sexta-feira, 29 de março de 2013

foi-se o tempo

já escrevi um pouco de ficção (contos, uns roteiros curtos, coisas assim), um pouco de poesia. não tinha pretensão de ser escritor, nunca tive, era um misto de diversão e desabafo. isso durou uns dez anos, provavelmente até o início dos anos 2000, e aí o jornalismo e a fotografia acabaram tomando o lugar da ficção. não se salvam muitas dessas coisas do passado, mas gosto desse poeminha que fiz em 1998. acho sincero, sem firulas e tem um ritmo bom. e é bom saber que a gente pode falar de muitas formas.



BALADA


e o sol desceu.
só então te vi na
cortina escura, suspiro
com raiva e tristeza sem saber
o que foi ou não

se raiva
você louca não sabe
se tristeza
eu louco não posso
e saio na noite

nas pernas um peso morto
dói tanto quanto a cabeça
e essa chuva não para
e essas gotas confundem

sentei o corpo doendo
molhado pedi algo forte
bebi toda chuva naquele copo

logo as paredes se curvaram
sobre a mesa
fechando
e não vi mais nada

deve ser assim estar livre
e o garçom diz que vai passar
acredita tanto nisso que grita

tomo mais uma 
pela disposição
e as pernas respiram 
novamente levanto

boa noite 
e o garçom já em 
outra mesa
saio

vou tropeçando
de sombra em sombra
a dela corre tanto
caio

água da chuva corta

o garçom passa por mim
vai dormir e suspira
viu? passou,
dói, não?

Um comentário:

Maria Luiza Silva disse...

Você é uma bicha escrota.
Ah, e além disso, muito horrorosa.