muito bom ser surpreendido pelos excelentes discos de adriano cintra [animal], alice caymmi [rainha dos raios], celso sim [tremor essencial], ian ramil [ian] e márcia castro [das coisas que surgem], além da descoberta do niteroiense salgueirinho e seu animalia, um disco eletrônico-instrumental bacaníssimo.
segue então, finalmente, a lista com 50 discos brasileiros deste ano segundo o gosto da casa, tudo devidamente linkado para ouví-los na íntegra [e ocasionalmente baixá-los]:
adriano cintra - animal
alessandra leão - pedra de sal EP
alice caymmi - rainha dos raios
alzira e - o que vim fazer aqui
amiri - antes, depois
anelis assumpção - anelis e os amigos imaginários
banda do mar - banda do mar
barbara eugênia & chankas - aurora
celso sim - tremor essencial
china - telemática
criolo - convoque
seu buda
elo da corrente - cruz
estrelinski e os paulera - leminskanções
fábio
trummer - trummer super sub america
filarmônica de pasárgada - rádio
lixão
fino coletivo - massagueira
gilberto gil - gilbertos samba
gustavo galo - asa
haikaiss - fotografia de um instante
ian ramil - ian
isaar - todo calor
juçara marçal - encarnado
lucas santtana - sobre noites e dias
lurdez da luz - gana pelo bang
m.takara - puro osso
márcia castro - das coisas que surgem
maurício pereira - pra onde eu que tava indo
mombojó - alexandre
moreno veloso - coisa
boa
nação zumbi - nação zumbi
nina becker - minha dolores
o terno - o terno
orquestra celestial do livre arbítrio - o.c.l.a.
r93 - confronto de rua EP
racionais mcs - cores e valores
rincon sapiência - sp gueto br EP
romulo fróes - barulho feio
rubinho jacobina - andando no ar
russo passapusso - paraíso
da miragem
sacassaia - boca da terra
salgueirinho - animalia
saulo duarte e a unidade - quente
silva - vista pro mar
superlage - superlage
tatá aeroplano - na loucura e na lucidez
thiago pethit - rock’n’roll sugar darling
tom zé - vira lata na via láctea
zulumbi - zulumbi
a banda dos corações partidos - a banda dos corações partidos
a fase rosa - leveza
abud - são paulo jazz impressões
afroelectro - mocambo EP
bface - suite para corações urbanos
ceumar - silencia
galego - transeatlântico
giancarlo rufatto - cancioneiro
graveola - dois e meio
holger - holger
inquérito - corpo e alma
jaloo - insight EP
judas - nonada
lamber vision - lamber vision
léo cavalcanti - despertador
naná rizinni - lá na naná
nego e - autorretrato
os the darma lóvers - espaço
pipo pegoraro - mergulhar mergulhei
rashid & kamau - seis sons EP
strobo - mamãe quero ser pop
tássia reis - tássia reis EP
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