sexta-feira, 2 de setembro de 2011

yahoo #13

pois então, minha gente. o décimo terceiro texto da ultra pop marcou uma volta da boa e velha polêmica ao meu cantinho no yahoo, mas jamais imaginaria que o seguinte, "drogas? tô dentro", causaria um rebuliço ainda maior. mas esse aqui trata de misturas nacionais, mashups e um tal de funknejo.

BASTARDO É A MÃE

Misturar ritmos diferentes em uma mesma música não é novidade nem aqui e nem na China. Não é coisa dos dias de hoje e exatamente por isso já foi chamado por vários nomes, de ‘mash mixed’ a ‘bastard pop’, de ‘crossover’ a ‘mashup’. Mas é deste último jeito, em inglês mesmo, que essa mistura ficou conhecida no mundo todo. E é um tanto diferente do bom e velho remix, seu meio-irmão. Enquanto no remix uma música ganha novas roupagens a partir de intervenções de batidas e efeitos criados por DJs e produtores, o mashup é o encontro-colisão de duas músicas já existentes, de preferência o vocal de uma com o instrumental de outra

Quando ainda não existia asfalto para chegar aos mashups, as misturas eram feitas ao vivo, com instrumentos, na raça mesmo. Mas a partir dos anos 1980, e mais radicalmente nos anos 2000, inúmeras ferramentas tecnológicas deixaram tudo mais acessível. E assim surgiram os primeiros fenômenos pop do gênero, com destaque para The Grey Album (2004), no qual o produtor Danger Mouse liquidificou Beatles (The White Album, 1968) e Jay-Z (The Black Album, 2003), e Collision Course (2004) com uma mescla de Linkin Park e Jay-Z feita pelos próprios. O poderoso rapper e maridão de Beyoncé, aliás, é figura fácil nos mashups e mais recentemente foi co-protagonista de Jaydiohead (2009), uma mistura feita pelo produtor Max Tannone de suas rimas com os instrumentais do Radiohead.

E o que isso tem a ver com o Brasil? É que fiquei sabendo que uma coisa chamada “Sou Foda 2” tinha sido feita e era nada menos que uma nova versão de “Sou Foda”, hit malicioso assinado pelos jovens funkeiros do Avassaladores que agora ganhou o apoio da dupla neosertaneja Cácio & Marcos. Nada disso havia me preparado para a música que saiu daquele vídeo e muito menos para o termo ‘funknejo’. Alguns podem achar que “Sou Foda 2” é um crossover, mas eu acho sinceramente que é um mashup “ao vivo”.



Ainda não sei muito bem o que pensar disso. É muito bizarro? É o futuro? Uma coisa não tem nada a ver com a outra? A verdade é que a nova geração que tem revitalizado comercialmente a música sertaneja é a mesma que, ao invés de criar novas canções, apenas recria hits de outros gêneros a seu modo (“Minha Mulher Não Deixa Não” é um das mais disseminadas). Resultado? O feitiço pode muito bem se virar contra os feiticeiros.

Porque essa coisa de misturar, como diria o sábio e saudoso Vicente Matheus, é “uma faca de dois legumes”. Às vezes funciona, noutras desanda. Por exemplo, o pioneiro da cena mashup nacional é o carioca João Brasil que em 2010 se meteu no ousadíssimo projeto “365 mashups” (Isso mesmo! Um por dia!). Ninguém no mundo tentou isso – e muito menos com tantas referências e artistas diferentes - e João Brasil saiu-se muito bem, mesmo com alguns escorregões aqui e acolá. Impossível, em um projeto desse tamanho, chegar ao 100% de aproveitamento. De qualquer forma, quinze dias atrás Brasil reuniu Guilherme de Arantes com Gaiola das Popozudas no divertido “Charme de Dar” e a alquimia funcionou.

Outro artista brasileiro dos mashups e remixes, o enigmático DJ Cremoso vem fazendo fama ao pegar sucessos internacionais dos anos 1980 para cá – de Nirvana a R.E.M., de Major Lazer a Joy Division, etc. - com o objetivo de mergulhá-los no caldeirão do tecnobrega. Já o pessoal da festa Criolina fez um bando de europeus sacolejarem ao som de mashups como “Mosca na Cerveja” (Raul Seixas vs. Chico Science & Nação Zumbi), “Nega do Bebo Sim” (Elizeth Cardoso vs. Marcelo D2) e “Manos e Molhados” (Racionais MCs vs. Secos & Molhados). Bastardos ou não, o que é brega hoje pode ser cult amanhã, e o que é cult hoje pode ser datado ou esquecido depois de amanhã. Só o tempo para julgar se experiências assim sobrevivem e se a posição da rã é um lance e não um romance.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

dom salvador, 1970

entre o final de sua fase samba jazz em dom salvador (cbs, 1969) e a explosão funky de som, sangue e raça (cbs, 1971), o pianista dom salvador gravou um compacto que já anunciava algumas mudanças em sua sonoridade e a criação da banda abolição (que pouco depois se transformaria na igualmente lendária banda black rio). no lado a do compacto, a política "abolição 1860-1980", e no lado b, uma versão acelerada e black da ultranordestina "juazeiro".

Dom Salvador [compacto, 1970] by dafnesampaio4

a música "abolição 1860-1980" fez parte do 5º festival internacional da canção, que entrou para a história como aquele que revelou ao país o surgimento de uma forte e urbana cena musical negra. ainda estavam presentes, e bagunçando a cabeça dos militares, os revolucionários erlon chaves ("eu também quero mocotó") e tony tornado ("br-3").
todos pagaram caro pela afronta, principalmente erlon e tony, que ainda por cima namoravam mulheres brancas (vera fischer e arlete salles, respectivamente): erlon morreu de infarto em 1974, tony foi obrigado a abandonar a música e se refugiar como ator na tv globo e dom salvador se mudou para os estados unidos, onde vive até hoje.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

barba, cabelo e bigode

meio curta ficcional, meio clipe musical, "subirusdoistiozin" é o primeiro video a sair de nó na orelha, o excelente segundo disco do paulistano criolo. além da música ser uma das melhores do trabalho, o filme dirigido por tom stringhini tem uma produção fina, clima setentista, o sempre ótimo cenário da vila maria zélia, a presença marcante do ator abrahão farc (como o barbeiro) e várias referências a outras músicas do disco, tais como "freguês da meia noite" (que passa rapidamente no rádio) e "bogotá" (quando criolo diz para um garoto, "fica atento, quando alguém lhe oferecer o caminho mais curto, fica atento").



só não entendi direito o que motivou o banho de sangue no final. se alguém souber me jogue uma luz.

p.s.: depois vi essa apresentação do criolo no showlivre. músicas e entrevista, serviço completo.

laerte da semana #29

dá-lhe laerte!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

rei momo dos sete mares

desde que ouvi marcelo "momo" frota pela primeira vez - mais ou menos na época que o carioca-mineiro estava lançando seu segundo disco, buscador, e participando do fino coletivo - me surpreendeu a densidade melancólica de suas músicas, todas tristes de doer. esqueçam pulinhos, piadas e raios solares porque o lance aqui é cantar a solidão, a busca, o amor, o silêncio, o mar e outras ondas. mas não pense que por causa disso a música é pesada ou, pior ainda, resultado de alguma pose calculada. sincero e com o coração na ponta das notas, o sujeito está lançando seu terceiro disco, serenade of a sailor (pimba noises, 2011), e já conseguiu reservar seu lugarzinho entre os melhores do ano. o disco é tão bonito que até minha habitual reserva quanto a músicas nacionais com letras em inglês desceu pelo cano. agora, se você achar que eu estou exagerando dê uma ouvida no disco que está todo disponível no soundcloud.

