Charlotte Gainsbourg - IRM from Charlotte Gainsbourg on Vimeo.
falando na família. no dia 3 de setembro rolou aqui em são paulo um daqueles shows históricos que tem seus ingressos esgotados em minutos. gainsbourg imperial reuniu jane birkin, caetano veloso, o maestro jean-claude vannier e a orquestra imperial para homenagear o cancioneiro de serge. o matias fez uma ótima resenha do show, compilou videos na tv serge gainsbourg e apontou um link que uma alma boa disponibilizou com um (razoável) áudio da noite.sexta-feira, 9 de outubro de 2009
gainsbourg, charlotte
olha aí uma prévia do novo trabalho musical da atriz-cantora charlotte gainsbourg, filha dileta de serge gainsbourg (1928-1991) e jane birkin. irm (because music/warner/elektra, 2009) é o nome do disco e da música disponível pra download gratuito no site da moça. detalhe: a produção é de ninguém menos que beck (o anterior, 5:55, foi assinado pelos franceses do air). parece bem interessante... ah, e ela tem myspace também.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
transversão #23
"summertime / and the livin' is easy / fish are jumpin' / and the cotton is high". blues doloroso e lírico feito pelo indispensável george gershwin (1898-1937), "summertime" é a música mais conhecida da ópera porgy and bess (1935), que gershwin fez em parceria com o irmão ira gershwin (1896-1983) e dubose heyward (1885-1940), autor da peça de teatro que deu origem a esse ópera pop sobre amores e o cotidiano de uma comunidade negra no sul dos estados unidos. deus e o mundo já gravaram essa maravilha - miles davis, nina simone, chet baker, sam cooke, sarah vaughan, bing crosby, ella fitzgerald, joni mitchell, billie holiday, morcheeba, charlie parker, paul mccartney, louis armstrong e os mulheres negras -, mas o lance aqui é a surpresa. portanto...
primeiro, uma versão em português assinada por carlos rennó e retirada do disco nego (biscoito fino, 2009), no qual o letrista e pesquisador passa para nossa língua algumas "canções negras" que foram escritas, na verdade, por autores judeus americanos (gershwin, irving berlin, oscar hammerstein, jerome kern, rodgers e hart, etc). "summertime" se transformou em "verão" e é cantada por ninguém menos que erasmo carlos, acompanhado de toninho horta (violão e guitarra), david feldman (piano), jaques morelenbaum (cello e arranjos), alberto continentino (baixo) e marcelo costa (bateria, pandeiro e efeitos).
e agora uma instrumental, jazzística e funky, assinada pelo mestre dizzy gillespie (1917-1993) e retirada do excelente disco the real thing (perception, 1970). o disco inteiro tá lá no só pedrada.
putz, não podia deixar passar essa. mencionei os mulheres negras logo acima e a versão de "summertime" deles é muito boa (e igualmente instrumental). tá no disco música e ciência (warner, 1988), o primeiro deles.
primeiro, uma versão em português assinada por carlos rennó e retirada do disco nego (biscoito fino, 2009), no qual o letrista e pesquisador passa para nossa língua algumas "canções negras" que foram escritas, na verdade, por autores judeus americanos (gershwin, irving berlin, oscar hammerstein, jerome kern, rodgers e hart, etc). "summertime" se transformou em "verão" e é cantada por ninguém menos que erasmo carlos, acompanhado de toninho horta (violão e guitarra), david feldman (piano), jaques morelenbaum (cello e arranjos), alberto continentino (baixo) e marcelo costa (bateria, pandeiro e efeitos).e agora uma instrumental, jazzística e funky, assinada pelo mestre dizzy gillespie (1917-1993) e retirada do excelente disco the real thing (perception, 1970). o disco inteiro tá lá no só pedrada.
putz, não podia deixar passar essa. mencionei os mulheres negras logo acima e a versão de "summertime" deles é muito boa (e igualmente instrumental). tá no disco música e ciência (warner, 1988), o primeiro deles.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
john carpenter, esse cara
a chamada veio lá do trabalho sujo do matias. era um filme de john carpenter, cineasta casca grossa de alta patente. sempre achei o carpenter uma espécie de clint eastwood pop (e como clint também assina as trilhas de seus filmes). seco, silencioso, ocasionalmente melancólico, violento, mas também de bom humor, o cineasta é dono de uma série de filmes indispensáveis: fuga de nova york, enigma do outro mundo, halloween, starman, assalto à 13ª dp e christine - o carro assassino. mas o filme em questão é eles vivem (1988), ficção científica independente com pouca grana, apesar de ter sido feito dois anos depois da divertidíssima "superprodução" os aventureiros do bairro proibido. nunca tinha visto esse. nem lembrava, na verdade. mas fiquei intrigado pela genial cena que tava lá no matias. fui atrás e bingo! que filme! como não assisti isso antes?
bem, eles vivem é uma mistura de "aliens entre nós" (tipo invasores de corpos, versões de don siegel, philip kaufman e abel ferrara) com "a realidade que vivemos é uma ilusão" (pré-matrix, portanto). em um futuro qualquer, dois homens - o branco roddy piper e o negro keith david - descobrem que uma raça alienígena está na terra disfarçada de humanos. descobrem através de óculos escuros com lentes especiais que permitem ver a cara dos aliens e todas as mensagens subliminares colocadas por eles em peças de consumo. por exemplo, em um outdoor com uma propaganga de viagens pro caribe está escrito realmente o bom e velho "case e reproduza" (e dá-lhe mensagens como "obedeça", "compre" e "não pense"). e existe uma elite humana que sabe dos aliens e que lucra muito ao apoiá-los. sim, amiguinhos e amiguinhos, estamos aqui no terreno de combate armado ao capitalismo. esses aliens são especuladores intergalácticos, business men de outras constelações nebulosas e coisa e lousa. "a terra é o terceiro mundo deles", diz um dos personagens. "não existem mais países! eles são donos de tudo", revela outro. saca o trailer.
apesar de encontrarem rapidamente um grupo de resistência humana, os dois levam a batalha de forma pessoal e nada ideológica. não existe um chamado do herói. eles - principalmente o interpretado por roddy piper, um ex-lutador de luta livre que se tornou "ator" - saem por aí disparando nos ets por vingança e sobrevivência. e nada mais. carpenter os segue sem firulas, com aquela discreta genialidade que lhe é habitual, e seus personagens disparam cardumes de frases memoráveis neste filme que dá muito o que pensar. separei algumas linhas geniais (incluindo a do post do matias, a do chiclete).
keith david - não gosto que me sigam, ao menos que saiba o porquê.
roddy piper - e eu sou ando com alguém depois de ver pra onde ele vai.
(...)
keith david - olha, agora tenho um trabalho. e planejo mantê-lo. ando o tempo todo na linha (branca). não incomodo ninguém. ninguém me incomoda. é melhor você fazer o mesmo.
roddy piper - a linha (branca) fica no meio da pista. é o pior lugar pra dirigir.
(...)
roddy piper [ao ver que um político demagogo na tv é um alien] - já tinha imaginado alguma coisa assim! [ri]
(...)
roddy piper [surtando com um alien dentro um mercadinho sob o efeito dos reveladores óculos escuros] - você precisa é de um cirurgião plástico brasileiro! [aê pitanguy! e essa cena está aqui]
(...)
roddy piper [entrando em um banco e dando aquela geral pra localizar os aliens] - eu vim aqui pra mascar chicletes e chutar alguns traseiros. estou sem chicletes.
