pois é, realmente chegou ao fim essa minha fase ultrapop-yahoo. seria impossível continuar escrevendo quinzenalmente (quiça semanalmente) com as novas e muitas demandas na editora três (site da istoé e a revista istoé 2016). tentei fazer nesse último texto uma síntese da minha experiência e dos meus propósitos ultrapops. ter e manter essa coluna me fez pensar muito no meu próprio trabalho e em tudo que vejo, consumo e compartilho. foi muito massa, muito mesmo, apesar do choque inicial com a violência de muitos comentaristas (anônimos em sua maioria) e pela constatação nua e crua que a maiorias dos que comentam simplesmente não entendem o texto (nesse último, por exemplo, enxergaram na minha defesa do presente uma desqualificação do passado, e tome porrada seu maluco - maluca - que acha que "eu quero tchú" ou "ai se eu te pego" são melhores que legião urbana e beatles). de resto só tenho a agradecer ao bróder walter hupsel que me indicou e deu início a esse ciclo de 46 textos e aos camaradas michel blanco e rafael alvez que bancaram e incentivaram a minha liberdade por lá (e fazem isso com todos os outros colunistas).
NO NOSSO TEMPO É QUE É MELHOR
Quando comecei a escrever a coluna Ultrapop, um ano e meio
atrás, tinha um propósito, uma espécie de missão: falar de cultura popular
brasileira no século 21. E popular com P maiúsculo em um tempo de muitas e
altas velocidades, novas liberdades e velhos moralismos. Falar e refletir sobre
coisas acontecendo na música, TV, internet, cinema, shows e artes plásticas.
Sobre descentralização, pirataria, humor, religião, drogas, violência policial,
política e a cidade (brasileira). Sem julgamento de valores (na medida do
possível), preconceitos e nem falsas polêmicas. Respeitando, sendo curioso,
aquela onda toda.
Uma coisa em especial me ajudou nessa trajetória: nunca fui
um nostálgico, sempre achei o presente um negócio muito interessante de se ver
e viver. Afinal é no presente (numa eterna troca com o passado) que o futuro dá
seus primeiros passos. Daí que colunas que fiz nesse período vivi e escrevi sobre culturas e
comportamentos brasileiros em presente contínuo. E gostando muito do que via e
ouvia. Gostando até do que não gostava porque dava pano pra manga de pensar.
Acompanho mais de perto música e internet, logo depois
quadrinhos, cinema e TV, e acredito realmente que o Brasil vive um momento
particularmente rico (e isso já tem um tempo, desde meados dos anos 2000, mais
ou menos). A produção é grande, variada, autogerida, cada vez mais sofisticada
e independente de grandes esquemas. Nesse atual estado das coisas é eletrizante
assistir a verdades universais caindo por terra junto com monopólios de
comunicação ou então ver o ocaso dos formadores de opinião, toda essa turma que
não está entendendo o que diabos acontece no Brasil e no mundo desse início de
século 21.
Acho que consegui, nas 45 colunas que fiz nesse período
(essa é a 46ª porque acabar em 45 é a maior zica), dar uma pequena contribuição
para se compreender o que sucede por essas bandas. Claro que sou inveterado
otimista e um apaixonado pelo Brasil (inclusive por seus defeitos e
contradições), o que deixa marcas no meu jeito de entender as coisas, mas
sempre tentei olhar para os muitos lados de um evento/acontecimento/fenômeno.
E assim minha trajetória aqui no Ultrapop do Yahoo! chega ao
fim. Infelizmente por um lado, pois tive aqui total liberdade para escrever do
jeito que quis e sobre o que bem entendesse (grande abraço para Michel Blanco e
Rafael Alvez), além de participar de uma invejável equipe de colunistas (um
salve pros manos Walter Hupsel, Pedro Alexandre Sanches, Dudu Tsuda, Fernando
Vives, Celso Athayde e Lúcio Flávio Pinto, e pras minas Carol Patrocínio,
Raquel Rolnik e Nega Gizza). Mas felizmente por outro, já que a minha saída é
por motivos profissionais. No mais,
os cãos ladram e o tempo ruge. Simbora que tem muita coisa bacana acontecendo,
muita história pra contar.
e o plano de dominação mundial de criolo começa hoje. começou antes, claro, mas hoje é dia de seu primeiro capítulo público, a participação do festival back2black em londres ao lado de mulatu astatke. o festival em si é um capítulo a parte com sua escalação absurdamente boa (e que novamente terá uma versão no rio de janeiro de 24 a 26 de agosto): de roots manuva a gilberto gil, de joão brasil a hugh masekela, de amadou e mariam a emicida, de jorge ben a gilles peterson, de femi kuti a banda tono, de marcelo d2 a linton kwesi johnson, etc. mas ficarei aqui com o potencialmente sensacional encontro do mc paulistano com o mestre do jazz etíope (ethio-jazz), um tanto pelo sentido que faz (imagino a honra e alegria que estão sentindo agora os brasileiros em tocar com seu ídolo), mas também por ser o "primeiro episódio da série de videocasts diários relatando a turnê internacional do criolo", todos levando a assinatura de rodney suguita, o maníaco da câmera, e disponíveis no canal do artista no youtube. olha só os bastidores do ensaio para o show de hoje. máximo respeito.