Serenade of A Sailor by Momo Serenade of A Sailor

dizem que o momo faz um folk psicodélico. não sei direito o que é isso, mas faz sentido. ah, serenade of a sailor traz as participações de músicos como caetano malta (co-produtor do disco), domenico lancellotti, lucas santtana, régis damasceno, rian batista, max sette, jam da silva e damien seth. só gente fina. e olha aí abaixo o momo em uma recente ediç
ão do cultura livre, programa radiofônico e agora também televisivo, que roberta martinelli apresenta com sua habitual desenvoltura.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

isso não vai ficar assim

pois é, banksy virou um documentarista e tanto. seu longa de estreia, exit through the gift shop (2010) é um tsunami de achados visuais, bom humor, temas urgentes, engajamento político, tudo envolto com um roteiro esperto que bagunça as fronteiras entre realidade e ficção. bastou assistir uma vez (e ainda rolaram outras duas) para o longa entrar na minha lista dos 10 melhores documentários de todos os tempos. mas fiquei sabendo via zupi e trabalho sujo que o artista plástico, grafiteiro, guerrilheiro visual aprontou mais uma. audiovisualmente falando.

feito para a tv, the antics roadshow - an incomplete guide to total anarchy é uma coletânea de ações políticas inusitadas, desde um moicano de grama colocado na célebre estátua de winston churchill até o belga atirador de tortas, passando pelos americanos que fingem dar palestras de autoajuda corporativa, o sujeito que invadiu o palácio de buckingham nos anos 80, e assim por diante. com maior ou menor engajamento político, todas as ações exibidas e comentadas durante os poucos mais de 40 minutos do documentário (algumas bem conhecidas) tem em comum uma indignação bem humorada e um vontade de deixar bastante claro a governos e corporações que autoritarismos oficiais não serão suportados sem alguma reação.

banksy, seu genião.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

macro stop-motion

em setembro do ano passado, no post "micro stop-motion", coloquei uma ótima e curta animação produzida pela aardman e que se autointitulava "a menor animação stop-motion do mundo" (e que, ainda por cima, foi feita com um celular nokia). meses depois a produtora inglesa e a empresa finlandesa de celulares voltam com "gulp", "a maior animação stop-motion do mundo", feita em uma praia nos arredores de bristol. saca só a animação...



e aqui o making of.


a felicidade segundo marcelo jeneci

taí o esperado clipe de "felicidade", o primeiro do disco feito pra acabar (slap/som livre, 2010), de marcelo jeneci. filmado em sairé, cidade pernambucana distante 141 km de recife, o video é também um reencontro de jeneci com parte da família que ainda vive na cidade, terra de seus pais e avós, e de férias ocasionais.



jeneci e laura lavieri lançaram o video ontem no mtv na brasa, programa comandado pelo igualmente pernambucano china, e lá afirmaram que desejam exibí-lo na praça central de sairé junto com um documentário que fizeram com a família e que ainda está sendo finalizado.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

yahoo #12

pois então, amiguinhos e amiguinhas, a polêmica está de volta ao ultra pop! a coluna nova, "bastardo é a mãe", trata de misturas mashupeiras entre ritmos bem populares (funknejo, no caso) e o pessoal está surtando com "o baixo nível que tomou a música brasileira". o texto anterior, que segue abaixo, é sobre fofocas, demagogia e internet, o que não deixa de ser uma pensata de boteco sobre a psicologia desse pessoal que não sabe se comportar nas caixas de comentários.

FOFOCA EU, FOFOCA TU

Uma das coisas mais comuns no Brasil é enxergar problemas ou culpas somente nos outros. O sujeito faz uma barbeiragem daquelas de fazer o Vin Diesel corar de vergonha e se alguém o repreeende, mesmo com uma singela buzinada, o tal sujeito xinga, mostra o dedo do meio, puxa o revólver, faz o diabo. Ou então aquele pessoal que fala que a música de hoje em dia não é boa como a do passado e quando se pergunta de quem gostam surgem nomes como Shakira, Jorge Vercilo ou J. Quest (nada contra, são só exemplos). Ou ainda sites e revistas de fofoca, que todos acham uma falta do que fazer ao mesmo tempo que sabem os mexericos mais recentes.

“Que jornalismo é esse que fica dando trela para subcelebridades, mulheres-frutas, etc. É esse país que quer receber a Copa?!”. Basta dar as costas que a pessoa clica na primeira manchete com a Nana Gouvêa ou a Nicole Bahls muito à vontade em alguma praia carioca. Essa hipocrisia de não assumir suas próprias escolhas e/ou responsabilidades, de fingir ser quem não se é, é típico de uma sociedade de aparências. Só o tempo e a educação nos libertará disso (ou não), mas enquanto a iluminação não acontece precisamos assumir nossas baixezas ou pelo menos nosso espírito voyeurístico. E fofocar pode até não ser bom, mas é natural desse pessoal que somos nós.

Veja bem. Os tablóides são uma invenção da imprensa inglesa no século 19 e em suas chamadas espalhafatosas existia uma vontade de esculhambar com a realeza e a classe aristocrática. Trazer o altar pra rua, digamos assim. Em um mundo desigual a palavra era (e ainda é) a única arma disponível para quem não tinha poder. Notícias cheias delas então... Claro que isso também virou poder, mas aí é outra história.



Na década de 1920, os tablóides tomaram outra forma e ganharam novos alvos do outro lado do Oceano Atlântico com o surgimento de um novo tipo de nobreza: os astros e estrelas de Hollywood. Um público novinho em folha estava ávido por saber com quem Greta Garbo dormia ou como era Charles Chaplin por trás do bigode de Carlitos. O espírito de fofoca da rua ganhou ares de jornalismo sério e já não era mais possível saber se essa demanda foi criada pelo público ou alimentada pela própria imprensa. De qualquer forma, sensacionalismo (da mídia) e crueldade (do público) costumam andar de mãos dadas em meio a essa bisbilhotice toda.

Agora, para fazer isso de um jeito que fosse bom para todo mundo foi criado o colunismo social, uma versão chapa-branca do nosso voyeurismo. Domaram e comercializaram nossa curiosidade. E foi esse tipo de tablóide que venceu aqui no Brasil. Só que muito diferente da agressividade fofoqueira inglesa - que fez nascer casos extremos como o do centenário e recém-falecido News of the World que chegou a grampear ilegalmente telefones de astros, políticos, etc. -, a brasileira
é cordial, amiga, “inofensiva”.

Ninguém quer perder as entradas VIPs, a boca livre, o tapete vermelho, a entrevista exclusiva, e por isso o nosso jornalismo de celebridades estampa uma gravidez aqui, uma boa forma acolá, novos e velhos casais explodindo de alegria, um final de semana inesquecível em um castelo ou numa ilha. Nada de traições, filhos fora do casamento, dependências químicas (só se já estiverem no estágio de “superação”), xiliques em gravações, plágios, calotes fiscais e o escambau.

