sexta-feira, 14 de outubro de 2022

80 anos de Milton Nascimento

sacudindo a poeira aqui do blog - pois não tenho colocado os frilas que venho fazendo para a revista pesquisa fapesp desde o início de 2022 - venho com um novo frila pra sempre querida revista monet, um perfil frio do octagenário milton nascimento para a edição de outubro. aparentemente fácil de fazer, texto assim é mais difícil de costurar, pois é tanta informação importante e disponível que o trabalho maior é de buscar o mais importante, o que pode interessar mais. acho que deu certo aqui.

80 MILTONS

Shows e uma série documental homenageiam os 80 anos de um dos maiores nomes da música popular brasileira, Milton Nascimento

“Se Deus cantasse, teria a voz de Milton Nascimento”, disse certa vez Elis Regina. No próximo 26 de outubro, Elis, se estivesse viva, poderia dizer que o Deus que canta está completando 80 anos. Para homenagear marco tão importante, o Canal Brasil e o Canal Bis preparam programações especiais: no Brasil, a série documental Milton e o Clube da Esquina (2020) e o show Milton Nascimento: Uma Travessia - 50 Anos de Carreira (2013), enquanto o Bis exibe um show inédito de 1981 com Milton acompanhado pelo parceiro, e amigo desde a infância, Wagner Tiso. 

É um pouco das mais de seis décadas de músicas de um dos maiores artistas brasileiros, e que foi lançado justamente por Elis em 1966 quando a cantora gravou “Canção do sal”. Nascido no Rio de Janeiro, mas criado por sua família adotiva em Três Pontas (MG), Milton ganhou uma sanfona aos 4, cantava em bailes aos 13 e gravou sua primeira canção aos 20 (“Barulho de trem”, em 1962). Quando foi apresentado a Elis via Gilberto Gil – outro grande octogenário deste ano –, Milton já morava em Belo Horizonte e buscava conciliar a vida musical com uma faculdade de Economia. Depois de conhecer Elis, não precisou conciliar mais nada e apenas um ano depois, em 1967, ganhou o prêmio de melhor intérprete no Festival Internacional da Canção com “Travessia”, parceria sua com Fernando Brant.

Nessa época, segunda metade da década de 1960, Milton já havia conhecido Beto Guedes e os irmãos Márcio e Lô Borges, amigos e parceiros da vida toda, mas seus primeiros três discos seguem por um caminho mais bossa jazz. Tanto que o segundo, Courage, foi gravado nos EUA, tem canções em inglês, produção e arranjos de Eumir Deodato e participação de ninguém menos que Herbie Hancock (que viria se tornar um grande amigo e voltaria a gravar com Milton nas décadas seguintes). 

Foi em 1970, em seu quarto disco de estúdio, que Milton reuniu as composições dos irmãos Borges com o piano de Wagner Tiso e sua banda Som Imaginário para criar a sonoridade que melhor definiria sua carreira e criaria coletivamente, poucos anos depois, um dos discos mais importantes da história da música brasileira, Clube da Esquina (1972). Uma coisa assim Beatles encontra Minas Gerais mais psicodelia, progressivo, erudição, jazz e bossa, além de música regional e pitadas afro brasileiras. O coletivo – que além de Milton, Lô Borges e Beto Guedes, ainda era integrado por Toninho Horta e Tavito, entre outros - voltaria a se encontrar em Clube da Esquina 2 (1978).

A verdade é que, durante os anos 1970, Milton fez o seu próprio tropicalismo. Tão discreto, doce e lírico quanto ele mesmo. Tanto como compositor quanto como intérprete, foi nesta época que o carioca-mineiro deu ao mundo canções como “Para Lennon e McCartney”, “Cais”, “Nuvem cigana”, “Cravo e canela”, “Tudo Que você podia ser”, “San Vicente”, “Ponta de areia”, “Fé cega, faca amolada”, “Saudade dos aviões da Panair”, “Paula e Bebeto”, “O que será (À flor da pele)”, “A Lua girou”, “Circo Marimbondo”, “O cio da terra’ e “Maria, Maria”. Enquanto a década corria, foi censurado pela ditadura militar e boa parte das músicas do disco Milagre dos Peixes (1973) saiu de forma instrumental, lançou disco em parceria com o grande saxofonista americano Wayne Shorter (Native Dancer, em 1974), cantou ao lado de artistas como Alaíde Costa, Clementina de Jesus, Chico Buarque, Mercedes Sosa, Naná Vasconcelos, Gonzaguinha, e os grupos Boca Livre e Azimuth. 

Na década de 1980, ainda mais doce e crescentemente popular, Milton foi a cara e a voz da redemocratização do país. Lançada em 1983, “Coração de estudante” foi mais uma parceria com o grande amigo Wagner Tiso e bastou Milton cantar os primeiros versos, “Quero falar de uma coisa / Adivinha onde ela anda / Deve estar dentro do peito / Ou caminha pelo ar” para que um mundo de esperanças enchesse milhões de corações brasileiros durante a campanha das Diretas Já. E Milton não parou por aí, pois nessa década também lançou outras músicas-hinos do quilate de “Canção da América”, “Caçador de mim”, “Nos bailes da vida”, “Encontros e despedidas” e “Bola de meia, bola de gude”, e seguiu registrando grandes encontros, desta vez com Caetano Veloso, Roupa Nova, Ney Matogrosso, Uakti, Pat Metheny e Paul Simon.

Impossível mensurar quantos e quantas influenciou musicalmente, mas Milton sempre soube o que queria, apesar do jeito reservado. “Eu queria mais luz. Sempre foi assim, desde meus tempos de crooner em bailes. Via a cidade a noite, as luzinhas das casas, e queria que todas aquelas luzinhas me conhecessem. Cantando. (...) Tenho pavor do negócio póstumo. Quero tudo meu agora”, disse em entrevista para Bruna Lombardi no programa Gente de Expressão, em 1992. Nesta década gravou dois discos memoráveis, Txai (1990) e Angelus (1994), enfrentou seus primeiros problemas de saúde relacionados a diabetes, e deu a volta por cima com o show Tambores de Minas (1998).

