nunca vi um verão assim, tão quente, seco e cheio de hits. geralmente rola uma ou duas músicas de muito sucesso na temporada que antecede e incorpora o carnaval, mas este verão tem nada menos que quatro hits. o pontapé inicial foi dado ainda em dezembro com dois que se logo se transformaram em expressão popular [nada mais óbvio, afinal nasceram dela].
tudo começou com "deu onda" de mc g15. nascido gabriel paixão soares em duque de caxias, baixada fluminense, o garoto de 19 anos mudou-se em 2015 para são paulo. ele sabia que, por essas voltas que o mundo dá, são paulo tinha se tornado a capital do funk carioca desde sua mutação no final dos anos 2000, na baixada santista, em funk ostentação. o ostentação não aguentou o tranco da crise econômica e já não iria durar muito justamente por ser tão repetitivo em letras que não passavam de uma longa lista de marcas, e então o funk paulista se multiplicou em outros subgêneros. mc g15 foi atrás de um desses, o funk ousadia, que não passa da velha sacanagem brasileira, dos duplos sentidos com sexo e humor. daí que o sucesso de "deu onda" começou com sua versão explícita ["meu pau te ama"], mas foi a "família" que dominou tudo, um tanto também pela visibilidade que ganhou com o video dirigido por kondzilla, o midas dos clipes. e a música em si? pop até o último, de melodia facilmente identificável e letra cheia de expressões que grudam na cabeça. e ainda por cima ligeiramente nonsense e quase infantil. tudo coisa que dá onda.
igualmente nonsense e infantil - e também sacana, mas bem menos que "deu onda" -, a baianíssima "me libera, nega" é de ítalo gonçalves, 19 anos, mais conhecido como mc beijinho. samba reggae surgido do porta-malas de uma viatura policial [aqui tem um resumo desse início maravilhoso], a música é uma delícia do começo ao fim, principalmente pela curiosa divisão silábica de ítalo. é a silabagem, meu rei, uma das mais inquietas tradições do cancioneiro brasileiro [dá-lhe mário reis, joão gilberto, jorge veiga e tantos outros e outras].
já os outros dois hits do verão 2017, "todo dia" e "pau, perereca e cu", não são do tamanho das anteriores. são mais, digamos assim, de nicho [mas lembrando sempre que os nichos hoje em dia são mundos gigantes]. "todo dia", por exemplo, é do primeiro disco ['vai passar mal'] de pabblo vittar, cantora e drag queen maranhense radicada em são paulo. é pop eletrônico, e algo funk e brega, com refrão surpreendentemente político e festivo ao mesmo tempo ["eu não espero o carnaval chegar pra ser vadia / sou todo dia, sou todo dia"]. a cereja é a participação cantante do rapper rico dalasam.
e nada melhor que "pau, perereca e cu" pra fechar essa seleta de hits de verão né não. numa mistura louquíssima de suingueira, arrocha, funk e brega, o trio de brasília harmonia do sampler [mc caê maia, dj ops e o produtor cleber machado] transformou essas três palavras numa espécie de mantra do bundalelê. não dá pra ficar parado com tantos paus, pererecas e cus e essa é bem a ideia.
que loucura de verão é esse, minha gente?!
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
domingo, 11 de dezembro de 2016
50 + 50 discos brasileiros de 2016
já rolaram spoilers de alguns dos melhores discos
brasileiros do ano na lista
de músicas, então começo a falar desses destaques pessoais dentro da lista
de 50 discos. trabalhos poderosos como o segundo do BaianaSystem [Duas Cidades] e o terceiro do Metá Metá
[MM3], cheios de raivas e balanços,
dubs e punks, música negra brasileira da maior qualidade. ou então os
tropicalismos femininos de Céu [Tropix]
e Iara Rennó [o duplo Arco e Flecha], docemente antropofágicas. ou ainda a espiritualidade barroca e
periférica do rapper Síntese [Trilha
Para o Desencanto da Ilusão, Vol. 1: Amem].