Talvez os ingleses façam uma “fofoca do mal” e os brasileiros sejam “do bem”. Aí vai da opinião de cada um. Só não vale culpar o mensageiro. Somos nós que mexemos no lixo e é lá que desejamos encontrar algo. Talvez por identificação ou então para passar o tempo. Quem sabe seja amor, ódio ou tara. Mas de repente a gente pode criar o Dia do Orgulho Fofoqueiro e se encontrar, trocar umas ideias...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

aloe blacc em paris

muito bonito e singelo o clipe de "green lights", uma das músicas mais bonitas do discaço good things (stones throw, 2010). a voz e o balanço de aloe blacc são de uma delicadeza que vou te contar e o clipe acabou de sair, tá quentinho...



e o video - como antecipa o título do post e você pode notar pelas imagens - foi filmado em paris pelo pessoal sangue bom do blogothèque, o site criado pelo vincent moon, que ano passado fez outros dois também pelas ruas da cidade. na primeira parte, blacc canta "hey brother" e "i need a dollar" e na segunda engata "you make me smile" (todas essas três também estão no disco good things) e um cover de "use me" (bill withers), uma das preferidas da casa.

Aloe Blacc | I Need A Dollar | A Take Away Show - Part 1 from La Blogotheque on Vimeo

Aloe Blacc | A Take Away Show - Part 2 from La Blogotheque on Vimeo

a história da gravação desses dois videos você pode ler aqui.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

mel tormé, algumas moças e um par de motocas



curioso. não tinha lembrança alguma da trilha do filme educação (2009), de lone scherfig, e ela é bem boa. dela saiu essa "comin' home baby!" (bob dorough e ben tucker), suingue blueseiro da pesada que foi sucesso na voz de mel tormé (1925-1999) em 1962. mas esse video sensacional, tirado do "the judy garland show", é de algum lugar entre setembro de 1963 e março de 1964. quem me mostrou essa música foi carolina, que ouviu no blog do estúdio glória, uma loja de móveis garimpados e restaurados aqui em são paulo.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

roberto leal tomou um chá e saiu por aí

pois então, o grande, o inesquecível, o bate-pé luso-brasileiro roberto leal participou recentemente de um reality show lá na terrinha. mas último a sair era um falso reality show, no qual a única parte verdadeira eram as identidades dos participantes (todos celebridades). lá pelas tantas um deles faz um chá de cogumelo e o resultado é absolutamente hilariante, principalmente por causa de roberto leal.



valeu demais @henriheu.

p.s.: roberto leal foi o vencedor de último a sair. só pelo surto ao som de prodigy já merecia.

jay-z e kanye se divertem



para além do poder de um e da megalomania do outro, para além do talento e da grana de ambos, o esperado encontro de jay-z e kanye west no disco watch the throne tem peso e diversão. é bom, viu? mas ainda estou só começando a ouvir. sei que esse primeiro clipe a sair do trabalho, "otis" deixa claro que esses caras estão realmente se divertindo, fazendo o que gostam e sabem, numa relax, numa tranquila, numa boa. e a música ainda tem esses samples inspiradões tirados da clássica "try a little tenderness" do mestre otis redding. depois falo mais.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

no mês do cachorro louco...

enquanto isso, no excelente baú de velhas novidades do canal viva, é dia de estreia da minissérie agosto, uma adaptação bem feita do livro homônimo de rubem fonseca. fiz um texto pra revista monet desse mês com direito a um papinho virtual com zé henrique fonseca, cineasta, filho de rubem e que estreou como diretor naquele distante início da década de 1990.

josé mayer e vera fischer, protagonistas da minissérie

CLÁSSICOS - AGOSTO

As primeiras noites de agosto de 1954 foram agitadas no Rio de Janeiro. Modo de falar, claro. Aquelas primeiras noites mudaram a história do país. Tudo começou com o assassinato do empresário Paulo Gomes de Aguiar no primeiro dia do mês em um prédio numa das ruas mais movimentadas de Copacabana. Apenas quatro dias depois, e distante cerca de seis quarteirões, o jornalista Carlos Lacerda sofreu um atentado e quem acabou morrendo foi Rubens Vaz, major da Aeronáutica que fazia sua segurança.

Nada menos que o presidente Getúlio Vargas, principal alvo das críticas e denúncias de Lacerda, tornou-se o principal suspeito de ser o mandante, deixando o país em pé de guerra. Mas o Comissário Mattos acreditava que os dois crimes tinham alguma conexão. Pelo menos no campo da ficção, já que estamos falando de
Agosto, minissérie baseada em livro homônimo de Rubem Fonseca lançado em 1990 e que agora ganha reexibição.

Mistura hábil de personagens ficcionais com figuras muito reais, e excelente reconstituição de época, os 16 capítulos de
Agosto foram ao ar entre os dias 24 de agosto e 17 de setembro de 1993 com produção e direção artística do veterano Carlos Manga. Já o roteiro adaptado ficou a cargo de Jorge Furtado e Giba Assis Brasil, enquanto a direção foi dividida entre Paulo José, Denise Saraceni e o jovem estreante José Henrique Fonseca. “Foi o Manga que me convidou e de certa forma me ‘indicou’ [risos] ao Paulo José, diretor-geral da série. Dirigia algumas cenas externas e no final acabei fazendo algumas bem legais, mas rodei poucas em estúdio. A maior parte eram externas noturnas e assassinatos. Devo dizer que gostava”, relembrou Fonseca, não por acaso filho de Rubem Fonseca, em entrevista para a MONET.

Foi sua primeira grande experiência como diretor e mais tarde assinaria inúmeros clipes, shows, filmes publicitários, um dos episódios de
Traição (1998), o longa O Homem do Ano (2003) e a série Mandrake (2005-07). Detalhe: tanto O Homem do Ano quanto Mandrake tiveram participação direta ou indireta de Rubem Fonseca. “Já disse e repito que poderia ser o cineasta oficial do meu pai se fosse preciso, ou se alguém quisesse fechar um acordo desse... toparia na hora!!! Faço cinema por causa dele, pelos filmes que vi com ele, pelos livros que li na minha juventude, inclusive e sobretudo os que ele escreveu.”

Escritor da rua (sobretudo carioca), seco e intenso, Rubem Fonseca criou em Agosto uma história policial trágica ao redor do dividido Comissário Mattos (José Mayer). Honesto em meio a uma corporação corrupta, Mattos também balançava entre um amor do presente, Salete (Letícia Sabatella), e outro do passado, Alice (Vera Fischer), enquanto vivia consumido por uma intensa gastrite. A frágil Alice, por sua vez, tinha casado com Pedro Lomagno (José Wilker), tipo ambicioso e amante de Luciana (Lúcia Veríssimo), mulher de Paulo Gomes de Aguiar. Pois então, para controlar a empresa de Aguiar, Lomagno e Chicão (Norton Nascimento) arquitetam sua morte, o que não chega a ser um mistério para o espectador da minissérie.

Porém, Mattos se confunde com algumas evidências que ligam Gregório Fortunato (Tony Tornado), chefe da guarda pessoal de Getúlio Vargas acusado do atentado a Carlos Lacerda, à empresa ambicionada por Lomagno e o tem como suspeito da morte de Aguiar. Fortunato é o principal personagem real a participar da trama de
Agosto e estes paralelos entre a ficção e a não-ficção – a saber, o esfacelamento do governo de Vargas culminando no suicídio em 24 de agosto de 1954 – só amplificavam a roda viva de sentimentos e impulsos dos personagens.