Milton começou então a fazer um acerto de contas criativo com seu passado. Dos tempos de cantor em bailes nasceu Crooner (1999), totalmente de intérprete, depois veio Gil & Milton (2000), disco que registrou pela primeira vez o encontro dos dois. E ainda sobrou tempo para retornar a mão estendida que Elis lhe deu no começo de carreira, ao fazer o mesmo pela então cantora iniciante e filha de Elis, Maria Rita, no disco Pietá (2002). Quieto e inquieto, Milton Nascimento ainda fez, em parceria com Caetano Veloso, músicas para a trilha de O Coronel e o Lobisomem (2005), mas após completar 50 anos de carreira, em 2012, foi desacelerando. 

“Passa rápido demais o tempo, né? Não boto aqui que vou fazer 80 anos. Eu acho que tem um menino sempre dentro de mim”, disse Milton Nascimento em maio deste ano numa entrevista exclusiva para o programa Fantástico. Era tempo de anunciar que estava para sair na sua última turnê pelo país numa série de shows de despedida. Não da música, fez questão de deixar claro, mas dos palcos. Milton continua querendo luz, onde quer que seja.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

larica total reloaded

tem várias coisas que me orgulho nesses 20 e poucos anos como jornalista e uma delas é, certamente, ter feito a primeira reportagem pra grande imprensa sobre o mítico Larica Total lá no final de 2008. foi um delírio à primeira vista e rapidamente se tornou obsessão e eu falava igual ao personagem, usava frases, entonações, era uma loucura. e o programa foi crescendo e ganhando mais e mais fãs e isso em tempos de redes sociais engatinhando.

entrevistei Paulo Tiefenthaler, o ator-protagonista da série, sobre a primeira temporada ("Comida Kung Fu") e a segunda ("Xablablau no Tucupi"), ambas pra Revista Monet. então, dez anos após o fim da terceira temporada, eu, Larica Total e Monet voltamos a nos encontrar. é pq agora em meados de fevereiro irá ao ar, no Canal Brasil, um episódio inédito feito agora em dezembro junto a um documentário sobre esse reencontro, lembranças do início do programa e das três temporadas. então entrevistei, via zoom, Tiefenthaler, Caíto Mainier e Leandro Ramos. o resultado tá aqui.

Paulo de Oliveira ilustrado por Ronaldo Barata

RETROGOSTO DE QUERO MAIS

O acaso, às vezes, é acrobático. O “autor” desta frase, Paulo de Oliveira, jamais poderia imaginar como as piruetas e cambalhotas do destino o fariam se tornar um dos personagens mais queridos e influentes na recente história do audiovisual brasileiro. Paulo é o cara e a cara do Larica Total, programa que estreou no Canal Brasil em outubro de 2008 e que durante três temporadas e 74 episódios mudou o jeito de fazer comédia e comida na TV. Nunca foi comida de qualquer jeito, foi sempre comida a qualquer custo, feita de verdade, possível. 

Paulo também é, acima de tudo, o ator Paulo Tiefenthaler que, após dez anos do fim da terceira temporada em 2012, voltou a se encontrar com os parceiros-roteiristas-diretores Caíto Mainier, Leandro Ramos e Felipe Abrahão. O motivo é um especial de uma hora com episódio inédito e atual e um documentário dirigido por Pedro Asberg com lembranças, imagens do reencontro, e todo o processo de produção de um programa, desde o roteiro até a gravação (Vai Dar Certo - Larica Total 10 Anos Depois será exibido no Canal Brasil dia 19 de fevereiro, às 21h). 

O Larica Total abriu muitas portas e janelas para Tiefenthaler e nesses dez anos trabalhou bastante e fez de um tudo, desde séries como Amor Veríssimo, Coisa Mais Linda e Nada Suspeitos até filmes como A Noite da Virada, O Roubo da Taça e A Mulher do Meu Marido. Com o parceirão Canal Brasil idealizou as selfies-pensatas TiefenTalks e, mais recentemente, dirigiu e atuou na série Perdido. Criou até dois espetáculos gastronômicos-teatrais (Larica Live Concert e Fome, o Musical - Do Broto ao Bacon, Everybody Rocks). 

Tiefenthaler diretamente de Teresópolis

“Mas estava precisando dar uma retomada na energia solar do personagem. Só que tinha dúvida se conseguiria fazer esse personagem com essa alegria toda dez anos depois. Agora tenho 53 anos, sou um tiozão cinquentão de barba branca e mais careca”, disse Tiefenthaler diretamente de um sítio da família em Teresópolis onde se refugiou desde o início da pandemia em 2020. Foi lá que nasceu a ideia da volta do Larica Total. “Depois encontrei com Caíto e Felipe no Rio e falei... e se o Paulo voltasse nessa época maluca de pandemia e fascismo, e desse um alô, viesse com uma mensagem, e depois sumisse de novo?”. Todos gostaram, todos queriam trabalhar juntos novamente.

“A ideia de voltar sempre foi muito recorrente. Muita gente pedia. Tem os saudosistas, tem o pessoal que descobre o Larica porque é fã do Choque de Cultura que eu e o Leandro fazemos. Então a gente pensava, mas era mais uma coisa de desejo pessoal porque a gente logo lembrava o trabalho que dava com tão pouco dinheiro. Dessa vez tinha uma energia diferente. E todo mundo achou legal fazer o programa hoje, com o Paulo hoje, todo mundo hoje. E que seria legal documentar isso também”, afirmou Caito Mainier, que segue roteirista (Irmão do Jorel, Lady Night, etc), diretor (Décimo Andar), mas que também foi pra frente das câmeras (Falha de Cobertura, o já citado Choque e Os Salafrários).

Caíto Mainier diretamente do Rio de Janeiro

“A gente se colocou na mesma situação porque era interessante tentar refazer como era, e com a mesma equipe. Por outro lado, esse documentário foi como abrir uma caixa preta. Muita gente achava que era o Paulo que fazia tudo sozinho, improvisando. Então essa coisa do processo de fazer, de estar concentrado naquilo, a gente guardava muito pra gente mesmo. Agora, com esse documentário, a gente perdeu o medo de mostrar essa intimidade. A gente viu que rola, que tem um grau de concentração que é nosso. Isso foi libertador”, completou Leandro Ramos que, ultimamente, tem trabalhado mais como ator (nas séries Ninguém Tá Olhando e O Mecanismo e em filmes como Cabras da Peste, Papai é Pop e Juntos e Enrolados, além de uma participação na novela A Dona do Pedaço como Julinho da Van, seu personagem no Choque de Cultura). 