e londres é a primeira das sete cidades dessa turnê internacional. depois tem paris, milão, roma, festival roskilde (dinamarca), los angeles e nova york (central park). olha o cartaz aí.
e essas fotos que peguei lá no facebook? tem o encontro no lobby do hotel, um instantâneo do ensaio e uma de mulatu com o autor das primeiras fotos e do video, o maníaco da câmera.
e para fechar o ciclo segue "para mulatu", parceria de criolo com gui amabis gravada em memórias luso-africanas (independente, 2011), a estreia em disco do produtor amabis.
atualização: e já estão no ar os videocasts 2 e 3 dessa turnê do criolo trazendo trechos de seu show em londres e também de uma gravação nos estúdios da rádio bbc, ambos na companhia de mulatu astatke. a adriana ferreira silva, da folha de s. paulo, disse que o show foi o ponto alto do segundo dia do festival.
outra atualização: escuta só o encontro de mulatu e criolo no programa de rádio da bbc, com direito a rimas em português sobre a clássica "netsanet".
pois é minha gente, essa foi minha penúltima coluna ultrapop. demorei pra colocar aqui porque demorei para escrever a última (me adaptando ao novo trabalho na istoé, tempo corrido, dificuldade de sintetizar essa experiência no yahoo, dificuldade de me despedir talvez). o humor atual, adulto e anárquico da turma do comédia mtv foi o assunto da vez. e bola pro mato que o jogo é de campeonato. e o último texto está no ar e se chama "no nosso tempo é que é melhor".
COMÉDIA MTV E O HUMOR COMO LENTE DE AUMENTO
Já virou lugar comum falar da genialidade de Marcelo Adnet,
Dani Calabresa, Tatá Werneck e o resto da turma do Comédia MTV. Além de serem seus próprios roteiristas, os
integrantes do programa também são ótimos atores (principalmente o trio citado
acima) e Adnet ainda leva uma vantagem por criar e cantar músicas (todas em
parceria com o produtor Arthur
Joly). Mas isso não é o bastante para explicar porque eles estão anos-luz à
distância do humor de seus contemporâneos CQC
e Pânico na Band, por exemplo.
O Pânico é aquela
coisa: humor barulhento, adolescente, popular, um cruzamento de Zorra Total com
Luciano Huck. Ninguém é particularmente bom no que faz – o Ceará, a Sabrina
Sato e o Polvilho, vá lá -, mas o riso acaba acontecendo no
encontro-choque-surpresa de anônimos e famosos com os personagens malucos do
programas. No mais, a tosquice e a imaturidade são assumidas, sinceras.
Já o CQC se vendeu de uma forma no início e foi mostrando
sua verdadeira cara nos anos seguintes (tratei especificamente dessa mudança em
outro texto aqui para o Yahoo!, “Custe o
que custar, uma ova”). O que parecia ser adulto foi se mostrando moralista,
vazio, bajulador e, o pior de tudo, sem graça. Para se defenderem das
crescentes críticas a seus escorregões cômicos adotaram o discurso de que lutam
pela “liberdade de expressão” e que estão contra esse “politicamente correto
que grassa por aí”. Mesmo papinho de comediantes de stand-up medíocres, os
proibidões-coxinhas, que ganham manchete por motivos errados (falei disso em “Cê tá
rindo do quê?”).
O humor do Comédia MTV
é, em tudo, mais anárquico e surreal que o Pânico
e muito mais crítico e inteligente que o CQC.
Nenhum deles ironiza “gente da alta” ou até parte de seu próprio público como a
turma liderada por Adnet em quadros impagáveis como o do “Eleitor Elitista” ou do “Homem
Área VIP”. Nem conseguem ser ao mesmo tempo sofisticados e esculachados
como nos quadros “Gaiola das Cabeçudas”,
“Proibidão Acústico” e o memorável “Tia
Creuza”. E muito menos possuem a acidez do “Jogador Sincero”, “Adnaldo Jabor”, “Igreja Nossa Senhora do Off Line” ou do
“Indiretas Já” (vídeo abaixo).
