é assim que o dj cremoso se autodenomina. e quem há de duvidar do paraense? ouve só a deliciosa lambança que ele fez em "losing my religion" do r.e.m. (a melhor até agora entre os remixes cremosos).
e em "smells like teen spirit" do nirvana?
Smells Like Teen Spirit (Dj Cremoso Remix) by Dj Cremoso
o cabra ainda tem a-ha ("take on me"), lady gaga ("poker face") e the killers ("human"). fiquei sabendo via bruno nogueira do pop up!
atualização: e o sujeito segue produzindo. tem new order ("blue monday"), michael jackson ("beat it"), katy perry ("i kissed a girl"), depeche mode ("enjoy the silence"), the police ("roxanne"), oasis ("don't look back in anger") e assim por diante.
mas ó, tô aqui com uma pulga atrás da orelha. tô achando que cremoso talvez seja fake, quer dizer, que seja personagem ou pseudônimo de algum músico. o que não muda muito no frigir dos ovos, afinal, o som é massa e é de verdade (e, puuutz, o twitter do sujeito tem momentos impagáveis como esse "eu faço tudo com um pc e um teclado com ritmo. mas só gosto de poucos sons que tem nele" ou "estão insistindo pra mim que o negocio agora é lançar disco com pouca música. melhor pra mim que tenho pouca música pra lançar" ou ainda "pessoal, o novo remix vai demorar mais pra sair. o meu guitarrista nescafé caiu da bike e é ele quem me passa as cifras das músicas"). e agora, radiohead e "idioteque".
segunda-feira, 1 de março de 2010
rimas livres
ando meio devagar por aqui. só pra ter uma ideia já tem quase um mês que não rola uma domingueira. é que tô tentando não procrastinar as obrigações e batalhas pessoais, dando mais atenção pra carolina, essas coisas da vida real. mas aí vi esse documentário curto sobre o freestyle no rap e deu aquela vonta de jogá-lo no esforçado. dirigido por pedro gomes, freestyle - um estilo de vida (2009) tem a presença de alguns dos rappers que mais atuam nesse subgênero (será esse o termo?) que aliam repertório, vocabulário, humor, agressividade, técnica e sentimento. gente como emicida, max b.o., kamau, projota, marechal, shawn, funkero e slim rimografia. fiquei sabendo via twitter do per raps e blog oportal rap.
pedro gomes já dirigiu clipes para o pentágono ("multicultural"), pop armada ("the apple anthem") e akira presidente ("o que tu quer").
pedro gomes já dirigiu clipes para o pentágono ("multicultural"), pop armada ("the apple anthem") e akira presidente ("o que tu quer").
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
nneka, o nome da fera
filha de pai nigeriano e mãe alemã, nneka egbuna nasceu no natal de 1981 na cidade de warri, costa sudoeste do mesmo país do mestre fela kuti. aos 18 levantou âncora e se mandou para hamburgo estudar antropologia, mas já dando seus pulinhos no canto e no violão. sua voz linda, cantando em inglês e no língua igbo de sua terra natal, foi registrada pela primeira vez em 2005 no ep the uncomfortable truth e no mesmo ano no disco independente victim of truth. em 2008 veio no longer at ease, o primeiro disco que ouvi da moça, mas foi só no ano passado, ouvindo repetidamente a excelente mixtape que ela fez em parceria com o produtor j. period (the madness), que me apaixonei por ela. hoje fiquei sabendo que saiu nos eua o disco concrete jungle (decon records, 2010), um ótimo catadão de músicas de seus primeiros discos para apresentá-la ao público norte-americano. conheça você também nneka.
soul, rap, reggae, afrobeat, política, africanismo, fela kuti, bob marley, mos def, lauryn hill, poesia urbana, tudo isso e muito mais se encontra no canto de nneka. olha aqui o video da música "africans", filmado em lagos, capital da nigéria.
agora, nada melhor que ser bem apresentada e a moça apareceu uns dias atrás no programa de david letterman e cantou com muita força a música "heartbeat" (que também tem clipe, só que não incorporável por causa da mente tacanha de algum executivo de gravadora). ah, "heartbeat" e "africans" estão em concrete jungle junto com outras maravilhas do naipe de "showin' love", "mind vs. heart", "kangpe", "suffri", "come with me" e "walking".
e pra encerrar, a mixtape the madness está disponível para download gratuito no site do j. period. é imperdível. vai na fé. basta clicar na imagem abaixo.
soul, rap, reggae, afrobeat, política, africanismo, fela kuti, bob marley, mos def, lauryn hill, poesia urbana, tudo isso e muito mais se encontra no canto de nneka. olha aqui o video da música "africans", filmado em lagos, capital da nigéria.
agora, nada melhor que ser bem apresentada e a moça apareceu uns dias atrás no programa de david letterman e cantou com muita força a música "heartbeat" (que também tem clipe, só que não incorporável por causa da mente tacanha de algum executivo de gravadora). ah, "heartbeat" e "africans" estão em concrete jungle junto com outras maravilhas do naipe de "showin' love", "mind vs. heart", "kangpe", "suffri", "come with me" e "walking".
e pra encerrar, a mixtape the madness está disponível para download gratuito no site do j. period. é imperdível. vai na fé. basta clicar na imagem abaixo.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
CORJA #7
pois então, é a hora e a vez do corjacast #7. gravamos um mês atrás, no dia de aniversário de são paulo, e a demora mais uma vez é culpa do mano oga e de sua agenda maluca (ainda mais agora que tá solto no mundo, deixando o quarto andar do prédio da ed. globo no jaguaré um pouco mais triste). no cardápio, os venezuelanos do papashanty saundsystem, os cariocas do sobrado 112, o peruano melcochita, a inglesa-hindu susheela raman e o clássico encontro de clementina de jesus, adoniran barbosa e carlinhos vergueiro, além da fenomenal letieres leite & orkestra rumpilezz ao fundo. segura a bronca.
corjacast#7 by dafne47
corjacast#7 by dafne47
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
procrastino eu, procrastinas tu
uma vez, o sábio paulistanoriental alexandre inagaki escreveu que "procrastinação é como masturbação. no começo é bom, mas depois você percebe que só está fodendo a si mesmo". verdade nua e crua. e essa postagem é mais uma prova disso, afinal deve ter (e tem) alguma coisa que deveria estar fazendo no lugar disso. mas calma, tô aqui pensando alto, tentando resolver o jeito como esse "mal do século" me atinge. é blog, twitter, gafieiras, revista monet, coisas de casa, cuidados com a saúde e os frilas, tão necessários financeiramente quanto profissionalmente. tanta coisa pra fazer, tão pouco tempo, e aí a gente coloca uns lances na frente de outros, empurra com a barriga, adia o inevitável... peraí, mas que tal escutar a faixa-título do disco the procrastinator (blue note, 1967), do grande trompetista lee morgan (1938-1972)? ao lado dele, wayne shorter, herbie hancock, bobby hutcherson, ron carter e billy higgins.