Leandro Ramos diretamente de São Paulo

Mas e aí? Foi tranquilo recuperar o fio da meada ou teve que pegar no tranco? “Ah, foi fácil retomar a energia com todo mundo de volta e naquela cozinha. A cozinha é como se fosse um figurino pro personagem. Mas eu estava muito ansioso, fiquei uns três dias sem dormir”, confessou Tiefenthaler. “Quando a gente chegou no apartamento não parecia que tinham se passado dez anos. Parecia que foram uns seis meses. O cara que mora agora lá não reformou nada e a cozinha estava mais velha”, e gargalhou ao relembrar os dois dias de gravação que aconteceram em meados de dezembro.

Mainier e Ramos também tiveram a mesma sensação. “A gente passou tanto tempo lá, pensando, criando, gravando, vivendo. Foram cinco anos fazendo aquilo, então era tudo muito familiar”, pontuou Mainier. “É que a nossa intimidade permanece a mesma, a gente se encontra, se fala e ocasionalmente trabalhamos juntos. Não teve aquele impacto de ficar dez anos sem ver as pessoas e se reencontrar”, disse Ramos. 

Tudo certo e azeitado no set de gravação, mas qual foi a receita escolhida para celebrar tão aguardado reencontro? Um cozido. “O cozido é uma receita que agrega muitos ingredientes, muitos legumes, e é uma coisa quentinha, gostosa, que reúne pessoas”, lembra Tiefenthaler sobre o prato que fizeram na mesma cozinha de uma década atrás. Mainier assina embaixo e complementa que “é uma receita fácil e dá essa ideia de aglomeração, de combinação de cores, sabores. Fazer esse episódio novo também tem isso da volta, das pessoas voltando a se encontrar. Voltar foi o tema que a gente usou e que permeia o episódio. Mas não significa a volta do Larica, significa apenas a volta do personagem naquele dia”.

Sim, todos deixam bem claro que não existem planos para novas temporadas do Larica Total. Não por vontades próprias. “Acho que no nosso atual universo audiovisual, a gente poderia voltar a fazer o Larica tranquilamente por mais uma, duas, três temporadas. Sem medo, sendo legal. Não seria uma novidade, mas também não precisa”, sentencia Mainier. Então faz uma pausa. “O que não dá mais, e nisso todo mundo concorda, é fazer naquele esquema de guerrilha. A gente não tem mais saúde. Precisa ter uma equipe maior, uma parada com estrutura, um investimento maior”.

Ramos acrescenta, na sinceridade, que “o programa acabou porque a gente não aguentava mais. Era muito exaustivo. Equipe reduzida, todo mundo fazia tudo. Era uma delícia, foi um grande aprendizado, mas daquele jeito a gente não consegue mais. A gente era jovem. Na guerrilha não dá mais”.

E Tiefenthaler adiciona uma dose de experiência pessoal nesse caldo de cansaços que encerrou o programa em 2012. “No começo era divertido gravar na própria casa, mas depois de um tempo foi ficando estressante. A equipe ia embora e eu continuava lá, naquele ambiente, e era um pouco confuso. Me desgastou muito”. Mainier reaparece e reduz o fogo. “Ganhamos APCA, o Prêmio da Revista Monet, tivemos liberdade pra criar, então todo mundo também estava com a sensação de dever cumprido depois de 5 anos intensos. Quando acabou a gente até tirou um pouco férias da gente mesmo”. Bola do jogo, sal na comida, vida que segue, normal.

“O Larica foi interrompido no auge. Um tanto por isso virou cult. E fomos influência pr’um monte de canais no YouTube, essa coisa de culinárias populares, improviso e humor”, diz um orgulhoso Tiefenthaler. O programa saiu do ar deixando os fãs com água na boca por mais receitas como Yakisobra, Sushi de Feijoada, Estragadinho e Churros de Aipim, o que pode muito bem ser reativado por esse tão aguardado reencontro. Vai saber o que ainda pode sair daquela cozinha?

Da ideia original de Terêncio Porto e Adriana Nolasco para um curta lá em 2006, ampliada pelo mítico Frango Total Flex feito no primeiro episódio, Paulo de Oliveira continuou sendo, nas palavras de Ramos, “o cara que cozinha com o que tem em casa, faz com o conhecimento que tem. Ele faz o que é possível, como nós”. E isso é humor que não acaba mais.

seguem abaixo TODOS os episódios das três temporadas de Larica Total

 

MELHORES EPISÓDIOS

Primeira Temporada (2008-09)

- 'Frango Total Flex': o piloto, a origem de tudo, um frango estragado, o erro como personalidade e recurso narrativo, frases lendárias como “Tá com medo do arroz?” e “Não tenho cara de que vou te ajudar?”; tá tudo ali, naquela cozinha

- 'Tenha sempre uma glicose em casa': roteiro espertíssimo costurando manhã de preparação da larica com muito leite condensado e chocolate, noite de festa de casamento e madrugada de volta pra casa bêbado feito um gambá, com direito a um final lindo e melancólico ao som de Bob Marley (“Chances Are”)

Segunda Temporada (2009-10)

- 'Peladona do primeiro andar': o programa teve várias participações especiais, mas a da atriz Karine Carvalho como uma vizinha divertida e naturalmente sedutora, o que gera uma baita química com Tiefenthaler, é uma das melhores e a receita é uma pão caseiro todo multigrãos

- 'Nos litorais do Carnaval me vi peixe ensaboado na Curva do Batman': um dos episódios mais delirantes que tem início com "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua" do Sérgio Sampaio e Paulo fantasiado de Batman minimalista, um peixe destruído por uma faca sem corte e uma piada maravilhosa com "Eyes Without a Face" de Billy Idol

Terceira Temporada (2011-12)

- 'Em Busca do Camarão Perfeito': o clima do episódio é uma paródia de Apocalypse Now e Paulo vai rio abaixo em busca do misterioso Baba Guru, um rasta criador de camarões; tudo em nome de um bobó pra entrar pra história