Claro que o Comédia
MTV não é pioneiro nisso, afinal o saudoso TV Pirata vivia dessa mistura no final dos anos 1980, e hoje em
dia temos o Larica Total improvisando muito
solto (não coincidentemente, Adnet chegou a fazer teste para o papel assumido
por Paulo Tiefenthaler). É que todos esses profissionais do humor sabem que
para fazer rir não é preciso manipular ou humilhar, basta olhar com atenção, e
bem de perto, alguma coisa, qualquer coisa. Daí fica fácil perceber que nada
faz sentido e o jeito é rir mesmo, rir bastante (inclusive de si próprio).
e um pessoal da romênia organizou ano passado um flash mob em bucareste para homenagear a coreógrafa alemã pina bausch (1940-2009) e ainda por cima divulgar o belíssimo documentário pina, de wim wenders. o resultado é emocionante, principalmente por ver a dança contemporânea ganhar as ruas. dica de @Jugranjeia.
lembro que quando assisti otrailerfiquei fascinado por uma música, mas depois que vi o filme acabei esquecendo de saber qual era seu nome e quem era o autor. o video acima me relembrou essa lacuna e ontem descobri que o compositor é o japonês jun miyake, a música se chama "lillies of the valley" e foi originalmente composta para o espetáculo vollmond (2006). coisa mais linda.
opa, olhaí minha primeira reportagem em video pro site da istoé. bom começo com arrigo barnabé e uma nova versão de tubarões voadores, o cultuado disco de 1984, que ganhou dois shows no auditório ibirapuera com direito a banda original. agradecimentos totais a experiência de mariane engber, responsável por câmera e edição. e mais videos-reportagem hão de pintar por aí (para a istoé, claro).
e logo abaixo uma imagem do show de sábado: muito divertido, banda afiada, arrigo figuraça, vânia bastos cantando muito, mas é aquela coisa cerebral. exige. às vezes eu topo (esse show foi assim), mas na maioria das vezes não consigo embarcar. de qualquer forma, "lenda" é foda.
edição especial: músicos, em estúdio, no palco e em casa. participações especiais de paulo carvalho, fernando catatau e o instrumental (lincoln olivetti, kassin, richard ribeiro e clayton martin), caio bosco e arrigo barnabé.
taí outro frila que fiz antes da entrada na istoé, dessa vez para a revista de bordo da trip linhas aéreas. caio blat estava em um batidão de entrevistas e a nossa conversa durou pouco mais de dez minutos (por isso não tem nenhum material extra). e foi durante a igualmente breve sessão de fotos para a revista, feitas por érico hiller, que fiz essas que ilustram o perfil.
CRESCENDO NO TRABALHO
Um dos atores que mais
trabalha no cinema brasileiro, Caio Blat lança dois longas ao mesmo tempo e
comemora a maturidade de seus novos personagens
Caio Blat está cansado. Dormiu pouco, acordou no Rio de
Janeiro, pegou ponte aérea e veio até São Paulo para divulgar Uma Longa Viagem, novo longa de Lúcia
Murat. Poucas semanas antes estava em outro batidão de entrevistas, dessa vez
sobre Xingu, de Cao Hamburger. Sem
falar que é pai de um menino de 2 anos, Bento, primeiro fruto de seu casamento
com a atriz Maria Ribeiro. Com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo, não é
surpresa lhe flagrar soltando um ou outro bocejo entre perguntas e respostas.
“Fazer um filme é um esforço tão grande, um desgaste tão
descomunal, que normalmente quando termino um me dá vontade de ir para o
extremo oposto”, revela sobre as diferenças entre os dois filmes que
protagoniza e que chegaram juntos aos cinemas. Xingu é um épico sobre a expedição dos irmãos Villas-Bôas por
desconhecidas terras indígenas nos anos 1940, com grande elenco e filmagens em externas.
Já Uma Longa Viagem é um documentário
pessoal, no qual Blat, sempre sozinho em cenas filmadas dentro de um casarão,
interpreta as cartas escritas na década de 1970 pelo irmão da cineasta Lúcia
Murat em suas perambulações pelo mundo. Essas cenas se alternam com imagens de
arquivo e entrevistas com o próprio Heitor Murat.
“Minha carreira é pautada por essa busca pela diversidade.
Quando termino um filme de violência quero fazer um de amor. Quando termino um
de amor quero fazer, sei lá, um documentário. Esse é um dos valores que me
move”, e por isso acabou desistindo de atuar em A Montanha, de Vicente Ferraz, sobre a participação brasileira na
Segunda Guerra Mundial (Daniel de Oliveira entrou em seu lugar). Seria muito
parecido com sua experiência em Xingu
e o deixaria outros meses longe do filho pequeno.
Foi assim que ele partiu de uma grande aventura histórica
para essa “viagem absolutamente intimista” retirada do baú de memórias de Lúcia
Murat e seu irmão Heitor. “Fiquei comovido com o convite porque o material com
que ia trabalhar eram cartas muito íntimas com histórias familiares de muita
dor, dificuldades, perdas... era como se ela me chamasse para dentro da família.”
E lá se foi Blat ser o irmão mais novo, aquele que mandado a Londres para não
se meter na luta contra a ditadura – a irmã Lúcia foi torturada e ficou presa
por 3 anos e meio – acabou por cair no mundo em busca de sua própria
identidade. O que os irmãos descobriram em suas jornadas e o que se perdeu no
caminho calaram fundo no ator. “Foi uma surpresa ver uma pessoa que passou por
processo tão maluco de adoecimento e alienação se revelar de uma tremenda
lucidez e uma auto-ironia muito forte. Não foi à toa que ele queria ir pra
Índia, afinal lá os loucos são considerados iluminados. O Heitor questiona
nossa sociedade de uma forma muito genial e autêntica.”