(..)
keith david - talvez eles sempre tenham estado entre nós, aquelas coisas lá fora. talvez eles adorem ver a gente se odiando. ver a gente se matando. e alimentando nossos corações frios de merda.
e pra finalizar, uma das muitas cenas memoráveis do filme. uma briga de rua entre os amigos george nada (roddy piper) e frank armitage (keith david). são seis minutos de pancadaria franca e tudo por causa dos tais óculos escuros.
bem, eles vivem é uma mistura de "aliens entre nós" (tipo invasores de corpos, versões de don siegel, philip kaufman e abel ferrara) com "a realidade que vivemos é uma ilusão" (pré-matrix, portanto). em um futuro qualquer, dois homens - o branco roddy piper e o negro keith david - descobrem que uma raça alienígena está na terra disfarçada de humanos. descobrem através de óculos escuros com lentes especiais que permitem ver a cara dos aliens e todas as mensagens subliminares colocadas por eles em peças de consumo. por exemplo, em um outdoor com uma propaganga de viagens pro caribe está escrito realmente o bom e velho "case e reproduza" (e dá-lhe mensagens como "obedeça", "compre" e "não pense"). e existe uma elite humana que sabe dos aliens e que lucra muito ao apoiá-los. sim, amiguinhos e amiguinhos, estamos aqui no terreno de combate armado ao capitalismo. esses aliens são especuladores intergalácticos, business men de outras constelações nebulosas e coisa e lousa. "a terra é o terceiro mundo deles", diz um dos personagens. "não existem mais países! eles são donos de tudo", revela outro. saca o trailer.
apesar de encontrarem rapidamente um grupo de resistência humana, os dois levam a batalha de forma pessoal e nada ideológica. não existe um chamado do herói. eles - principalmente o interpretado por roddy piper, um ex-lutador de luta livre que se tornou "ator" - saem por aí disparando nos ets por vingança e sobrevivência. e nada mais. carpenter os segue sem firulas, com aquela discreta genialidade que lhe é habitual, e seus personagens disparam cardumes de frases memoráveis neste filme que dá muito o que pensar. separei algumas linhas geniais (incluindo a do post do matias, a do chiclete).
keith david - não gosto que me sigam, ao menos que saiba o porquê.
roddy piper - e eu sou ando com alguém depois de ver pra onde ele vai.
(...)
keith david - olha, agora tenho um trabalho. e planejo mantê-lo. ando o tempo todo na linha (branca). não incomodo ninguém. ninguém me incomoda. é melhor você fazer o mesmo.
roddy piper - a linha (branca) fica no meio da pista. é o pior lugar pra dirigir.
(...)
roddy piper [ao ver que um político demagogo na tv é um alien] - já tinha imaginado alguma coisa assim! [ri]
(...)
roddy piper [surtando com um alien dentro um mercadinho sob o efeito dos reveladores óculos escuros] - você precisa é de um cirurgião plástico brasileiro! [aê pitanguy! e essa cena está aqui]
(...)
roddy piper [entrando em um banco e dando aquela geral pra localizar os aliens] - eu vim aqui pra mascar chicletes e chutar alguns traseiros. estou sem chicletes.
(..)
keith david - talvez eles sempre tenham estado entre nós, aquelas coisas lá fora. talvez eles adorem ver a gente se odiando. ver a gente se matando. e alimentando nossos corações frios de merda.
e pra finalizar, uma das muitas cenas memoráveis do filme. uma briga de rua entre os amigos george nada (roddy piper) e frank armitage (keith david). são seis minutos de pancadaria franca e tudo por causa dos tais óculos escuros.
domingo, 4 de outubro de 2009
domingueira
devo ter sido iugoslavo em outra vida (sim, sou do tempo que ainda existia iugoslávia e nunca entendi direito a confusão toda entre sérvios, bósnios, croatas e afins). posso ter sido cigano também. vai saber. a música de fanfarra (metais e percussão) ali do leste europeu, que é de influência claramente cigana, sempre me pegou de jeito. sinto aquele calor, aquela alegria, de quando estamos perto de algo que está muito internamente ligado ao nosso coração. mas derivei... descobri isso na década de 1990 com os filmes de emir kusturica e com a música de goran bregovic (que assinou as fantásticas trilhas dos igualmente fantásticos vida cigana, arizona dream e underground - mentiras de guerra). a domingueira de hoje vai com a dobradinha goran bregovic e iggy pop em "in the death car" (da trilha de arizona dream, o filme que kusturica fez nos eua com johnny depp, faye dunaway, jerry lewis, esquimós, peixes voando no deserto e outras loucuras).
sábado, 3 de outubro de 2009
animal
ia fazer uma transversão com "animal" do miike snow, mas o bruno natal já fez, o safado. só que já tinha feito o upload da excelente versão remixada por mark ronson - sim, melhor que a original - e pensei... oras bolas, música boa assim não pode faltar aqui. custa nada e quando quiser ouvir é só apertar o botão e tal... escute na ordem que lhe apetecer. primeiro, o remix.
e como achei outro versão do clipe oficial. segue.
miike snow é uma banda formada na suécia pelo cantor e compositor andrew wyatt e os produtores christian karlsson e pontus winnberg, mais conhecidos pela alcunha de bloodshy & avant (que já fizeram remixes pra gente como madonna, maroon 5, jennifer lopez, morcheeba, kelis, kylie minogue, ms. dynamite e jay-z, além de serem co-autores de petardos pop como "toxic", aquele da britney spears).
e como achei outro versão do clipe oficial. segue.
miike snow é uma banda formada na suécia pelo cantor e compositor andrew wyatt e os produtores christian karlsson e pontus winnberg, mais conhecidos pela alcunha de bloodshy & avant (que já fizeram remixes pra gente como madonna, maroon 5, jennifer lopez, morcheeba, kelis, kylie minogue, ms. dynamite e jay-z, além de serem co-autores de petardos pop como "toxic", aquele da britney spears).
download s/a
mais uma bela iniciativa do inquieto estado do pará. a greenvision - que tem como objetivo "a produção de documentários sobre as questões da amazônia e de seu desenvolvimento, mas também atua na produção de videoclipes musicais, vídeos institucionais, vídeos educativos e vts publicitários" - disponibilizará para download gratuito no seu site a partir dessa segunda (5 de outubro) os filmes, geralmente documentários, que vem produzindo desde 2003. destaque para brega s/a, de vladimir cunha e gustavo godinho, que trata da cena tecnobrega paraense. o filme será exibido na mtv hoje a meia noite e amanhã às 18h30. segue o trailer.
trailer / brega sa from greenvision films on Vimeo.
e tem mais - clipes da banda madame saatan, por exemplo - no canal da produtora no youtube e no vimeo. opa, tem outro destaque, o documentário as filhas da chiquita, que trata do maior encontro gay da amazônia e que acontece, para o horror dos moralistas, no mesmo dia da tradicional festa religiosa do círio de nazaré. olha um trecho.trecho do filme / as filhas da chiquita from greenvision films on Vimeo.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
xablablau no tucupi
segunda temporada do larica total estreando hoje - de sexta pra sábado, meia noite e meia no canal brasil -, e consequente segundo encontro com paulo tiefenthaler (mas desta vez por telefone). fã assumido que sou, sempre procuro divulgar o programa por onde passo e escrevo, e essa entrevista com o paulo, divertida como sempre, saiu na monet deste mês.
Em que pé está a segunda temporada? O que tem pela frente?
Bem, gravamos 10 episódios e serão 24 como na temporada anterior. Já fizemos carne assada, pesto, salada Caesar [risos], tapioca, um refogadão de restos de gaveta de geladeira e, o mais trash de todos, o bolinho de miojo. Cara, bolinho de miojo é uma coisa muito ruim [risos], mas é larica total pura, né? E é uma homenagem ao criador do miojo, o Momofuku Ando, que morreu uns dois anos atrás. Agora, tem uma foto dele na cozinha, tem um altar e tal. É o padroeiro do programa. Sei que ainda vai ter canja de galinha, arroz à piemontese, sanduíche-no-ferro-de-passar-roupa, farofa de girino, cachorro-quente-vira-lata e sopa de pedra [risos].
Como você está sentido esse começo de segunda temporada em comparação com a primeira?
Na primeira temporada a gente não tinha noção do que estava fazendo. Não tínhamos resposta de nada. A gente ia gravando e editando, e quando o programa estreou em outubro do ano passado já tínhamos gravado uns episódios. Aliás, o primeiro, o “Frango Total Flex”, foi gravado no final de 2007. Quer dizer, ninguém sabia fazer nem o próprio programa, que foi uma coisa que a gente foi descobrindo a cada episódio. Algumas ideias não rendiam, outras sim, e pouco a pouco chegamos a esse formato da câmera parada, do improviso, das coisas criadas na hora, onde não se decora absolutamente nada. A primeira temporada foi mais na loucura. E agora a gente já tá gravando com uma resposta, um retorno da primeira temporada. Trago agora esse retorno da rua. Afinal, já sou reconhecido na rua [risos]. O personagem já não é mais tão inocente, ele tá mais rodado. Mas sempre vai existir o afeto, no sentido de estar afetado mesmo [risos]. Continuo equilibrando o tiozão, o amigão, o brother e, ao mesmo tempo, sendo charmoso pras moças [risos].