- 'Self-Ceviche Milenar': episódio em dois tempos, sendo que em um Paulo faz bico de guia turístico meio charlatão, e n’outro está em casa fazendo um ceviche e disparando frases como a lendária “Pintou tubarão? Vai no crawl”; participações especiais de Caito Mainier e Leandro Ramos

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

150 músicas e 50 discos de 2021

ano difícil da porra esse 2021. ano que fez 2020 parecer uma viagem de cruzeiro. certamente ouvi menos música e muito certamente ouvi menos discos inteiros de cabo a rabo e com atenção. tempos atrás eram quatro listas (músicas e discos brasileiros, músicas e discos gringos), ano passado caiu pra duas (músicas brasileiras e gringas) e agora fiz apenas uma juntando brasileiras e gringas tudo misturado (mas em ordem alfabética rsrsrs). 

e como tá tudo diferente mesmo, este ano abri uma exceção que nunca havia feito desde o começo das minhas listas em 2009: coloquei mais de uma música do mesmo disco; afinal, os trabalhos absolutamente fantásticos de três mulheres – Gaby Amarantos, Juçara Marçal e Little Simz – não me deram opção (e mesmo assim foi difícil fechar em duas). outras minas conhecidas da casa também botaram pra quebrar, tais como Aíla, Alessandra Leão, Alice Caymmi, Céu, Duda Beat, Flora Matos, Iara Rennó, Jorja Smith, Larissa Luz, Luana Carvalho, Mallu Magalhães, Nneka, Rosalía, St. Vincent, Tássia Reis, Xenia Rubinos e Yendry (e as estreantes Ana Flor de Carvalho, Duda Brack, Jadsa, Kimberose, La Dame Blanche e o fenômeno Marina Sena). como já venho repetindo nos últimos anos, as minas tem sido responsáveis pelas músicas mais interessantes e invariavelmente também são compositoras e produtoras.

dos manos preciso destacar algumas que foram muito trilha do meu ano: a espetacular "Cotidiano" do Rincon Sapiência; "Calling England Home" do Anthony Joseph (combinação foda de ethio jazz com spoken poetry); "Linda" d'Os Amantes (encontro de Jaloo com a dupla Strobo); a porrada de "Cleane" do Criolo; "Fim de festa" do saudoso Itamar Assumpção via Arnaldo Antunes e Vitor Araújo; "Me espera", o hit veraneio ijexá oitentista de Múlu (ex-DJ Omulu) com vocais de Letrux; as doçuras de "O tempo e o vento" de Roger W. Lima, "I Can't Wait" de Rodrigo Amarante, "Estrangeiro" de Rico Dalasan; os balanços poderosos de "Hustle" do Sons of Kemet, "Reza forte" do Baiana System & BNegão, "Santé" do Stromae, "Poke it Out" de Wale & J. Cole e "Brasa" do Saulo Duarte (com participação de Thalma de Freitas); e por último, o brega e o piseiro e vice versa de "Aquelas coisas" de João Gomes, "Amante de aluguel" de Johnny Hooker e "Unha de gel" d'Os Barões da Pisadinha. 

taí playlist com as 110 músicas. só o fino, né por nada não.

Aíla - Tô de Onda (feat. Rincon Sapiência)

Alessandra Leão - Borda da Pele

Alewya - Ethiopia

Alice Caymmi - Serpente

Amaarae - Sad Girlz Luv Money (feat. Moliy)

Amaro Freitas - Sankofa

Ana Flor de Carvalho - Delito

Anchorsong - Remedy

Anitta - Girl From Rio

Anthony Joseph - Calling England Home

Arnaldo Antunes & Vitor Araújo - Fim de Festa

Atmosphere - Crumbs (feat. Evidence & Muja Messiah)

Bacao Rhythm & Steel Band - Raise It Up

BaianaSystem - Reza Forte (feat. BNegão)

Bárbara Eugênia - Hold me Now

Bomba Estéreo & Leonel García - Como Lo Pedí

Bonbon Vodou - Fonkèr

Bonobo - Shadows (feat. Jordan Rakei)

Bruno Mars, Anderson Paak & Silk Sonic - Smokin Out The Window

Carolina Deslandes - Eco

Céu - I Don’t Know

Cindy Sanyu & Mungo's Hi Fi - Pull Up On Mi Bumpa

Cochemea - Mimbreños

Coruja BC1 - O Piano (feat. Margareth Menezes & Jonathan Ferr)

Criolo & Tropkillaz - Cleane

Don L - Na Batida da Procura Perfeita

Duda Beat - Nem um Pouquinho (feat. Trevo)

Duda Brack & Ney Matogrosso - Ouro Lata (feat. BaianaSystem)

El Michels Affair & Liam Bailey - Awkward (Take 2)

FaceSoul - Grow (Freestyle)

Felipe Cordeiro - Flecha

Felipe S - Liberta (feat. Barbarelli)

Filarmônica de Pasárgada - Rios e Ruas

Flora Matos - Chá de maçã

Gaby Amarantos - Amor pra Recordar (feat. Liniker)

Gaby Amarantos - Última Lágrima (feat. Elza Soares, Alcione & Dona Onete)

GIO - Joias

Gloria Groove - A Queda

Gustavo Pontual - Minha Onda (feat. Kael Semlote)

Heavy Baile & ÀTTØØXXÁ - Raposa Love

Homeboy Sandman - Go Hard

IAMDDB - JGL

Iara Rennó - Quase Amar

Ibeyi - Made of Gold (feat. Pa Salieu)

J. Cole - a m a r i

Jadsa - Run, Baby

Jesse Boykins III - No Love Without You

João Brasil - Funk Lento

João Donato & Jard Macalé - Cururu

João Gomes & Tarcísio do Acordeon - Aquelas Coisas

Johnny Hooker - Amante de Aluguel

Jorja Smith - Bussdown (feat. Shaybo)

Juçara Marçal - Crash

Juçara Marçal - Vi de Relance a Coroa

Kaytranada - $payforhaiti (feat. Mach-Hommy)

Kimberose - Pull Me Down

La Dame Blanche – Veneno

Larissa Luz - Afrodate (Dreadlov)