Mas Uma Longa Viagem
marcou também o reencontro de Blat com uma época que muito lhe interessa e na
qual esteve outras vezes, afinal o curta O
Quintal dos Guerrilheiros(2005) e os longas O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias (2006) e Batismo de Sangue (2007) também se
passam entre o fim da década de 1960 e início dos anos 70. “É que [nessa época]
tem essa predisposição de ir para o mundo, de questionar tudo e todos, de
querer romper com a família e as instituições, novas formas de consciência,
novas formas de comportamento... acho que a minha geração [ele nasceu em 1980] que
já cresceu na democracia nunca vai ter a dimensão do que é viver em um país sob
a ditadura, de ter que lutar por liberdade de expressão.”
Esse movimento pendular de uma época entender a outra, de
uma geração dialogar com outras, sempre o acompanhou. Foi assim com sua paixão
pelos livros desde os tempos de criança, começando pelos romances de mistérios
e crimes escritos por Agatha Christie (1890-1976) e seguindo pela poesia de
Castro Alves (1847-1871) e Álvares de Azevedo (1831-1852). Lendo sempre e
trabalhando muito, Blat foi construindo uma carreira variada, com novelas para
toda família (Um Anjo Caiu do Céu, Da Cor do Pecado e Caminho das Índias), filmes densos (Lavoura Arcaica, Quanto Vale
ou é por Quilo? e Bróder),
trabalhos mais leves (O Bem Amado, Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos
e As Melhores Coisas do Mundo) e até,
espírita que é, longas que versam sobre sua crença (Bezerra de Menezes - O Diário de um Espírito e As Mães de Chico Xavier).
“Comecei muito novo [a atuar] então meus trabalhos se
aproveitaram dessas diversas fases. Tinha uma cara de menino, então isso me
manteve durante muitos anos fazendo personagens que tinham certa pureza, mas
também fiz filmes fortes com diretores com linguagens muito diferentes como
Cláudio Assis (Baixio das Bestas) e
Hector Babenco (Carandiru), que
inclusive não se bicam”, relembra.
Após lançar Xingu
e Uma Longa Viagem, Blat aguarda a
finalização de Corpo Fechado, o primeiro longa de Luiz Henrique Rios, diretor
de novelas da Rede Globo, baseado em contos do livro Sagaranade Guimarães Rosa. Também está
filmando A Pele do Cordeiro, novo
filme de Paulo Morelli (Cidade dos Homens),
e daqui alguns meses voltará a colocar os pés no Projac para atuar em Lado a Lado, novelas da faixa das 6.
“Essa trajetória me enriqueceu muito, ajudou a criar minha
própria linguagem e me deu vontade de interferir mais no processo, tanto que
dos últimos sete ou oito filmes que fiz também sou produtor associado. Fora que
de uns quatro ou cinco anos para cá comecei a interpretar adultos e foi uma conquista
importante. Alcancei uma maturidade nos personagens”, explica o jovem adulto
que teima em esconder com uma vasta barba sua eterna cara de menino curioso.
dois clipes brasileiros novinhos em folha chegaram na internet no dia de hoje. tem o primeiro video do capixaba SILVA (sobre a bela "a visita") e uma nova produção em nome de junio barreto ("passione", a melhor faixa do disco setembro), videoclipe dirigido por lírio ferreira e alexandre stockler, com participação de mariana ximenes, xico sá, mombojó e zé celso martinez corrêa.
agora é a hora de começar a colocar aqui a série de frilas que antecedeu minha entrada (semana passada) na editora três como editor do site da revista istoé, entre outras coisas. nova fase começando, novidades e desafios a dar com o pau, incluindo o fim da minha coluna no yahoo (mas essa é outra história porque ainda rolará uma despedida por lá). por aqui, a minha edição de um perfil que fiz para a edição de junho dabrasileiros. é o resultado de pouco mais de uma hora de conversa ótima com joão paulo lorenzon, ator paulistano conhecido por seus monólogos. seus dois últimos trabalhos ainda estão em cartaz, últimas apresentações (serviço lá no final).
MERGULHOS SOLO
Com dois monólogos
simultaneamente em cartaz, o ator João Paulo Lorenzon investiga o amor e as
perdas a partir de obras literárias
A campainha toca e quem primeiro surge é um grande dog
alemão latindo. Logo atrás vem João Paulo Lorenzon para tranquilizar e abrir portas. “Não se preocupe; ele é que nem o [Jorge Luís] Borges, cego e manso”,
diz o ator de 33 anos recém-completos. A citação não é nada gratuita, pois o
escritor argentino é uma figura recorrente na carreira desse artista que vem se
especializando em monólogos teatrais. Mas tudo a seu tempo.