Lee Morgan - The Procrastinator by dafnesampaio
onde eu tava mesmo? adiando... e a internet é terreno fértil demais para se perder. dá pra passar uma vida toda (e mais) apenas consumindo, retuitando e comentando. como achar o equilíbrio? como desenhar uma linha divisória entre prazer, trabalho e produção? terapia ajuda? livros de auto-ajudam? inteligência emocional se compra na quitanda? imagino que as soluções pra isso são pessoais e intransferíveis, e que cada um se vire com seus mecanismos de fuga da realidade. por exemplo, o desenhista e animador lev yilmaz não chegou a nenhuma conclusão sobre o tema em um episódio de 2006 da sua série "tales of mere existence" (olha o canal dele no youtube).
claro, é sempre mais fácil diagnosticar do que resolver. tão fácil se perder. que o diga o irlandês johnny kelly e seu curta procrastination (2007), trabalho de fim de curso no royal college of art. fiquei sabendo dessa animação via oga mendonça.
Lee Morgan - The Procrastinator by dafnesampaio
onde eu tava mesmo? adiando... e a internet é terreno fértil demais para se perder. dá pra passar uma vida toda (e mais) apenas consumindo, retuitando e comentando. como achar o equilíbrio? como desenhar uma linha divisória entre prazer, trabalho e produção? terapia ajuda? livros de auto-ajudam? inteligência emocional se compra na quitanda? imagino que as soluções pra isso são pessoais e intransferíveis, e que cada um se vire com seus mecanismos de fuga da realidade. por exemplo, o desenhista e animador lev yilmaz não chegou a nenhuma conclusão sobre o tema em um episódio de 2006 da sua série "tales of mere existence" (olha o canal dele no youtube).
claro, é sempre mais fácil diagnosticar do que resolver. tão fácil se perder. que o diga o irlandês johnny kelly e seu curta procrastination (2007), trabalho de fim de curso no royal college of art. fiquei sabendo dessa animação via oga mendonça.
Procrastination from Johnny Kelly on Vimeo
não tem jeito, não dá pra refletir sobre procrastinação (ainda mais quando se é vítima da dita) sem empurrar outras coisas para escanteio. é preciso achar o tal equilíbrio, sair da masturbação e partir, talvez, para o sexo grupal. será? amanhã...quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
letra/música #13
exatamente um mês atrás ouvi uma coletânea que me deixou de cara, de queixo caído, assombrado mesmo de tão sensacional quanto verdadeira. foi no blog mundo estranho de pb, do músico paulo beto (ou anvil fx), que me deparei com amargurado, triste e sozinho - uma amostragem nua e crua da psicoperiferia, um catadão de compactos produzidos na década de 1980 por compositores esquecidos e radicados em são paulo, quase todos genéricos de célebres artistas populares dos anos 1970 (tipo odair josé, waldick soriano, etc). tem um luiz heleno e sua "anticoncepcionais", o vesgo catuí e suas "prostituta heroína" e "empregada doméstica", e ainda edval rafael, japecanga, gesildo calixto e o sensacional geraldão da colina, autor de "coquetel no céu" e "passat", música escolhida pra essa edição do letra/música. saca só o tipo...
passat
(geraldão da colina)
cortei o pau
eu mesmo fiz a gamela
eu pintei a casinha branca pra ela
cortei o pau
eu mesmo fiz a gamela
eu pintei a casinha branca pra ela
no mês de agosto,
sabe o que me aconteceu?
o acontecimento foi o que me entristeceu
o cravo branco botei na cabeça dela
veio o passat, lá do rio, e levou ela
o cravo branco botei na cabeça dela
veio o passat, lá do rio, e levou ela
carro veloz derrubou a gameleira
no caminho, quando eu vi, era só poeira
carro veloz derrubou a gameleira
no caminho, quando eu vi, era só poeira
quando eu cheguei, as criança contou tudo
foi um passat que trazia um cabeludo
quando eu cheguei, as criança contou tudo
foi um passat que trazia um cabeludo
Geraldão da Colina - Passat by dafnesampaio
p.s.: toda a história da criação de coletânea e o respectivo e imperdível link para download estão lá no mundo estranho de pb.
passat(geraldão da colina)
cortei o pau
eu mesmo fiz a gamela
eu pintei a casinha branca pra ela
cortei o pau
eu mesmo fiz a gamela
eu pintei a casinha branca pra ela
no mês de agosto,
sabe o que me aconteceu?
o acontecimento foi o que me entristeceu
o cravo branco botei na cabeça dela
veio o passat, lá do rio, e levou ela
o cravo branco botei na cabeça dela
veio o passat, lá do rio, e levou ela
carro veloz derrubou a gameleira
no caminho, quando eu vi, era só poeira
carro veloz derrubou a gameleira
no caminho, quando eu vi, era só poeira
quando eu cheguei, as criança contou tudo
foi um passat que trazia um cabeludo
quando eu cheguei, as criança contou tudo
foi um passat que trazia um cabeludo
Geraldão da Colina - Passat by dafnesampaio
p.s.: toda a história da criação de coletânea e o respectivo e imperdível link para download estão lá no mundo estranho de pb.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
pra que discutir com a madame?
tá, juro que essa é a última vez (por enquanto) que falo no national film board of canada. é que vi outra animação impressionante produzida por lá, madame tutli-putli (2009), da dupla maciek szczerbowski e chris lavis. indicado ao oscar no ano passado, o curta de 17 minutos é uma viagem surreal, e ocasionalmente tensa, de uma mulher rumo ao desconhecido, e em ritmo de stop-motion. impressionante como todos os personagens tem olhos muito vivos - principalmente os da madame -, tanto que parecem aprisionados dentro dos bonecos. e se o final te deixar em suspenso, na dúvida, não se preocupe. são coisas da vida, pode acreditar.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
uma grande dama
acho que já falei por aqui que não gosto de entrevistar por telefone. falta o olho no olho, a reveladora linguagem corporal, enfim, falta uma porrada de coisas. mas como o tempo ruge e as distâncias existem, ocasionalmente não existe saída. foi assim com marília pêra em maio de 2008. o mote da entrevista pra revista monet era a estreia, no canal brasil, de vestido de noiva, de joffre rodrigues. olha o trailer.
confesso que até hoje não vi o filme, mas conheço bem a genial peça do nelson rodrigues, já li algumas vezes. e a entrevista? que desperdício falar apenas uns 20 minutos com uma atriz com tanta história pra contar. e ela foi tão profissional ao telefone, tão anti-estrela. enfim... segue aqui o bate-papo, direto do meu baú (que há tempos não abria).