Lex Amor - Ruckus

Little Simz - I Love You, I Hate You

Little Simz - Point and Kill (feat. Obongjayar)

Lizzo - Rumors (feat. Cardi B)

L'Orange & Namir Blade - Corner Store Scandal

Los Yesterdays - Nobody's Clown

Luana Carvalho - Mainha

Luísa e os Alquimistas - I Love You Lulu (feat MC Tchelinho)

Major Lazer & Ludmilla - Pra te Machucar (feat. ÀTTØØXXÁ & Suku Ward)

Mallu Magalhães - América Latina

Marcelo Jeneci - Vem Vem (feat. Muse Maya)

Marina Sena - Me Toca

Masego - Mystery Lady (Sego’s Remix)

Menahan Street Band - The Duke

Meridian Brothers & Conjunto Media Luna - En Teusaquillo te Pueden Partir la Cara

Mick Jenkins - Contacts

Moonchild Sanelly - Undumpable

Mulú & Letrux - Me Espera

Mundo Livre S/A - Baile Infectado

Muzi - Interblaktic

niLL - Control (feat. DijahSB)

Nneka - With You

Onda Vaga - Deja

OQuadro - Asas (feat. Jorge Du Peixe)

Os Amantes (Jaloo & Strobo) - Linda

Os Barões da Pisadinha - Unha de Gel (Remix com Grave)

Owiny Sigoma Band - Changamooka

Pongo - Bruxos

Princess Nokia - Boys Are From Mars (feat. Yung Baby Tate)

Rico Dalasam - Estrangeiro

Rincon Sapiência - Cotidiano

Rodrigo Amarante - I Can't Wait

Roger W. Lima - O Tempo & O Vento (feat. Apollo 9)

Rosalía - La Fama (feat. The Weeknd)

Saulo Duarte - Brasa (feat. Thalma de Freitas)

serpentwithfeet - Amir

Sombra & Valério - Onde Orbitamos

Sons Of Kemet - Hustle (feat. Kojey Radical)

Sopico - Nuage

St. Vincent - Down

Stromae - Santé

Tamara Franklin - Fugio

Tank And The Bangas - Big (feat. Big Freedia)

Tássia Reis & Djonga - Ostentação da Cultura

The Brkn Record - Assimilation (feat. Dylema)

Tierra Whack - Stand Up

Tobe Nwigwe - Fye Fye (feat. Fat Nwigwe)

Wale - Poke It Out (feat. J. Cole)

Wayne Snow - Figurine

Xenia Rubinos - Don't Put Me In Red

Yendry - Ya

Zé Cafofinho - Bacuri (feat. Bárbara Eugênia)

ATUALIZAÇÃO: acabei não aguentando e fiz uma lista secundária com mais 40 músicas. algumas não entraram por pouco na primeira, outras eu esqueci e outras ouvi só agora aos 47 do segundo tempo. segue abaixo a lista e na sequência a playlist.

Agnes Nunes - Vish 

Aminé - Charmander

Arlo Parks - Portra 400

BADBADNOTGOOD - Love Proceeding

Botika - Carnívora (feat. Alice Caymmi)

Caetano Veloso - Pardo

César Lacerda - Parece Pouco (feat. Xênia França)

Common - When We Move (feat. Black Thought & Seun Kuti)

Damon Albarn - The Cormorant

Emicida - São Pixinguinha

Erika de Casier - Make My Day

Esty - 7heaven

Flo Milli - Ice Baby

Greentea Peng - Nah It Ain't The Same

Hiatus Kaiyote - And We Go Gentle

Jazmine Sullivan - Pick Up Your Feelings

Jorge Du Peixe - Sanfona Sentida

Khruangbin & Leon Bridges - B-Side

Laís de Assis - Terra Vermelha

Los Retros - Amtrak

Lulina & Hurso - Uma Tela do Bob Ross

Marlowe (L'Orange & Solemn Brigham) - Small Business

MC Carol - Mulher do Borogodó

Meia Banda - Ipê (feat. Moreno Veloso & Iba Sales Huni Kuin)

Nas - Nobody (feat. Ms. Lauryn Hill)

Nightmares On Wax - Breathe In (feat. OSHUN)

Noname - Rainforest

Nova Malandragem - Moanin

Pabllo Vittar - Triste com T 

Pat Kalla & Le Super Mojo - Cumbia de Paris

Rejjie Snow - Arigato

Rockers Control - Nine Out Of Ten

Rodrigo Campos - Deixa a Noite (feat. Verônica Ferriani)

Santa Salut - Un Altre Peto

Skepta - Nirvana (feat. J Balvin)

Thiago França - O Futuro Um Dia Volta

Tommy Guerrero - By the Sea at the End of the World

Tony Allen - Stumbling Down (feat. Sampa The Great)

Vince Staples - Are You With That?

Yebba - Far Away (feat. A$AP Rocky)


muita música, muita gente, muitas línguas e sons né. mas não custa deixar o registro de alguns discos do ano. uns emplacaram músicas na lista acima, outros não, e nada disso importa porque são todos discos fundamentais pra se entender um pouco do que aconteceu musical e humanamente no mundo em 2021 (em caps locko os meus preferidos pessoais. 

Aíla - Sentimental

ALESSANDRA LEÃO - ACESA

ALICE CAYMMI - IMACULADA

AMARO FREITAS - SANKOFA

ANTHONY JOSEPH - THE RICH ARE ONLY DEFEATED WHEN RUNNING FOR THEIR LIVES

ARNALDO ANTUNES & VITOR ARAÚJO - LÁGRIMAS NO MAR

Atmosphere - Word?