Lorenzon recebe a reportagem da Brasileiros no Espaço
Mágico, lugar em que ensaia e dá aulas para não-atores. Provavelmente esse seu
lado de professor explique a voz mansa e bem colocada, mas é o ator que fala
mais alto transformando impactos emocionais íntimos em solos à flor da pele. E
sua história nos palcos começou bem cedo, mesmo que tenha demorado a ser
assumida. “Minha primeira aparição foi lá no [Teatro] Vento Forte. Ilo Krugli, o
argentino que fundou o grupo, fazia um Diabo que falava ‘Ninguém pode me deter’.
Lembro que estava fantasiado e puxei minha espada de plástico, devia ter uns 6
ou 8 anos, e disse ‘Eu posso!’. Logo percebi o que tinha feito, ultrapassei uma
parede ali, então soltei a espada e fiquei chorando no colo da minha vó,
morrendo de vergonha.”
Mais velho, no ensino médio, Lorenzon se encontrou novamente
com o teatro. “Foi no colégio que percebi que gostava desse mundo da fantasia,
de poder ser todos e não ter que escolher uma única coisa, ser uma única coisa.
Também acho que tive na infância uma dose de lirismo exagerado porque era muito
ligado a minha avó materna e a casa dela era cheia de redes, dragões, totens,
música alta, desenhos pra cima e pra baixo.” Mas não havia meio de se
desvencilhar daquele momento de vergonha infantil no Vento Forte e prestou
Direito, formou-se e até passou no exame da OAB. Ao mesmo tempo insistia e
durante esse período participou de uma montagem de Rei Lear, com Raul Cortez, foi dirigido por Elias Andreato,
arriscou-se no cinema (De Cara Limpa)
e se manteve dando aulas.
Até que foi aceito no Núcleo Experimental do Sesi, deixou
essa história de advocacia e ficou na companhia teatral por três anos, em uma fase
que define como de estruturação e formação. “Quando saí do Sesi queria montar
uma coisa pessoal, mas não tinha pensando em um solo. Era mais procurar algo
que me encantasse. Tinha vários fragmentos e me deparando com o material do [Jorge
Luís] Borges é que percebi que poderia ser bonito estar sozinho. Um homem
lidando com sua poesia, seu silêncio, sua memória e a possibilidade do infinito
na sua solidão.” Daí que nasceu Memória
do Mundo (2008), um ou vai ou racha para Lorenzon, um acerto de contas com
seus próprios fantasmas em relação a profissão. Saiu dele vivo e, feliz e
finalmente, certo de seu caminho.
Seguiram-se novos voos solo: O Funâmbulo (2009), de Jean Genet, e De Verdade (2010), baseado no livro do húngaro Sandor Márai. “Já no
De Verdade quis mostrar o fracasso
amoroso numa espécie de afogamento lento”, relembra. No entanto uma série de
dificuldades técnicas impediu a realização desse projeto como havia sido
imaginado e somente no final da temporada é que, em um daqueles providenciais
acasos, o ator conheceu o artista plástico Maurizio Mancioli e seu Acquabox.
Como já era tarde demais, e sem sentido, refazer De Verdade, o jeito foi criar um novo espetáculo, Água (2011).
Numa série de mergulhos dentro de um cilindro com 2,5 metros
de água, Lorenzon interpreta os muitos e variados momentos do amor a partir de
textos de autores como Umberto Eco, Clarice Lispector, Carlos Drummond e
William Blake. “Diferente dos meus outros solos, onde fui tomado por um impacto
emocional, no Água fui tomado por uma
ideia. Pensei, isso vai ficar bonito.”
Agora, enquanto Água
continua em cartaz até fim de junho, o paulistano estreia seu quinto solo, Eu Vi o Sol Brilhar em Toda sua Glória. É
um novo encontro com o texto de Jorge Luís Borges (1899-1986), mas dessa vez
apontando para perdas maiores que as do amor. “É sobre como nós somos feitos do
que perdemos”, resume e logo se coloca como exemplo. “Sinto que encontro a
minha palavra melhor quando fecho os olhos. Tem uma ‘brincadeira’ com a cegueira
do Borges, mas também tem isso de se despir da aparência e ir para uma coisa
anterior.” Em busca de perguntas e respostas. Mais perguntas que respostas.