Conta então como você sentiu retorno da rua?
Teve um dia que estava numa padaria 24h na Glória, na descida de Santa Tereza [bairro onde mora no Rio de Janeiro], tomando um café com leite às 11 e meia da noite, e passa um taxista com os braços de fora do carro, gritando: “Larica totaaal!” [risos]. Depois teve uma louca figuraça que saiu de um boteco gritando pra mim: “Larica total! Não acredito que tô te vendooo!”. E teve um advogado forense [risos], lá no Centro, que chegou e disse: “Sou teu fã!”. Comecei a achar engraçado isso e ao mesmo tempo me policiando pra não acreditar em nada, né? Porque as pessoas quando me veem procuram o personagem e mesmo que tenha emprestado a minha alegria ao Paulo de Oliveira, não sou assim o tempo todo. Agora, em março, logo que acabou a primeira temporada começou uma reexibição e muito mais gente começou a assistir. Tem uma comunidade no Orkut que já tem quase 4 mil pessoas, e tem outras como a do “xablablau”, que foi uma coisa que inventei inspirado no [poeta] Chacal e pegou de jeito. Mas nesse mundo virtual existe uma resposta absurda de gente discutindo, querendo levantar dinheiro pro programa, fazer churrasco [risos]. Marquei uma vez um chopp aqui na esquina, foi engraçado.
O que esse personagem te trouxe? Como tem sido essa experiência?
O Paulo me deu oportunidade de fazer um trabalho de atuação quase documental. É quase o que acontece diante da câmera. E ele também está me dando possibilidades de ver algumas coisas minhas... dizem que os atores interpretam o tempo todo, o que não é nem mentira, nem verdade. Mas esse personagem tem muito a ver com a vida que levei nesses últimos dois, três anos, pelo menos no meu lado social, tenho muitos amigos e tal. Porque normalmente sou mais calado, fico muito em casa. Então saiu de mim muita coisa e foi pra ele. Aí, de tanto fazer no Larica, não faço mais. Fiquei assim... esvaziado não é a palavra. Liberado! Tô pronto pra uma nova fase na minha vida, que ainda não sei o que é. Isso me ajuda porque, inclusive, estão pintando umas propostas muito boas de trabalho. Mas ainda quero fazer muita coisa com o Paulo de Oliveira, chamar amigos dele pra cozinhar, sair mais pra rua, e sempre dizendo por aí que o Larica é um programa libertário em nome do amor e da alegria.
Em que pé está a segunda temporada? O que tem pela frente?
Bem, gravamos 10 episódios e serão 24 como na temporada anterior. Já fizemos carne assada, pesto, salada Caesar [risos], tapioca, um refogadão de restos de gaveta de geladeira e, o mais trash de todos, o bolinho de miojo. Cara, bolinho de miojo é uma coisa muito ruim [risos], mas é larica total pura, né? E é uma homenagem ao criador do miojo, o Momofuku Ando, que morreu uns dois anos atrás. Agora, tem uma foto dele na cozinha, tem um altar e tal. É o padroeiro do programa. Sei que ainda vai ter canja de galinha, arroz à piemontese, sanduíche-no-ferro-de-passar-roupa, farofa de girino, cachorro-quente-vira-lata e sopa de pedra [risos].
Como você está sentido esse começo de segunda temporada em comparação com a primeira?
Na primeira temporada a gente não tinha noção do que estava fazendo. Não tínhamos resposta de nada. A gente ia gravando e editando, e quando o programa estreou em outubro do ano passado já tínhamos gravado uns episódios. Aliás, o primeiro, o “Frango Total Flex”, foi gravado no final de 2007. Quer dizer, ninguém sabia fazer nem o próprio programa, que foi uma coisa que a gente foi descobrindo a cada episódio. Algumas ideias não rendiam, outras sim, e pouco a pouco chegamos a esse formato da câmera parada, do improviso, das coisas criadas na hora, onde não se decora absolutamente nada. A primeira temporada foi mais na loucura. E agora a gente já tá gravando com uma resposta, um retorno da primeira temporada. Trago agora esse retorno da rua. Afinal, já sou reconhecido na rua [risos]. O personagem já não é mais tão inocente, ele tá mais rodado. Mas sempre vai existir o afeto, no sentido de estar afetado mesmo [risos]. Continuo equilibrando o tiozão, o amigão, o brother e, ao mesmo tempo, sendo charmoso pras moças [risos].
Conta então como você sentiu retorno da rua?
Teve um dia que estava numa padaria 24h na Glória, na descida de Santa Tereza [bairro onde mora no Rio de Janeiro], tomando um café com leite às 11 e meia da noite, e passa um taxista com os braços de fora do carro, gritando: “Larica totaaal!” [risos]. Depois teve uma louca figuraça que saiu de um boteco gritando pra mim: “Larica total! Não acredito que tô te vendooo!”. E teve um advogado forense [risos], lá no Centro, que chegou e disse: “Sou teu fã!”. Comecei a achar engraçado isso e ao mesmo tempo me policiando pra não acreditar em nada, né? Porque as pessoas quando me veem procuram o personagem e mesmo que tenha emprestado a minha alegria ao Paulo de Oliveira, não sou assim o tempo todo. Agora, em março, logo que acabou a primeira temporada começou uma reexibição e muito mais gente começou a assistir. Tem uma comunidade no Orkut que já tem quase 4 mil pessoas, e tem outras como a do “xablablau”, que foi uma coisa que inventei inspirado no [poeta] Chacal e pegou de jeito. Mas nesse mundo virtual existe uma resposta absurda de gente discutindo, querendo levantar dinheiro pro programa, fazer churrasco [risos]. Marquei uma vez um chopp aqui na esquina, foi engraçado.
O que esse personagem te trouxe? Como tem sido essa experiência?
O Paulo me deu oportunidade de fazer um trabalho de atuação quase documental. É quase o que acontece diante da câmera. E ele também está me dando possibilidades de ver algumas coisas minhas... dizem que os atores interpretam o tempo todo, o que não é nem mentira, nem verdade. Mas esse personagem tem muito a ver com a vida que levei nesses últimos dois, três anos, pelo menos no meu lado social, tenho muitos amigos e tal. Porque normalmente sou mais calado, fico muito em casa. Então saiu de mim muita coisa e foi pra ele. Aí, de tanto fazer no Larica, não faço mais. Fiquei assim... esvaziado não é a palavra. Liberado! Tô pronto pra uma nova fase na minha vida, que ainda não sei o que é. Isso me ajuda porque, inclusive, estão pintando umas propostas muito boas de trabalho. Mas ainda quero fazer muita coisa com o Paulo de Oliveira, chamar amigos dele pra cozinhar, sair mais pra rua, e sempre dizendo por aí que o Larica é um programa libertário em nome do amor e da alegria.
tiefenthaler em foto que tirei em novembro de 2008
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quinta-feira, 1 de outubro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
everybody macacada
mais um video genial e musical dos trapalhões. o ano é 1986 e a música é "o patrão mandou", com participação de seu autor, paulinho soares (1944-2004). pouco lembrado, o sambista de carreira breve já foi cantando e tocado por gente como beth carvalho, noite ilustrada, milton banana, ivon cury, lafayette, trio ternura, doris monteiro, trio esperança, entre outros. dica de @aomirante.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
beck vs. leonard cohen
já tinha ouvido bastante sobre o projeto record club, no qual beck hansen vem recriando discos clássicos faixa-a-faixa (em video, no estúdio, ao vivo, em um curto espaço de tempo e com alguns amigos convidados), mas ainda não tinha dado um pulo lá até que carol nogueira avisou de novidades no sítio. bem, o primeiro disco trabalhado pelo beck e seus amigos foi the velvet underground & nico (polydor, 1967) e agora a turma está disponibilizando videos de songs of leonard cohen (columbia, 1968). "o beck transformou uma das músicas do leonard cohen em rap", disse ela (e, pensando bem, a combinação faz sentido). a faixa é "master song", a segunda do disco, e traz as participações do devendra banhart e do mgmt (em outras faixas tem binki shapiro, do little joy). também estão disponíveis "suzanne" e "winter lady".