BaianaSystem e Metá Metá
mas talvez os discos mais completamente bonitos de 2016
sejam, infelizmente e/ou surpreendentemente, póstumos. Sabotage é uma sequência de porradas habilmente costuradas durante
muitos anos pelo produtor Daniel Ganjaman [e seus parceiros do Instituto] sobre
gravações inacabadas deixadas pelo rapper paulistano morto em 2003. é impressionante,
quase assustador, a constante atualidade de Sabotage, suas letras, seu som e,
acima de tudo, seu fraseado [flow]. o outro póstumo é Ascensão, de Serena Assumpção [a filha mais velha de Itamar morreu
em março deste ano, aos 39 anos], um belíssimo “mapeamento” musical das
divindades do candomblé. nesses dois
discos profundamente afrobrasileiros, muitos convidados – um belo punhado do
melhor da atual música popular – homenageiam dois artistas que foram embora cedo
demais.
Sabota e Serena #DEP
mais minas – entre
estes 50 discos, outras mulheres deram suas caras. podem ser mais políticas
como Aíla [Em Cada Verso Um Contra
Ataque, disco bonito com produção de Lucas Santtana], Lay [199129], Ju Dorotea [Sincronia] e MC Carol [Bandida]. podem também ser mais
afetivas como Dona Onete [Banzeiro],
Héloa [Eu], Kika [Navegante], Luisa Maita [O Fio da Memória] e Mahmundi [Mahmundi]. ou podem ficar no meio
desses caminhos como Tássia Reis [Outra
Esfera]. todas muito no controle de suas vontades, sonoridades e falas.
mais manos – o rap
já apareceu aqui com Sabotage, Síntese, Lay, Ju Dorotea, MC Carol e Tássia Reis,
mas tem muito mais versos rimados entre os 50 melhores discos de 2016. tem a
atualização do primeiro disco de Criolo [Ainda
Há Tempo], o segundo solo de Dexter [Flor
de Lôtus] e o primeiro solo de Mano Brown [e mesmo que Boogie Naipe seja um tanto quanto longo e irregular é também muito
interessante por mostrar outras facetas do maior rapper brasileiro de todos os
tempos]. tem ainda a juventude de Rico Dalasam [Orgunga], Jamés Ventura [Jahbless
Ventura], Nego E [Oceano], Rael
[Coisas do Meu Imaginário], Rashid [A Coragem da Luz], do coletivo D.D.H [Direto do Hospício] e de MC Guimê [Sou Filho da Lua].
cantautores – em
tempos passados, a turma seguinte seria rotulada como mpb, mas sabemos que ‘mpb
is no more’ [ou é limitada demais para descrever o que é feito nos últimos
tempos, mesmo por veteranos]. tem samba sujo paulistano via Douglas Germano [Golpe de Vista], ópera rock caipira de
Meno [Barriga de 7 Janta], as
psicodelias folk de Tatá Aeroplano [Step
Psicodélico] e Gustavo Galo [Sol],
as digressões do mestre Tom Zé [Canções
Eróticas de Ninar], a primeira experiência de intérprete do Romulo Fróes [Rei Vadio é sobre Nelson Cavaquinho], o
rock pós-brega de Bruno Souto [Forte],
os afoxés pops de Wado [Ivete], as
pesquisas amazônico-caribenhas de Félix Robatto [Belemgue Banger], o indie solar de Beto Méjia [Kaningawa], a poesia paulistana de Felipe Antunes [Lâmina], os pontos de bossa de Álvaro
Lancellotti [Canto de Marajó] e
surpreendente estreia de Fióti [Gente
Bonita] com um disco pop de sambas, balanço, djavaneios e reggae.
grupos, bandas e vice-versa
– se BaianaSystem e Metá Metá encabeçam a lista com seus trabalhos coletivos,
outras formações seguem mostrando que não vieram a passeio: o trio O Terno ganhou metais em seu terceiro
disco, Melhor Do Que Parece, e
amadureceu sua mistura de vanguarda paulistana com Beach Boys; o brega caribenho
da Academia da Berlinda [Nada Sem Ela]
é diversão garantida para todas as estações; o carnaval paulistano de rua
também é fortemente autoral com A Espetacular Charanga do França [O Último Carnaval de Nossas Vidas]; a Abayomy
Afrobeat Orquestra cria novas pontes entre África e Brasil em Abra Sua Cabeça; e Saulo Duarte e A
Unidade [Cine Ruptura, produção de
Curumin] mergulha em desesperos e esperanças em disco cheio de misturas.