ÁGUA
Espaço Parahaus, até
24/06, sextas e sábados às 21h e domingos às 19h
coisa do inglês quantic, um dos preferidos da casa. dois de seus projetos já apareceram por aqui - o adubado flowering inferno e o colombiano combo bárbaro - e agora chegou a hora de outro, o igualmente colombiano los miticos del ritmo. ano passado saiu o ótimo EP hip hop en cumbia (tru thoughts, 2011) e no final de abril veio o disco de estreia, los miticos del ritmo (soundway, 2012). discaço feito com músicos de cali, cidade que tem sido residência de will "quantic" holland desde 2007, e que é cumbia tradicional de cabo a rabo. nada mais moderno, principalmente quando se ouve o que os miticos del ritmo fazem, portanto, com queen ("another one bites the dust") e michael jackson ("don't stop 'til you get enough"). escuta só.
tem também uma versão sensacional de "satta massagana", clássico jamaicano do the abyssinians, só que farei uma postagem especial só com versões dessa música. mas opa! já ia esquecendo! quantic já lançou outro disco esse ano junto com a cantora alice russell e seu combo bárbaro. look around the corner (tru thoughts, 2012) é outro que precisa ser ouvido. tá cheio de músicas sensacionais soul/latinas como "una tarde en mariquita", "i'd cry", "boogaloo 33" e "su suzy". mas a minha preferida é "similau", toda sensual e dramática, perfeita para a trilha de um filme do tarantino.
e pra finalizar, um minidocumentário com os bastidores de outra música do disco, "i’ll keep my light in my window", gravada durante as rebeliões que se espalharam por londres durante agosto do ano passado (áudio no final do video).
ih, voltei. juro que é a última vez. é que tem essa versão acústica de "i'd cry", muito diferente da que saiu no disco.
o texto abaixo, "fã, essa coisa louca", foi o resultado do jeito que assisti o "polêmico" show de tributo à legião urbana com wagner moura nos vocais. não me incomodaram os (muitos) desafinos do ator porque, pelo menos do jeito que vi, ele é um fã que foi alçado ao posto de cantor de uma grande karaokê. simples assim. sem crise. e como renato russo não é deus pra mim (nem deus é deus pra mim)... de resto, a coluna mais recente no yahoo é "comédia mtv e o humor como lente de aumento", de título (quase) autoexplicativo.
FÃ, ESSA COISA LOUCA
Desde que o mundo é mundo o fã é uma das espécies mais
resistentes a chuvas e trovoadas. É gente que enfrenta qualquer parada. Sabe aquele
grande cometa desgovernado que matou todos os dinossauros? Então, ele não conseguiria
arranhar um grupelho de admiradores da Claudia Leitte ou do Luan Santana. É a
força das paixões, apontam os estudos.
Ontem e anteontem, a MTV exibiu o Tributo à Legião Urbana, no qual Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá
se encontraram com o ator Wagner Moura para tocar, “talvez pela última vez”, o
repertório de uma das bandas mais importantes da história recente da música
brasileira. No decorrer das transmissões, fãs da Legião, de Renato Russo, de
Moura e até os não-fãs se bateram e insultaram nas redes virtuais para provar
que seu ponto de vista era o mais certo de todo o universo.
Grande parte das tijoladas mirou o ator e sua voz desafinada
(bem, por isso ele é ator e não cantor), mas também choveram acusações ao
oportunismo da empreitada. Como todo tributo é oportunista em seu DNA vou aqui
me deter apenas em Wagner Moura. Nas chamadas do show ele se declarou muito fã
da Legião Urbana (“uma banda que marcou minha geração”) e não coincidentemente
cantou duas músicas de Russo & Cia. em filmes recentes que protagonizou (“Será” em VIPs e “Tempo perdido” em
O Homem do Futuro).
Aí fiquei pensando... quem não gostaria de ter a
oportunidade de cantar músicas que ama, com gente que admira (além de Bonfá e
Villa-Lobos estiveram presentes Fernando Catatau e Andy Gill do Gang of Four),
para uma plateia gigante e animada, e com transmissão ao vivo pela TV? Ainda
mais quando não se é cantor e sim fã?
O tributo foi um grande e emocionante karaokê para Moura e a
plateia ali presente não pareceu se importar com o ator desafinado. Cantaram
junto, cantaram alto, eram tão fãs quanto ele. E fã é sem noção mesmo, não tem
vergonha de pagar mico. Não estou falando aqui de coragem (bravura) e sim de um
tipo de desprendimento que só um fã de carteirinha pode ter. Coisa de maluco
mesmo. Desafinar é bobagem, afinal em karaokê ganha quem grita mais.
De resto, e essa vai para os indignados do momento, esse Tributo à Legião Urbana é só mais um
show. Não é o fim do mundo. Relaxem. Amanhã tem mais.
e o eduardo roberto (aka @euamotubaina) me convidou para fazer uma seleção para o seu tumblr de mixtapes, o cinco músicas. não tive dúvida, fiz um recorte (negro) entre as músicas que tenho ouvido ultimamente. curumin ("afoxoque") e oquadro ("balançuquadro") já tinham aparecido aqui pelo esforçado, e de brasileiro entrou também "nem se, nem dó", música do sensacional disco de estreia do café preto, projeto de dub liderado por cannibal (devotos). as outras duas vieram da áfrica: "ekassa 24" é do nigeriano victor uwaifo, a grande estrela da coletânea the rough guide to psychedelic africa, e "make is fast, make it slow" é a faixa-título de um disco de 1977 do ganês rob.