INSTINTO PURO - A grande dama fala de sua relação com a obra de Nelson Rodrigues – das crônicas que a avó lhe contava para dormir à cafetina do filme Vestido de Noiva
Quando você assistiu uma peça do Nelson pela primeira vez?
Tenho uma história anterior com o Nelson porque quando tinha, sei lá, uns 5 anos meus pais saíam para trabalhar no teatro e me deixavam com a minha avó, que era atriz também, lá no Rio Comprido. E ela lia pra mim na cama aquelas crônicas de A Vida Como Ela É. Não tinha idéia de quem escrevia, mas gostava muito daquilo. Tenho esse encontro com Nelson ainda muito menina. Depois vi Toda Nudez Será Castigada, Bonitinha Mas Ordinária e todas as adaptações para o cinema. Fiz também alguns trechos de peças dele para o Fantástico na década de 1970 e depois, em 1998, estive em uma montagem de Toda Nudez.
Alguma razão para essa demora?
É que foi a primeira vez que me convidaram pra fazer um Nelson Rodrigues e como não produzo tudo o que faço... foi só por isso. Outras atrizes foram fazendo e houve um momento em que montaram muito as peças dele. Acho que acabou surgindo um desinteresse meu por causa disso, por causa de tantas boas montagens. Já estava feito. Aí fui esquecendo da minha vontade de fazer.
Qual a contribuição do Nelson Rodrigues para a dramaturgia nacional?
Ele é um revolucionário e uma pessoa louca, mas no sentido criativo. Engraçado. Com uma família dilacerada e uma coragem de expor todas as coisas que aconteceram com ele. Teve uma vida muito rica, uma história muito sofrida e tudo colocado ali no teatro. É um clássico. É o nosso maior autor e um desbravador que abriu o caminho para muitos autores brasileiros.
E como chegou o convite para participar dessa adaptação?
Acho que o Joffre Rodrigues [diretor do filme e filho de Nelson Rodrigues] pretendia fazer com outras atrizes, uma delas era a Lucélia Santos, mas não sei porque não aconteceu com nenhuma delas e ele acabou chegando a mim. Quando ele chegou com o texto e o convite não entendi muito bem porque sempre imaginei a Madame Clessy como uma mulher de 40 anos. Achei estranho porque tenho uma idade maior que essa, mas ele disse que isso não tinha importância e partimos para o filme.
Como foi a experiência de viver a Madame Clessy?
Viver qualquer texto do Nelson é uma experiência rica porque ele tem um jeito todo particular de contar a vida. Queria muito viver isso. E a Clessy é linda, é uma personagem muito bonita que morre de amor por um menino de 17 anos. Sempre vi a Madame Clessy muito meiga e delicada, diferente de outras interpretações que deram a ela. Já vi a Clessy muito incisiva, mais cafetina mesmo, mas sempre imaginei ela mais doce, mais menina. Aliás, eu tenho mesmo essa tendência de puxar o lado menina das personagens. Gosto de fazer isso.
E porque você faz isso?
Acho que a alma da personagem está na criança. É quando ela é mais verdadeira. Eu sempre regrido um pouco os personagens para entender suas almas. Acho que é isso. E a Madame Clessy é uma menina, uma menina.
Isso me lembra seu personagem em Polaróides Urbanas...
É que as gêmeas são puro instinto e a criança é puro instinto. A Magali e a Magda talvez tenham essa coisa mais infantil, mais espontânea. Possuem menos auto-censura.
Como foi o trabalho em Polaróides?
O Miguel Falabella é um homem de teatro. Primeiro como ator e depois como escritor, produtor e diretor. Depois é que foi fazer televisão e agora está começando em cinema. O Miguel é muito talentoso e delicado no trato com os atores. Essa é uma diferença muito visível entre os diretores que são também atores e os diretores-diretores. Os diretores-atores possuem um extremo cuidado com os atores e um desejo enorme de deixá-los à vontade e felizes. Voltando ao Miguel... ele sabia muito bem o que queria, nunca ficou perdido e conseguiu com o diretor de fotografia uma movimentação de câmera muito cinematográfica. Acho o filme muito bem acabado, muito redondo. E muito bonito, o que acabou me surpreendendo porque a minha parte é muito chanchada da Atlântida – a Magali e a Magda são a Dercy Gonçalves [risos] - e não sabia que aconteceriam tantos momentos pungentes e dramáticos nas outras partes.
e pra encerrar, o video da "polêmica" participação da atriz no especial elas cantam roberto (2009), no qual interpretou a setentista "120, 150, 200 km por hora". é um pouco cheio de excessos teatrais mais que a conta, mas é forte e de verdade.
p.s.: procurando videos de marilia no youtube achei uma propaganda de sempre livre que ela estrelou em 1974. toda metalinguística, a propaganda teve um trecho censurado - um close na aba do absorvente (?) - e a história é contada no blog almanaque da comunicação.
confesso que até hoje não vi o filme, mas conheço bem a genial peça do nelson rodrigues, já li algumas vezes. e a entrevista? que desperdício falar apenas uns 20 minutos com uma atriz com tanta história pra contar. e ela foi tão profissional ao telefone, tão anti-estrela. enfim... segue aqui o bate-papo, direto do meu baú (que há tempos não abria).
INSTINTO PURO - A grande dama fala de sua relação com a obra de Nelson Rodrigues – das crônicas que a avó lhe contava para dormir à cafetina do filme Vestido de Noiva
Quando você assistiu uma peça do Nelson pela primeira vez?