aqui, a versão original de "master song".
aqui, a versão original de "master song".
domingo, 27 de setembro de 2009
domingueira dose dupla
moleque. kid cudi é um moleque. o rapper tem 25 anos, é natural de cleveland (ohio) e surgiu em 2008 pagando geral com uma das melhores músicas do ano ("day'n'nite"), retirada de sua mixtape de estreia (a kid named cudi). na sequência assinou com o selo do kanye west (g.o.o.d. music), participou de seu disco 808s & heartbreak, e ficou amigo do common e do john legend, entre outros. muito bem. cudi acabou de lançar seu disco de estreia, o impressionante man on the moon: the end of day (g.o.o.d. music/universal motown, 2009) e taí mais uma entre as inúmeras provas que o rap continua vivo e mutante (para o bem). vieram outros temas paras as rimas vindas de um cotidiano mais urbano, global, classe média e cansado da ostentação gangsta & superstar; vieram também, sempre no caso dos eua, a música eletrônica, a psicodelia e o rock para enriquecer as batidas. sobre o disco: fora uma regravação oportuna de "day'n'nite", o disco ainda traz faixas ótimas como "make her say" (com common, kanye west e lady gaga sampleada), "alive" (com o duo electrorock ratatat) e "pursuit of happiness" (com o ratatat e o mgmt). escuta só uma versão ao vivo de "pursuit of happiness", com a presença do ratatat, no programa do mestre david letterman (que tem uma produção musical antenadíssima).
foda. aí, de tanto ouvir esse disco do kid cudi, principalmente essas citadas, deu uma vontade de ouvir mais ratatat. a dupla mike stroud (guitarras) e evan mast (sintetizadores) é uma das dívidas que tenho com o mano oga mendonça que me apresentou o duo no ano passado, época do lançamento do sensacional lp3 (xl recordings, 2008). então, pra encerrar a domingueira de hoje que o dia tá bonito, ouçam o rock instrumental e psicodélico dos maninhos de washington/nova york.
foda. aí, de tanto ouvir esse disco do kid cudi, principalmente essas citadas, deu uma vontade de ouvir mais ratatat. a dupla mike stroud (guitarras) e evan mast (sintetizadores) é uma das dívidas que tenho com o mano oga mendonça que me apresentou o duo no ano passado, época do lançamento do sensacional lp3 (xl recordings, 2008). então, pra encerrar a domingueira de hoje que o dia tá bonito, ouçam o rock instrumental e psicodélico dos maninhos de washington/nova york.
sábado, 26 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
CORJA #4
demorou, mas taí o que você queria: o corjacast #4. não lembro direito daquela quinta. sei que era de noite e eu tava de barriga vazia. sei que os uevitos de mani e as ruffles (cebola & salsa?) não deram conta desse vazio e que a combinação cerveja/cachaça se mostrou explosiva no decorrer da gravação. ah, lembro do valtinho assediando a cachorrinha do edson, a clementina. lembro do oga de fone nos ouvidos, dos fios se misturando aos dreads, dos fios tomando a mesa (ver foto abaixo) e do edson lamentando uma garrafa de cachaça quebrada por sua secretária do lar. o resto tá registrado aí, com direito a algumas novidades inseridas pela mente inquieta e atarefada de oga.
e o som? temos emicida (com participação de rashid, projota & fioti), n.e.r.d., evaldo braga, nick cave e nervoso e os calmantes. ao fundo, o mestre joão parahyba. sempre oferecemos a oportunidade de baixar o programa inteirinho em mp3. tá AQUI. e aguardem que o próximo corjacast terá endereço próprio, player novo, etc. e tal. a corja é assim, servindo bem para servir sempre, como aquele garçom amigo do reginaldo rossi. comentários, dicas, elogios hiperbólicos e xingamentos moderados são sempre bem-vindos.
e o som? temos emicida (com participação de rashid, projota & fioti), n.e.r.d., evaldo braga, nick cave e nervoso e os calmantes. ao fundo, o mestre joão parahyba. sempre oferecemos a oportunidade de baixar o programa inteirinho em mp3. tá AQUI. e aguardem que o próximo corjacast terá endereço próprio, player novo, etc. e tal. a corja é assim, servindo bem para servir sempre, como aquele garçom amigo do reginaldo rossi. comentários, dicas, elogios hiperbólicos e xingamentos moderados são sempre bem-vindos.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
velho/novo
Jumbo Elektro meets Os Saltimbancos Trapalhoes from juliana mundim on Vimeo.
que bonito... saltimbancos trapalhões (1981) de um lado. "rachel", música de terrorist!? the last album (before the armageddon) (phonobase, 2009), segundo disco do jumbo elektro, do outro. mashup videoclípico assinado por juliana mundim, do pocket films for travelers.esse disco novo do jumbo, aliás, está sendo vendido de diversas e interessantes formas: a versão em mp3 128kbps é gratuita no site da mondo 77; enquanto, no site oficial, o mp3 320kbps sai por R$ 2, o FLAC é R$ 3,50, em WAV é R$ 5 e o bom e velho CD (+ mp3) custa módicos R$ 11,90. pra encerrar, a phonobase disponibilizou um canal para os fãs montarem lojinhas virtuais próprias pra vender o disco.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
o turbante e a linguagem
o deserto tem blues. tinariwen é isso, o lamento do saara e dos povos nômades (os tuaregs) que lutam por sua cultura a despeito de não possuirem um estado-nação que os proteja. a banda - cujo nome significa, apropriadamente, "espaços vazios" - foi criada no início da década de 1980 por ex-integrantes de milícias a serviço de muammar kadafi. claro que eles foram obrigados a pegar em armas já que não tinham nenhuma agenda política ligada ao ditador da líbia ou a nenhum outro governo do norte da áfrica, como por exemplo com o mali, a terra de amadou & mariam, que os abrigou e rejeitou em tempos diferentes (a única "agenda política" que possuem é consigo próprios).
o pessoal do tinariwen trocou as flautas tradicionais de seu povo por guitarras e criou um blues-rock absurdamente original que versa sobre o exílio, a água, a repressão de seu povo e o despertar político (eles cantam em um estilo denominado "tishoumaren" ou "música dos desempregados"). o som deles começou a ser ouvido e divulgado através de fitas k-7 e chegou ao cd no início dos anos 2000. nasceram assim os álbuns the radio tisdas sessions (wayward, 2001) e amassakoul (world village, 2004) que lhe trouxeram shows na europa e estados unidos. fui conhecê-los dois anos atrás pelo disco amam iman: water is life (world village, 2007) e agora eles voltam aos meus ouvidos com o igualmente genial imidiwan: companions (independiente, 2009) que é cd e dvd. é mais do mesmo, o que no caso do tinariwen é muita coisa. abaixo segue um trecho desse dvd.
e aí, gal costa (e jorge ben)? vocês tem algo a dizer?
para quem não sabe, "tuareg" (jorge ben) é do disco gal costa (philips, 1969), o segundo trabalho solo da baiana. essa música só foi gravada outras duas vezes, por lulu santos e kátia b.
o pessoal do tinariwen trocou as flautas tradicionais de seu povo por guitarras e criou um blues-rock absurdamente original que versa sobre o exílio, a água, a repressão de seu povo e o despertar político (eles cantam em um estilo denominado "tishoumaren" ou "música dos desempregados"). o som deles começou a ser ouvido e divulgado através de fitas k-7 e chegou ao cd no início dos anos 2000. nasceram assim os álbuns the radio tisdas sessions (wayward, 2001) e amassakoul (world village, 2004) que lhe trouxeram shows na europa e estados unidos. fui conhecê-los dois anos atrás pelo disco amam iman: water is life (world village, 2007) e agora eles voltam aos meus ouvidos com o igualmente genial imidiwan: companions (independiente, 2009) que é cd e dvd. é mais do mesmo, o que no caso do tinariwen é muita coisa. abaixo segue um trecho desse dvd.e aí, gal costa (e jorge ben)? vocês tem algo a dizer?