já tinha visto esse mixcloud em outros blogs e foi tão rápido o processo (de mandar pro eduardo e ele subir no tumblr) que acho que o usarei para fazer umas mixtapes mensais aqui. será que conseguirei? aguardem os próximos capítulos.
esse é o nome do cara. ele foi designer e ilustrador, mas pode ter sido outras coisas também. talvez sua melhor produção tenha acontecido na década de 1930 ou pelo menos o que ficou mais conhecido seja dessa época. japonês, claro. e não consegui achar mais nada. cheguei a ele via um link postado pelo daniel bueno com uma seleção bem bacana de artes gráficas japonesas dos anos 1920 e 30. mas esse trabalho do okayama saltou aos olhos. o traço moderno, as perspectivas malucas, e legal ver - mesmo nessa micro seleção - como ele passou a desenhar esses cartazes publicitários ainda mais livremente no decorrer da década (e mais cores, muito mais cores). saca só.
coincidência boa que na semana que estive em fortaleza por motivos familiares saíram sons novos do meu conterrâneo don l, vocalista do grupo costa a costa, e o disco de estreia dos baianos d'oquadro. era o nordeste me chamando atenção mais uma vez e saiu esse "a hora e a vez do rap nordestino". já o texto mais recente no yahoo, "fã, essa coisa louca", trata do quebra-pau virtual envolvendo o tributo à legião urbana com o ator wagner moura fazendo os vocais.
A HORA E A VEZ DO RAP NORDESTINO
Uma das muitas coisas boas da democracia digital é que
produção de qualidade (se é boa ou ruim de fato é outra história) não é mais
sinônimo de ter que se mudar de mala e cuia para o Eixo Rio-São Paulo. Daí que
mais gente, vozes e sotaques são ouvidos, principalmente em um país tão grande
e diverso como o nosso, e todo mundo sai ganhando, pode acreditar. Mas por
exemplo, o rap é um dos gêneros musicais que vem amadurecendo mais rapidamente
no Brasil e na última década uma nova geração apareceu com força (Emicida,
Lurdez da Luz, Criolo, Kamau, Ogi, Savave, Karol Konká, tanta gente). E é
interessante de ver e ouvir que o Nordeste também vem contribuindo para esse
amadurecimento.
Lembro agora de memória dos pernambucanos Zé Brown e Inquilinus (mas acho que o grupo
acabou), dos cearenses RAPadura Xique-Chico (ver e ouvir video abaixo) e Costa a Costa e dos baianos Risco
88 e OQuadro, mas tem gente
da Paraíba,
do Rio Grande do Norte, etc. No
entanto, a deixa para essa coluna foram os lançamentos do disco de estreia
d’OQuadro e das primeiras músicas do trabalho solo de Don L, o
principal vocalista do Costa
a Costa.
Comecemos com Don L, que já no Costa a Costa se mostrava um
rimador diferente com jeitão de produtor e atento para sonoridades não usuais
no rap nacional. Vida Premium é o
nome de seu disco solo e dele saíram “Enquanto acaba” (com base de piano jazz,
citação a Chico Buarque e participação da brasiliense Flora Matos) e “Cafetina
seu mundo” (mais pesada, pop e com letra bastante atual).
“Perguntar o que tem do Ceará na minha música é perguntar o
que tem do Ceará em mim. Tenho certeza de que encontrarão a alma de um cearense
na minha música e acho mais interessante do que um chapéu de palha. No Criolo,
por exemplo, que é filho de cearenses, percebo uma melancolia tipicamente
cearense nas letras, uma coisa que você pode ver nos primeiros discos do
Belchior por exemplo. Não sei se tenho isso. Talvez sejam outras
características cearenses, as minhas. Não sei dizer. Sei que não forço. Não me
importo. Me interesso por coisas do mundo todo, tanto quanto, ou até mais do
que me interesso por coisas do Ceará. Por que motivo não poderia? Sou um
cidadão do mundo. Agora uma coisa que não posso deixar de ser é cearense. Isso
eu sempre serei, com todo prazer e orgulho”, disse Don L em conversa por email.
Já quando questionado sobre o que existe de Bahia no rap
d’OQuadro, o baixista Ricardo Santana, ou Ricô, falou que “olhamos pro mundo a
partir daqui, afinal é o lugar onde moramos. É a maior concentração de negros
do mundo depois da África. É um estado onde a cultura pulsa numa diversidade
infinita de ritmos, passando pela literatura, teatro, cinema e etc. Somado a
isso temos grandes problemas sociais que se refletem nas desigualdades, na
violência, nos lamentos e nas formas de celebrar desse povo. E tudo isso nos
influencia direta ou indiretamente. Seria impossível afirmar que não sofremos
influências de nomes como Os Tincoãs, Edgar Navarro, Adonias Filho, dentre
outros tantos. As influências são muitas, mas não nos limitamos a elas. Na
verdade não há fronteiras pra arte e hoje em dia grandes artistas podem surgir
dos lugares mais improváveis, surpreendendo a todos e quebrando estereótipos.