“Quando a gente faz personagens nascidos da boa literatura a gente se torna melhor. Nem é muito mérito nosso não. Mas a gente fica visivelmente melhor quando fala texto de bons autores. Pra mim, [o Comissário Mattos] foi um crescimento na carreira”, relembrou José Mayer dentro do projeto Memória Globo. Mayer, aliás, não foi a primeira opção para viver Mattos. Quando Carlos Manga o chamou seu papel deveria ser o do vilão Pedro Lomagno e Mattos ficaria com Cláudio Marzo. Mas problemas de saúde deste o afastaram da produção e a oportunidade caiu como uma luva no estilo calado de Mayer (que, anos mais tarde, interpretou outro personagem de Rubem Fonseca no longa
Buffo & Spallanzani). Lomagno ficou com José Wilker. 

CAIO O PANO - A história não acaba bem para grande parte dos envolvidos em
Agosto. No mundo real, Gregório Fortunato, o Anjo Negro, foi preso e assassinado no presídio em 1963. Os braços armados de Fortunato na ação contra Lacerda, Climério Euribes de Almeida e Alcino João do Nascimento (o confesso autor dos tiros que tentou impedir judicialmente a exibição da minissérie), também foram presos. Nascimento passou pouco mais de 21 anos entre as grades e foi liberto em 1975.

Getúlio Vargas cometeu suicídio, mas entrou para a história. A princípio vítima, Carlos Lacerda foi vilanizado pela opinião pública após a morte de Vargas e as coisas para o seu lado não melhoram quando mais tarde, e com apoio de militares, tentou dar um golpe em Juscelino Kubitschek. Acabou caindo no ostracismo pelas mãos das próprias Forças Armadas que apoiou em 1964.

Agora, José Henrique Fonseca está muito bem, obrigado. Irá lançar seu novo longa,
Heleno (sobre o intempestivo jogador de futebol Heleno de Freitas), em novembro e seu pai não tem nada a ver com isso. “Cinema é amadurecimento. Veja os filmes do Clint Eastwood, os últimos filmes do John Huston. Cineastas filmam bem em final de carreira. Não trocaria a forma mais objetiva como enxergo minha profissão hoje em dia, pela garra do início de carreira. Penso que vou fazer, ou pelo menos vou ter a chance de fazer filmes mais interessantes, a partir de um amadurecimento como homem, como cineasta.”

Já no campo ficcional, o Mattos... bem, após um surto memorável no qual prende todos os policiais e liberta os detentos de uma delegacia, o Mattos... olha, o melhor é rever a minissérie porque meses como esse agosto de 1954 são realmente inesquecíveis.


p.s.: segue abaixo uma das músicas da trilha de agosto, "segredo" (herivelto martins e marino pinto). na minissérie a versão é a clássica de dalva de oliveira lançada em 1947, mas aqui vou com uma recente de ney matogrosso, direto do show da turnê do disco beijo bandido (2009). ney já havia gravado "segredo" em outras duas ocasiões: pescador de pérolas (1987) e à flor da pele (1991).

terça-feira, 9 de agosto de 2011

yahoo #11

rolou um atrasinho na nova coluna do yahoo, coisas da vida, mas já está no ar uma das que mais gostei de escrever. chama-se "fofoca eu, fofoca tu", que trata sobre demagogias, voyeurismos e jornalismo de celebridades. aqui no esforçado segue a anterior, uma pensata sobre esse nosso novo modus operandi na internet, uma espécie de "do it yourself" 2.0. pra cima com a viga!!!


FAÇA VOCÊ MESMO

Uma das coisas mais fascinantes da internet é o modo como pessoas comuns deitam e rolam no uso de suas ferramentas de comunicação. Porque tudo está próximo, desde o YouTube para disponibilizar vídeos caseiros até uma infinidade de players e softwares para fazer e mixar músicas. E, claro, endereços gratuitos em blogs, tumblrs, fotologs, mídias sociais e por aí vai. Muita gente se descabelou: “O cinema vai acabar” ou “A música morreu” ou ainda “Qualquer um hoje em dia é fotógrafo”. É o fim da cultura e da amizade real, gritavam em um canto de sua biblioteca. Qual o quê!

Para o horror dos puristas, dos autoritários da “qualidade e do bom gosto”, a cultura passa muito bem, principalmente a popular. Pense comigo: em um tempo que qualquer um pode ser cineasta/músico/fotógrafo/jornalista/etc., os verdadeiros artistas acabam facilmente se sobressaindo (nenhuma pose dura muito). Mas o melhor de tudo é que todo mundo pode se divertir. A bola não fica com alguns poucos escolhidos.

Uma das razões disso acontecer é a própria essência descentralizadora da internet aliada a uma “limitação física”. Em uma entrevista dada a mim em 2008, o músico Jovino Santos Neto, pianista durante anos da banda de Hermeto Pascoal, declarou que “uma das coisas mais bacanas da internet é que meu outdoor é do mesmo tamanho que o de uma grande gravadora; é do tamanho da tela do computador.” Nada mais democrático que isso.



Tão revolucionária quanto essa afirmação é uma espécie de profecia-sonho de Francis Ford Coppola. Na década de 1970, o diretor de Apocalypse Now e da trilogia O Poderoso Chefão disse em uma entrevista que “um dia, uma gordinha em Ohio será o novo Mozart e fará um lindo filme com a câmera portátil de seu pai e quando isso acontecer todo esse profissionalismo em relação a filmes será destruído para sempre e o cinema se tornará uma arte.” Coppola falava então das acessíveis câmeras de super 8 e naquele momento ninguém poderia imaginar que o mundo viraria mesmo de cabeça para baixo (no bom sentido) com o digital. Exatamente como ele previu-sonhou.

Um surpreendente filme de terror pode nascer nos mangues de Guarapari (ES), como aconteceu com Mangue Negro de Rodrigo Aragão. Uma novela divertida e maluca pode vir do pobre bairro de Jurunas, em Belém (PA), e se você ainda não viu precisa urgentemente assistir A Saga de Leona, a Assassina Vingativa. Uma batida moderna, impactante e copiada/transformada mundo afora tem suas raízes na sensualidade, alegria e violência dos morros do Rio de Janeiro. Estou falando do tamborzão do funk carioca.

A cultura popular é construída e reconstruída todo dia em cada cantinho do Brasil e na última década muito mais pessoas puderam registrar suas invencionices amadoras. Ambição, brincadeira, oportunismo, paixão, não importa. Fazer é o que interessa. Porque o que vai ou não ficar para a eternidade não nos cabe decidir. Isso é com a história. A gente precisa é se divertir.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

tom zé e as calcinhas voadoras

o baiano estava com a macaca em show no rio de janeiro na semana passada e lá pelas tantas pediu para que as moças jogassem calcinhas no palco. enquanto ia recebendo calcinhas-exocets, tom zé fazia uma defesa apaixonada da buceta e de seus cheiros, reunindo napoleão e a própria mãe no raciocínio. o fotógrafo jorge bispo registrou esse momento épico para a sexualidade musical brasileira... performance é pouco. vi esse video no tumblr do @raulramone.



mas como se isso não fosse divertido o bastante, tom zé voltou a são paulo e na área de serviço de sua casa teceu alguns breves comentários sobre cada uma das calcinhas recebidas. e cheirou-as. e deu uma lavadinha. e disse coisas como "essa calcinha tinha uma presença olfativa muito marcante" ou "a pessoalidade do atolamento" ou ainda "as calcinhas estão derramando gotas que podiam servir de cura para grandes males da humanidade". fiquei sabendo desse segundo video pela paula scarpin, jornalista da revista piauí.