para quem não sabe, "tuareg" (jorge ben) é do disco gal costa (philips, 1969), o segundo trabalho solo da baiana. essa música só foi gravada outras duas vezes, por lulu santos e kátia b.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
pagode-folk-indie
é o que eu sempre digo: o google translator é a revolução que veio pra unir as nações, acabar com as guerras, destruir os muros, diluir os preconceitos... enfim, uma loucura de cabo a rabo. por exemplo, vi lá no let it blog uma série de videos com versões em inglês (na base do voz & violão) para sucessos do pagode da década de 1990. estão lá, no canal pagodeversions, clássicos do só pra contrariar ("que se chama amor"), molejo ("caçamba") e do exalta samba ("eu me apaixonei pela pessoa errada"), que você vê e ouve logo abaixo.
coincidência ou não, poucas semanas atrás havia conhecido o igualmente genial blog embracing brazilian poetry, que passa para a língua daquele cara lá, o shakespeare, canções de carlinhos brown, é o tcham, latino, chatuba de mesquita, kelly key, ivete sangalo, raimundos e por aí vai (com direito a importantes introduções contextualizadoras para os gringos a antenados). globalização, a gente se vê por aí.
p.s.: uma brincadeira parecida começa a tomar corpo no twitter. o mano edson franco, corjaman de primeira grandeza, deu início ao #Brazilianquotes, traduções para o inglês de ditados populares bem nossos. o resultado, claro, é hilário e já ganhou muitas contribuições.
atualização em 24 de outubro: o mano que faz o pagode versions é brasileiro, claro, e mora em buenos aires. chama-se túlio pires bragança e tem um blog chamado aires buenos.
coincidência ou não, poucas semanas atrás havia conhecido o igualmente genial blog embracing brazilian poetry, que passa para a língua daquele cara lá, o shakespeare, canções de carlinhos brown, é o tcham, latino, chatuba de mesquita, kelly key, ivete sangalo, raimundos e por aí vai (com direito a importantes introduções contextualizadoras para os gringos a antenados). globalização, a gente se vê por aí.
p.s.: uma brincadeira parecida começa a tomar corpo no twitter. o mano edson franco, corjaman de primeira grandeza, deu início ao #Brazilianquotes, traduções para o inglês de ditados populares bem nossos. o resultado, claro, é hilário e já ganhou muitas contribuições.
atualização em 24 de outubro: o mano que faz o pagode versions é brasileiro, claro, e mora em buenos aires. chama-se túlio pires bragança e tem um blog chamado aires buenos.
domingo, 20 de setembro de 2009
domingueira
parece que vai chover aqui em são paulo. chuva forte. mas nem por isso a gente deixa de pensar no sol ou em, pelo menos, cantar o sol. então escolhi o clipe novo do slim rimografia ("sol", ahá!) pra essa edição da domingueira. o lançamento rolou ontem no espaço + soma e pena que não pude ir, mas o video tá aqui. e tem texto sobre o rapper paulistano, assinado por gisele coutinho, lá no noiz. chove chuva, chove sem parar, pra depois deixar o sol brilhar.
Slim Rimografia - SOL (por: www.centralhiphop.com) from Ponto4 Digital on Vimeo.
p.s.: coincidência boa. quando soltei o clipe aqui em casa, o som dos passarinhos de uma árvore próxima se confundiu com os passarinhos do clipe. não dava pra saber onde terminava um e começava o outro.sábado, 19 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
busteeeeer
deu saudade de um dos meus heróis (e, ocasionalmente, a minha "cara" no twitter), o único e genial buster keaton (1895-1966). aí fui dar uma busca no youtube pra colocar uns videos aqui, dar umas risadas e coisa e tal. achei primeiro esse aqui, uma boa montagem (mashup?) de vários longas e curtas do ator/diretor ao som de "down to the well", nona faixa do disco bossanova (4ad/elektra, 1990) dos pixies.
agora um video com buster relembrando o passado e a "era de ouro da comédia" em 1964, dois anos antes de sua morte, para o programa telescope (cbc).
e por último, alguns trechos da peça buster - o enigma do minotauro que o grupo xpto montou em 1997. vi duas vezes na época e foi umas das coisas mais bonitas que já vi na vida. uma justa e original homenagem ao mestre.
agora um video com buster relembrando o passado e a "era de ouro da comédia" em 1964, dois anos antes de sua morte, para o programa telescope (cbc).
e por último, alguns trechos da peça buster - o enigma do minotauro que o grupo xpto montou em 1997. vi duas vezes na época e foi umas das coisas mais bonitas que já vi na vida. uma justa e original homenagem ao mestre.
transversão #22
cymande, putz. esse grupo de funk formado no início da década de 1970 na inglaterra teve uma vida breve, e um retorno ainda mais breve ali por 2006, e já é bem conhecido por quem gosta de black music setentista. sua fama também se espalhou porque muitas de suas músicas foram sampleadas por gente como de la soul, beasties boys, fugees, mc solaar e por aí vai. o primeiro trabalho deles, cymande (collectables, 1972), é um desses discos indispensáveis pra vida e com uma quantidade absurda de clássicos ("the message", "bra" e "dove", por exemplo). vieram outros dois discos do mesmo naipe: second time round (janus, 1973) e promised heights (newhouse, 1974). e pronto, ponto final. o que apareceu depois foram singles, coletâneas, relançamentos com faixas bonus e outras bagunças discográficas. vamos tratar aqui no transversão de uma favorita da casa, "brothers on the slide", que foi lançada originalmente em promised heights, mas que foi colocada na versão em cd do disco de estreia, o cymande. de qualquer forma, taí a versão original.
e agora uma regravação de "brothers on the slide" assinada pelos franceses do the dynamics e retirada do disco version excursions (groove attack, 2007). pesquei lá no indispensável blog só pedrada.
mais informações sobre o cymande em um bom site tributo ou então no all music guide.
e agora uma regravação de "brothers on the slide" assinada pelos franceses do the dynamics e retirada do disco version excursions (groove attack, 2007). pesquei lá no indispensável blog só pedrada.
mais informações sobre o cymande em um bom site tributo ou então no all music guide.
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
roberta sá ao vivo e a cores
encontrei pela primeira vez com a cantora roberta sá no final de 2006 para uma reportagem pra tam magazine que saiu em dezembro do mesmo ano (ela estava entre o primeiro e o segundo disco). depois a entrevistei por telefone pra monet, logo após o lançamento do segundo. muito simpática e acessível, a cantora está agora lançando seu terceiro trabalho, e o primeiro dvd ao vivo, pra se ter alegria (mp,b/universal, 2009). gosto bastante dos discos de estúdio e roberta certamente é uma das boas cantoras brasileiras do momento, mas algo me incomodou neste ao vivo (que tem participações de marcelo d2, hamilton de holanda e do maridão pedro luís). ela parece cercada de uma aura de diva, cheia de caras, bocas e gestos, a voz muito impostada. falarei com mais calma, e após assistir novamente o dvd, no gafieiras. no site, aliás, falamos do primeiro (braseiro, 2005) e do segundo disco (que belo estranho dia pra se ter alegria, 2007). detalhe: o show pra se ter alegria será exibido pelo canal brasil (que é parceiro do projeto) em novembro. segue então meu texto de 2006.

AS MUITAS CORES DE ROBERTA SÁ
É samba o que toca no fim do corredor de uma loja colorida e feminina nos Jardins, em São Paulo. Roberta Sá está em casa, quadruplamente em casa. Feminina, colorida, apaixonada por sambas de todas as idades e irmã da dona da tal loja, a cantora que nasceu em Natal (RN) e se mudou aos 9 anos para o Rio de Janeiro é também a dona da voz que sai das caixas de som. A reportagem a pegou em meio ao delicado processo de escolher roupas para as fotos e para o show que faz na mesma noite cumprindo uma movimentada agenda até o fim do ano, época em que pretende dar uma pausa e iniciar a produção de seu aguardado segundo disco.
