terça-feira, 17 de janeiro de 2012

yahoo #23

pois então, agora minha coluna no yahoo é semanal e estou aqui pensando em como vou atualizar aqui no blog para que não fique um post yahoo atrás do outro. hay que pensar un poquito, enfim. essa aqui foi sobre o programa mulheres ricas, cujo terceiro dos dez episódios foi exibido ontem (escrevi esse texto no retiro de fim de ano no noroeste paulista, palmital para ser mais preciso, após a estreia). lá no ultrapop, a coluna mais recente é "vira-lata, um complexo".


PRA QUE DISCUTIR COM A MADAME?


Tem um pessoal aí que diz que o mundo vai acabar em 2012 e que um dos sinais foi a estreia, nessa última segunda na TV Bandeirantes, do programa Mulheres Ricas. Inspirada em um reality show americano (The Real Housewives) e outro inglês (Made in Chelsea), a atração tem 10 episódios e entrou na grade para cobrir as férias do CQC. Se você não assistiu a estreia saiba que as câmeras acompanham o cotidiano de cinco mulheres mais ou menos ricas (não dá para saber se são mesmo, o quanto são e o que pode ser apenas fachada): Lydia Leão Sayeg, Brunete Fraccaroli, Narciza Tamborindeguy, Val Marchiori e Débora Rodrigues. Quatro delas moram em São Paulo e apenas Narcisa está no Rio.


Bem, se você não é uma perua ou um playboy, a primeira impressão que você pode ter sobre essas mulheres que gastam como se não houvesse amanhã é que elas são umas idiotas fúteis. E são mesmo, pode acreditar.  


A joalheira Lydia Sayeg gosta de armas, de seguranças, de comprar roupas feias (que ela acha bonitas), de fazer surpresas para o seu atual marido (tipo alugar uma Ferrari), de mentir a idade (44 só se for em cada olho, mas se for verdade as cirurgias plásticas não deram certo) e de lançar frases de efeito (“se o rico não gastar, o dinheiro não gira”, “eu sou uma mulher blindada” e “meu closet é um labirinto” são apenas algumas). Arquiteta e decoradora dos ricos emergentes de São Paulo, Brunete Fraccaroli dá agua mineral francesa para seu cachorro maltês, tem uma Barbie com a sua cara e super se indentifica com a boneca porque, entre outras coisas, ela é separada do Ken (Brunete está solteira).


Jornalista e advogada, não sei como nem uma coisa e nem outra, a carioca Narciza Tamborideguy é a mais conhecida de todas, afinal já vimos a sua loucura bêbada e sua sinceridade esquizolunática em outros programas. A socialite falida gosta, por exemplo, de jogar ovos nas pessoas da sacada de seu apartamento na Avenida Atlântica, e sorri maniacamente repetindo seus bordões “ai que loucura” e “ai que absurdo”, enquanto seu namorado, o jornalista Guilherme Fiúza lhe descreve como uma “embaixadora da alegria” (uma análise assim explica porque fala tanta bobagem paranóica em sua coluna no site da revista Época). Já a apresentadora paranaense Val(direne) Marchiori parece ser a mais rica de todas e a fonte desse dinheiro todo não é muito clara (o pai de seus gêmeos, que nunca aparecem, negou recentemente ter sido casado com ela e soltou cobras e lagartos em entrevista). Ela tem um cabeleireiro próprio e disponível 24h, compra aviões particulares como se fossem bolsas, toma champanhe a qualquer hora e em qualquer loja que vá, e vive falando “hellooo” para qualquer coisa na vida, boa ou ruim.





A mais diferente de todas é a ex-sem terra, ex-capa da Playboy em 1997 e atual piloto de Fórmula Truck Débora Rodrigues. Não dá moleza para os filhos, tem certa repulsa por essa história de champanhe e aparenta ter uma vida normal (apesar do marido confessar orgulhosão em rede nacional que conheceu a mulher nas páginas da Playboy). No primeiro programa já foi criticada por Brunete por sua casa em Alphaville ser azul turquesa (logo Brunete que combina roupa com sua Barbie). Certeza que outros atritos virão.


Microcosmo do que existe de pior na elite brasileira, Mulheres Ricas serve para muitas coisas. Antes de tudo, constatar que preconceito, ignorância, desrespeito e ostentação são ingredientes essenciais de seu DNA. Nenhuma delas faz nada digno de nota com seus milhões de reais e nem parecem ser pessoas de coração bom (talvez Débora) ou com alguma inteligência. Mas ficar irritado com isso não adianta nada e o melhor mesmo, inclusive para a sanidade mental, é rir do ridículo que é a vida dessas pessoas (o pessoal que apareceu numa matéria do site inglês The Guardian levou tudo muito a sério). Não é o caso de fazer voto de pobreza ou de cair no clichê cristão de que dinheiro não traz felicidade (traz sim), mas certamente o riso faca nos dentes é o melhor jeito de lidar com esse tipo de pessoa. É rir pra sacanear, se é que vocês me entendem.





p.s. 1: Agora, o programa em si é mal editado, tem péssima trilha sonora, momentos extremamente forçados e perde diversas oportunidades de ser ainda mais engraçado. Pelo menos deu pra sentir que nos próximos episódios, quando rolarem mais encontros entre elas, a tensão, o ridículo e o humor vão aumentar.


p.s. 2: Gostaria de aproveitar para agradecer publicamente a pessoas que acompanharam o primeiro episódio do programa comigo online e me ajudaram a rir muito de tudo isso. Em ordem alfabética, Bianca Sterzi, Cleiton Castello Branco, Daniela Sequeira, Luís Roberto de Toledo, Mariana Varella, Raquel Temistocles e Stefanie Gaspar (nos episódios posteriores apareceram Flávia Toledo e Igor Fediczko). E ao vivo, e do meu lado, minha mulher Carolina Toledo (ela foi a responsável por me apresentar ao fascinante mundo do concurso de miss brasil).

2 comentários:

André disse...

Quando pensamos que o fim do mundo viria pós Big Brother, eis que as trombetas do inferno anunciam a chegada das 5 amazonas do apocalipse. É, o mundo ta acabando, pelo menos na Tv. Parabéns pelo texto!!!

dafne sampaio disse...

valeu andré. o mundo pode estar acabando, mas a gente precisa se divertir até o fim.