instrumentais – nessa
grande lista tem espaço também pra longa tradição do instrumental brasileiro,
tanto com o inquieto veterano João Donato [Donato
Elétrico] quanto com o jovem estudioso Vitor Araújo [Levaguiã Terê], mas também no encontro de gerações/escolas de Paulo
Santos [ex-Uakti] com a banda Hurtmold [Curado],
na segunda aula de história e música da Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz
[A Saga da Travessia] e no retorno
grandioso de Arthur Verocai [No Voo do
Urubu possui algumas faixas cantadas e que interessante que nelas
participem, por exemplo, Mano Brown e Criolo].
p.s.: vale mencionar que Daniel Ganjaman segue como um dos
melhores produtores da atualidade e desses 50 discos de 2016, 5 tem dedos dele [BaianaSystem,
Sabotage, Síntese, Criolo e Rael].
sem mais, os 50 discos brasileiros de 2016 segundo o gosto
da casa.
A Espetacular Charanga do França - O
Último Carnaval de Nossas Vidas
Abayomy Afrobeat Orquestra - Abra
Sua Cabeça
Academia da Berlinda -
Nada Sem Ela
Álvaro Lancellotti - Canto de Marajó
Arthur Verocai - No Voo do Urubu
BaianaSystem - Duas Cidades
Beto Méjia - Wahyoob
Bruno Souto - Forte
Céu - Tropix
Criolo - Ainda Há Tempo
D.D.H. - Direto do Hospício EP
Dexter - Flor de Lótus
Dona Onete - Banzeiro
Douglas Germano - Golpe de Vista
Felipe Antunes
- Lâmina
Felix Robatto - Belemgue Banguer
Fióti - Gente Bonita EP
Gustavo Galo - Sol
Héloa - Eu
Hurtmold & Paulo Santos - Curado
Jamés Ventura - Jahbless Ventura
João Donato - Donato Elétrico
Ju Dorotea - Sincronia EP
Kika - Navegante
Lay - 129129 EP
Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz - A Saga da Travessia
Luisa Maita - O Fio da Memória
Mahmundi - Mahmundi
Mano Brown - Boogie Naipe
MC Carol - Bandida
MC Guimê - Sou Filho da Lua
Meno - Barriga de 7 Janta
Metá Metá - MM3
Nego E - Oceano
O Terno - Melhor Do Que Parece
Rael - Coisas Do Meu Imaginário
Rashid - A Coragem da Luz
Rico Dalasam - Orgunga
Romulo Fróes - Rei Vadio
Sabotage - Sabotage
Saulo Duarte e A Unidade - Cine Ruptura
Serena Assumpção - Ascensão
Tássia Reis - Outra Esfera
Tatá Aeroplano - Step Psicodélico
Tom Zé - Canções Eróticas de Ninar
Vitor Araújo - Levaguiã Terê
Wado - Ivete
e seguem mais 50 discos muito relevantes deste 2016.