“Acho que você tem quer fazer um disco quando está com vontade. É uma história nova, não uma obrigação, e só agora é que está começando a pintar novamente essa vontade. Minha vida ficou muito intensa depois que lancei o primeiro disco e agora, depois de tudo que eu ouvi, cantei e li nestes dois anos, é que estou com novas histórias para contar”, explicou sobre o disco que deseja lançar em 2007. Revelada para o grande público há cerca de três anos quando, após uma breve passagem pelo programa Fama (TV Globo), emplacou sua interpretação de “Vizinha do lado” de Dorival Caymmi na trilha sonora da novela Celebridade (TV Globo), Roberta Sá aproveitou o embalo e lançou seu disco de estréia, o elogiado Braseiro (MP,B/Universal), no início de 2005. Além de Caymmi, o disco trouxe uma intérprete segura em canções de autores como Chico Buarque, Marcelo Camelo, Paulinho da Viola, Janet de Almeida, Pedro Luís, Teresa Cristina, Lula Queiroga e Paulo César Pinheiro, entre outros.
“Estou com mais controle da minha voz e da minha emoção no palco. Ficava muito emocionada, mas não acho que fosse ruim, mas é preciso certo autocontrole para canalizar no que as canções pedem”, revelou enquanto se acomodava entre as inúmeras almofadas coloridas de um sofá rústico de madeira. A emoção que Roberta Sá canta atende pelo nome de samba, mas não pára por aí. “Tudo me interessa em questão de música brasileira. Sou apaixonada por todos os ritmos, um tanto porque sou de Natal e lá convivi com a cultura nordestina desde criança, mas em casa também se ouvia de tudo, de Tom Jobim a Geraldo Azevedo, de Ney Matogrosso a MPB-4. Depois que fui para o Rio tive contato também com a música pop, tipo Lulu Santos e Paralamas”, e sorri ao relembrar da mudança que a deixou mais esperta, segundo ela própria.
Foi esta esperteza que não a deixou deslumbrada quando se viu em um programa de TV ou na trilha de uma novela das oito de sucesso. “Fiz essas coisas porque aconteceram na minha vida. O foco não é ficar famosa e sim fazer um trabalho consistente, por isso não tem problema fazer um programa de TV ou participar de um festival [a cantora defendeu “Girando a renda” de Pedro Luís, em dueto com o próprio, e pegou o terceiro lugar no Festival da TV Cultura no final de 2005], porque tudo soma. Eu não penso muito, não sei se é um defeito, mas estou experimentando as coisas e acho que nada é mais enriquecedor que isso”, disse sob a vista de dois coqueiros de acrílico roxo, suspensos na parede.
Todas as cores penduradas nas araras da loja davam uma sensação de que qualquer combinação poderia ser possível. Alegre, triste, novo ou velho, tanto faz. “Sou uma cantora de música popular brasileira como tantas outras. Tento fazer uma música brasileira contemporânea, mas olhando pras coisas maravilhosas que já foram feitas, porque são a minha referência, são o que sou”, assina embaixo como em uma carta de intenções, mas também não admite saudosismo. “Não se faz mais música como antigamente, porque hoje não é antigamente! E antigamente também não se fazia música como mais antigamente ainda. Escuto muita coisa boa hoje em dia. Músicas, cantoras, uma nova geração... acho que estamos vivendo um momento muito especial da música brasileira”, retruca e se coloca. O tempo da entrevista vai escoando e o fotógrafo ansioso para entrar em cena. Os vestidos, os coqueiros de acrílico, as almofadas e todas as cores da loja-cenário também. “O que mais gosto na vida é ouvir e escolher canções para fazer uma música atual, mas respeitando a música brasileira de sempre”, disse e sua voz nunca pareceu tanto quanto a que saía das caixas de som daquela loja feminina e colorida.
pra encerrar, um dueto de roberta sá com o português antônio zambujo no belo e moderno fado "eu já não sei". essa música, numa outra gravação mas também com a presença de zambujo, está presente nos extras do dvd de roberta. são encontros em estúdio e no mesmo ambiente, a cantora duela com chico buarque ("mambembe"), ney matogrosso ("peito vazio"), trio madeira brasil e yamandú costa.

AS MUITAS CORES DE ROBERTA SÁ
É samba o que toca no fim do corredor de uma loja colorida e feminina nos Jardins, em São Paulo. Roberta Sá está em casa, quadruplamente em casa. Feminina, colorida, apaixonada por sambas de todas as idades e irmã da dona da tal loja, a cantora que nasceu em Natal (RN) e se mudou aos 9 anos para o Rio de Janeiro é também a dona da voz que sai das caixas de som. A reportagem a pegou em meio ao delicado processo de escolher roupas para as fotos e para o show que faz na mesma noite cumprindo uma movimentada agenda até o fim do ano, época em que pretende dar uma pausa e iniciar a produção de seu aguardado segundo disco.
“Acho que você tem quer fazer um disco quando está com vontade. É uma história nova, não uma obrigação, e só agora é que está começando a pintar novamente essa vontade. Minha vida ficou muito intensa depois que lancei o primeiro disco e agora, depois de tudo que eu ouvi, cantei e li nestes dois anos, é que estou com novas histórias para contar”, explicou sobre o disco que deseja lançar em 2007. Revelada para o grande público há cerca de três anos quando, após uma breve passagem pelo programa Fama (TV Globo), emplacou sua interpretação de “Vizinha do lado” de Dorival Caymmi na trilha sonora da novela Celebridade (TV Globo), Roberta Sá aproveitou o embalo e lançou seu disco de estréia, o elogiado Braseiro (MP,B/Universal), no início de 2005. Além de Caymmi, o disco trouxe uma intérprete segura em canções de autores como Chico Buarque, Marcelo Camelo, Paulinho da Viola, Janet de Almeida, Pedro Luís, Teresa Cristina, Lula Queiroga e Paulo César Pinheiro, entre outros.
“Estou com mais controle da minha voz e da minha emoção no palco. Ficava muito emocionada, mas não acho que fosse ruim, mas é preciso certo autocontrole para canalizar no que as canções pedem”, revelou enquanto se acomodava entre as inúmeras almofadas coloridas de um sofá rústico de madeira. A emoção que Roberta Sá canta atende pelo nome de samba, mas não pára por aí. “Tudo me interessa em questão de música brasileira. Sou apaixonada por todos os ritmos, um tanto porque sou de Natal e lá convivi com a cultura nordestina desde criança, mas em casa também se ouvia de tudo, de Tom Jobim a Geraldo Azevedo, de Ney Matogrosso a MPB-4. Depois que fui para o Rio tive contato também com a música pop, tipo Lulu Santos e Paralamas”, e sorri ao relembrar da mudança que a deixou mais esperta, segundo ela própria.
Foi esta esperteza que não a deixou deslumbrada quando se viu em um programa de TV ou na trilha de uma novela das oito de sucesso. “Fiz essas coisas porque aconteceram na minha vida. O foco não é ficar famosa e sim fazer um trabalho consistente, por isso não tem problema fazer um programa de TV ou participar de um festival [a cantora defendeu “Girando a renda” de Pedro Luís, em dueto com o próprio, e pegou o terceiro lugar no Festival da TV Cultura no final de 2005], porque tudo soma. Eu não penso muito, não sei se é um defeito, mas estou experimentando as coisas e acho que nada é mais enriquecedor que isso”, disse sob a vista de dois coqueiros de acrílico roxo, suspensos na parede.