'bsolutamente genial.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

no tempo que michael jackson achou
que estava no comando

pesquisando sobre uma cantora sulafricana chamada letta mbulu descobri que, exilada nos estados unidos durante o apartheid, ela participou, entre outras coisas, da faixa "liberian girl", o nono e último single a sair do disco bad (epic, 1987), de michael jackson. mesmo que muito distante do sucesso avassalador dos anteriores off the wall e thriller, bad garantiu mais alguns milhões ao erário de jacko, tanto que conseguiu criar extravagâncias como o clipe de "liberian gil".



fora o fato de que é quase impossível ouvir a música - que nem é essas coisas - no meio dessa bagunça, o video é um carrossel de diversões para quem viveu nos anos 1980. durante o clipe um bando de amigos estelares espera jacko chegar para gravarem o que quer que seja, e assim aparecem brigitte nielsen (ex-stallone), paula abdul (coreógrafa de jackson na época), carl weathers, whoopi goldberg, quincy jones (produtor do disco), amy irving, rosanna arquette, billy dee williams, lou diamond phillips, olivia newton-john, john travolta, corey feldman, steven spielberg (que finge ser o diretor), debbie gibson, blair underwood, weird al yankovic, suzanne somers, lou ferrigno, don king, virginia madsen, david copperfield, richard dreyfuss, danny glover, dan aykroyd e steve guttenberg. ao fim, michael jackson surpreende a todos ao surgir atrás da câmera dizendo que a filmagem valeu. o clipe de "liberian girl" foi feito em 1989 e dirigido na verdade por james yukich.

mas um outro clipe retirado de bad igualmente me chamou atenção (para além da presença de bubbles, o chimpanzé de estimação, em ambos). "leave me alone" foi o oitavo single e é uma música bastante autobiográfica, no qual jackson reclama do assédio dos tablóides e das mentiras ditas sobre ele. o video dirigido por jim blashfield deixa ainda mais claro as reclamações do popstar ao elencar algumas manchetes sensacionalistas.



a música e o clipe são muito devedores do clássico "sledgehammer" de peter gabriel (lançado em 1986), o que é bom por um lado e frustrante de outro. mas o que é mais revelador é o fim do clipe com michael jackson se revoltando contra o parque de diversões (lilliputiano, vejam só) criado ao seu redor. mal sabia que o circo de horrores estava apenas começando naquele 1987 e só pioraria até seu fim em 25 de junho 2009. não, michael jackson nunca esteve no comando.

domingo, 31 de julho de 2011

domingueira

e pouco mais de um ano depois, a nipo-sueca yukimi nagano do little dragon volta ao esforçado. mas dessa vez como convidada em uma das faixas do disco de estreia do sbtrkt (ou substract), projeto do dj e produtor aaron jerome (inglês, acho). o disco é interessante, numas de dubstep e eletrônicos, mas essa "wildfire" está muito acima do resto.



conheci via só pedrada. detalhe: o selo young turks que lançou o disco é o mesmo de el guincho e the xx.

me identifiquei. pode?

"(...) homem esforçado que escolhera uma das poucas profissões abertas a mascaradores mentais, tornando-se jornalista e assim obtendo licença para driblar sua timidez, entregar-se a sua curiosidade insaciável e explorar a vida de indivíduos que considerava mais interessantes que ele próprio".

gay talese numas de autorretrato no espetacular a mulher do próximo (1981, retirado da página 458 da edição brasileira lançada pela cia. das letras em 2002).

sábado, 30 de julho de 2011

iara, elsie e carmen

uma coisa puxa a outra. se na vida já é assim, imagina na internet. ontem assisti a um video sensacional postado e protagonizado por iara rennó. filmado no domingo passado em los angeles, "from elsie houston to carmen miranda by iara rennó" acompanha a paulistana batucando em si e cantando "cadê minha pomba rola?" em meio a bagunça de turistas na calçada estrelada de hollywood. essa música foi gravada por elsie em 1930 e no fim do video iara e elsie encontram carmen. olha/escuta só.

From Elsie Houston to Carmen Miranda by Iara Rennó from MOCHILLA

elsie houston? nunca tinha ouvido falar dessa errática contemporânea de carmen nascida em 1902 (sete anos mais velha que a pequena notável). filha de um dentista americano com uma carioca descendente de portugueses da ilha da madeira, elsie se especializou em canto lírico e isso pode explicar meu desconhecimento. descobri então que durante os anos 1920 a morena ficou amiga dos modernistas (mário de andrade, tarsila do amaral, oswald de andrade, etc.) e fez alguma fama na europa. em 1927, na cidade de paris, conheceu e se casou com o poeta surrealista benjamin péret e dois anos depois o casal fixou residência no brasil. daí que os dois anos seguintes foram de profunda imersão, principalmente em viagens, de elsie e benjamin em nossa cultura regional, mas sempre com enfâse na afro-brasileira. em 1930, elsie houston gravou uma série de 78 rotações. "cadê minha pomba rola?" estava entre esses registros (achei aqui).

Elsie Houston - Cadê minha pomba rola by dafnesampaio4

em 1931 tudo muda para elsie e benjamin com o fortalecimento da histeria anti-comunista comandada pelo recém-todo-poderoso getúlio vargas. os dois se mandam para frança e o casamento vai se esfacelando até o fim em 1936. um ano depois ela se muda para nova york e a vida segue aos trancos e barrancos até seu suicídio em 20 de fevereiro de 1943. em 1942, elsie esteve nesse curta parte da boa e velha "política da boa vizinhança". uma soprano perdida em uma macumba para turista ver, emulando uma tal de carmen miranda que havia chegado com muito sucesso nos estados unidos em 1939.



impressionante os paralelos biográficos de elsie com a portuguesa-carioca que ganhou o mundo através de hollywood e se tornou a primeira imagem brasileira pop global. e iara costura todo esse tropicalismo em um video de pouco mais de dois minutos.

p.s.: ah, iara tem feito uns vídeos-poesia olhando direto pra câmera em um blog próprio, o iara diária. vale bem a visita.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

chico, apenas chico

não tenho nada o que falar sobre chico (biscoito fino, 2011) além de que achei um disco chato, arrastado, sem brilho. adoraria ter gostado, mas não aconteceu. acredito, sinceramente, que os arranjos do violonista luiz cláudio ramos, o jaques morelenbaum de chico buarque, ajudam e muito nessa sensação que tive de mesmice. pode ser chatice minha também. o lado bom é que mais uma vez o bruno natal acompanhou as gravações com sua câmera (já tinha acontecido na época do carioca) e o resultado é o ótimo dia voa, documentário disponível na íntegra junto com outros quitutes no chico buarque: bastidores. chico é figuraça.

Chico - "Dia Voa" from Chico Buarque: Bastidores

pra não dizer que não gostei de nada, achei bonita a última faixa, "sinhá", um afrosamba dolorido. e só. a música é parceria de chico com joão bosco, que toca violão e faz uns vocais.