BACAO RHYTHM & STEEL BAND - EXPANSIONS

Badsista - Gueto Elegance

BAIANASYSTEM - OXEAXEEXU

BOMBA ESTÉREO - DEJA

Bonbon Vodou - Cimetière Créole

Bruno Mars, Anderson Paak & Silk Sonic - An Evening With Silk Sonic

Caetano Veloso - Meu Coco

CÉU - UM GOSTO DE SOL

COCHEMEA - VOL. 2: BACA SEWA

CORUJA BC1 - BRASIL FUTURISTA

Curtis Harding - If Words Were Flowers

Damon Albarn - The Nearer The Fountain, More Pure The Stream Flows

DON L - ROTEIRO PRA AINOUZ VOL. 2

DUDA BEAT - TE AMO LÁ FORA

Duda Brack - Caco de Vidro

El Michels Affair - Yeti Season

El Michels Affair & Liam Bailey - Ekundayo Inversions

Flora Matos - Flora de Controle

GABY AMARANTOS - PURAKÊ

Gorillaz - Meanwhile... EP

Homeboy Sandman - Anjelitu EP

IARA RENNÓ - PRA TE ABRAÇAR

J. Cole - The Off-Season

Jadsa - Olho de Vidro

JOÃO DONATO & JARD MACALÉ - SÍNTESE DO LANCE

JUÇARA MARÇAL - DELTA ESTÁCIO BLUES

Leon Bridges - Gold-Diggers Sound

LITTLE SIMZ - SOMETIMES I MIGHT BE INTROVERT

Lulina - Wi-Sci-Fi

Mallu Magalhães - Esperança

Marina Sena - De Primeira

Menahan Street Band - The Exciting Sounds of Menahan Street Band

Meridian Brothers - Paz en la Tierra

OQUADRO - PRETO SEM AÇUCAR

Os Amantes (Jaloo & Strobo) - Os Amantes

Rico Dalasan - Dolores Dala Guardião do Alívio

Rodrigo Amarante - Drama

Romulo Fróes - Aquele Nenhum / Ó Nóis

Saulo Duarte - Lumina EP

SONS OF KEMET - BLACK TO THE FUTURE

St. Vincent - Daddy’s Home

THE BRKN RECORD - THE ARCHITECTURE OF OPPRESION PART 1

Xenia Rubinos - Una Rosa

terça-feira, 5 de outubro de 2021

entre miranda e jangada, o release

quatro anos atrás fiz o release pro disco instrumental santos 3am do duo cæs. trampo massa demais e foi um prazer escreve sobre. daí que o tempo passou e uma pandemia dominou e domina o mundo e nossas vidas. então guilherme barros, uma das metades desse duo paulista, produziu um disco solo interessantíssimo e me chamou pra fazer o release. leia o disco, escute o release, e vice-versa. com vcs, entre miranda e jangada.

ORGANIZANDO SONS NUMA PANDEMIA

Acorda, toma café, trabalha, come alguma coisa, trabalha de novo, tira um cochilo, cai nos braços do amor, vê um filme ou uma série, ouve músicas, trabalha mais um pouco, almoço vira janta, dorme. Tudo em casa, tudo entre quatro paredes. E no dia seguinte, tudo de novo, mas não necessariamente nessa ordem. 

Pra muita gente essa rotina desesperadoramente repetitiva foi o novo normal durante os tempos mais fechados da pandemia. Com Guilherme Barros não foi diferente. Mas o que poderia ser angústia pura e simples, virou Entre Miranda e Jangada, disco instrumental que é tanto uma viagem pessoal do músico por timbres e paisagens sonoras quanto uma bela fuga instigante para o ouvinte em tempos de repetição.

Inspirado pelas roupas e as armas de uma de suas referências, o organizador de sons John Cage, Barros passou a entrar todo dia no seu pequeno estúdio caseiro para pescar, de seu passado como captador de som direto para documentários, o que achasse interessante, bonito, estranho. Vieram assim, de fora do quartinho, cigarras, pássaros, uma velha máquina de tear, uma chaleira apitando, galos amanhecendo, um anúncio de velório numa cidadezinha do interior, uma fala sonolenta e onírica. A partir daí foi criando músicas para essas paisagens, de dentro pra fora e vice-versa. 

Mais interessado em compor a partir de timbres e experimentações no seu pequeno laboratório do que em criar narrativas com começo, meio e fim, Barros foi buscando sons no próprio instrumento (o violão) e tentou combinar coisas das mais variadas e sem muito planejamento. E porque tudo numa faixa só? “Sei que nesses tempos de playlists é difícil, mas queria que Entre Miranda e Jangada fosse uma experiência. De colocar o fone, apagar a luz e ouvir os 30 e poucos minutos do disco de uma vez”, disse o músico. 

Com ou sem pandemia, uma experiência sonora dessas é mais que necessária, é enriquecedora. Do tipo que faz nossos ouvidos se abrirem para sons que criam mundos internos e externos, e músicas que surgem onde menos se espera.

p.s.: E o título? O que significa o título Entre Miranda e Jangada? Está lá no início da, digamos assim, terceira faixa, na fala de Renata Assumpção, companheira de Barros. São cidades? Lugares? Ela também não sabe, mas tinha uma parede colorida rodando entre Miranda e Jangada. Era um sonho, ainda é.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

80 músicas gringas de 2020

e a segunda e última parte da retrospectiva musical deste ('infeliz' pode ser usado?) 2020 é dedicada às músicas gringas. acho que talvez eu tenha, pela primeira vez em muito tempo, ouvido mais coisas de fora do que produto interno bruto. talvez, é uma impressão. pensei agora. certo mesmo é que pelo menos consegui traçar alguns perfis musicais (preferências que chama né) do que ouvi de fora. olha só.

tem uma forte cena de MCs/cantoras inglesas: Lex Amor, Little Simz, Flohio, Arlo Parks, Nadia Rose, Enny, Jorja Smith, Ms Banks, Greentea Peng, Hope Tala e Lady Leshurr.

tem latinidades hispanohablantes das mais variadas: Rosalía, Yendry, Meridian Brothers, Lido Pimienta, Kali Uchis, Bomba Estéreo, Chancha Via Circuito, Xenia Rubinos, Systema Solar, Puerto Candelária, El Búho e Nathy Peluso.

tem irmãos e irmãs d'além mares: Capicua, Bandé-Gamboa, Pedro da Linha, Branko, Rita Vian, Dino d'Santiago e Pedro Mafama

tem instrumentais poderosos: Antibalas, The Budos Band, Menahan Street Band, Idris Ackamoor & the Pyramids, The Comet is Coming, Hypnotic Brass Ensemble, KOKOROKO e Nubya Garcia.