Tenho uma história anterior com o Nelson porque quando tinha, sei lá, uns 5 anos meus pais saíam para trabalhar no teatro e me deixavam com a minha avó, que era atriz também, lá no Rio Comprido. E ela lia pra mim na cama aquelas crônicas de A Vida Como Ela É. Não tinha idéia de quem escrevia, mas gostava muito daquilo. Tenho esse encontro com Nelson ainda muito menina. Depois vi Toda Nudez Será Castigada, Bonitinha Mas Ordinária e todas as adaptações para o cinema. Fiz também alguns trechos de peças dele para o Fantástico na década de 1970 e depois, em 1998, estive em uma montagem de Toda Nudez.
Alguma razão para essa demora?
É que foi a primeira vez que me convidaram pra fazer um Nelson Rodrigues e como não produzo tudo o que faço... foi só por isso. Outras atrizes foram fazendo e houve um momento em que montaram muito as peças dele. Acho que acabou surgindo um desinteresse meu por causa disso, por causa de tantas boas montagens. Já estava feito. Aí fui esquecendo da minha vontade de fazer.
Qual a contribuição do Nelson Rodrigues para a dramaturgia nacional?
Ele é um revolucionário e uma pessoa louca, mas no sentido criativo. Engraçado. Com uma família dilacerada e uma coragem de expor todas as coisas que aconteceram com ele. Teve uma vida muito rica, uma história muito sofrida e tudo colocado ali no teatro. É um clássico. É o nosso maior autor e um desbravador que abriu o caminho para muitos autores brasileiros.
E como chegou o convite para participar dessa adaptação?
Acho que o Joffre Rodrigues [diretor do filme e filho de Nelson Rodrigues] pretendia fazer com outras atrizes, uma delas era a Lucélia Santos, mas não sei porque não aconteceu com nenhuma delas e ele acabou chegando a mim. Quando ele chegou com o texto e o convite não entendi muito bem porque sempre imaginei a Madame Clessy como uma mulher de 40 anos. Achei estranho porque tenho uma idade maior que essa, mas ele disse que isso não tinha importância e partimos para o filme.
Como foi a experiência de viver a Madame Clessy?
Viver qualquer texto do Nelson é uma experiência rica porque ele tem um jeito todo particular de contar a vida. Queria muito viver isso. E a Clessy é linda, é uma personagem muito bonita que morre de amor por um menino de 17 anos. Sempre vi a Madame Clessy muito meiga e delicada, diferente de outras interpretações que deram a ela. Já vi a Clessy muito incisiva, mais cafetina mesmo, mas sempre imaginei ela mais doce, mais menina. Aliás, eu tenho mesmo essa tendência de puxar o lado menina das personagens. Gosto de fazer isso.
E porque você faz isso?
Acho que a alma da personagem está na criança. É quando ela é mais verdadeira. Eu sempre regrido um pouco os personagens para entender suas almas. Acho que é isso. E a Madame Clessy é uma menina, uma menina.
Isso me lembra seu personagem em Polaróides Urbanas...
É que as gêmeas são puro instinto e a criança é puro instinto. A Magali e a Magda talvez tenham essa coisa mais infantil, mais espontânea. Possuem menos auto-censura.
Como foi o trabalho em Polaróides?
O Miguel Falabella é um homem de teatro. Primeiro como ator e depois como escritor, produtor e diretor. Depois é que foi fazer televisão e agora está começando em cinema. O Miguel é muito talentoso e delicado no trato com os atores. Essa é uma diferença muito visível entre os diretores que são também atores e os diretores-diretores. Os diretores-atores possuem um extremo cuidado com os atores e um desejo enorme de deixá-los à vontade e felizes. Voltando ao Miguel... ele sabia muito bem o que queria, nunca ficou perdido e conseguiu com o diretor de fotografia uma movimentação de câmera muito cinematográfica. Acho o filme muito bem acabado, muito redondo. E muito bonito, o que acabou me surpreendendo porque a minha parte é muito chanchada da Atlântida – a Magali e a Magda são a Dercy Gonçalves [risos] - e não sabia que aconteceriam tantos momentos pungentes e dramáticos nas outras partes.
e pra encerrar, o video da "polêmica" participação da atriz no especial elas cantam roberto (2009), no qual interpretou a setentista "120, 150, 200 km por hora". é um pouco cheio de excessos teatrais mais que a conta, mas é forte e de verdade.
p.s.: procurando videos de marilia no youtube achei uma propaganda de sempre livre que ela estrelou em 1974. toda metalinguística, a propaganda teve um trecho censurado - um close na aba do absorvente (?) - e a história é contada no blog almanaque da comunicação.
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
o átomo, a cachoeira e as identidades
mais uma edição triplo x, amiguinhos e amiguinhas. começando com massive attack, aquele grupo inglês que fez um baita sucesso na década de 1990 (protection, lembram?) e que acabou de lançar seu quinto disco, o ótimo heligoland (virgin/emi, 2010). a música é "splitting the atom", tem participação do sempre excelente horace andy e o misterioso clipe, dirigido por edouard salier, vai se mostrando e se escondendo aos poucos. dá pra saber que é uma cidade e que está em apuros.
de volta ao brasil , é a vez dos cariocas do amor. a música é "cachoeira" e o clipe foi dirigido por gustavo benjão e raissa de góes. tudo (música e clipe) é divertido, pop e surreal. confira.
e pra finalizar, quase como sempre, uma animação que, curiosa e coincidentemente, tem um estilo parecido com o clipe do massive attack. dirigido pelos holandeses andré berg e arno de grijs, pivot (2009) é um surpreendente labirinto de ação, reação e troca de identidades. outra dica da @babee.
de volta ao brasil , é a vez dos cariocas do amor. a música é "cachoeira" e o clipe foi dirigido por gustavo benjão e raissa de góes. tudo (música e clipe) é divertido, pop e surreal. confira.
e pra finalizar, quase como sempre, uma animação que, curiosa e coincidentemente, tem um estilo parecido com o clipe do massive attack. dirigido pelos holandeses andré berg e arno de grijs, pivot (2009) é um surpreendente labirinto de ação, reação e troca de identidades. outra dica da @babee.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
domingueira de 1 ano
um ano. 12 meses. 365 dias. é o tempo de vida desse espaço aqui, o esforçado. o primeiro post do blog foi pro ar em um sábado, igualmente quente e ensolarado, e eu não tinha ideia se conseguiria mantê-lo, se pessoas apareceriam (fora os amigos), se seria divertido, se tanta coisa... e depois de um ano posso dizer que consegui mantê-lo (391 posts, esse é o 392), que pessoas apareceram (aproximadamente 17 mil visitas e 24 mil pageviews) e eu tô me divertindo bastante (o twitter também colaborou nessa onda). quero agradecer muito a todos que passaram e passam por aqui, afinal um dos grandes motivos de ter criado esse blog vem da minha vontade de compartilhar coisas bacanas e/ou divertidas e/ou etc. então, continuem por aqui porque eu também estou. sempre.