Anna Tréa - Clareia
Arielly Oliveira - Negra Soul
Autoramas - O Futuro dos Autoramas
BK - Castelos & Ruínas
Brisa Flow - Newen
Carne Doce - Princesa
Chave Mestra - Coração no Gelo EP
Clínica Geral - Clínica Geral EP
Côro Mc - Vem Desse Naipe EP
Coutto Orchestra - Voga
Dante Ozzetti - Amazônia Órbita
DeFalla - Monstro
Don Pixote
- Don Pixote
Edvaldo Santana - Só Vou Chegar Mais Tarde
Esdras Nogueira
- Na Barriguda
Família de Rua - Ontem, Hoje e Sempre
Flow MC - Versátil
francisco, el hombre -
Soltasbruxa
Frank Jorge - Escorrega Mil Vai Três Sobra Sete
Graveola - Camaleão Borboleta
Guri Assis Brasil - Ressaca
Hyldon - As Coisas Simples da Vida
Ijexá Funk Afrobeat - Ifá
Jonathan Tadeu - Queda
Livre
Jonnata Doll & Os Garotos Solventes - Crocodilo
Juliana Perdigão - Ó
Juliano Gauche - Nas Estâncias de Dyzan
Larissa Luz - Território Conquistado
Laya - Laya
Leandro Lehart - Violão é no Fundo de Quintal
Lestics - Torto
Liniker e Os Caramelows - Remonta
Lucas Vasconcellos - Silenciosamente
Lulina - Na Moita
Lurdez da Luz & PParalelo - Bem Vinda EP
Matéria Prima - Pocas EP
Paula Cavalciuk - Morte
& Vida
Projeto Nave - Remix vols. 1 e 2
Romulo Fróes & Cesar Lacerda - O Meu Nome é Qualquer Um
Serge Erege - Scorpio
Siloque - Queime o Coração de Gelo
Silva - Silva Canta Marisa
Strobo - Strobo 4
The Baggios - Brutown
Thiago Elniño - Filho de um Deus Que Dança EP
Triz - Enquanto Eu Respirar Sou Hinário EP
Wander Wildner - A Vida é Uma Toalha Estendida No Varal
Yannick - Também Conhecido Como Afro Samurai
EP
Yzalú - Minha Bossa é Treta
Marcadores:
anos 2010,
baiana system,
céu,
criolo,
iara rennó,
internet,
metá metá,
retrospectiva,
retrospectiva 2016,
sabotage,
serena assumpção,
síntese
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
80 + 10 músicas brasileiras de 2016
ah, Brasil tá ótimo, tá lindo, tá diverso. musicalmente falando,
claro. tem dub, funk, rock, carimbó, arrocha, pagodão, samba, eletrônica, mpb e
rap, muito rap. numa olhada rápida nessa lista é fácil de notar que quase
metade das músicas do ano são ritmo & poesia. por outro lado, existe uma concentração
da produção musical em sete estados [São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia,
Pernambuco, Ceará, Pará e Distrito Federal], mas certamente está bem melhor do
que já foi.
obviamente não fico pensando em representações quando estou
fechando as listas de fim de ano. apenas agrupo as que mais ouvi no ano e vou
editando para chegar em números razoáveis [e a cada ano que passa, as listas
ficam maiores e maiores rsrs]. depois – tipo agora – é que traço esses perfis
do meu gosto, do que vou atrás, do que vem a mim. mas porque caralha estou
falando isso mesmo?
bem, a parte difícil de fazer listas musicais, pra mim pelo
menos, é ter que escolher uma música só de alguns artistas que, não
coincidentemente, assinaram os melhores discos do ano. foi difícil escolher uma
só do Metá Metá, BaianaSystem, Céu, Iara Rennó, Síntese e das lindas produções
póstumas de Sabotage e Serena Assumpção.
acho que em 2016 o que aconteceu de diferente foi um pessoal
dando dribles no meu rigor e aparecendo solo em uma música e participando em
outra [casos de Juçara Marçal, Mano Brown, Rincon Sapiência e Lay], alguns figuras que trabalham em muitos projetos [Thiago França, Daniel Ganjaman e Meno Del Picchia, por exemplo] ou então um fenômeno
inescapável como o rapper baiano Baco Exu do Blues que emplacou uma própria ["999"]
e uma parceria com o pernambucano Diómedes Chinaski ["Sulicídio", assunto e polêmica na cena rapper nos últimos meses deste ano].
os assuntos das músicas são os mais diversos: amores, perdas, paixões, a(s) cidade(s) e acho que tem muita política também ['política' no sentido da postura diante de alguns assuntos, tais como raça, gênero, feminismo, aborto, machismo, violência policial, etc]. mas foram o rap e o funk, os gêneros mais periféricos [e isso não é por acaso], que nos brindaram com as mais contundentes críticas sociais a este terrível ano de muitas perdas para o Brasil. destaque aí para "Hoje tem batuque" de Raphão Alaafin & Rincon Sapiência e "Delação premiada" da MC Carol [sem falar na (triste) atualidade de "Canão foi tão bom" do Sabotage].
na prorrogação da lista entrou um lançamento bem bom de Flora Matos ["Igual manteiga"] e acabou saindo Fumaça ["Tipo hustla"]; ambos candangos, veja só você. ah, e troquei a música do Mano Brown [é que foi lançado Boogie Naipe, o disco, então saiu "Felizes/Heart to Heart" e entrou "Adicto" - pensei na maravilhosa "Mulher elétrica", mas ela já tá rolando faz uns anos].