tem África sem escalas, sempre: Spoek Mathambo, Master KG, Nomcebo, Wizkid e Moonchild Sanelly.

e tem umas mulheres muito fodas com uns trabalhos poderosos: Beyonce e seu panafricanismo futurista, a doçura com ruídos de Lianne La Havas e a iraniana Sevdaliza com sua eletrônica experimental persa-portisheadiana.

e mais um monte de gente que sempre aparece por aqui, de Blundetto a Anderson Paak, de Busta Rhymes a CeeLo Green, de Kid Cudi a Common, de Ghostpoet a Gorillaz, e também J. Cole, Jidenna, Janelle Monae, Little Dragon, Michael Stipe, Princess Nokia, Run the Jewels, Sa-Roc, Aesop Rock, Bishop Nehru, Big Boi, Shabazz Palaces e Talib Kweli.

e tem ainda um pessoal novo e altamente promissor como Lous and the Yakuza, Moses Sumney, Badi, Sevana, Tank and the Bangas, Tierra Whack, Kelly Lee Owens, Namir Blade, Goya Gumbani e Liam Bailey.

no mais, continuo não entendendo o que aconteceu com o youtube que desabilitou a incorporação da playlist em blogs e tals. então dá pra ouvir todas as 80 neste hyperlink chamativo old school: PLAYLIST AQUI.

ou então tá aqui a lista completa com link para cada uma das músicas e uma menção especial a discos especialmente fodas de onde saíram essas músicas.

Aesop Rock – “The Gates”
Al Green – “Before The Next Teardrop Falls”
Aminé – “Woodlawn”
Anderson Paak – “Cut ‘Em In” [feat. Rick Ross]
Antibalas – “Fist of Flowers” do disco Fu Chronicles
Arlo Parks – “Hurt”
Badi – “Kitendi”
Bandé-Gamboa – “Pé Di Bissilon” do disco Horizonte - Revamping Rare Gems from Cabo Verde and Guinea-Bissau
Beyoncé – “Already” [feat. Shatta Wale & Major Lazer] do disco Black is King
Big Boi & Sleepy Brown – “We The Ones (Organized Noise Remix)” [feat. Killer Mike & Big Rube]
Billie Eilish – “Therefore I Am”
Bishop Nehru – “Emperor”
Blundetto – “Fly High” [feat. Hindi Zahra] do disco Good Good Things
Bomba Estéreo – “Vive Bacano”
Busta Rhymes – “Where I Belong” [feat. Mariah Carey] do disco Extinction Level Event 2: The Wrath of God
Capicua – “Circunvalação”
Captain Planet & Shungudzo – “Big Man”
Cardi B – “WAP” [feat. Megan Thee Stallion]
Cee-Lo Green – “The Way”
Chancha Via Circuito & El Búho – “Oruga”
Common – “Say Peace” [feat. Black Thought & PJ]
Dino d'Santiago – “Brava”
Enny – “Peng Black Girls Remix” [feat. Jorja Smith]
Flohio – “Sweet Flaws”
Ghostpoet – “I Grow Tired But Dare Not Fall Asleep” do disco I Grow Tired But Dare Not Fall Asleep
Gorillaz – “Pac-Man” [feat. ScHoolboy Q] do disco Song Machine, Season One: Strange Timez
Goya Gumbani – “What's The Prize”
Greentea Peng – “Hu Man”
Hope Tala – “All My Girls Like To Fight”
Hypnotic Brass Ensemble – “Indigo” do disco Bad Boys of Jazz
Idris Ackamoor & the Pyramids – “Tango of Love” do disco Shaman!
J. Cole – “Snow On Tha Bluff”
Janelle Monáe – “Turntables”
Jidenna – “Black Magic Hour” [feat. Bullish]
Kali Uchis – “Aquí Yo Mando”[feat. Rico Nasty] do disco Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios)
Kelly Lee Owens – “On”
Kid Cudi – “The Void” do disco Man On The Moon III: The Chosen
KOKOROKO – “Baba Ayoola”
Lady Leshurr – “Quaranting” [feat. Busy Signal]
Leikeli47 – “Zoom”
Lex Amor – “Odogwu” do disco Government Tropicana
Liam Bailey – “Paper Tiger”
Lianne La Havas – “Can't Fight” do disco Lianne La Havas
Lido Pimienta – “Nada” [feat. Li Saumet] do disco Miss Colombia
Little Dragon – “Are You Feeling Sad?” [feat. Kali Uchis]
Little Simz – “might bang, might not”
Lous and The Yakuza – “Amigo” do disco Gore
Master KG – “Jerusalema” [feat. Nomcebo]
Menahan Street Band – “Midnight Morning”
Meridian Brothers – “Cumbia de La Fuente”
Michael Stipe – “No Time for Love Like Now”
Moonchild Sanelly – “Where De Dee Kat”
Moses Sumney – “Cut Me”
Ms Banks – “Novikov”
Nadia Rose – “Sugar Zaddy”
Namir Blade – “Space Ghost”
Nathy Peluso – “Sana Sana”
Nubya Garcia – “Source” do disco Source
Pedro – “Terra Treme” [feat. Pedro Mafama]
Princess Nokia – “I Like Him”
RDGLDGRN – “Danger” [feat. Nitty Scott & Alexandra Stan]
Rita Vian & Branko – “Sereia Remix”
Rosalía & Travis Scott – “TKN”
Run The Jewels – “Ju$t” [feat. Pharrell Williams & Zack de la Rocha]
Sa-Roc – “The Black Renaissance” [feat. Black Thought] do disco
Sevana – “Blessed”
Sevdaliza – “Lamp Lady” do disco Shabrang
Shabazz Palaces – “Bad Bitch Walking”
Sly5thAve – “More Or Less” [feat. Marlon Craft]
Spoek Mathambo – “Kings and Queens” do disco Tales From The Lost Cities
Systema Solar & Puerto Candelaria – “Mi Kolombia”
Talib Kweli – “People's Party” [feat. Boots Riley]
Tank and The Bangas – “Self Care” [feat. Jaime Woods, Orleans Big & Anjelika 'Jelly' Joseph]
The Budos Band – “The Wrangler” do disco Long In The Tooth
The Comet Is Coming – “Imminent” [feat. Joshua Idehen]
The Strokes – “The Adults Are Talking” do disco The New Abnormal
Tierra Whack – “Dora”
Wajatta – “Don’t Let Get You Down”
Xenia Rubinos – “Who Shot Ya?”
Yendry – “Nena”

sábado, 19 de dezembro de 2020

70 músicas brasileiras de 2020

não sei se vocês notaram, mas 2020 foi meio diferente né. rolaram umas paradas no mundo exterior, um negócio invisível e mortal chamado vírus se espalhando por toda terra, muito muito tempo em casa, muito mais coisa pra fazer, um tsunami de merda bandida destruindo o país. enfim, umas coisas diferentes e todas ao mesmo tempo. 