Chico: Bastidores - Clipe "Sinhá" from Chico Buarque: Bastidores

p.s. 1: no mais, engraçado comparar o chico do disco chico com sua participação em "embebedado", uma das faixas de indivisível de zé miguel wisnik (assunto de um recente letra/música). o arranjo da música tem poucos instrumentos, mas seus poucos minutos são mais modernos que o disco inteiro do chico. mais engraçado ainda é acompanhar as piruetas intelectuais do violonista arthur nestrovski, músico presente em quase todas as faixas do disco duplo de wisnik, ao defender chico no estadão.

p.s. 2: quase ia esquecendo de colocar um dos trechos mais divertidos desses bastidores filmados (e que não está no dia voa). é quando chico comenta e racha o bico com a descoberta dessa tal internet (e desse pessoal que povoa as caixas de comentários).

Video do dia: Comentários na Internet from Chico Buarque: Bastidores on Vimeo

terça-feira, 26 de julho de 2011

bjork por michel gondry

está programado para sair em setembro o novo disco da bjork, biophilia, mas uma música já ganhou clipe e novamente a cantora islandesa chamou michel gondry, amigo-parceiro de longa data, para dirigí-lo. com vocês, "crystalline".



mas aqui no esforçado o lance é entregar mais, um pouco mais. então resolvi aproveitar para deixar aqui o registro de uma das colaborações mais interessantes na história do pop entre uma artista e um diretor de clipes. seguem abaixo todos os outros videos de bjork dirigidos, com maior ou menor maestria, por michel gondry.

>> "declare independence" é do disco volta (2007)



>> uma das mais belas músicas de bjork e um dos clipes mais bacanas da história mundial dos clipes, "bachelorette" é do disco homogenic (1997). "jóga", logo abaixo, é do mesmo disco.





>> do ótimo disco post (1995), o segundo disco solo de bjork, saíram três excelentes clipes de gondry. destaque evidente para "army of me", outro vídeo clássico.







>> "human behaviour" é a primeira faixa de debut (1993), a estreia solo de bjork e também marcou a primeira colaboração com o diretor francês.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

rindo pra subir

massacre na noruega comandado por cavaleiro-viking-templário-solitário-loiro-ultra-direitista. morte precoce da doce-raivosa-judia-classe-média-londrina-com-voz-de-negra. dias malucos esses últimos. pra seguir vivendo, só rindo mesmo dessa "sociedade bolchevo-burguesa-social​isto-proto-cristóica", segundo as palavras de marcelo adnet disfarçado de arnaldo jabor.



via @torturra.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

yahoo #10

o tempo ruge, a lusitana roda e a "quinzenalidade" da ultra pop segue firme e forte. já está lá no yahoo o novo texto, "faça você mesmo", e aqui a segue o anterior, o décimo, que fala sobre a comédia nos dias de hoje e a relação tensa entre palco e público.

cartum de bruno maron, do dinâmica de bruto,
publicado na folha de são paulo

CÊ TÁ RINDO DO QUÊ?

Isso mesmo. Que tipo de humor você gosta? Pergunto isso porque parece que estamos vivendo um momento no qual comediantes e uma parcela do público entraram em declarado pé de guerra - ao mesmo tempo que uma nova geração de humoristas foi alçada ao posto de celebridade, são “influentes” no twitter e o diabo a quatro. Piadas viram motivo de polêmica, processo, perda de emprego/patrocínio, debate e, mais recentemente, agressão física.

Na verdade gostaria de entender o que passou pela cabeça do sujeito que na semana passada foi a um show de “comédia em pé” em São Paulo, não gostou de uma piada sobre gordos, levantou-se da sua poltrona, foi até o palco onde estava o humorista e o esbofeteou. Duas informações irrelevantes para o caso: o agressor era gordo e o agredido se chamava Ben Ludmer.

Mas, veja bem, o sujeito pagou 30 ou 40 reais (sem contar estacionamento, refrigerante e quetais), sentou na primeira fileira de um show de humor (que significa que será chamado a participar em algum momento) e, de uma hora para outra, decidiu que estava indignado ou insultado e que o autor daquelas piadas merecia um soco ao invés de uma vaia ou o silêncio. Não dá para entender. Afinal, ninguém vai a um show de humor sem saber o que vai acontecer. É como ir no Teatro Oficina e ficar chocado por ver gente pelada, né não João do Morro?



Não acredito em assuntos tabu para comédias (ou dramas). Tudo pode virar piada. Tudo mesmo. Se boa ou ruim é outra história. E se alguém se sente insultado que faça algo a respeito: processe, boicote produtos relacionados, promova manifestações, xingue muito no twitter, sei lá.

Apesar do nobre trabalho de fazer rir, os humoristas não possuem um salvo-conduto divino para falar o que bem entenderem. Piadas são ações que, como tudo na vida, geram reações e não adianta chorar e clamar pela Santa Liberdade de Expressão (essa liberdade é para todos, lembrem-se).

Por exemplo, não deu para passar batido pela tal piada do Rafinha Bastos que dizia que as mulheres feias deveriam agradecer seus estupradores, registrada em reportagem da Rolling Stone Brasil. Além de ser fraca, a piada foi irresponsável em um tempo com tantos casos impunes de violência contra mulheres. Taí uma que daria muito bem para ser perdida em nome do respeito a próxima.

Não foi o que aconteceu e o “humor transgressor” mostrou sua cara mais atrasada, rindo com o preconceito e não do preconceito, do absurdo. Foram totalmente justificáveis as manifestações contrárias a tal piada, nada de censura ou de patrulha do politicamente correto. Muito diferente da reação do maluco do teatro na semana passada.

Acho até que ele não se insultou com a piada sobre gordos, mas é que seu vazio é tão imperativo que só lhe resta acreditar que sua opinião é a verdade absoluta e que sua forma mais bem acabada é a agressão. É uma dureza saber rir de si próprio.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

letra/música #24

sou muito fã de zé miguel wisnik, de sua voz pequena, de suas melodias rebuscadas, de sua poesia lírica e próxima. nem lembro direito como o conheci, mas provavelmente foi via o pessoal do rumo (ná ozzetti, luiz tatit, etc) no final dos anos 1990. sei que quando ouvi seu primeiro disco, josé miguel wisnik (camerati, 1992), fiquei encantado por várias músicas: "se meu mundo cair", "laser", "mundo cruel" e "a primeira vez, mamãe, que eu fui ao cinema", por exemplo. depois conheci seu lado ensaísta e vieram outros discos, os igualmente belos são paulo rio (maianga discos, 2000) e pérolas aos poucos (maianga discos, 2003), e a direção musical de do cóccix até o pescoço (maianga disco, 2003) da elza soares. só depois de tudo isso conheci suas trilhas para os espetáculos de dança do grupo corpo (nazareth, parabelo e onqotô). e é deste último, uma parceria de wisnik com caetano veloso lançada em 2005, que saiu a "mortal loucura", música feita em cima de um soneto de gregório de matos (1636-1695). detalhe: a versão que segue logo abaixo está no recém lançado indivisível (circus produções, 2011), lindo disco duplo que reúne inéditas, regravações, composições não registradas por ele, em arranjos enganosamente simples com pouca instrumentação. ao lado de wisnik em quase todas as músicas, os instrumentistas-amigos arthur nestrovski (violão), marcelo jeneci (piano e acordeon), márcio arantes (baixo) e sergio reze (bateria).

dividindo o indivisível

mortal loucura
(zé miguel wisnik sobre o poema de gregório de matos também conhecido como "no sermão que pregou na madre de deus dom joão franco de oliveira, pondera o poeta a fragilidade humana")

na oração que desaterra... a terra,
quer deus que a quem está o cuidado... dado,
pregue que a vida é emprestado... estado,
mstérios mil que desenterra... enterra.

quem não cuida de si que é terra... erra,
que o alto Rei por afamado... amado,
e quem lhe assiste ao desvelado... lado,
da morte ao ar não desaferra... aferra.

quem do mundo a mortal loucura... cura,
à vontade de deus sagrada... agrada,
firmar-lhe a vida em atadura... dura.