falei demais né? sobe som!
os assuntos das músicas são os mais diversos: amores, perdas, paixões, a(s) cidade(s) e acho que tem muita política também ['política' no sentido da postura diante de alguns assuntos, tais como raça, gênero, feminismo, aborto, machismo, violência policial, etc]. mas foram o rap e o funk, os gêneros mais periféricos [e isso não é por acaso], que nos brindaram com as mais contundentes críticas sociais a este terrível ano de muitas perdas para o Brasil. destaque aí para "Hoje tem batuque" de Raphão Alaafin & Rincon Sapiência e "Delação premiada" da MC Carol [sem falar na (triste) atualidade de "Canão foi tão bom" do Sabotage].
na prorrogação da lista entrou um lançamento bem bom de Flora Matos ["Igual manteiga"] e acabou saindo Fumaça ["Tipo hustla"]; ambos candangos, veja só você. ah, e troquei a música do Mano Brown [é que foi lançado Boogie Naipe, o disco, então saiu "Felizes/Heart to Heart" e entrou "Adicto" - pensei na maravilhosa "Mulher elétrica", mas ela já tá rolando faz uns anos].
falei demais né? sobe som!
A Espetacular Charanga do França - "O bom marido" [part. Rodrigo
Campos]
Abayomy Afrobeat Orquestra - "Mundo sem memória" [part. Otto]
Academia da Berlinda - "Nêgo nervoso" [part. Otto]
Aíla - "Lesbigay"
Aláfia - "O
primeiro barulho" [part. Discopédia]
Alvaro Lancellotti - "Canto de Marajó"
Amiri - "Monster
Freestyle"
ÀTTØØXXÁ - "F*da
p*rra"
Baco Exu do Blues - "999"
Baco Exu do Blues & Diómedes Chinaski - "Sulicídio"
BaianaSystem - "Jah
Jah Revolta Parte 2"
Beirando Teto - "As
pineais que não descansam"
Beto Mejía - "Kaningawa"
Bonde das Dancinhas - "Vai quebrando"
Bruno Souto - "Amor
demais"
Cabeça d’ Galeto - "Por acaso" [part. Dayane]
Carne Doce - "Artemísia"
Céu - "Perfume
do invisível"
Coro MC - "Insólita
sensação"
DeFalla -"Monstro"
Dexter - "Tô de
volta" [part. Edi Rock]
Don L - "Chapei"
[part. Lay]
Dona Onete - "Coração
Brechó"
Douglas Germano - "Golpe de vista"
Família 4i20 - "Meu
deserto"
Felipe Antunes - "Essa
moça"
Flow MC - "Gang
das 4 rodas"
francisco, el hombre - "Triste, louca ou má"
Fresno - "Hoje sou
trovão" [part. Caetano Veloso]
Froid - "Pseudosocial"
Héloa - "Calei"
Iara Rennó - "Mama-me"
Jamés Ventura - "Calma
nego"
Ju Dorotea - "Sincronia"
[part. DJ Josafá]
Juliano Gauche - "Muito
esquisito"
Karol Conka - "Maracutaia"
Kika - "Se você
soubesse"
Larissa Luz - "Bonecas
pretas"
Laura Lavieri - "Quando
alguém vai embora"
Lay - "Ressalva"
Lei Di Dai - "Chega
na dança"
Livia Cruz - "Ordem
na classe"
Ludmilla - "Sou eu"
Luisa Maita - "Na
asa"
Lurdez da Luz & PPararelo - "Love" [part. Yanick Melo]
Mahmundi -
"Hit"
Mano Brown
- "Adicto"
[part. Dado Tristão]
MC Carol - "Delação
premiada"
MC Guimê - "Cadê
a mina" [part. Marcelo D2]
MC Kevinho - "Tumbalatum"
MC Linn da Quebrada - "Enviadescer"
MC Marechal - "Primeiro
de abril"
MC Tha - "Pra
você"
MC Zaac & MC Jerry - "Bumbum granada”
Meno - "Sabrina"
Metá Metá - "Angolana"
Mulamba - "P.U.T.A."