tenho uma filha de quase 3 anos, então esse "ao mesmo tempo" pra mim é todo dela. o que sobra dá pra ver alguma pouca coisa e, principalmente, seguir ouvindo música. mas pela primeira vez desde que comecei o blog em 2009 não conseguirei fazer lista de discos (brasileiros e gringos). um tanto pelo tempo - que, lembrem-se, é todo dela <3 -, mas também porque ouvi muita música, mas foram poucos discos que consegui ouvir decentemente, mais de uma vez, com alguma atenção. achei mais saudável e justo ficar só nas músicas (brasileiras e gringos). daí o que fiz agora nessa lista foi, a partir de uma música da lista de 70, chamar atenção para alguns dos poucos discos que ouvi e gostei um pouco mais.

mas tem coisa pra dedéu, artistas que se consolidam, mundos musicais novos que surgem, veteranos afiados, música negra, feminina, rap sempre, funk, cantautores, Pernambuco, Bahia, periferias, trans, fora do eixo, a porra toda e o baile todo (no que consigo alcançar, claro).   

segue abaixo então, em ordem alfabética, a lista completa com 70 músicas brasileiras de 2020. fiz, como sempre, uma playlist firmona no youtube, mas não sei pq catso não consegui incorporar aqui no post. PLAYLIST AQUI.

Agnes – “Hiroshima”
Alessandra Leão – “Meu Filho Meu”
Alfamor – “Paô” [com Mateus Aleluia]
Alice Caymmi – “Me Leva”
Amplexos – “Segura”
Anitta – “Jogação” [com Psirico]
Arnaldo Antunes – “De Outra Galáxia” do disco O Real Resiste
ÀTTØØXXÁ – “Lokinho”
Áurea Semiséria – “Destemida” [com marea]
BK' – “Poder” do disco O Líder em Movimento
Black Alien – “Chuck Berry”
Cícero – “Falso Azul”
Criolo & Tropkillaz – “Sistema Obtuso”
Dani Nega – “Como Noiz Quiser”
Danilo Penteado – “É a Esperança” [com Mauricio Pereira]
Davzera – “Ma Prince”
Don L – “kelefeeling (verso livre)”
Duda Beat – “Pro Mundo Ouvir”
Eddie – “Atiça” do disco Atiça
Edgar – “Também Quero Diversão!”
Felipe Cordeiro – “Foguinho” [com Psirico]
Flora Matos – “I Love You”
Francisco, el Hombre & Sidney Magal – “Vou Pra Cima”
Gaby Amarantos – “Vênus em Escorpião” [com Ney Matogrosso e Urias]
Gloria Groove – “Suplicar”
Guilherme Held – “Sorongo” [com Letieres Leite] do disco Corpo Nós
Heavy Baile, Leo Justi & DJ Seduty – “Vai Quebrando (Desce Que Desce)”
Hiran & Tom Veloso – “Gosto de Quero Mais”
Hot e Oreia – “Domingo”/“Presença” do disco Crianças Selvagens
Iara Rennó – “Duelo”
Illy – “Desafio”
Ju Dorotea – “Are You Alive?”
Jup do Bairro, Rico Dalasam & Linn da Quebrada – “All You Need Is Love”
Kiko Dinucci – “Olodé”
Lirinha – “O Amor é um Tubarão”
Loma e Gêmeas Lacração – “Bate Com Vontade”
Luana Carvalho – “Selfie”
Ludmilla – “Rainha da Favela”
Luedji Luna – “Bom Mesmo é Estar Debaixo d'Água” do disco Bom Mesmo é Estar Debaixo d'Água
Luísa e os Alquimistas – “Cadernin (Piseiro)” [com Potyguara Bardo]
Mahmundi – “Sem Medo”
Marcelo Cabral – “Mariannen” do disco Naunyn
Marcelo D2 – “Rompeu o Couro” [com Juçara Marçal, Bk', Baco Exu do Blues e Anelis Assumpção] do disco Assim Tocam os MEUS TAMBORES
Marcelo Jeneci – “Me Sinto Bem”
Marietta – “Analógica” do disco Analógica
Mateus Aleluia – “Samba-Oração” do disco Olorun
MC Dukenny – “Só Pitbull de Raça, os Faixa tá Presente”
MC Guime – “Fight (Jovem Milionário)”
MC Paulin da Capital, MC Lipi & DJ GM – “Mulher Cativante”
Meno Del Picchia – “Crie Seu Espaço”
MOMO – “Koh Pha Ngan”
Moreno Veloso – “Fullgás”
Os Barões da Pisadinha – “Tá Rocheda”
Pabllo Vittar – “Lovezinho” [com Ivete Sangalo]
Parteum – “Addendum”
Quebrante – “Hey Man” [com Lurdez da Luz]
Rafael Castro – “Adrian”
Rodrigo Campos – “Meu Samba Quer se Dissolver”
Rodrigo Vellozo & Benito Di Paula – “Lágrimas No Meu Sorriso”
Rosa Neon – “Ombrim [Larinhx Remix]”
Samuca e a Selva – “Flores Raras [Terra Treme Remix]”
Saulo Duarte – “Tapume”
Silva – “Soprou” [com Criolo]
Slipmami – “Moranguinho”
Tantão e os Fita – “Pessoas do Mal”
Tatá Aeroplano – “Trinta Anos Essa Noite”
Tika – “72 Horas” [com Solo Valencia]
Urias – “Racha”
Valério – “Desapego”
Zé Manoel – “Adupé Obaluaê” do disco Adupé Obaluê