ó voz zelosa que dobrada... brada,
já sei que a flor da formosura... usura,
será no fim desta jornada... nada.




p.s.: e olha aqui o lindo trecho do espetáculo
onqotô (2005) no qual aparece a versão original de "mortal loucura" com wisnik e caetano alternando vocais entre efeitos, ecos e silêncios.

terça-feira, 19 de julho de 2011

da vida das marionetes

a costumeira genialidade de spike jonze no segundo clipe de hot sauce committee part two (emi, 2011) dos beastie boys. imagino o quanto deve ter sido divertido fazer esse filme.



"don't play no game that i can't win" é uma das melhores músicas do disco e dá uma vontade danada de ouvir coisas novas da vocalista convidada, a santigold, que estreou em 2008 com um discaço ("l.e.s. artistes", "my superman", "creator", "you'll find a way", "shove it", tanta música boa em santogold) e deu uma desaparecida até retornar nesta onda dos beastie boys.

é verdade, podiscrê

via fuck yeah dementia. só podia.

p.s.: e acabei colocando essa imagem no blog só de birra, afinal o censurador bunda mole do facebook não permitiu (disse que era conteúdo previamente sinalizado como abusivo ou algo assim).

segunda-feira, 18 de julho de 2011

cruzando músicas

pois então, um produtor de nova york, max tannone, tem feito mashups cabulosos misturando dub com rap, afrobeat com rap, rap com rock, rap com rap, enfim, o diabo! de seus ouvidos e aparelhos sairam trabalhos como jaydiohead (jay-z + radiohead), doublecheck your head (beastie boys + beastie boys), selene (falas do filme lunar + músicas do compositor clint mansell) e a excelente dobradinha mos dub (mos def + dub) e dub kweli (talib kweli + dub). seu mais recente projeto de mashups, ghostfunk, é uma mistura de raps do veterano ghostface killah (wu-tang clam) com sons africanos da pesada de ebo taylor, victor uwaifo, lijadu sisters, rob kanda, honey & the bees band e gyedu blay-ambolley, entre outros. o resultado é bem massa. escute aí logo abaixo e baixe se quiser, pois tannone libera geral.

Ghostfunk by Max Tannone

dizem que roque santeiro...

nessa edição de julho da revista monet, a nº 100, estreamos uma seção que trará reportagens sobre bastidores de clássicos da tv e do cinema. começamos com roque santeiro, que volta a ser exibida a partir de hoje às 0h15 no canal viva, e também escrevi a segunda, sobre a minissérie agosto, que está na edição de agosto que acabamos de mandar pra gráfica. agradecimentos a itaici brunetti perez que entrevistou lima duarte e josé wilker.

tô certa ou tô errada?

CLÁSSICOS - ROQUE SANTEIRO

Poucas cidades fictícias são tão profundamente brasileiras como Asa Branca, e não coincidentemente ela foi o principal cenário de uma das novelas de maior sucesso no país. A vegetação e os sotaques de várias regiões foram misturados em vários metros quadrados de ilusão em Guaratiba, extrema Zona Oeste do Rio de Janeiro, e personagens memoráveis como Viúva Porcina, Sinhozinho Malta e Zé das Medalhas encarnaram tipos muito reconhecíveis tanto naquele ano de 1985 quanto agora. Mas a história de Roque Santeiro, que agora ocupa o lugar da reprise de Vale Tudo no Canal Viva, não foi um mar de rosas e teve um início bastante conturbado anos antes de sua consagração.

Tudo começou com Dias Gomes (1922-1999), seu autor, que em 1963 escreveu O Berço do Herói. Dois anos depois, e já com o país mergulhado na ditadura militar, a peça teatral foi censurada e proibida (tratava de um falso herói que foi integrante da Força Expedicionária Brasileira), e de nada adiantou Gomes ter feito tanto sucesso com O Pagador de Promessas e O Bem Amado. Para os militares, o autor baiano era um comunista e isso bastava para qualquer proibição.

Dez anos depois, e com a repressão militar ainda mais forte, a TV Globo decidiu produzir sua primeira novela a cores e chamou Dias Gomes para escrevê-la. Daí surgiu Roque Santeiro, uma adaptação de O Berço do Herói ambientada na fictícia Asa Branca e com o trio de protagonistas interpretados por Betty Faria (Viúva Porcina), Lima Duarte (Sinhozinho Malta) e Francisco Cuoco (Roque Santeiro). Tudo corria às mil maravilhas quando uma ligação telefônica de Gomes foi interceptada pelos militares e sua esperteza foi descoberta.

Com dez capítulos editados e quase trinta gravados, Roque Santeiro foi proibida pela Censura Federal na noite de sua estreia. A justificativa era curta, grossa e, claro, sem direito de resposta: “A novela contém ofensa à moral, à ordem pública e aos bons costumes, bem como achincalhe à Igreja.” Apressadamente, a Globo colocou no ar uma reprise de Selva de Pedra, enquanto outra era escrita (Pecado Capital). Ironicamente as duas eram assinadas por Janete Clair, então mulher de Dias Gomes.

Foram preciso mais dez anos para que o público brasileiro conseguisse assistir as estripulias dos moradores de Asa Branca. Só que a essa altura do campeonato, Gomes não queria mais saber de escrever novelas e indicou o iniciante Aguinaldo Silva para o seu lugar. “Dias tinha 40 capítulos da primeira fase de Roque Santeiro já escritos. Eram capítulos mais curtos para as 22h. Fiz uma readaptação para o horário das 20h, mexi em todos os capítulos já prontos e, a partir dali, continuei a novela. Fui até o capítulo 163 e Roque Santeiro se tornou uma obsessão nacional. Mas o Dias decidiu que ele é que teria que acabar a novela. Tivemos um grande arranca-rabo por causa disso. A desavença durou anos, mas, a certa altura, acabou. (...) Sempre digo que Roque Santeiro é uma novela de Dias Gomes escrita por mim”, declarou Silva no livro Autores - Histórias da Teledramaturgia.



Como sinal de respeito, os atores e atrizes da primeira versão foram chamados para reprisar seus papéis, mas poucos concordaram e do trio principal apenas Lima Duarte seguiu como Sinhozinho Malta. “Pouca coisa mudou de uma versão para outra. O que mudou mais foi a relação com os outros personagens, o que altera muito na composição. Por exemplo, o bordão ‘tô certo ou tô errado?’ já existia e era do Dias Gomes, mas o barulho de cascavel, na hora de balançar o relógio, foi idéia minha”, relembrou Lima Duarte em entrevista para MONET. E ao seu lado, nessa versão definitiva de 1985, vieram Regina Duarte (Porcina) e José Wilker (Roque).