Nego E - "Lua
negra"
Nego Gallo - "Missão"
O Terno - "Culpa"
Rael - "De amor"
Raphão Alaafin & Rincon Sapiência - "Hoje tem batuque"
Rashid - "Ruaterapia"
[part. Mano Brown e Max de Castro]
Rico Dalasam - "Relógios"
Rincon Sapiência - "A coisa tá preta"
Sabotage - "Canão
foi tão bom" [part. DBS, Negra Li, Lakers, Instituto e Daniel
Ganjaman]
Sara Donato, Luana Hansen, Souto MC & Issa Paz - "Machocídio"
Saulo Duarte e A Unidade - "Uma música" [part. Laércio de
Freitas]
Serena Assumpção - "Obaluaiê" [part. Filipe Catto]
Siloque - "Mais bases
aliadas"
Síntese - "Desconstrução"
Strobo - "Vingativa"
[part. Marina Lima]
Tábata Alves - "Quem
vai duvidar?"
Tássia Reis - "Ouça
me [remix]"
Tatá Aeroplano - "Step
psicodélico"
Vitor Araújo - "Canto
n.3"
Wado - "Mistério"
Xamã & MC Estudante - "Pedras de março" [part. Jean
Santoro]
aí fui fazer a playlist no Spotify e, como já esperava,
faltou muita coisa brasileira. mas não imaginei que seria tanto, pois das 80 faltaram
20 [pra se ter uma ideia, das músicas gringas, faltaram 8 de 100]. portanto, já
vou avisando que ficaram de fora da playlist no Spotify músicas da A
Espetacular Charanga do França, Amiri, Beirando Teto, Bonde das Dancinhas,
Cabeça d'Galeto, Coro MC, Família 4i20, Felipe Antunes, Froid, Héloa,
Kika, Lei Di Dai, Lívia Cruz, MC Marechal, Mulamba, Nego Gallo, Sara Donato
[mais Luana Hansen, Souto MC & Issa Paz], Serena Assumpção, Tábata Alves e da
dupla Xamã & MC Estudante.
e aí a gente tem que aproveitar essas plataformas maravilhosas todas né. e tem playlist também - uma versão dela - no Deezer. não deu muita diferença pro Spotify. Felipe Antunes e Héloa tem no Deezer, a nova da Flora Matos no Spotify. de resto, as mesmas ausências.
atualização 22.12: apareceram umas músicas, e fiquei sabendo de outras, depois que fechei a lista e deu uma dor de não colocar aqui. daí acabei fazendo uma nova playlist no youtube com mais 10 brasileiras. tem um remix do ÀTTØØXXÁ pruma música que deve ser o hit do verão baiano. tem os funks paulistas pós-ostentação de MC Neguinho do Kazeta e MC PP da VS. tem mais rap com Coruja BC1, BK e Gustavo Pontual. tem as canções de Guri Assis Brasil e Luedji Luna. e tem a ferveção drag de Lia Clark, Arezuta Lovi e Gloria Groove.
Marcadores:
anos 2010,
baco exu do blues,
baiana system,
céu,
deezer,
iara rennó,
metá metá,
retrospectiva,
retrospectiva 2016,
sabotage,
síntese,
spotify,
youtube
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
50 discos gringos de 2016 + 70
Lemonade é o
disco do ano, claro. o trabalho mais recente de Beyoncé é uma combinação
matadora de raiva, afetos e redenção, tudo amarrado por um pop poderoso, negro
e extremamente bem produzido. Beyoncé não é só diva ou rainha, como gritam os(as)
fãs mais ardorosos(as); Beyoncé provou definitivamente em Lemonade que é uma artista maior e com total controle de seu
discurso e do seu espetáculo.
daí que essa fantástica combinação de assombro feminino diante
do mundo e pegada pop também é
encontrada nos novos trabalhos de Rihanna [Anti],
M.I.A. [AIM], La Yegros [Magnetismo], Santigold [99 Cents], Alicia Keys [Here], Xenia Rubinos [Black Terry Cat], Norah Jones [Day Breaks], Warpaint [Heads Up], Kate Tempest [Let Them Eat Chaos] e da irmã de
Beyonce, Solange [A Seat at the Table].