mas hoje é domingo, dia de domingueira, e como é momento especial saquei uma carta coringa. é um show, na íntegra, de um dos meus heróis pessoais, itamar assumpção. essa apresentação sensacional é de 1983, está dividida em 5 partes e conta com as presenças de suzana salles e virginia rosa (vocais), rondó (guitarra), paulo lepetit (baixo) e gigante brasil (bateria), além da participação especialmente de denise assumpção, irmã de itamar. um salve pro nego dito! e um beijo em todo mundo.
parte 1
parte 2
parte 3
parte 4
parte 5
mas hoje é domingo, dia de domingueira, e como é momento especial saquei uma carta coringa. é um show, na íntegra, de um dos meus heróis pessoais, itamar assumpção. essa apresentação sensacional é de 1983, está dividida em 5 partes e conta com as presenças de suzana salles e virginia rosa (vocais), rondó (guitarra), paulo lepetit (baixo) e gigante brasil (bateria), além da participação especialmente de denise assumpção, irmã de itamar. um salve pro nego dito! e um beijo em todo mundo.
parte 1
parte 2
parte 3
parte 4
parte 5
sábado, 6 de fevereiro de 2010
a fome e a vontade de comer
olha, o canal do national film board of canada no youtube é um poço sem fundo de coisas bacanas, mas sempre começo pelas animações e documentários (como o do leonard cohen, logo abaixo). aí achei esse fome (1974), do húngaro-francês peter foldès (1924-1977), um dos pioneiros da animação computadorizada lá no início da década de 1970. perturbador, datado (no bom sentido) e instigante, o curta foi indicado ao oscar e ganhou um prêmio do júri do festival de cannes. a excelente trilha eletrônica e noiada é do canadense pierre brault.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
os humores de um poeta
sei que é falado em inglês, não tem legendas e é um tanto longo para os padrões da internet. sei também que perdi umas coisas aqui e outras ali (coisas da vida, né não?), mas mesmo assim ladies and gentlemen... mr. leonard cohen (1965), média-metragem dos canadenses donald brittain (1928-1989) e don owen, é preciosidades daquelas bem preciosas mesmo. o grande leonard cohen ainda não tinha gravado seu primeiro e fundamental disco songs of leonard cohen (columbia, 1968), só que esse bob dylan canadense (e igualmente de família judia, mas de montreal) já era bem conhecido como escritor. seu livro de poesias, the spice box of earth, fez um burburinho internacional em 1961. e aí, entre a poesia e a música, cohen é flagrado muito informalmente pela dupla de documentaristas (diacho, ele tinha 31 anos na época, então porque ele parece mais "velho" que eu? será o p&b? será a poesia?). enfim, absolutamente sensacional. ah, o caminho que esse video fez até mim foi mais ou menos o seguinte: alexandre rodrigues, joca reiners terron e ronaldo bressane. voilá, mr. cohen.
muito, muito obrigado national film board of canada.
muito, muito obrigado national film board of canada.
as 3 mulheres de lucas, o futuro e um coração puro
pois é, anunciaram e garantiram que o clipe ia se acabar, mas eles continuam aí, vivinhos da silva por toda a internet. e bons como sempre. ontem, o lucas santtana divulgou no seu twitter o primeiro clipe do disco sem nostalgia (diginois/yb discos, 2009). a música é a linda "cira, regina e nana" e o clipe é singelo e supercarioca.
já esse próximo não é bem um clipe, é um ao vivo em estúdio do rapper blitz the ambassador. a música se chama "remembering the future" e tá no disco stereotype (2009), mas essa versão é diferente, mais doce, com direito a violinos e esse estranho instrumento africano. dica do daniel tamempi (só pedrada).
e pra encerrar esse triplo x, o clipe de um dos projetos mais interessantes do ano passado: blakroc, que nada mais é que a união dos roqueiros do black keys com um timaço de rappers, entre eles ludacris, rza e raekwon. no clipe e na música "ain't nothing like you (hoochie coo)" estão presentes mos def e jim jones. a gravação de blakroc (v2, 2009) foi filmada e dividida em episódios no site oficial.
já esse próximo não é bem um clipe, é um ao vivo em estúdio do rapper blitz the ambassador. a música se chama "remembering the future" e tá no disco stereotype (2009), mas essa versão é diferente, mais doce, com direito a violinos e esse estranho instrumento africano. dica do daniel tamempi (só pedrada).
e pra encerrar esse triplo x, o clipe de um dos projetos mais interessantes do ano passado: blakroc, que nada mais é que a união dos roqueiros do black keys com um timaço de rappers, entre eles ludacris, rza e raekwon. no clipe e na música "ain't nothing like you (hoochie coo)" estão presentes mos def e jim jones. a gravação de blakroc (v2, 2009) foi filmada e dividida em episódios no site oficial.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
don hertzfeldt X malcolm sutherland
senhoras e senhores, sobem ao ringue dois animadores peso-pesado. no canto esquerdo (ou direito?), o californiano don hertzfeldt, 33 anos, que já foi indicado à palma de ouro em cannes pelo curta billy's balloon (1998) e ao oscar por este rejected (2000).
e no canto direito (ou esquerdo?), o canadense malcolm sutherland, premiado autor de curtas como great ambition (2008), the astronomer's dream (2009) e light forms (2010), além deste the tourists (2007).
quem leva?
e no canto direito (ou esquerdo?), o canadense malcolm sutherland, premiado autor de curtas como great ambition (2008), the astronomer's dream (2009) e light forms (2010), além deste the tourists (2007).
quem leva?