O humor escrachado disfarçando críticas sociais, os bordões inesquecíveis para inúmeras gerações, tudo isso e muito mais estão nos 209 capítulos de Roque Santeiro, e boa parte é de responsabilidade de Aguinaldo Silva. “Nunca havia feito uma comédia e, quando comecei a escrever Roque, descobri que essa era a minha praia, o tipo de trabalho que queria fazer. Percebi que, através da comédia exacerbada e da farsa, conseguia dizer coisas que, provavelmente, se fizesse a sério, não teriam a mesma força.”

E assim, sem perceber, o espectador era levado a entrar gargalhando nessa história sobre um herói/santo de mentira (Roque Santeiro) que todos achavam que estava morto e que volta a sua cidade natal, atrapalhando a vida dos poderosos do lugar (Sinhozinho Malta, o prefeito Florindo Abelha e o empresário Zé das Medalhas) e das mulheres do seu passado (Viúva Porcina e Mocinha Abelha). Para bagunçar ainda mais o coreto, uma equipe de filmagem chega a Asa Branca para reencenar as aventuras desse “santo homem” e o ator que faz Roque Santeiro (Fábio Jr.) dá em cima de boa parte do elenco feminino. Realmente não dava para acompanhar o cotidiano de Asa Branca de forma séria.

O sucesso da novela foi tão grande que a audiência girava em torno de 60 milhões de espectadores, o que na época representava de 67% a 80% das TVs ligadas, segundo dados do IBOPE. E ainda ganhou livro, álbum de figurinhas, duas trilhas sonoras e exibições de sucesso em Cuba e Angola (o mercado popular da capital Luanda é até hoje chamado de Roque Santeiro), além de ter marcado a estreia em novelas de Patrícia Pillar, Maurício Mattar e Cláudia Raia. Sem falar que Raia e Yoná Magalhães ainda posaram nuas para a Playboy.

“Só fui perceber que Roque Santeiro foi importante depois que acabou, o que e me levou a olhar para a televisão de um modo diferente, como um veículo realmente capaz de conversar com um país. Eu tinha a sensação que antes do Roque Santeiro, o Brasil era um país que se dividia pelo menos em quatro, porque o Acre não conversava com o Rio Grande do Sul, Roraima não conversava com Goiás, e por aí vai. A gente era muito estranho um pro outro, e depois da novela, viajando pelo país, de repente eu percebi o quanto a televisão tinha sido capaz a ajudar este país a ser um só”, afirmou José Wilker a MONET durante uma brecha nas filmagens de seu primeiro longa como diretor, Giovanni Improta (personagem criado por Aguinaldo Silva, vejam só).

Se Wilker demonstrou alegria ao falar sobre a volta da novela, Lima Duarte pareceu um pouco temeroso. “Estou apavorado. Tem uma expectativa tão grande em torno da reprise que tenho receio de que as pessoas se decepcionem. Peço ao expectador que se lembre de que ainda não tínhamos internet. Por outro lado, peito e bunda não tinham tanta importância e os galãs ainda não eram um iogurte e, o mais importante, ainda não existia o BBB.” Sim, a realidade era outra, mas Asa Branca continua afiada como sempre.


p.s.: os dois volumes da trilha sonora de roque santeiro fizeram muito, muito, muito sucesso. pense em "isso aqui tá bom demais" (dominguinhos e chico buarque), "sem pecado e sem juízo" (baby consuelo), "mistérios da meia noite" (zé ramalho), "de volta pro aconhego" (elba ramalho), "vitoriosa" (ivan lins) ou então "chora coração" (wando), aqui numa versão voz & violão caseiro do usuário Apoc4liptico, conterrâneo meu de fortaleza.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

transversão #40

muito engraçadinho esse caetano veloso que fez uma letra em inglês para sua irmã maria bethânia (logo ela que não canta em inglês) e lançou no primeiro disco que fez no exílio londrino, o ótimo caetano veloso (philips/universal, 1971). talvez pela própria língua escolhida "maria bethânia" foi poucas vezes regravada por aqui. a mana gal costa registrou em seu histórico ao vivo fa-tal, também de 1971. tem também uma versão instrumental comandada pelo violonista leandro carvalho e que saiu no disco london poem (independente, 2004) e até a própria bethânia usou-a para abrir o show-disco nossos momentos (philips/universal, 1982) de um jeito mezzo instrumental mezzo cantado pelas backing vocals de forma resumida (ela mesmo só entra depois, claro). mas escolhi aqui a recente "maria bethânia" que caetano colocou no repertório da turnê do disco zii e zie (universal, 2009) e que saiu no potente mtv ao vivo - zii e zie (universal, 2011). como a banda cê detona, heim?



a outra participação nesse transversão é uma ótima regravação que apareceu em 2009 pelas mãos e gogós da dupla peixoto & maxado. maxado é felipe machado, vocalista da firebug, e o clima é de um ska pouco mais lento e extremamente original. a música acabou sendo registrada no disco i wanna shoyu (independente, 2010). saca só.




p.s.: depois de fechar essas duas versões encontrei uma dos franceses do les beaux bizarres que fizeram a sua "maria bethânia" de um jeito assim meio iggy pop e um ótimo remix da original caetanística feito pelo dj e produtor pedro zopelar.

terça-feira, 12 de julho de 2011

grandes diálogos da humanidade

elena neves (a espanhola elsa pataky) é policial rodoviária recém viúva. seu marido era policial e foi assassinado, por isso ela entrou na corporação. foi convocada pelo agente hobbs (dwayne 'the rock' johnson) por estar motivada e por ser a única incorruptível na polícia carioca na caça a dominic torello (vin diesel) e brian o'conner (paul walker). em uma sequência anterior de velozes & furiosos 5 - operação rio ela cruza caminho com dominic em meio a um tiroteio/correria na favela e acaba fica com seu crucifixo. nessa sequência interna e noturna de pouco mais de 2 minutos ela chega em casa e ele a está esperando nas sombras. ele a desarma, tampa sua boca, depois tira a mão e puxa o crucifixo. está saindo, calado, quando... ah, pense numa tensão sexual.

elena - não entendo. porque vir aqui? porque arriscar tudo por um pedaço de prata de 20 dólares?
dominic - porque isso vale a pena.
elena - você deveria fugir. hobbs te encontrará. você tem todos os motivos para fugir. porque ficar?
dominic [olha para retratos na parede; em um deles está o marido morto dela] - e porque você fica?
elena - meu marido era um bom policial. um homem honesto. nós crescemos juntos nesse bairro. dois anos atrás ele foi morto na rua, bem na porta da nossa casa. reyes [o grande bandido traficante empresário que é dono do rio, interpretado pelo ator português joaquim de almeida] é o dono dessa favela agora. ele dá coisas às pessoas. mas tudo tem um preço. as pessoas daqui precisam de um novo começo. elas precisam ser livres.
[dominic bufa e deixa a arma dela numa mesa]
elena - vocês não mataram aqueles homens [agentes das narcóticos] no trem, não é?
dominic - e porque você acreditaria em alguma coisa que eu falasse? [e sai, mas enquanto abre a porta...]
elena - ei! porque ela [a imagem/crucifixo] é tão especial pra você?
dominic - nunca pensei que alguém entenderia. mas você consegue [e sai, vai embora].


carinho só depois do corre, tá ligado?

algumas boas cenas de ação quase compensam as duas horas de constrangimento geográfico-comportamental-cultural-cinematográfico de velozes & furiosos 5. também é possível rir de tudo isso, facilmente. só depende do seu humor.