Todas as cores penduradas nas araras da loja davam uma sensação de que qualquer combinação poderia ser possível. Alegre, triste, novo ou velho, tanto faz. “Sou uma cantora de música popular brasileira como tantas outras. Tento fazer uma música brasileira contemporânea, mas olhando pras coisas maravilhosas que já foram feitas, porque são a minha referência, são o que sou”, assina embaixo como em uma carta de intenções, mas também não admite saudosismo. “Não se faz mais música como antigamente, porque hoje não é antigamente! E antigamente também não se fazia música como mais antigamente ainda. Escuto muita coisa boa hoje em dia. Músicas, cantoras, uma nova geração... acho que estamos vivendo um momento muito especial da música brasileira”, retruca e se coloca. O tempo da entrevista vai escoando e o fotógrafo ansioso para entrar em cena. Os vestidos, os coqueiros de acrílico, as almofadas e todas as cores da loja-cenário também. “O que mais gosto na vida é ouvir e escolher canções para fazer uma música atual, mas respeitando a música brasileira de sempre”, disse e sua voz nunca pareceu tanto quanto a que saía das caixas de som daquela loja feminina e colorida.
pra encerrar, um dueto de roberta sá com o português antônio zambujo no belo e moderno fado "eu já não sei". essa música, numa outra gravação mas também com a presença de zambujo, está presente nos extras do dvd de roberta. são encontros em estúdio e no mesmo ambiente, a cantora duela com chico buarque ("mambembe"), ney matogrosso ("peito vazio"), trio madeira brasil e yamandú costa.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
voa, biafra, voa
dica de @spiceee. e para quem é mais novinho e não sabe quem diabos é biafra (depois de 1998 ele trocou o 'i' por 'y', portanto byafra), dá um pulo na wikipédia, no youtube, etc. ah, e pra quem duvida, o cantor confirmou o acontecido (durante as filmagens de um documentário sobre o apresentador chacrinha).
duas fotos
essas fotos foram tiradas durante o show de lançamento do cd/dvd música ligeira (tamos aí/tratore, 2006), o segundo trabalho do trio formado por mário manga, fábio tagliaferri e o saudoso rodrigo rodrigues (que morreu em abril de 2005, um ano depois da gravação desse trabalho). fiz uma nota sobre esse belo trabalho lá no gafieiras. o show foi emocionante e ainda contou com a participação de gente como arnaldo antunes, cida moreira, ná ozzetti, e a filha de rodrigues, laura lavieri, que cantou em dueto com andré abujamra uma arrepiante versão de "across the universe" dos beatles.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
martim é o nome da fera!
"tá nascendo". acordei assustado. eram 5h20 da manhã quando recebi essa mensagem do mano fernando no celular. era a senha para a chegada de martim, filho dele com cris. respondi alguma coisa meio sonado e feliz, também via mensagem de texto. logo depois que acordei, às 9, liguei pra saber se o moleque já tinha dado o ar da graça. ainda nada, na expectativa. parto normal, sacumé. então, às 10h08, uma nova mensagem, dessa vez de tatiana, que estava lá com o daniel, irmão do fernando, desde umas 7 da manhã: "o martim é lindo". fogos de artifício na minha cabeça! um pouco depois, às 10h44, o próprio fernando diz que "nasceu! fortão, parto normal, 3,5 kg. a cris está ótima".
é isso, minha gente, martim está entre nós. é mais um moleque gente boa - certeza que será, afinal pai e mãe são desse jeito - pr'um mundo que precisa de mais gente assim. queria deixar registrado isso pra no futuro, quando ele der um daqueles ocasionais auto-google, achar essa página empoeirada de bytes passados. bem vindo, martim! um beijo, um abraço e um apertão. a gente se verá muito por aí. assinado: marujada de martim parangolá.
é isso, minha gente, martim está entre nós. é mais um moleque gente boa - certeza que será, afinal pai e mãe são desse jeito - pr'um mundo que precisa de mais gente assim. queria deixar registrado isso pra no futuro, quando ele der um daqueles ocasionais auto-google, achar essa página empoeirada de bytes passados. bem vindo, martim! um beijo, um abraço e um apertão. a gente se verá muito por aí. assinado: marujada de martim parangolá.
domingo, 13 de setembro de 2009
"não venha querendo você se espantar"
hoje, 13 de setembro, itamar assumpção faria 60 anos. seguem abaixo dois videos do programa mosaicos (tv cultura), que foi ao ar no dia 8 de setembro homenageando o mestre. teve donazica (da filha anelis assumpção), curumim e os rappers do z'áfrica brasil com théo werneck e mano bap, entre outros. o primeiro video tem "falei" do z'áfrica, mais "fico louco" do itamar e depoimentos de arquivo.
esse agora traz "nega música".
um salve pra itamar. sempre.
p.s.: e lá no gafieiras, a nossa eterna homenagem.
esse agora traz "nega música".
um salve pra itamar. sempre.
p.s.: e lá no gafieiras, a nossa eterna homenagem.
domingueira
falei na domingueira da semana passada da paixão sincera de damon albarn (blur) pela música negra e, mais precisamente, pela música contemporânea africana. o casal amadou & mariam, por exemplo, vinha com um trabalho belo e sólido lá no mali desde a década de 1980, mas no início dos anos 2000 seu blues africano já estava misturado com pitadas latinas, guitarras roqueiras e outros sons africanos, a ponto de chamar atenção do "mundo ocidental". saiu então o lindão dimanche a bamako (nonesuch, 2005), com produção do manu chao, e no ano passado veio welcome to mali (because music, 2008), que teve a presença de damon albarn no estúdio. o inglês chega na humildade e não soterra o som do casal com tiques mercadológicos ocidentais. ele tem noção que o casal sabe o que faz - amadou tem 55 anos e toca guitarra de uma maneira muito original; mariam é mais nova, tem 51 e uma voz que alterna rapidamente suavidade e raiva; ambos são cegos de nascença. exemplo bem acabado do encontro é a faixa que abre o disco, a linda "sabali", a única parceria de albarn, amadou e mariam. o disco tem também participação do rapper somali k'naan. agora, com vocês, "sabali".
Amadou et Mariam - Sabali
Enviado por cpourlesparents. - Explore outros vídeos de música.
achei também um video ligeiro com albarn explicando algumas inspirações que teve pra música (edith piaf, etc.) e mariam contando como se conheceram e o que significa a palavra "sabali" (paciência).
Amadou et Mariam - Sabali
Enviado por cpourlesparents. - Explore outros vídeos de música.
achei também um video ligeiro com albarn explicando algumas inspirações que teve pra música (edith piaf, etc.) e mariam contando como se conheceram e o que significa a palavra "sabali" (paciência).
sábado, 12 de setembro de 2009
psycho afro sambas
escrevi o texto abaixo em maio de 2007 a pedido do junior boca (foi o primeiro "press release" que fiz). conheci o guitarrista cearense lá em fortaleza via dustan gallas, num barzinho de música instrumental perto da av. santos dumont (foi em 2005?). logo depois ele veio pra são paulo e descolei o primeiro show solo dele aqui na cidade, lá no saudoso villaggio café do bixiga. de lá pra cá, o boca passou a tocar com um monte de gente e sofisticou ainda mais sua guitarra (que era mais jazz puro quando conheci). com certeza é um dos melhores instrumentistas em atividade agora no país. bom, e um dos projetos que ele se meteu foi o trio esmeril - que não tinha esse nome quando escrevi o texto - com mauricio takara e guizado. o trio se propôs a entortar os afro-sambas de baden powell e vinicius de moraes. o resultado é maravilhoso, mas pouca gente viu/ouviu. rolaram uma série de shows aqui em são paulo em 2006 e 2007, talvez alguma coisa em 2008, mas é o típico projeto paralelo e acabou ficando de escanteio por outras prioridades.
é que ontem, navegando no site do ótimo selo desmonta descobri, na seção "media", três músicas do trio para baixar gratuitamente. que delícia ouví-las novamente e poder tê-las. a notícia é essa, mas acrescentei aqui o texto que fiz (acompanhei um ensaio deles no estúdio el rocha, em pinheiros), uma foto maluca que tirei num bar vegetariano no bixiga (único show que vi, totalmente excelente), um video e as três músicas em streaming.
Primeiro foi um ensaio, na moral, bateria, guitarra e algumas bases. Poucas semanas depois, um show, o segundo e valendo, com a entrada de um trompete e novos efeitos. Em dois momentos, distintos e complementares, pude acompanhar o encontro dos jovens músicos Mauricio Takara, Junior Boca e Gui Mendonça (aka Guizado) com os afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes.
Músicas como “Canto de Ossanha”, “Canto de Iemanjá”, “Canto de Pedra Preta” e “Canto de Xangô”, tão misteriosas, espirituais e sensuais como em seu lançamento em 1966, quase sempre sofreram de demasiada reverência nas interpretações de outros artistas. Talvez porque não tenham também embarcado em outra característica da bossa negra de Baden e Vinicius: a liberdade.