tem rap, o mais foda de todos os gêneros deste século 21, no
trampo de algumas dessas minas, mas saíram alguns outros trabalhos
impressionantes [nada próximo da grandeza de Kendrick Lamar e seu To Pimp a Butterfly do ano passado]. teve
o emocionante retorno & fim do A Tribe Called Quest [We Got It From Here Thank You 4 Your Service] e novos trabalhos relevantes
de veteranos como o De La Soul [And The
Anonymous Nobody], o Atmosphere [Fishing
Blues] e o Aesop Rock [The
Impossible Kid]. já os novos de Drake [Views]
e Kanye West [The Life of Pablo] são
menos interessantes que seus trabalhos anteriores, mas mesmo assim muito acima
da média geral. por fim, tem artistas mais jovens com sangue nozóio e novas
referências, com destaque pra Anderson .Paak [Malibu], Frank Ocean [Blonde],
Vince Staples [Prima Donna], Chance
The Rapper [Coloring Book],
ScHoolboy Q [Blank Face LP], Danny
Brown [Atrocity Exhibition], J. Cole
[4 Your Eyez Only] e volta de Aloe
Blacc ao mundo do rap [Dystopia].
A Tribe Called Quest
então chegamos à cota de brancos da lista rsrsrs. David
Bowie [Blackstar] e Leonard Cohen [You Want It Darker] nos deixaram este
ano logo após lançarem belos e melancólicos discos de despedida, mas outros
veteranos continuam trabalhando duro e em alto nível, com destaque pro lindos
Radiohead [A Moon Shaped Pool] e Andrew
Bird [Are You Serious?], e os
afiados Iggy Pop [Post Pop Depression]
e Nick Cave & The Bad Seeds [Skeleton
Tree].
claro que ‘a gringa’ é muito maior que Estados Unidos,
Canadá e Inglaterra, e nessa lista de 50 discos entraram o blues rock tuareg do
Bombino [Azel], o pan-africanismo eletrônico
do Batuk [Música da Terra é um projeto
dos sul-africanos Spoek Mathambo e Aero Manyelo com a moçambicana Manteiga], os
dubs afro-latinos do Quantic's Flowering Inferno [1000 Watts], o afrobeat do Vaudou Game [Kidayu] e do Idris Ackamoor & The Pyramids [We Be All Africans], e o pop guettotech
do congolês radicado nos Estados Unidos, Young Paris [African Vogue].
e pra encerrar, os discos instrumentais. dois tem o selo de
qualidade Shabaka Hutchings, saxofonista inglês já conhecido da casa do
espetacular Sons of Kemet: Wisdom of Elders [Shabaka & The
Ancestors] é um projeto dele com músicos sul-africanos e Channel The Spirits é do The Comet Is Coming, outra de suas muitas
bandas. também ingleses são o Neil Cowley Trio com o excelente Spacebound Apes. tudo jazz da pesada. outros discos europeus misturam jazz com sons
africanos ou caribenhos, desde os holandeses do Jungle By Night [The Traveller] até os misteriosos
suecos do Goat [Requiem], passando
pelo finlandês Jimi Tenor [Saxentric]
e os alemães do Bacao Rhythm & Steel Band [55]. por fim, os moleques americanos do BadBadNotGood [IV] e sua intensa mistura de jazz,
rock, rap e outras bossas.
segue a lista completa:
A Tribe Called Quest - We Got It From Here Thank You 4 Your Service
A Tribe Called Red - We
Are The Halluci Nation
Aesop Rock
- The Impossible Kid
Alicia Keys - Here
Anderson .Paak - Malibu
Andrew Bird
- Are You Serious?