Mas cada estado, cada cidade, tem o seu contexto. Eles versam sobre as verdades
deles, nós cantamos as nossas.”
Em ambos os casos, as raízes são importantes, mas não podem
e nem devem prender. E o excelente disco OQuadro tem seus pés firmes no rap (tem participação de Lurdez da Luz, por exemplo), mas com rimas que ganham novos sentidos ao som de
dub, samba, ijexá, afrobeat, jazz, afrosamba e o diabo a quatro. Essa
multiplicidade (liberdade) de sonoridades, misturas, diálogos e sotaques de
grupos ou artistas estão fazendo do Nordeste um dos lugares mais férteis para o
rap brasileiro. Afinal, em se rimando, tudo dá.
p.s. 1: OQuadro é formado pelas vozes de Rans, Freeza e Jef,
o guitarrista Rodrigo Dalua, o baixista Ricô, o baterista Victor Santana e o
percussionista Jahgga.
p.s. 2: toquei no assunto da democracia digital em outro
texto do Yahoo, “Faça você
mesmo”.
esses papos com don l e ricô aconteceram no facebook e por email. seguem abaixo outras perguntas e respostas que não entraram no texto do yahoo.
DON L
qual a diferença do rap do don l? existe essa preocupação
(em soar diferente)? e qual a diferença entre teu trabalho solo e no costa a
costa?
não existe essa preocupação porque não existe esse problema.
eu faço música pensando num conceito de álbum, em termos de produção e em
termos de ideias sobre as quais quero falar. na verdade faço as músicas
muito no instinto, só depois que tenho algumas prontas cai a ficha do álbum, do
conjunto da obra. daí pra frente as coisas ficam mais claras, e as músicas vêm
mais ainda dentro do conceito que começa a se desenvolver pro disco na minha
cabeça. mas é muito natural porque a música é só uma forma de expressar
minha busca e minhas experiências com o mundo, comigo mesmo, e a relação entre
as duas coisas. minhas aspirações, meus amores, meu ódio. minha versão da vida em
2012. na mixtape do costa a costa, em 2007, o momento era completamente
diferente. mesmo musicalmente, se em 5 anos você não vier completamente
diferente, não é verdadeiro, você parou no tempo, ou tá tentando repetir uma
fórmula. eu não uso livros de receita.
o que você acha do rap feito fora do eixo rio-sp? como você
se encaixa nele? o que tem de mais interessante?
acho que não existe mais
uma característica de escola de acordo com o local de onde vem a música. as
diferenças que você pode classificar por cidade, são muito mais mercadológicas.
mas se a música que você faz tem o que ela precisa ter pra estar entre o que é
considerado relevante e influente nacionalmente ou até internacionalmente, mais
cedo ou mais tarde ela vai chegar a esse ponto. acho que nesse momento sou um
artista relevante e influente pro rap brasileiro. mas isso não quer dizer
retorno financeiro.quer dizer que você
conseguiu alguma visibilidade por mérito do seu trabalho. hoje você pode chegar
a esse ponto sem ir pro eixo. a partir daqui, a partir desse ponto, já é outra
história. gosto muito de flora matos que é de brasília, e karol konká que é de
curitiba, mas estão no sudeste agora. alguns que considero promessas são
gasper, de goiânia, zudzilla, de pelotas, e risco 88 de salvador. mas tem
muitos outros, não sou o cara mais bem informado, tô muito concentrado no meu
próprio disco a um bom tempo.
RICÔ (OQUADRO)
qual a diferença do rap d'oquadro? existe essa preocupação
(em soar diferente)?
o rap é um gênero musical onde cada artista, cada grupo, faz de seu jeito, de acordo com suas experiências de vida, com suas influências
e referências culturais. isso torna o rap rico e diversificado. com oquadro,
ainda podemos somar o fato de ser feito com instrumentos convencionais, o que
torna, naturalmente, o nosso rap mais orgânico. mas nada disso foi premeditado
ou programado para soar diferente. nossa música é resultado dos recursos e dos
acessos que tínhamos até então. hoje, depois da obra pronta, podemos perceber
nessa estética que criamos uma série de conceitos interessantes. mas tudo isso
vem acontecendo espontaneamente.
o que você acha do rap feito fora do eixo rio-sp? como vocês
se encaixam nele? o que tem de mais interessante?
quando começamos a nossa caminhada, ainda enquanto
adolescentes, lá pelos meados dá década de 90, os únicos grupos que faziam rap
e que tínhamos acesso no brasil, eram do rio, são paulo e de brasília. agora
estamos no século 21, onde as informações estão aí pra quem busca. grandes
artistas podem surgir dos lugares mais improváveis, surpreendendo a todos e
quebrando estereótipos. agradecemos a mrn, câmbio negro, athalyba e a firma e
etc., por nos influenciarem. a identificação foi e sempre será muito grande.
mas, cada estado, cada cidade tem o seu contexto.