No caso de Takara, Boca e Guizadoman, essa liberdade é tomada por formas exclusivamente instrumentais. É mais jazz, tem algo de rock, é música instrumental brasileira, e tem barulho, groove, surpresa e improviso. Tudo muito natural. Às vezes não se entende nada e de uma hora para a outra você se pega sorrindo, batendo o pé no compasso, essas coisas. E, acompanhando esse power trio em ação, os versos de Vinicius fazem muito sentido: “O homem que diz ‘sou’ não é / Porque quem é mesmo é ‘não sou’”. Enfim, só ouvindo mesmo.
e agora, as músicas. na ordem, "canto de iemanjá", "canto de xangô" e "tempo de amor".
e pra encerrar, um video com apresentação do trio esmeril no studio sp (em tempos de vila madalena), em junho de 2006.
é que ontem, navegando no site do ótimo selo desmonta descobri, na seção "media", três músicas do trio para baixar gratuitamente. que delícia ouví-las novamente e poder tê-las. a notícia é essa, mas acrescentei aqui o texto que fiz (acompanhei um ensaio deles no estúdio el rocha, em pinheiros), uma foto maluca que tirei num bar vegetariano no bixiga (único show que vi, totalmente excelente), um video e as três músicas em streaming.
Primeiro foi um ensaio, na moral, bateria, guitarra e algumas bases. Poucas semanas depois, um show, o segundo e valendo, com a entrada de um trompete e novos efeitos. Em dois momentos, distintos e complementares, pude acompanhar o encontro dos jovens músicos Mauricio Takara, Junior Boca e Gui Mendonça (aka Guizado) com os afro-sambas de Baden Powell e Vinicius de Moraes.
Músicas como “Canto de Ossanha”, “Canto de Iemanjá”, “Canto de Pedra Preta” e “Canto de Xangô”, tão misteriosas, espirituais e sensuais como em seu lançamento em 1966, quase sempre sofreram de demasiada reverência nas interpretações de outros artistas. Talvez porque não tenham também embarcado em outra característica da bossa negra de Baden e Vinicius: a liberdade.
No caso de Takara, Boca e Guizadoman, essa liberdade é tomada por formas exclusivamente instrumentais. É mais jazz, tem algo de rock, é música instrumental brasileira, e tem barulho, groove, surpresa e improviso. Tudo muito natural. Às vezes não se entende nada e de uma hora para a outra você se pega sorrindo, batendo o pé no compasso, essas coisas. E, acompanhando esse power trio em ação, os versos de Vinicius fazem muito sentido: “O homem que diz ‘sou’ não é / Porque quem é mesmo é ‘não sou’”. Enfim, só ouvindo mesmo.
e agora, as músicas. na ordem, "canto de iemanjá", "canto de xangô" e "tempo de amor".
e pra encerrar, um video com apresentação do trio esmeril no studio sp (em tempos de vila madalena), em junho de 2006.
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009
transversão #21
foi em agosto, 13 de agosto, que a turma lembrou os 40 anos da morte de jacob do bandolim (1918-1969), um dos maiores gênios da música popular brasileira & mundial. pois então, três anos após a morte de jacob, seu filho, o jornalista polêmico e compositor sérgio bittencourt (1941-1979), lhe dedicou uma emocionada música e a cantou em dueto com elizeth cardoso, uma "descoberta" do bandolinista, em compacto e no disco preciso aprender a ser só (copacabana, 1972). putz, "naquela mesa" é linda demais, do tipo que dá nó na garganta, mas acho que só a conheci no início dos anos 2000 quando fiz os textos da coletânea isso é samba (som livre, 2002). escuta só a versão original com elizeth e sérgio.
agora, uma versão instrumental de um reginal chamado os coroas. tá no disco choros inesquecíveis (rge, 1988), mas não tenho a mínima ideia de quem sejam os tais coroas.
e agora o motivo que me fez relembrar. o pernambucano otto gravou no ano passado e está pra lançar seu quarto disco solo, certa manhã acordei de sonhos intranquilos (independente, 2009), e entre as dez faixas tem essa ótima regravação de "naquela mesa" (tem uma outra, "lágrimas negras", de nelson jacobina e jorge mautner, que gal costa gravou originalmente e que otto canta com a mexicana julieta venegas; mas essa não rolou). curiosidade: fazia tempo que otto não lançava nada inédito e a prova disso que seu site ainda é dos tempos da gravadora trama.
ah, olha a capa do disco do maluco (que já tá sendo vendido no exterior). tem céu na música "o leite", lirinha em "meu mundo" e as guitarras inescapáveis de fernando catatau, o homem do ano (além de disco de inéditas, o cearense também é produtor do novo trabalho de arnaldo antunes, o bacana iê iê iê).
agora, uma versão instrumental de um reginal chamado os coroas. tá no disco choros inesquecíveis (rge, 1988), mas não tenho a mínima ideia de quem sejam os tais coroas.
e agora o motivo que me fez relembrar. o pernambucano otto gravou no ano passado e está pra lançar seu quarto disco solo, certa manhã acordei de sonhos intranquilos (independente, 2009), e entre as dez faixas tem essa ótima regravação de "naquela mesa" (tem uma outra, "lágrimas negras", de nelson jacobina e jorge mautner, que gal costa gravou originalmente e que otto canta com a mexicana julieta venegas; mas essa não rolou). curiosidade: fazia tempo que otto não lançava nada inédito e a prova disso que seu site ainda é dos tempos da gravadora trama.
ah, olha a capa do disco do maluco (que já tá sendo vendido no exterior). tem céu na música "o leite", lirinha em "meu mundo" e as guitarras inescapáveis de fernando catatau, o homem do ano (além de disco de inéditas, o cearense também é produtor do novo trabalho de arnaldo antunes, o bacana iê iê iê).
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
irmãos coragem
às vezes é bom tomar um tapa na cara. foi o que senti ao ouvir, depois de muita relutância, o punkanova (independente, 2009), estreia em disco do brothers of brazil, projeto de supla e joão suplicy. não dava uma pataca furada pela coisa, tal e qual, confesso, nunca dei pelas carreiras solos dos irmãos. mas, porra, o disco é muito divertido e, certamente, é uma das boas surpresas do ano. fiz uma resenha pro gafieiras, lá pra edição #4 da seção balancete. no mesmo balaio entraram resenhas ligeiras de simone, alcione, diogo poças, márcio montarroyos e ana cañas. vai lá, mas antes ouça "sometimes i wanna punch you", ao vivo para o showlivre.
p.s.: acho que não cheguei a anunciar a coluna balancete que, inclusive, nasceu aqui no início de maio. balancete #1 foi uma replicação direta do que escrevi aqui e trouxe aquilo del nisso, victor biglione, gloria, bruno miguel, ivan lins, markko mendes, nenê cintra (vésper vocal), paquito, paulo faour e quasimodo. balancete #2 veio com tiê, rodrigo campos, dj dolores, danilo brito, stela campos, paulo freire, leila pinheiro & eduardo gudin. e a balancete #3 trouxe nervoso e os calmantes, retrofoguetes, zélia duncan, estela cassilatti, curupira, diogo nogueira e o livro sobre paulo césar pinheiro.
outro p.s.: e via @gustavomiller fiquei sabendo do primeiro clipe dos brothers. é da música "samba around the clock".
p.s.: acho que não cheguei a anunciar a coluna balancete que, inclusive, nasceu aqui no início de maio. balancete #1 foi uma replicação direta do que escrevi aqui e trouxe aquilo del nisso, victor biglione, gloria, bruno miguel, ivan lins, markko mendes, nenê cintra (vésper vocal), paquito, paulo faour e quasimodo. balancete #2 veio com tiê, rodrigo campos, dj dolores, danilo brito, stela campos, paulo freire, leila pinheiro & eduardo gudin. e a balancete #3 trouxe nervoso e os calmantes, retrofoguetes, zélia duncan, estela cassilatti, curupira, diogo nogueira e o livro sobre paulo césar pinheiro.
outro p.s.: e via @gustavomiller fiquei sabendo do primeiro clipe dos brothers. é da música "samba around the clock".
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