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
amazônia ama
dois geniais curtas de amor produzidos no amazonas. primeiro, o delicado declaração cabocla, de paulo rodrigues júnior.
e agora, o divertido e musical geyzislaine, meu amor, feito pelos alunos do centro cultural cláudio santoro.
a dica veio do fotógrafo joão wainer lá em seu twitter. é que ele esteve em manaus na semana passada, dando um curso de "fotografia em vídeo" dentro do projeto curta em circuito, e ficou sabendo dessas preciosidades manauras.
e agora, o divertido e musical geyzislaine, meu amor, feito pelos alunos do centro cultural cláudio santoro.
a dica veio do fotógrafo joão wainer lá em seu twitter. é que ele esteve em manaus na semana passada, dando um curso de "fotografia em vídeo" dentro do projeto curta em circuito, e ficou sabendo dessas preciosidades manauras.
sábado, 30 de janeiro de 2010
documentando música
"fragmentos de um show no inverno portoalegrense. relatos de arthur sobre seu ofício, inspirações e afinidades". estrelando o sempre excelente arthur de faria e seu conjunto.
"mini-documentário sobre a passagem do macaco bong pelo auditório ibirapuera em show com convidados especiais: jack do porcas borboletas, siba, vitor araújo e a metaleira do móveis coloniais de acaju". precisa dizer mais?
"mini-documentário sobre a passagem do macaco bong pelo auditório ibirapuera em show com convidados especiais: jack do porcas borboletas, siba, vitor araújo e a metaleira do móveis coloniais de acaju". precisa dizer mais?
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je deteste...
serge gainsbourg, claro! mas isso não é opinião minha, muito pelo contrário. afinal, o pai de charlotte é autor de discos geniais como gainsbourg percussions (philips, 1964), bonnie and clyde (mercury france, 1968) e histoire de melody nelson (light in the attic, 1971). je deteste serge gainsbourg é o título de uma mixtape tributo organizada pelo pessoal do bootlegsfr que joga no liquidificador gainsbourg, rappers franceses e samplers de figuras como michael jackson, offspring, kings of leon, snoop dogg, fatboy slim, nine inch nails e assim por diante. e todas as 19 faixas (14 + 5 de bônus) estão para download gratuito. basta clicar na imagem abaixo. ah, fiquei sabendo dessa parada via @doni.
e ainda: o show gainsbourg imperial, que reuniu, em 2009, a víuva de serge (a atriz jane birkin), caetano veloso, o maestro jean-claude vannier e a orquestra imperial, vai sair em dvd pelo selo sescsp; e semana passada estreou em paris gainsbourg - vie héroïque, de joann sfar, filme-biografia que tem chance de ser interessante (pelo menos, o personagem é). no mais, o matias reuniu uma pancada de videos e músicas do cara lá no trabalho sujo. diversão garantida.
e ainda: o show gainsbourg imperial, que reuniu, em 2009, a víuva de serge (a atriz jane birkin), caetano veloso, o maestro jean-claude vannier e a orquestra imperial, vai sair em dvd pelo selo sescsp; e semana passada estreou em paris gainsbourg - vie héroïque, de joann sfar, filme-biografia que tem chance de ser interessante (pelo menos, o personagem é). no mais, o matias reuniu uma pancada de videos e músicas do cara lá no trabalho sujo. diversão garantida.sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
transversão #31
classicão roqueiro da gota serena, "house of the rising sun" (ou "the house of the rising sun" ou ainda "rising sun blues") não tem pai, nem mãe, mas é fruto da intensa nova orleans no final do século 19 e de seus alegres e fatais puteiros (que também geraram o jazz). os primeiros registros fonográficos só foram acontecer na década de 1930 e devem muito a john e alan lomax (pai e filho), pesquisadores que saíram pelos estados unidos - como mário de andrade fez aqui - gravando músicas tradicionais, negras e brancas. músicas folk, folclóricas. esses primeiros registros possibilitaram que já na década de 1940 surgissem versões de figuras como woody guthrie e lead belly, e depois weavers, frankie laine, joan baez, bob dylan e nina simone. esta gravou em duas ocasiões. mais lentamente em nina at the village gate (colpix, 1962) e numa versão mais rápida em nina simone sings the blues (rca, 1967). fiquei com a mais rápida.
entre uma gravação e outra de nina, a música estourou mundialmente sob a responsabilidade de eric burdon e seus animals. era 1964.
o sucesso foi tão grande e essa música fez tanto sentido para tantas pessoas que logo nasceram traduções mundo afora. no brasil, por exemplo, agnaldo timóteo gravou "a casa do sol nascente" (versão de fred jorge) no disco surge um astro (odeon, 1965).
aqui ao lado, na colômbia, los speakers mandaram ver em "la casa del sol naciente".
e não é que no irã também rolou uma?! é de um pessoal chamado group takhala la e foi chamada de "dokhtar e darya", e não sei o que significa nada disso. mas ouvi essa versão - o gatilho pra esse transversão - no disco raks! raks! raks! 17 golden garage psych nuggets from the iranian 60's scene (raks records, 2009), uma dica quente de zeca camargo em seu blog.
e agora, pra encerrar com chave de ouro e em dose dupla, duas gravações em gêneros preferidos da casa. começando com jazz e donald byrd, e retirada do delicioso disco up with donald byrd (verve, 1964). ao piano, um jovem herbie hancock.
e passamos a régua com reggae estiloso de gregory isaacs, em registro do disco pardon me! (ras, 1992).
entre uma gravação e outra de nina, a música estourou mundialmente sob a responsabilidade de eric burdon e seus animals. era 1964.
o sucesso foi tão grande e essa música fez tanto sentido para tantas pessoas que logo nasceram traduções mundo afora. no brasil, por exemplo, agnaldo timóteo gravou "a casa do sol nascente" (versão de fred jorge) no disco surge um astro (odeon, 1965).
aqui ao lado, na colômbia, los speakers mandaram ver em "la casa del sol naciente".
e não é que no irã também rolou uma?! é de um pessoal chamado group takhala la e foi chamada de "dokhtar e darya", e não sei o que significa nada disso. mas ouvi essa versão - o gatilho pra esse transversão - no disco raks! raks! raks! 17 golden garage psych nuggets from the iranian 60's scene (raks records, 2009), uma dica quente de zeca camargo em seu blog.
e agora, pra encerrar com chave de ouro e em dose dupla, duas gravações em gêneros preferidos da casa. começando com jazz e donald byrd, e retirada do delicioso disco up with donald byrd (verve, 1964). ao piano, um jovem herbie hancock.
e passamos a régua com reggae estiloso de gregory isaacs, em registro do disco pardon me! (ras, 1992).
