quarta-feira, 23 de setembro de 2009

o turbante e a linguagem

o deserto tem blues. tinariwen é isso, o lamento do saara e dos povos nômades (os tuaregs) que lutam por sua cultura a despeito de não possuirem um estado-nação que os proteja. a banda - cujo nome significa, apropriadamente, "espaços vazios" - foi criada no início da década de 1980 por ex-integrantes de milícias a serviço de muammar kadafi. claro que eles foram obrigados a pegar em armas já que não tinham nenhuma agenda política ligada ao ditador da líbia ou a nenhum outro governo do norte da áfrica, como por exemplo com o mali, a terra de amadou & mariam, que os abrigou e rejeitou em tempos diferentes (a única "agenda política" que possuem é consigo próprios).

o pessoal do tinariwen trocou as flautas tradicionais de seu povo por guitarras e criou um blues-rock absurdamente original que versa sobre o exílio, a água, a repressão de seu povo e o despertar político (eles cantam em um estilo denominado "tishoumaren" ou "música dos desempregados"). o som deles começou a ser ouvido e divulgado através de fitas k-7 e chegou ao cd no início dos anos 2000. nasceram assim os álbuns the radio tisdas sessions (wayward, 2001) e amassakoul (world village, 2004) que lhe trouxeram shows na europa e estados unidos. fui conhecê-los dois anos atrás pelo disco amam iman: water is life (world village, 2007) e agora eles voltam aos meus ouvidos com o igualmente genial imidiwan: companions
(independiente, 2009) que é cd e dvd. é mais do mesmo, o que no caso do tinariwen é muita coisa. abaixo segue um trecho desse dvd.



e aí, gal costa (e jorge ben)? vocês tem algo a dizer?



para quem não sabe, "tuareg" (jorge ben) é do disco gal costa (philips, 1969), o segundo trabalho solo da baiana. essa música só foi gravada outras duas vezes, por lulu santos e kátia b.

2 comentários:

Rui Darci disse...

Genial. Música africana é uma das mais ricas e mais subestimadas do mundo. Além dos óbvios batuques, os caras tiveram incontáveis grupos de 'afro-calypso', bem como gêneros como High Life e Juju. Isso sem contar as impressionantes coletâneas Ethiopique, que revelou pro mundo o Ethiojazz do Astatke. Acabei inclusive fazendo uma mixtape sobre o assunto.
E, bem, Gal Costa é sempre relevante. Ótimo post!

dafne sampaio disse...

valeu rui, 'brigadão pela visita. sou muito fã de música africana e tô sempre correndo atrás. um mês atrás consegui finalmente completar minha coleção (digital) dos 23 volumes (?) da série Ethiopiques. mais de 2Gb de pura sonzera. tanta coisa boa...