Atmosphere
- Fishing Blues
BadBadNotGood
- IV
Batuk - Música da Terra
Beyoncé - Lemonade
Bombino - Azel
Chance The
Rapper - Coloring Book
Charles
Bradley - Changes
Danny Brown
- Atrocity Exhibition
David Bowie - Blackstar
De La Soul
- And The Anonymous Nobody
Drake - Views
Emanon
[Aloe Blacc + Exile] - Dystopia
Frank Ocean - Blonde
Goat - Requiem
Idris
Ackamoor & The Pyramids - We Be All Africans
Iggy Pop - Post Pop Depression
J. Cole - 4
Your Eyez Only
Jimi Tenor
- Saxentric
Jungle By Night - The
Traveller
Kanye West - The
Life of Pablo
Kate Tempest - Let
Them Eat Chaos
Kaytranada
- 99,9%
La Yegros - Magnetismo
Leonard
Cohen - You Want It Darker
M.I.A. - AIM
Massive Attack - Ritual
Spirit EP
Michael Kiwanuka - Love
& Hate
Neil Cowley Trio - Spacebound
Apes
Nick Cave & The Bad Seeds - Skeleton Tree
Norah Jones - Day
Breaks
Quantic's
Flowering Inferno - 1000 Watts
Radiohead -
A Moon Shaped Pool
Rihanna - Anti
Santigold - 99
Cents
ScHoolboy Q - Blank
Face LP
Shabaka
& The Ancestors - Wisdom of Elders
Solange - A
Seat at the Table
The Comet
Is Coming - Channel The Spirits
Vaudou Game
- Kidayu
Vince Staples - Prima
Donna EP
Warpaint - Heads
Up
Xenia
Rubinos - Black Terry Cat
Young Paris
- African Vogue
e como o serviço aqui no Esforçado é abrangente e inclusivo, seguem mais 70 discos bem bons
mesmo [alguns destes chegaram a emplacar ‘músicas
do ano’ na primeira lista da retrospectiva].
2 Chainz - Hibachi For Lunch
9th Wonder
- Zion
Adrian
Younge - Something About April
2
Adrienne Fenemor - Mo'
Puddin'
Animal Collective - Painting
With
Anthony Joseph - Caribbean
Roots
Azealia
Banks - Slay-Z
Balkan Beat Box - Shout
It Out
Banks & Steelz - Anything
But Words
Bishop
Nehru - Magic:19
BJ The
Chicaco Kid - In My Mind
Blu - Titans in the Flesh
Common - Black America Again
Debo Band - Ere
Gobez
Desiigner -
New English
Devendra Banhart - Ape
in Pink Marble
DJ Khaled - Major Key
DJ Shadow -
The Mountain Will Fall
El Guincho - Hiperasia
Fanfare
Ciocarlia - Onwards to Mars!
Flume - Skin
Fritzwa - Avenue A
Fumaça Preta - Impuros Fanáticos
Gonjasufi - Callus
Guts - Eternal
Harrison - Checkpoint Titanium
Helado
Negro - Private Energy
Homeboy
Sandman - Kindness for Weakness
Hope
Sandoval & The Warm Inventions - Until The Hunter
Isaiah Rashad
- The Sun's Tirade
Izzy Bizu - A
Moment of Madness
James Blake
- The Colour in Anything
Jamila
Woods - Heavn
Jerreau - Never How You Plan
Josef
Leimberg - Astral Progressions
Kings of Leon - Walls
Kool Keith
- Feature Magnetic
La Femme - Mystère
Laura Mvula
- The Dreaming Room
Lee Fields & The Expressions - Special Night
Lee 'Scratch' Perry - Must Be Free
Lido Pimienta - La Papessa
Lizzo - Coconut Oil EP
L'Orange
& Mr. Lif - The Life and Death of Scenery
Mexrrissey - No Manchester
Mick Jenkins - The
Healing Component
Mykki Blanco - Mykki
Nao - For All We Know
Noname - Telefone
Onda Vaga - OV IV
Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou - Madjafalao
Pigeon John - Good
Sinner
PJ Harvey - The
Hope Six Demolition Project
Princess Nokia - 1992
Rae
Sremmurd - SremmLife 2
Rapsody - Crown EP
RJD2 - Dame Fortune
Rolando Bruno -
Bailazo
Sadat X - Agua
Snoop Dogg - Coolaid
Strokes - Future Present Past EP
The Bad
Plus - It's Hard
The
Bongolian - Moog Maximus
The Claypool Lennon Delirium - Monolith of Phobos
The Heliocentrics - From the Deep
The
Olympians - The Olympians
The
Underachievers - It Happened In Flatbush
Tricky - Skilled Mechanics
Vic Mensa -
There's a Lot Going On
Young Thug
- Jeffery
Assinar:
Postagens (Atom)