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
"con el abismo yo me enamoré"
não consigo parar de ouvir lhasa. todo dia aparece alguma de suas músicas nas listas randômicas que ouço, e tem sido assim desde que a conheci no início de janeiro desse ano (infelizmente, por causa de sua morte precoce aos 37 anos - falei mais aqui). aí resolvi juntar seus três maravilhosos discos e disponibilizar aqui para download como uma homenagem ao seu canto lindo em três línguas, suas letras melancólicas e instigantes, enfim, sua arte. acredito que ela não se importará. é do fundo do coração de um fã tardio. ah, deixei em itálico as faixas que mais gosto e linkei outras que possuem clipes.
la llorona (wea, 1998)
1. de cara a la pared (aqui, ao vivo)
2. celestina
3. desierto
4. por eso me quedo
5. payande
6. peces
7. floricanto
8. desdeñosa
9. pájaro (o título do post é um verso dessa música)
10. mi vanidad
11. arbol del olvido
the living road (nettwerk, 2003)
1. con toda palabra (e aqui, o clipe)
2. la marée haute
3. anywhere on this road
4. abro la ventana
5. j'arrive à la ville
6. la frontera
7. la confession
8. small song
9. my name
10. pa'llegar a tu lado
11. para el fin del mundo o el año nuevo
12. soon this space will be too small
lhasa (nettwerk, 2009)
1. is anything wrong
2. rising (e aqui, o clipe)
3. love came here
4. what kind of heart
5. bells
6. fool's gold
7. a fish on land
8. where do you go
9. the lonely spider
10. 1001 nights
11. i'm going in
12. anyone and everyone
e como faixa bônus, lhasa e patrick stewart cantam "between the bars", do cultuado elliott smith, em mais um registro de vincent moon.
Fiume Night 11 _ Lhasa de Sela & Patrick Watson _ Montreal, april 2009 from vincent moon / temporary areas on Vimeo
la llorona (wea, 1998)
1. de cara a la pared (aqui, ao vivo)
2. celestina
3. desierto
4. por eso me quedo
5. payande
6. peces
7. floricanto
8. desdeñosa
9. pájaro (o título do post é um verso dessa música)
10. mi vanidad
11. arbol del olvido
the living road (nettwerk, 2003)
1. con toda palabra (e aqui, o clipe)
2. la marée haute
3. anywhere on this road
4. abro la ventana
5. j'arrive à la ville
6. la frontera
7. la confession
8. small song
9. my name
10. pa'llegar a tu lado
11. para el fin del mundo o el año nuevo
12. soon this space will be too small
lhasa (nettwerk, 2009)
1. is anything wrong
2. rising (e aqui, o clipe)
3. love came here
4. what kind of heart
5. bells
6. fool's gold
7. a fish on land
8. where do you go
9. the lonely spider
10. 1001 nights
11. i'm going in
12. anyone and everyone
e como faixa bônus, lhasa e patrick stewart cantam "between the bars", do cultuado elliott smith, em mais um registro de vincent moon.
Fiume Night 11 _ Lhasa de Sela & Patrick Watson _ Montreal, april 2009 from vincent moon / temporary areas on Vimeo
perdido no espaço
esse moleque ainda vair dar muito o que falar. já disse isso? a babee colocou no tuiter essa música/video novo do kid cudi. meio brincadeira de maconheiro, mas com batida ótima, a música se chama "cudderisback". mais notícias sobre o garoto no blog dat new cudi.
KiD CuDi "cudderisback" - Directed by Jason Goldwatch - DatNewCudi.com from DP on Vimeo
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
são paulo de muitos
São Paulo de muitos from ciadefoto on Vimeo
projeto da cia. de foto que chamou um bando de fotógrafos (230!), profissionais e amadores, para reunir imagens sobre são paulo e suas várias caras e cores. ficou lindão, saiu na revista da folha de ontem, ganhou endereço próprio e contribui com essa aqui.
são paulo, essa é pra você
estou em são paulo desde 1994. já são 16 anos que amo cada momento vivido nessa cidade intensa, caótica, plural, divertida e extremamente calorosa. meu trabalho, meus amigos, meu amor, tudo está aqui em um liquidificador interminável e com resultados diariamente surpreendentes. e pra homenagear a cidade em seu aniversário lembrei de um dos trabalhos do gafieiras, lá do ano de 2003. o projeto são paulo, essa é pra você - que mais tarde foi apresentado na abertura de algumas sessões da 17ª mostra do audiovisual paulista - reuniu uma série de áudios de pessoas nas ruas da cidade lembrando de causos e sons. portanto, pode falar a sua, agenor (um vendedor de relógios na praça dom orione, no bixiga).
agora é a vez de célia, uma frequentadora dessa feira.
e maria, uma jovem menina romena, tocando no centro da cidade.
um beijo pra você, são paulo.
agora é a vez de célia, uma frequentadora dessa feira.
e maria, uma jovem menina romena, tocando no centro da cidade.
um beijo pra você, são paulo.
domingo, 24 de janeiro de 2010
domingueira
a verdade é que o último disco do marcelo d2 não me empolgou muito não. a arte do barulho (emi, 2008), seu quarto trabalho solo de estúdio (tem também o acústico mtv), veio com novas misturas de rap com samba, mas fiquei com a sensação de que os discursos (e algumas dessas misturas) começaram a se repetir. muito. mas é engraçado como o poder da imagem - caso parecido com o clipe do black drawing chalks de alguns posts atrás - transforma músicas medianas em boas músicas. basta fazer um clipe legal. é o caso de "meu tambor" (marcelo d2), todo filmado em nova york como um tributo ao estilo e aos cenários daquele rap que deu origem a tudo nos anos 1980. e com participação de zuzuka poderosa.
desse disco também foram feitos clipes das músicas "pode acreditar (meu laiá laiá)" (com seu jorge), "ela disse" (na música, vocais de thalma de freitas) e "desabafo" (com aquele bom sampler de "deixa eu dizer" com a cláudia).
desse disco também foram feitos clipes das músicas "pode acreditar (meu laiá laiá)" (com seu jorge), "ela disse" (na música, vocais de thalma de freitas) e "desabafo" (com aquele bom sampler de "deixa eu dizer" com a cláudia).
sábado, 23 de janeiro de 2010
letra/música #12
olha, se essa estreia solo de rogerman, o homem de frente do sempre ótimo bonsucesso samba clube, estiver à altura das cinco músicas que estão no pompéia EP (independente), divulgado pela internet em dezembro de 2009 (vi a primeira vez no blog discoteca nacional), temos um sério candidato a um dos melhores discos no ano. serião. "me desculpe", "superar", "o que é pra falar", "amor de bairro" (que já existia, em outra versão, no repertório do bonsucesso) e a lindíssima "eu tenho fé" levam a sonoridade de rogerman pra outras caminhadas, mais variadas, surpreendentes e de balanço muito atual. e esse amor todo na letra de "eu tenho fé" ainda flagra dueto inspirado de rogerman com luisa maita.
capa do EP que rola pela internet; já o disco cheio sairá pela YB,
mas ainda sem previsão de lançamento
eu tenho fé
(rogerman)
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
minha amada
independente do que houver
eu tenho fé
que eu voltarei pra te dizer que aprendi
a conviver e a ser feliz
eu tenho fé
que eu voltarei pra dormir contigo e mais tranquilo
iluminando com esses olhos todo esse horizonte lindo
eu tenho fé
que eu voltarei pra te dizer que aprendi
a conviver e a ser feliz
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
independente do que houver
eu tenho fé
que eu voltarei pra te dizer que aprendi
a conviver e a ser feliz
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
independente do que houver
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
minha amada
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
minha amada
minha amada
minha amada
minha amada
Eu Tenho Fé - Rogerman by Coelho
atualização em 2014: fábio trummer, da banda eddie, gravou um disco solo (trummer super sub américa) e fez sua versão pra linda "eu tenho fé".
capa do EP que rola pela internet; já o disco cheio sairá pela YB,mas ainda sem previsão de lançamento
eu tenho fé
(rogerman)
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
minha amada
independente do que houver
eu tenho fé
que eu voltarei pra te dizer que aprendi
a conviver e a ser feliz
eu tenho fé
que eu voltarei pra dormir contigo e mais tranquilo
iluminando com esses olhos todo esse horizonte lindo
eu tenho fé
que eu voltarei pra te dizer que aprendi
a conviver e a ser feliz
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
independente do que houver
eu tenho fé
que eu voltarei pra te dizer que aprendi
a conviver e a ser feliz
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
independente do que houver
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
minha amada
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
eu tenho fé
que eu voltarei pra te encontrar
minha amada
minha amada
minha amada
minha amada
Eu Tenho Fé - Rogerman by Coelho
atualização em 2014: fábio trummer, da banda eddie, gravou um disco solo (trummer super sub américa) e fez sua versão pra linda "eu tenho fé".
que solidão, que nada
tirinha do malvado andré dahmer, no brasil econômico de hoje (pg. 50). aliás, o jornal tá mandando bem na parte de cultura, quadrinhos e crônicas - tem uma da vanessa barbara, na pg. 49, sobre suas tartarugas, que tá impagável. ainda nos quadrinhos, rafael sica, arnaldo branco, etc.
a vida é uma só, vai acabaaar!
depois de um post tão confessional (e de flores e um jantarzinho delícia)... voltamos a nossa programação normal. talvez o melhor episódio (até agora) da segunda temporada do larica total foi o #16, "tenha sempre em casa", com receitas de drinks clássicos como cosmopolitan e sex on the beach. vai vendo.
essa música que toca no final do episódio ficou martelando na minha cabeça durante todo o final de semana passado. era familiar, muito familiar, pop na veia. mas não sabia de quem era, de quando era (anos 1990?), e muito menos como achá-la. não lembrava de nenhuma parte da letra (não conseguia saber se era inglês e o refrão ainda era assim todo de ê ô ê ô). bruna, que trabalhou como estagiária de texto na monet, matou a charada na segunda. na terça chegou um email com a confirmação de um dos diretores (caito mainier). a música se chama "hey oh", sucesso de 2003 do tragédie, dupla francesa formada em nantes por silky shai e tizy bone (y-zit). é rap pop farofa que gruda na mente, pois não.
essa música que toca no final do episódio ficou martelando na minha cabeça durante todo o final de semana passado. era familiar, muito familiar, pop na veia. mas não sabia de quem era, de quando era (anos 1990?), e muito menos como achá-la. não lembrava de nenhuma parte da letra (não conseguia saber se era inglês e o refrão ainda era assim todo de ê ô ê ô). bruna, que trabalhou como estagiária de texto na monet, matou a charada na segunda. na terça chegou um email com a confirmação de um dos diretores (caito mainier). a música se chama "hey oh", sucesso de 2003 do tragédie, dupla francesa formada em nantes por silky shai e tizy bone (y-zit). é rap pop farofa que gruda na mente, pois não.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
in a sentimental mood for carolina
falei aqui, poucos dias atrás, que em 22 de janeiro de 2000, eu e carolina nos beijamos pela primeira vez. já era alta-noite-madrugada quando os olhares trocados - nos conhecíamos desde 1997 - viraram outra coisa. na sequência, sem muito lero-lero porque paixão assim não acontece todo dia e nem dá pra segurar, veio o namoro, as descobertas e muitas outras coisas. alguns anos depois juntamos nossos trapinhos, casamos, e montamos nosso primeiro lar: um apartamento lindo e cheio de boas lembranças lá no baixo pinheiros, na rua joão elias saada. novas descobertas no convívio diário, novas delícias (rusgas, crises e brigas também, quem não as tem). mais um tempo se passou e nos mudamos para um outro apartamento que, desde janeiro de 2007, vem sendo decorado com novas e belas histórias nossas (ali na oscar freire, do lado de pinheiros). e assim, de casa em casa, dez anos se passaram. uma década ao lado de carolina, mulher linda, forte, bem humorada, esperta, companheira e com tantas outras qualidades que se for listar aqui vai parecer que estou mentindo. não estou. mas também não vou entregar o ouro, afinal ela é minha, sacumé. por isso, sobe o som.
taí uma música que é, sem sombra de dúvidas, a nossa música. é também a faixa que abre um dos melhores discos da história mundial do mundo: duke ellington & john coltrane (impulse, 1962). que essa música, e outras mais que virão, embale nossas próximas décadas de amor, conquistas e carinhos sem ter fim.
carolina, eu te amo!
taí uma música que é, sem sombra de dúvidas, a nossa música. é também a faixa que abre um dos melhores discos da história mundial do mundo: duke ellington & john coltrane (impulse, 1962). que essa música, e outras mais que virão, embale nossas próximas décadas de amor, conquistas e carinhos sem ter fim.
carolina, eu te amo!
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